Quinta-feira, 21 de Março, 2019
Media

A mentira usada como ferramenta digital para influenciar a opinião pública

O site media tics, num artigo da autoria de Miguel Ángel Ossorio Veja, analisa a investigação do FBI sobre a suposta interferência russa nas eleições de 2016 nos Estados Unidos, e o rocambolesco Projecto Lakhta.

O autor refere que o desenho da complexa teia digital recorreu a ferramentas simples, que estavam ao alcance de qualquer pessoa, combinando redes sociais com os mais baixos instintos do ser humano.

Na Internet Research Agency, uma empresa de São Petersburgo fundada por um empresário próximo de Putin, promoviam-se mensagens políticas favoráveis ao poder instituído, sendo o público-alvo inicial na Rússia.
Ao verificar o potencial das ferramentas usadas, depressa se começaram a difundir mensagens para influenciar outros países, como foi o caso da Ucrânia e, mais tarde, dos Estados Unidos.

O Projecto Lakhta, que decorreu entre 2015 e 2016, teve como objectivo influenciar as eleições nos Estados Unidos, promovendo a exacerbação de factos que realmente aconteciam durante a campanha, e debatendo temas polémicos como a religião, os conflitos raciais, a homossexualidade, a imigração ou, ainda, a legislação sobre o uso de armas no país.

E o seu funcionamento era simples: um grupo estimado entre  400 a mil pessoas, segundo dados da investigação do FBI – preparavam, a partir de São Petersburgo,  mensagens radicais, verdadeiras e falsas, que eram publicadas em páginas e perfis do Facebook.

 

Criaram-se, ainda, centenas de perfis falsos para massificar as mensagens e chegar a mais gente. Um método semelhante foi utilizado no Twitter, onde dezenas de contas automatizadas (bots), “retuitavam” as publicações. No Google, recorreu-se à inserção de publicidade e o YouTube alojou mais de um milhar de vídeos.

Miguel Ángel Ossorio Veja, reflecte sobre o problema de fundo que na sua opinião, é menos, ideológico, social ou politico, mas sim de educação.

A maioria das mensagens que influenciaram as campanhas eleitorais nos Estados Unidos, bem como as suas réplicas na Europa, eram facilmente desmontadas através de uma simples pesquisa no Google e o acesso a meios de comunicação idóneos.

O problema é que o público-alvo destas mensagens não se socorre de meios sérios, apenas leem as noticias em redes sociais, alheando-se dos meios alternativos.

Os utilizadores de redes sociais são, desta forma, meros “peões” de uma trama que se aproveita da sua situação para conquistar um objectivo acabando eles por serem as vitimas.

O autor insiste na necessidade da importância do papel dos meios de comunicação profissionais, como refugio contra a mentira a desinformação, uma vez que estes são sujeitos a normas e leis que garantem a veracidade dos seus conteúdos. Há ,actualmente mais meios de comunicação do que nunca e raramente houve condições tão propícias para para comparar conteúdos.

O autor conclui propondo que, se a palavra do ano de 2016 foi “pos-verdade” a do ano de 2018 seja “confirmar", e que esta acção não seja património exclusivo dos jornalistas.

Leia aqui  na íntegra o artigo de Miguel Ángel Ossorio Veja

 

Connosco
Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

Quando há leitores menos interessados na independência do jornal Ver galeria

Mais de 33 mil leitores do jornal espanhol eldiario.es  são assinantes, o que significa que pagam 60 euros por ano para ler os mesmos textos que são lidos de graça por oito milhões de pessoas por mês, sem pagarem um cêntimo.

“Supõe-se que o fazem por convicção, por apoio a um projecto digital que pertence exclusivamente a jornalistas, sem grandes empresas ou bancos entre os accionistas. Sem um grupo mediático por detrás.” (...) “Supõe-se que o fazem porque, graças a esse dinheiro, existe uma plataforma mediática independente que tem orgulho na sua independência e que aposta em conteúdos de qualidade.”

No entanto, quando eldiário.es publicou uma revelação embaraçosa para uma ministra do Governo do PSOE, houve quem suspendesse a assinatura, acusando o jornal de estar “a fazer o jogo da direita”.

O que remete para a pergunta que faz o título do artigo sobre uma entrevista que Ignacio Escolar, fundador e director do jornal referido, fez ao jornalista Iñaki Gabilondo: “E se os leitores não quiserem media livres?”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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