Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

A mentira usada como ferramenta digital para influenciar a opinião pública

O site media tics, num artigo da autoria de Miguel Ángel Ossorio Veja, analisa a investigação do FBI sobre a suposta interferência russa nas eleições de 2016 nos Estados Unidos, e o rocambolesco Projecto Lakhta.

O autor refere que o desenho da complexa teia digital recorreu a ferramentas simples, que estavam ao alcance de qualquer pessoa, combinando redes sociais com os mais baixos instintos do ser humano.

Na Internet Research Agency, uma empresa de São Petersburgo fundada por um empresário próximo de Putin, promoviam-se mensagens políticas favoráveis ao poder instituído, sendo o público-alvo inicial na Rússia.
Ao verificar o potencial das ferramentas usadas, depressa se começaram a difundir mensagens para influenciar outros países, como foi o caso da Ucrânia e, mais tarde, dos Estados Unidos.

O Projecto Lakhta, que decorreu entre 2015 e 2016, teve como objectivo influenciar as eleições nos Estados Unidos, promovendo a exacerbação de factos que realmente aconteciam durante a campanha, e debatendo temas polémicos como a religião, os conflitos raciais, a homossexualidade, a imigração ou, ainda, a legislação sobre o uso de armas no país.

E o seu funcionamento era simples: um grupo estimado entre  400 a mil pessoas, segundo dados da investigação do FBI – preparavam, a partir de São Petersburgo,  mensagens radicais, verdadeiras e falsas, que eram publicadas em páginas e perfis do Facebook.

 

Criaram-se, ainda, centenas de perfis falsos para massificar as mensagens e chegar a mais gente. Um método semelhante foi utilizado no Twitter, onde dezenas de contas automatizadas (bots), “retuitavam” as publicações. No Google, recorreu-se à inserção de publicidade e o YouTube alojou mais de um milhar de vídeos.

Miguel Ángel Ossorio Veja, reflecte sobre o problema de fundo que na sua opinião, é menos, ideológico, social ou politico, mas sim de educação.

A maioria das mensagens que influenciaram as campanhas eleitorais nos Estados Unidos, bem como as suas réplicas na Europa, eram facilmente desmontadas através de uma simples pesquisa no Google e o acesso a meios de comunicação idóneos.

O problema é que o público-alvo destas mensagens não se socorre de meios sérios, apenas leem as noticias em redes sociais, alheando-se dos meios alternativos.

Os utilizadores de redes sociais são, desta forma, meros “peões” de uma trama que se aproveita da sua situação para conquistar um objectivo acabando eles por serem as vitimas.

O autor insiste na necessidade da importância do papel dos meios de comunicação profissionais, como refugio contra a mentira a desinformação, uma vez que estes são sujeitos a normas e leis que garantem a veracidade dos seus conteúdos. Há ,actualmente mais meios de comunicação do que nunca e raramente houve condições tão propícias para para comparar conteúdos.

O autor conclui propondo que, se a palavra do ano de 2016 foi “pos-verdade” a do ano de 2018 seja “confirmar", e que esta acção não seja património exclusivo dos jornalistas.

Leia aqui  na íntegra o artigo de Miguel Ángel Ossorio Veja

 

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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