Quarta-feira, 16 de Janeiro, 2019
Media

A mentira usada como ferramenta digital para influenciar a opinião pública

O site media tics, num artigo da autoria de Miguel Ángel Ossorio Veja, analisa a investigação do FBI sobre a suposta interferência russa nas eleições de 2016 nos Estados Unidos, e o rocambolesco Projecto Lakhta.

O autor refere que o desenho da complexa teia digital recorreu a ferramentas simples, que estavam ao alcance de qualquer pessoa, combinando redes sociais com os mais baixos instintos do ser humano.

Na Internet Research Agency, uma empresa de São Petersburgo fundada por um empresário próximo de Putin, promoviam-se mensagens políticas favoráveis ao poder instituído, sendo o público-alvo inicial na Rússia.
Ao verificar o potencial das ferramentas usadas, depressa se começaram a difundir mensagens para influenciar outros países, como foi o caso da Ucrânia e, mais tarde, dos Estados Unidos.

O Projecto Lakhta, que decorreu entre 2015 e 2016, teve como objectivo influenciar as eleições nos Estados Unidos, promovendo a exacerbação de factos que realmente aconteciam durante a campanha, e debatendo temas polémicos como a religião, os conflitos raciais, a homossexualidade, a imigração ou, ainda, a legislação sobre o uso de armas no país.

E o seu funcionamento era simples: um grupo estimado entre  400 a mil pessoas, segundo dados da investigação do FBI – preparavam, a partir de São Petersburgo,  mensagens radicais, verdadeiras e falsas, que eram publicadas em páginas e perfis do Facebook.

 

Criaram-se, ainda, centenas de perfis falsos para massificar as mensagens e chegar a mais gente. Um método semelhante foi utilizado no Twitter, onde dezenas de contas automatizadas (bots), “retuitavam” as publicações. No Google, recorreu-se à inserção de publicidade e o YouTube alojou mais de um milhar de vídeos.

Miguel Ángel Ossorio Veja, reflecte sobre o problema de fundo que na sua opinião, é menos, ideológico, social ou politico, mas sim de educação.

A maioria das mensagens que influenciaram as campanhas eleitorais nos Estados Unidos, bem como as suas réplicas na Europa, eram facilmente desmontadas através de uma simples pesquisa no Google e o acesso a meios de comunicação idóneos.

O problema é que o público-alvo destas mensagens não se socorre de meios sérios, apenas leem as noticias em redes sociais, alheando-se dos meios alternativos.

Os utilizadores de redes sociais são, desta forma, meros “peões” de uma trama que se aproveita da sua situação para conquistar um objectivo acabando eles por serem as vitimas.

O autor insiste na necessidade da importância do papel dos meios de comunicação profissionais, como refugio contra a mentira a desinformação, uma vez que estes são sujeitos a normas e leis que garantem a veracidade dos seus conteúdos. Há ,actualmente mais meios de comunicação do que nunca e raramente houve condições tão propícias para para comparar conteúdos.

O autor conclui propondo que, se a palavra do ano de 2016 foi “pos-verdade” a do ano de 2018 seja “confirmar", e que esta acção não seja património exclusivo dos jornalistas.

Leia aqui  na íntegra o artigo de Miguel Ángel Ossorio Veja

 

Connosco
Como os tablóides britânicos condicionaram debate sobre o Brexit Ver galeria

A Imprensa tablóide britânica tem uma longa tradição eurocéptica e eurofóbica, incluindo a promoção de várias “cruzadas” sobre “Euro-mitos” e o uso de títulos muitas vezes grosseiros. Jornais como The Daily Mail, o Sun ou The Daily Express, “foram muito activos a retratar o Reino Unido como vítima da conspiração ‘cosmopolítica’ de Bruxelas que, segundo alguns títulos, iria obrigar o Parlamento a banir as tradicionais cafeteiras ou lâmpadas eléctricas, ou obrigar as senhoras britânicas a devolverem antigos brinquedos sexuais, para se ajustarem às regras da UE”.

O modo como usaram e abusaram do termo “povo” desempenhou um papel crucial no modo como conseguiram “condicionar o debate sobre o referendo do Brexit em torno de dinâmicas tipicamente populistas”. A reflexão é de Franco Zappettini, docente de Comunicação e Media na Universidade de Liverpool, recentemente publicada no Observatório Europeu de Jornalismo.

Será o jornalismo o primeiro ou o segundo "rascunho da História"? Ver galeria

Segundo a citação tornada famosa, o jornalismo é apenas “o primeiro rascunho tosco da História”. Hoje, ultrapassado em velocidade e abundância de material por toda a desinformação que nos chega pela Internet, já nem isso consegue: o “primeiro rascunho”, agora, vem nas redes sociais, cheias de boatos e teorias de conspiração. E os nossos meios de fact-checking não conseguem ganhar a corrida.

“Fazer fact-checking a Donald Trump, por exemplo, é como ligar um detector de mentiras a um artista de stand-up comedy.”
E combater a desinformação pela Internet “é como disparar uma metralhadora contra um bando desordenado de pássaros.”

As imagens citadas são de James Harkin, director do Centre for Investigative Journalism, e a sua sugestão resume-se numa pergunta:

"Por que não tentarmos restaurar a nossa autoridade fazendo menos, mas com mais profundidade e contexto? O resultado seria um tipo mais lento de jornalismo, que assenta na acumulação de detalhes e aponta para as verdades escondidas por baixo. Esta nova abordagem ao jornalismo já está no ar e podemos chamar-lhe segundo rascunho."
O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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