Quarta-feira, 19 de Setembro, 2018
Media

Consumo do entretenimento já ultrapassa o da leitura no Reino Unido

O consumo de produtos destinados ao entretenimento doméstico em todas as formas de suportes de música, vídeo e jogos digitais, incluindo as assinaturas de serviços de streaming, ultrapassou pela primeira vez, no Reino Unido, o do texto impresso, na forma de livros, jornais e revistas. O crescimento dos primeiros, que se deve muito à crescente popularidade de distribuidoras digitais como a Netflix, Amazon e Spotify, chegou aos 7,2 biliões de libras durante o ano de 2017, enquanto a “palavra impressa” ficou, no mesmo período, pelos 7,1 biliões. A informação é de um relatório da Entertainment Retailers Association.

“Trata-se de um extraordinário testemunho do apelo e ressonância dos serviços de entretenimento digital, que eles tenham trazido o entretenimento doméstico até este marco de referência”  - afirmou Kim Bailey, director executivo da ERA. 

Segundo The Guardian, que aqui citamos, o gasto em produtos da “palavra impressa” teve o seu auge em 2007, com 8.3 biliões de libras, “e desde então tem vindo a debater-se para substituir a receita perdida nos formatos físcos tradicionais por novos ganhos no digital”. 

As vendas dos e-books estão no seu ponto mais baixo desde 2011, “o ano em que arrancou esta ‘moda’, quando a Amazon Kindle, de Jeff Bezos, e líder do mercado, tomou de assalto o Reino Unido”. 

“A recessão de 2008-09 atingiu tanto o mercado do entretenimento como o da leitura”  - explica Themis Kokolakakis, do Leisure Industries Research Centre

“Depois de 2012, o mercado do entretenimento recuperou fortemente. Os media tradicionais estão sob pressão, em parte porque há tanta concorrência pelo tempo e atenção das pessoas. O entretenimento cresceu, enquanto a leitura estagnou.” 

Citando ainda The Guardian, “há cinco anos, 80% das receitas eram geradas por formatos do tipo ‘comprar para guardar’, como os CD’s e DVD’s; agora, 56% das receitas são provenientes de fontes digitais, incluindo o streaming de vídeo, o aluguer electrónico de filmes, assinaturas, jogos online para vários participantes e aquisições em aplicações de dispositivos móveis”. 

Ironicamente, há dois produtos físicos que travam a tendência de descida. Um é o ‘renascimento’ do vinil, com as vendas de LP’s a subirem quase 35% no ano passado. Outro é o do software físico para consolas de jogos, como a Nintendo Switch, a Xbox e a PlayStation, que também estão de volta, subindo 5% até chegar aos 750 milhares de libras  - o seu primeiro crescimento numa década. 

 

O texto citado, em The Guardian

Connosco
Plataformas tecnológicas estão a sentar-se no coração do jornalismo Ver galeria

Na relação difícil que se tem desenvolvido, nestes últimos anos, entre as plataformas tecnológicas e os publishers dos media, a iniciativa foi sempre das primeiras e a intimidade nunca foi tanta como agora, com as plataformas “a tomarem mais decisões deliberadas que afectam o jornalismo e a colocação e distribuição das notícias”. Embora já haja editores a praticarem um “desacoplamento consciente” da sua dependência das plataformas, do lado destas vem um movimento muito claro de se envolverem cada vez mais no “apoio financeiro directo a determinados tipos de jornalismo”. Isto significa que plataformas “movidas pelo lucro” estão a “sentar-se desconfortavelmente no coração do jornalismo e das notícias”.

É esta a reflexão inicial de Emily Bell, directora do Tow Center for Digital Journalism  - que esteve em Lisboa, na cimeira da Global Editors Network -  no texto de apresentação de um relatório sobre o estado das relações entre publishers e plataformas.

Empresas de Media alimentam monstros que as fazem passar fome... Ver galeria

Tanto a Google como o Facebook têm estado a enviar dinheiro para apoio a projectos jornalísticos. Só nestes últimos três anos, as duas empresas juntas já destinaram mais de 500 milhões de dólares a vários programas ou parcerias com os media. Estas mega plataformas contam-se agora entre as maiores financiadoras do jornalismo. A ironia é que foi o desmantelamento da publicidade tradicional, em grande parte cometido por elas, que deixou as empresas jornalísticas neste sufoco de necessidade. O resultado é uma aliança disfuncional. Mesmo os que recebem estes apoios acham que as doações são “dinheiro culpado”, enquanto as gigantes tecnológicas procuram melhorar a imagem e conquistar amigos numa comunidade jornalística que  - sobretudo agora -  parece abertamente hostil.

O Clube

Lançado em Novembro de 2015, este site do Clube Português de Imprensa tem desenvolvido, desde então, um trabalho de acompanhamento das tendências dominantes, quer no mercado de Imprensa, quer nos media audiovisuais em geral e na Internet em particular.

Interessa-nos, também, debater o jornalismo e o modo como é exercido, em Portugal e fora de fronteiras,  cumprindo um objectivo que está na génese desta Associação.


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