Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

Consumo do entretenimento já ultrapassa o da leitura no Reino Unido

O consumo de produtos destinados ao entretenimento doméstico em todas as formas de suportes de música, vídeo e jogos digitais, incluindo as assinaturas de serviços de streaming, ultrapassou pela primeira vez, no Reino Unido, o do texto impresso, na forma de livros, jornais e revistas. O crescimento dos primeiros, que se deve muito à crescente popularidade de distribuidoras digitais como a Netflix, Amazon e Spotify, chegou aos 7,2 biliões de libras durante o ano de 2017, enquanto a “palavra impressa” ficou, no mesmo período, pelos 7,1 biliões. A informação é de um relatório da Entertainment Retailers Association.

“Trata-se de um extraordinário testemunho do apelo e ressonância dos serviços de entretenimento digital, que eles tenham trazido o entretenimento doméstico até este marco de referência”  - afirmou Kim Bailey, director executivo da ERA. 

Segundo The Guardian, que aqui citamos, o gasto em produtos da “palavra impressa” teve o seu auge em 2007, com 8.3 biliões de libras, “e desde então tem vindo a debater-se para substituir a receita perdida nos formatos físcos tradicionais por novos ganhos no digital”. 

As vendas dos e-books estão no seu ponto mais baixo desde 2011, “o ano em que arrancou esta ‘moda’, quando a Amazon Kindle, de Jeff Bezos, e líder do mercado, tomou de assalto o Reino Unido”. 

“A recessão de 2008-09 atingiu tanto o mercado do entretenimento como o da leitura”  - explica Themis Kokolakakis, do Leisure Industries Research Centre

“Depois de 2012, o mercado do entretenimento recuperou fortemente. Os media tradicionais estão sob pressão, em parte porque há tanta concorrência pelo tempo e atenção das pessoas. O entretenimento cresceu, enquanto a leitura estagnou.” 

Citando ainda The Guardian, “há cinco anos, 80% das receitas eram geradas por formatos do tipo ‘comprar para guardar’, como os CD’s e DVD’s; agora, 56% das receitas são provenientes de fontes digitais, incluindo o streaming de vídeo, o aluguer electrónico de filmes, assinaturas, jogos online para vários participantes e aquisições em aplicações de dispositivos móveis”. 

Ironicamente, há dois produtos físicos que travam a tendência de descida. Um é o ‘renascimento’ do vinil, com as vendas de LP’s a subirem quase 35% no ano passado. Outro é o do software físico para consolas de jogos, como a Nintendo Switch, a Xbox e a PlayStation, que também estão de volta, subindo 5% até chegar aos 750 milhares de libras  - o seu primeiro crescimento numa década. 

 

O texto citado, em The Guardian

Connosco
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Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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