Quarta-feira, 19 de Setembro, 2018
Mundo

Carta aberta de 38 Prémios Nobel em defesa da liberdade de expressão na Turquia

Um grupo de 38 personalidades laureadas com o Pémio Nobel dirigiu publicamente um apelo ao Presidente Erdogan, da Turquia, condenando a “detenção arbitrária e acusação injustificada de escritores e pensadores” e pedindo um “regresso rápido ao Estado de Direito e a uma total liberdade de palavra e de expressão”. O documento refere-se em especial aos detidos na vaga de repressão que se seguiu ao golpe falhado de Julho de 2016, entre eles o escritor Ahmet Altan e o seu irmão Mehmet Altan, professor e ensaista, a jornalista Nazli Ilicak e muitos outros jornalistas e escritores. O texto vem publicado em vários jornais europeus, entre eles Le Monde e The Guardian.

“O espaço de debate democrático na Turquia foi reduzido de modo inquietante pela constante perseguição judiciária de que são vítimas largas porções da sociedade  - entre elas jornalistas, deputados, académicos e cidadãos comuns -  e de uma acção governativa que restringe o pluralismo e conduz à autocensura.” (...) 

“As autoridades devem mudar rapidamente de sentido, restaurando a legislação e o procedimento penal, reconsolidar a independência da justiça e reafirmar o seu empenho em proteger a liberdade de expressão.” 

O documento que citamos abre com estas expressões do Memorando sobre a Liberdade de Expressão na Turquia, redigido no ano findo por Nils Muiznieks, Comissário para os Direitos do Homem no Conselho da Europa. 

O texto lembra ainda ao Presidente Erdogan: 

“Em Abril de 1998, também o senhor foi demitido das suas funções de Presidente da Câmara de Istambul, expulso de cargos políticos e condenado a dez meses de prisão por ter recitado um poema durante um discurso público, em Dezembro de 1997, na base do Artigo 312 do Código Penal. Era injusto, ilegal e cruel. Muitas organizações dos Direitos do Homem  - que nessa altura o defenderam -  sentem-se consternadas pelas violações actualmente em curso no seu país.” (...) 

“Durante uma cerimónia em honra de Çetin Altan, a 2 de Fevereiro de 2009, o senhor declarou publicamente que ‘a Turquia já não é a mesma velha Turquia que sentenciava os seus grandes escritores à prisão  - esse tempo foi-se de vez.’ Entre a audiência encontravam-se os dois filhos de Çetin Altan, Ahmet e Mehmet. Nove anos depois, eles estão condenados a prisão perpétua; não é esta uma contradição clamorosa?”

 

Mais informação em Le MondeL’Obs  e em The Guardian, que inclui a lista completa das 38 personalidades signatárias do apelo.

Connosco
Plataformas tecnológicas estão a sentar-se no coração do jornalismo Ver galeria

Na relação difícil que se tem desenvolvido, nestes últimos anos, entre as plataformas tecnológicas e os publishers dos media, a iniciativa foi sempre das primeiras e a intimidade nunca foi tanta como agora, com as plataformas “a tomarem mais decisões deliberadas que afectam o jornalismo e a colocação e distribuição das notícias”. Embora já haja editores a praticarem um “desacoplamento consciente” da sua dependência das plataformas, do lado destas vem um movimento muito claro de se envolverem cada vez mais no “apoio financeiro directo a determinados tipos de jornalismo”. Isto significa que plataformas “movidas pelo lucro” estão a “sentar-se desconfortavelmente no coração do jornalismo e das notícias”.

É esta a reflexão inicial de Emily Bell, directora do Tow Center for Digital Journalism  - que esteve em Lisboa, na cimeira da Global Editors Network -  no texto de apresentação de um relatório sobre o estado das relações entre publishers e plataformas.

Empresas de Media alimentam monstros que as fazem passar fome... Ver galeria

Tanto a Google como o Facebook têm estado a enviar dinheiro para apoio a projectos jornalísticos. Só nestes últimos três anos, as duas empresas juntas já destinaram mais de 500 milhões de dólares a vários programas ou parcerias com os media. Estas mega plataformas contam-se agora entre as maiores financiadoras do jornalismo. A ironia é que foi o desmantelamento da publicidade tradicional, em grande parte cometido por elas, que deixou as empresas jornalísticas neste sufoco de necessidade. O resultado é uma aliança disfuncional. Mesmo os que recebem estes apoios acham que as doações são “dinheiro culpado”, enquanto as gigantes tecnológicas procuram melhorar a imagem e conquistar amigos numa comunidade jornalística que  - sobretudo agora -  parece abertamente hostil.

O Clube

Lançado em Novembro de 2015, este site do Clube Português de Imprensa tem desenvolvido, desde então, um trabalho de acompanhamento das tendências dominantes, quer no mercado de Imprensa, quer nos media audiovisuais em geral e na Internet em particular.

Interessa-nos, também, debater o jornalismo e o modo como é exercido, em Portugal e fora de fronteiras,  cumprindo um objectivo que está na génese desta Associação.


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