Quarta-feira, 13 de Novembro, 2019
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Pode o “Big Brother” vigiar-nos com os nossos próprios dispositivos?

A segurança digital é difícil e as nossas defesas são fracas. As fundações computorizadas das nossas sociedades modernas são frágeis. “Mesmo as ‘novas’ tecnologias são vulneráveis. Estamos a instalar microfones e câmaras de vigilância conectados com a Internet (por outras palavras, sempre ligados) nas nossas casas, nos nossos televisores, nos nossos ‘assistentes pessoais’ e nas nossas consolas de jogos.” É sabido, nos meios tecnológicos, que a câmara de um computador ou smartphone pode ser ligada à distância por qualquer atacante que tenha os recursos, o tempo e a motivação para o fazer. Esta reflexão é de Ed Geraghty, especialista em tecnologia e segurança na Privacy Internacional, uma ONG britânica de defesa da privacidade.

O artigo começa por recordar alguns dos ataques globais por vírus informáticos, como o HeartBleed, “com potencial de impacto sobre a grande maioria dos servidores web em todo o mundo, por muito actualizados e altamente seguros que os seus operadores procurem mantê-los”. (...) 

“A rápida divulgação de dispositivos pessoais nestes últimos anos (2,6 mil milhões de smartphones em 2015, estando previsto que serão mais de seis mil milhões em 2020) significa que a oportunidade para explorar vulnerabilidades também cresceu de modo dramático. E muitos destes telemóveis têm sistemas operativos e aplicações já desactualizados.” 

“Às vezes as actualizações não estão acessíveis porque os fabricantes se recusam a manter o produto por mais tempo, obrigando as pessoas a usar dispositivos inseguros ou a pagar outra vez pelo último aparelho incrivelmente caro.” (...) 

E há pouco empenho em garantir a segurança da “Internet das Coisas”, que projecta conectar com a Internet tudo, desde as lâmpadas, chaleiras e cobertores eléctricos até aos chuveiros e aos carros. 

“Ninguém está interessado em vigiar-me”  -  é o argumento de muitos de nós, quando consideramos excessivo e quase “paranóico” o colega do lado, que tem um auto-colante em cima da câmara do seu computador portátil. Mas o autor que citamos diz: 

“Somos sempre objecto de interesse para alguém. Uma coisa que sabemos é que está a crescer um mercado negro de ferramentas de uso fácil, que atacam sistemas para terem acesso às suas câmaras, e fotografias que são tiradas por elas, totalmente à revelia dos seus utentes. Imagens de natureza voyeur estão a ser tiradas por webcams em toda a parte, com websites totalmente dedicados à sua divulgação.” (...) 

“Portanto: pode uma agência do governo ligar, literalmente, qualquer câmara à sua escolha, sem o conhecimento do dono? Esta pergunta divide-se em três: há uma alta probabilidade de que essa agência tenha a capacidade de o fazer, será que tem o tempo para o fazer, e achamos nós que o governo tem essa motivação? Com muita frequência, a resposta a todas estas perguntas é: sim.” (...)

 

O artigo original, na Global Investigative Journalism Network

Connosco
Onde se fala de jornalismo mais factual e menos negativo Ver galeria

Os meios de comunicação social exibem um enviesamento em relação a tudo aquilo que é negativo, seja nas notícias, seja no comentário. 

O jornalismo parece ter uma tendência para o negativo. Aparentemente, só o que é repentino e mau é digno de notícia, verificando-se que as coisas positivas são vistas como uma maçada.

O jornalismo acaba por ampliar a negatividade sempre que opta por não considerar os acontecimentos positivos.

A opinião é de Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard e autor, numa crónica na revista POLITICO Magazine, do livro “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress”. 

O autor apela a um jornalismo mais factual e considera que a governação democrática não pode funcionar se ninguém acreditar nisso, e o pessimismo jornalístico semeou o fatalismo e o radicalismo nas nossas instituições.

Jovens privilegiam “infotainment” em vez de notícias Ver galeria

Um estudo encomendado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) à agência Flamingo – especializada na concepção de estratégias culturais –, revela que a forma como as audiências mais jovens nos Estados Unidos e no Reino Unido abordam as notícias é diferente das gerações anteriores. 

Os jovens procuram, principalmente, o progresso, o que influencia a forma como pesquisam e recebem notícias.

As audiências mais jovens, por norma, não procuram notícias e não se informam de forma proactiva, são indiretamente expostas à informação através de redes sociais, conteúdos digitais, programas de televisão e conversas online

Ao mesmo tempo, focam-se noutros tipos de conteúdos, como a combinação de informação e entretenimento (infotainment), histórias de lifestyle ou conteúdos de bloggers.

Em suma, as gerações mais jovens estão cada vez mais desconectadas das formas tradicionais de consumo de notícias, por considerarem que são menos relevantes para si.

APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria, publicou no seu site um artigo no qual realiza a análise do estudo.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O caso do novo secretário de Estado com a tutela da comunicação social é assaz curioso. Nuno Artur Silva foi dono, até há dias, das Produções Fictícias, empresa que incluía a RTP no seu portfólio de clientes, facto que não o inibiu de aceitar  ser administrador daquele operador público, com a responsabilidade dos conteúdos. Cumprido o primeiro mandato, sem abdicar da...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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