Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
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Pode o “Big Brother” vigiar-nos com os nossos próprios dispositivos?

A segurança digital é difícil e as nossas defesas são fracas. As fundações computorizadas das nossas sociedades modernas são frágeis. “Mesmo as ‘novas’ tecnologias são vulneráveis. Estamos a instalar microfones e câmaras de vigilância conectados com a Internet (por outras palavras, sempre ligados) nas nossas casas, nos nossos televisores, nos nossos ‘assistentes pessoais’ e nas nossas consolas de jogos.” É sabido, nos meios tecnológicos, que a câmara de um computador ou smartphone pode ser ligada à distância por qualquer atacante que tenha os recursos, o tempo e a motivação para o fazer. Esta reflexão é de Ed Geraghty, especialista em tecnologia e segurança na Privacy Internacional, uma ONG britânica de defesa da privacidade.

O artigo começa por recordar alguns dos ataques globais por vírus informáticos, como o HeartBleed, “com potencial de impacto sobre a grande maioria dos servidores web em todo o mundo, por muito actualizados e altamente seguros que os seus operadores procurem mantê-los”. (...) 

“A rápida divulgação de dispositivos pessoais nestes últimos anos (2,6 mil milhões de smartphones em 2015, estando previsto que serão mais de seis mil milhões em 2020) significa que a oportunidade para explorar vulnerabilidades também cresceu de modo dramático. E muitos destes telemóveis têm sistemas operativos e aplicações já desactualizados.” 

“Às vezes as actualizações não estão acessíveis porque os fabricantes se recusam a manter o produto por mais tempo, obrigando as pessoas a usar dispositivos inseguros ou a pagar outra vez pelo último aparelho incrivelmente caro.” (...) 

E há pouco empenho em garantir a segurança da “Internet das Coisas”, que projecta conectar com a Internet tudo, desde as lâmpadas, chaleiras e cobertores eléctricos até aos chuveiros e aos carros. 

“Ninguém está interessado em vigiar-me”  -  é o argumento de muitos de nós, quando consideramos excessivo e quase “paranóico” o colega do lado, que tem um auto-colante em cima da câmara do seu computador portátil. Mas o autor que citamos diz: 

“Somos sempre objecto de interesse para alguém. Uma coisa que sabemos é que está a crescer um mercado negro de ferramentas de uso fácil, que atacam sistemas para terem acesso às suas câmaras, e fotografias que são tiradas por elas, totalmente à revelia dos seus utentes. Imagens de natureza voyeur estão a ser tiradas por webcams em toda a parte, com websites totalmente dedicados à sua divulgação.” (...) 

“Portanto: pode uma agência do governo ligar, literalmente, qualquer câmara à sua escolha, sem o conhecimento do dono? Esta pergunta divide-se em três: há uma alta probabilidade de que essa agência tenha a capacidade de o fazer, será que tem o tempo para o fazer, e achamos nós que o governo tem essa motivação? Com muita frequência, a resposta a todas estas perguntas é: sim.” (...)

 

O artigo original, na Global Investigative Journalism Network

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Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas... Ver galeria

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

Como captar audiência e ser fiel ao bom jornalismo Ver galeria

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Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

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