Sexta-feira, 5 de Junho, 2020
Media

A mentira usada como ferramenta digital para influenciar a opinião pública

O site media tics, num artigo da autoria de Miguel Ángel Ossorio Veja, analisa a investigação do FBI sobre a suposta interferência russa nas eleições de 2016 nos Estados Unidos, e o rocambolesco Projecto Lakhta.

O autor refere que o desenho da complexa teia digital recorreu a ferramentas simples, que estavam ao alcance de qualquer pessoa, combinando redes sociais com os mais baixos instintos do ser humano.

Na Internet Research Agency, uma empresa de São Petersburgo fundada por um empresário próximo de Putin, promoviam-se mensagens políticas favoráveis ao poder instituído, sendo o público-alvo inicial na Rússia.
Ao verificar o potencial das ferramentas usadas, depressa se começaram a difundir mensagens para influenciar outros países, como foi o caso da Ucrânia e, mais tarde, dos Estados Unidos.

O Projecto Lakhta, que decorreu entre 2015 e 2016, teve como objectivo influenciar as eleições nos Estados Unidos, promovendo a exacerbação de factos que realmente aconteciam durante a campanha, e debatendo temas polémicos como a religião, os conflitos raciais, a homossexualidade, a imigração ou, ainda, a legislação sobre o uso de armas no país.

E o seu funcionamento era simples: um grupo estimado entre  400 a mil pessoas, segundo dados da investigação do FBI – preparavam, a partir de São Petersburgo,  mensagens radicais, verdadeiras e falsas, que eram publicadas em páginas e perfis do Facebook.

 

Criaram-se, ainda, centenas de perfis falsos para massificar as mensagens e chegar a mais gente. Um método semelhante foi utilizado no Twitter, onde dezenas de contas automatizadas (bots), “retuitavam” as publicações. No Google, recorreu-se à inserção de publicidade e o YouTube alojou mais de um milhar de vídeos.

Miguel Ángel Ossorio Veja, reflecte sobre o problema de fundo que na sua opinião, é menos, ideológico, social ou politico, mas sim de educação.

A maioria das mensagens que influenciaram as campanhas eleitorais nos Estados Unidos, bem como as suas réplicas na Europa, eram facilmente desmontadas através de uma simples pesquisa no Google e o acesso a meios de comunicação idóneos.

O problema é que o público-alvo destas mensagens não se socorre de meios sérios, apenas leem as noticias em redes sociais, alheando-se dos meios alternativos.

Os utilizadores de redes sociais são, desta forma, meros “peões” de uma trama que se aproveita da sua situação para conquistar um objectivo acabando eles por serem as vitimas.

O autor insiste na necessidade da importância do papel dos meios de comunicação profissionais, como refugio contra a mentira a desinformação, uma vez que estes são sujeitos a normas e leis que garantem a veracidade dos seus conteúdos. Há ,actualmente mais meios de comunicação do que nunca e raramente houve condições tão propícias para para comparar conteúdos.

O autor conclui propondo que, se a palavra do ano de 2016 foi “pos-verdade” a do ano de 2018 seja “confirmar", e que esta acção não seja património exclusivo dos jornalistas.

Leia aqui  na íntegra o artigo de Miguel Ángel Ossorio Veja

 

Connosco
Inteligência artificial inventa "robots" na China e Rússia mas não substitui papel do jornalista Ver galeria

A inteligência artificial está a ser introduzida em todos os sectores e os “media” não são excepção, recorda um editorial do jornal indiano “Policy Times”.

As redacções estão a adoptar sistemas automáticos para verificar factos, encontrar fontes, transcrever entrevistas, e detectar plágios.

Além disso, empresas de tecnologia, como a Microsoft, estão a dispensar os seus jornalistas, substituindo-os por sistemas artificiais, programados para redigir artigos com base em notícias já publicadas.

A equipa que desenvolvia o “site” não escrevia artigos originais, mas exercia controlo editorial, publicando conteúdos e manchetes, para que estas se adequassem ao perfil da plataforma.

Na China e na Rússia, a automatização está, ainda, mais avançada, agora que alguns canais já colocaram “robots” a apresentar os telejornais. Apesar de inovadora, esta iniciativa foi mal recebida pelo público, que estranhou não ter um humano a estabelecer uma “ponte” entre a informação e os cidadãos.


Como o “Monde” desenvolveu um “lifeblog” durante a emergência Ver galeria

Perante a pandemia e o risco de isolamento, muitas publicações desenvolveram novos projectos e adoptaram diversas ferramentas para estabelecer contacto com as audiências, mas, talvez a iniciativa do “Le Monde” tenha sido a mais ambiciosa.

Durante 83 dias, sem interrupções, os jornalistas do “Monde” desenvolveram um “lifeblog”, com actualizações ao minuto, e com um “chat” aberto, onde os leitores deixaram as suas dúvidas e sugestões.

A audiência média diária foi de um milhão.

Findo o projecto, a equipa do jornal preparou um artigo para explicar a fórmula adoptada para o desenvolvimento do “lifeblog” mais longo da  sua história.

De acordo com o jornal, o projecto contou com a colaboração de  45 jornalistas, incluindo correspondentes sediados no estrangeiros.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas