Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Fórum

Faltam as regras para controlar a Informação sem regras...

Muito do que sabemos sobre o tiroteio no liceu da Florida chegou-nos pelas redes sociais. O Snapchat mostrava fotografias e vídeos com o ataque ainda em curso. Captados por telemóveis, circulavam pelos canais de televisão e pelos sites quase instantaneamente. Com cada novo episódio de crime com armas de fogo, nos EUA, volta o debate “sobre o papel desempenhado pelas redes e pelos media tradicionais na amplificação ou no controlo de narrativas que parecem alimentar um ciclo de violência em escalada”.

Logo a seguir aparecem treze russos arguidos pelo Departamento de Justiça por interferência nas eleições de 2016, por meio do Facebook e do seu distribuidor de imagens Instagram. Os dois episódios mostram que não temos regras consensualizadas, ou talvez sequer possíveis, “sobre o modo como pretendemos controlar a informação que modela a sociedade”. A reflexão é de Emily Bell, no diário britânico The Guardian.  

Numa recente conferência sobre a moderação de conteúdos pelas grandes plataformas, realizada na Universidade de Santa Clara, no Silicon Valley, Monika Bickert, do Facebook, explicou em pormenor o modo como trabalham os 7.500 moderadores da empresa. 

“Descrevendo o estabelecimento de regras no Facebook como ‘mini sessões legislativas’, Bickert não foi a única funcionária das empresas tecnológicas a assemelhar o que estas empresas estão a fazer como sendo estruturas de governação do discurso.”

E Emily Bell comenta:

“Mas o terreno em que estas plataformas  - e todos os editores de material noticioso -  vivem agora não tem as características de um território governável. Não é claro, de modo nenhum, que tenhamos na sociedade um consenso sobre que tipo de regras sobre os media pretendemos, ou se as podemos criar separadamente dos modelos comerciais que existem nas empresas de comunicação.” 

“As empresas tecnológicas estão a fazer crescer o número de moderadores de conteúdos ou membros das equipas de ‘confiança e segurança’, como são por vezes chamados (só a Google emprega dez mil), mas isto acontece apesar de não haver um acordo sobre que tipo de normas sociais queremos para este novo mundo da informação. O Snapchat decidiu que queremos ver crianças aterrorizadas, encolhendo-se nas salas de aula, tal como fizeram a CNN, a Fox e todos os outros sites noticiosos que usaram as mesmas imagens. Enquanto trolls, ou bots, enchiam as conversas online e imitavam repórteres cobrindo o evento, o Twitter dizia que ‘não queria ser o árbitro da verdade’, quando realmente o resto de nós gostaria que pelo menos tentasse, ou tivesse algum desejo de sê-lo.” (...) 

“Já não se trata apenas de um debate sobre imagens chocantes, momentos de morte e privacidade pessoal, mas também [de saber] se diferentes contextos exigem diferentes padrões. É uma questão de saber se as redacções têm agora de gastar mais tempo a explicar a estrutura falsa das histórias enquanto contam os factos à medida que acontecem. E é a questão de saber se as plataformas serão sequer capazes de fazer o que lhes foi pedido.” (...) 

O artigo citado, na íntegra, em The Guardian

Connosco
Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas... Ver galeria

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

Como captar audiência e ser fiel ao bom jornalismo Ver galeria

A crise que tem atingido os meios de comunicação, nos últimos anos, com a queda constante das receitas da publicidade e a dependência incerta da adesão dos leitores, tem conduzido editores e jornalistas a apostarem sobretudo nesta segunda direcção. Reatar relações de confiança e construir “audiências leais em torno de um jornalismo de qualidade”, parece ser o único caminho sólido, mesmo que não seja fácil. Os fundamentos da próxima geração de modelos sustentáveis de receita para os media “serão contribuições directas da sua audiência, apoiados por altos níveis de compromisso dos leitores”.

Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube
O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

ver mais >
Opinião
Público: uma tradição manchada
Francisco Sarsfield Cabral
No início do corrente mês de julho os leitores do diário “Público” foram surpreendidos pela notícia de que o seu diretor, o prestigiado jornalista David Dinis, se havia demitido. Por aquilo que veio a saber-se através da comunicação social e de afirmações da administradora do jornal Cristina Soares – que é a única informação que possuo – a demissão de D. Dinis ficou a...
Ao ler no centenário “Diário de Noticias” a noticia da extinção formal da sua edição em papel, de Segunda–Feira a Sábado , a partir de Julho, fica a saber-se que o seu actual director, o  jornalista Ferreira Fernandes, entrou em “oito cafés(…) a caminho do cinema S. Jorge onde decorreu a apresentação do novo jornal” e só “contou três pessoas a ler o jornal em...
Boa ideia, Pedro
Manuel Falcão
Trabalhei um pouco mais de dois anos literalmente lado a lado com o Pedro Rolo Duarte no Se7e, dividíamos a direcção. Partilhávamos uma sala onde todos os dias fabricávamos ideias para fazer ressuscitar o jornal e agitar as águas, que era uma coisa que nos entretinha bastante. Foram dois anos de intensas e produtivas discussões, de muita criatividade e de várias crises - e sempre nos apoiámos mutuamente dos ataques que...
O optimismo de Centeno
Luís Queirós
"A economia da zona Euro cresce há 20 trimestres consecutivos", disse Mário Centeno no Grémio Literário, na palestra, proferida no passado dia 22 de Maio passado, integrada no ciclo que ali decorre subordinado ao tema  "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. O Ministro das Finanças de Portugal e presidente do...
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
Agenda
23
Jul
30
Jul
22
Ago
Edinburgh International Television Festival
09:00 @ Edimburgo, Escócia
28
Ago
Summer CEmp
09:00 @ Marvão
01
Set
dmexco
09:00 @ Colónia, Alemanha