Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Media

Consumo do entretenimento já ultrapassa o da leitura no Reino Unido

O consumo de produtos destinados ao entretenimento doméstico em todas as formas de suportes de música, vídeo e jogos digitais, incluindo as assinaturas de serviços de streaming, ultrapassou pela primeira vez, no Reino Unido, o do texto impresso, na forma de livros, jornais e revistas. O crescimento dos primeiros, que se deve muito à crescente popularidade de distribuidoras digitais como a Netflix, Amazon e Spotify, chegou aos 7,2 biliões de libras durante o ano de 2017, enquanto a “palavra impressa” ficou, no mesmo período, pelos 7,1 biliões. A informação é de um relatório da Entertainment Retailers Association.

“Trata-se de um extraordinário testemunho do apelo e ressonância dos serviços de entretenimento digital, que eles tenham trazido o entretenimento doméstico até este marco de referência”  - afirmou Kim Bailey, director executivo da ERA. 

Segundo The Guardian, que aqui citamos, o gasto em produtos da “palavra impressa” teve o seu auge em 2007, com 8.3 biliões de libras, “e desde então tem vindo a debater-se para substituir a receita perdida nos formatos físcos tradicionais por novos ganhos no digital”. 

As vendas dos e-books estão no seu ponto mais baixo desde 2011, “o ano em que arrancou esta ‘moda’, quando a Amazon Kindle, de Jeff Bezos, e líder do mercado, tomou de assalto o Reino Unido”. 

“A recessão de 2008-09 atingiu tanto o mercado do entretenimento como o da leitura”  - explica Themis Kokolakakis, do Leisure Industries Research Centre

“Depois de 2012, o mercado do entretenimento recuperou fortemente. Os media tradicionais estão sob pressão, em parte porque há tanta concorrência pelo tempo e atenção das pessoas. O entretenimento cresceu, enquanto a leitura estagnou.” 

Citando ainda The Guardian, “há cinco anos, 80% das receitas eram geradas por formatos do tipo ‘comprar para guardar’, como os CD’s e DVD’s; agora, 56% das receitas são provenientes de fontes digitais, incluindo o streaming de vídeo, o aluguer electrónico de filmes, assinaturas, jogos online para vários participantes e aquisições em aplicações de dispositivos móveis”. 

Ironicamente, há dois produtos físicos que travam a tendência de descida. Um é o ‘renascimento’ do vinil, com as vendas de LP’s a subirem quase 35% no ano passado. Outro é o do software físico para consolas de jogos, como a Nintendo Switch, a Xbox e a PlayStation, que também estão de volta, subindo 5% até chegar aos 750 milhares de libras  - o seu primeiro crescimento numa década. 

 

O texto citado, em The Guardian

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As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

Como captar audiência e ser fiel ao bom jornalismo Ver galeria

A crise que tem atingido os meios de comunicação, nos últimos anos, com a queda constante das receitas da publicidade e a dependência incerta da adesão dos leitores, tem conduzido editores e jornalistas a apostarem sobretudo nesta segunda direcção. Reatar relações de confiança e construir “audiências leais em torno de um jornalismo de qualidade”, parece ser o único caminho sólido, mesmo que não seja fácil. Os fundamentos da próxima geração de modelos sustentáveis de receita para os media “serão contribuições directas da sua audiência, apoiados por altos níveis de compromisso dos leitores”.

Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

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