Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

Consumo do entretenimento já ultrapassa o da leitura no Reino Unido

O consumo de produtos destinados ao entretenimento doméstico em todas as formas de suportes de música, vídeo e jogos digitais, incluindo as assinaturas de serviços de streaming, ultrapassou pela primeira vez, no Reino Unido, o do texto impresso, na forma de livros, jornais e revistas. O crescimento dos primeiros, que se deve muito à crescente popularidade de distribuidoras digitais como a Netflix, Amazon e Spotify, chegou aos 7,2 biliões de libras durante o ano de 2017, enquanto a “palavra impressa” ficou, no mesmo período, pelos 7,1 biliões. A informação é de um relatório da Entertainment Retailers Association.

“Trata-se de um extraordinário testemunho do apelo e ressonância dos serviços de entretenimento digital, que eles tenham trazido o entretenimento doméstico até este marco de referência”  - afirmou Kim Bailey, director executivo da ERA. 

Segundo The Guardian, que aqui citamos, o gasto em produtos da “palavra impressa” teve o seu auge em 2007, com 8.3 biliões de libras, “e desde então tem vindo a debater-se para substituir a receita perdida nos formatos físcos tradicionais por novos ganhos no digital”. 

As vendas dos e-books estão no seu ponto mais baixo desde 2011, “o ano em que arrancou esta ‘moda’, quando a Amazon Kindle, de Jeff Bezos, e líder do mercado, tomou de assalto o Reino Unido”. 

“A recessão de 2008-09 atingiu tanto o mercado do entretenimento como o da leitura”  - explica Themis Kokolakakis, do Leisure Industries Research Centre

“Depois de 2012, o mercado do entretenimento recuperou fortemente. Os media tradicionais estão sob pressão, em parte porque há tanta concorrência pelo tempo e atenção das pessoas. O entretenimento cresceu, enquanto a leitura estagnou.” 

Citando ainda The Guardian, “há cinco anos, 80% das receitas eram geradas por formatos do tipo ‘comprar para guardar’, como os CD’s e DVD’s; agora, 56% das receitas são provenientes de fontes digitais, incluindo o streaming de vídeo, o aluguer electrónico de filmes, assinaturas, jogos online para vários participantes e aquisições em aplicações de dispositivos móveis”. 

Ironicamente, há dois produtos físicos que travam a tendência de descida. Um é o ‘renascimento’ do vinil, com as vendas de LP’s a subirem quase 35% no ano passado. Outro é o do software físico para consolas de jogos, como a Nintendo Switch, a Xbox e a PlayStation, que também estão de volta, subindo 5% até chegar aos 750 milhares de libras  - o seu primeiro crescimento numa década. 

 

O texto citado, em The Guardian

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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