null, 20 de Maio, 2018
Estudo

Quando as "fake news" se tornam uma indústria organizada

Quando se fala em fake news, pensamos primeiro em hackers individuais e na sua instrumentalização por políticos tornados trolls da Internet, conflituosos e interessados em impor de modo agressivo os seus “factos alternativos”. Mas há situações em que a produção se torna uma autêntica indústria organizada, com “arquitectos” permanentes  - que podem ser, fora dessa actividade, profissionais integrados em trabalhos respeitáveis. Dois investigadores curiosos, de uma universidade britânica e de outra nos EUA, foram ver o que se passa por detrás das campanhas de desinformação nas Filipinas e ficaram surpreendidos com o que encontraram. O seu estudo, Architects of Networked Disinformation, está disponível.

“Nenhuma tecnologia foi transformada em arma a uma escala tão global e nunca vista como a das redes sociais. Várias abordagens de investigação procuram agora entender como é que os computadores portáteis e os smartphones em todo o mundo são usados para manipular o debate público, sequestrar a agenda dos media de referência e influenciar resultados políticos”  -  afirma-se na introdução deste trabalho.

Jonathan Ong, da University of Massachussetts Amherst, nos Estados Unidos, e Jason Cabañes, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, levaram a cabo uma investigação que durou um ano inteiro, entrevistando estes “arquitectos da desinformação” e fazendo a observação online das contas falsas operadas por eles.

Descobriram que se trata de “uma hierarquia profissionalizada de operadores políticos que mantêm os seus empregos normais como executivos de publicidade e relações públicas, programadores de computador e funcionários administrativos de [instâncias] políticas”.

“Nós tínhamos, no início, a curiosidade de conhecer o tipo de pessoas que se tornam ‘trolls remunerados’ e de saber de que modo conseguem viver com esse estigma”  - diz Jonathan Ong. “Ao conhecermos as pessoas por detrás de contas falsas no Facebook, descobrimos que há de facto uma hierarquia profissionalizada, com estrategos de publicidade e relações públicas no topo.”

O sumário deste estudo identifica sete conclusões principais:

1.    – Está disseminado [nas Filipinas] o uso de contas falsas e influencers remunerados por operações políticas, no Facebook e no Twitter. Vários partidos políticos, tanto a nível nacional como local, fazem uso destes “exércitos dos clicks”. (…)

2.    – Os políticos empregam frequentemente estrategos de campanha provenientes das agências locais de publicidade e relações públicas, como ‘arquitectos’ dirigentes para as campanhas de desinformação pela Internet. (…)

3.    – Estes estrategos de publicidade e relações públicas delegam a responsabilidade do marketing político, recorrendo maciçamente ao trabalho dos influencers digitais (que têm desde 50 mil até dois milhões de seguidores no Facebook e Twitter) e de operadores de contas falsas a nível comunitário (que operam manualmente perfis falsos para se infiltrarem em grupos e páginas noticiosas)  - e muito residualmente a robots automatizados. Há diversos níveis de pagamento para cada um destes grupos de pessoas. (…)

4.    – Os trabalhadores da desinformação são motivados de modos diferentes, tanto a nível financeiro, como político, social ou psicológico. “A infraestrutura da desinformação pela Internet está construída sobre uma relação de colegialidades competitivas. As pessoas que entrevistámos são em primeiro lugar levadas por motivações financeiras, mas na maioria estão de facto politicamente alinhadas com o seu cliente”. (…)

5.    – O trabalho de operar contas falsas para políticos implica modos semelhantes de ‘sempre online’, ou flexível, e modelos de (auto)-exploração, como outro trabalho freelance online. No entanto, é acompanhado pelo esforço emocional de stress, para o justificar, tanto perante os outros como perante si mesmo. (…)

6.    – Estas campanhas de desinformação operam com duas dinâmicas opostas: por um lado, “participação e cooperação colectiva entre trabalhadores da desinformação que são informados por um script comum”; por outro, “a ‘viralidade’ volátil que assenta na intuição e criatividade individual dos trabalhadores, na forma de traduzirem um script para posts nas redes sociais, que atingem uma divulgação máxima, mesmo que não controlada”. (…)

7.    – Embora ninguém realmente admita que é um troll, toda a gente na hierarquia da desinformação parece envolver-se em vários graus de trolling. (…)

Mais informação no Poynter.org, que contém os links para a síntese e o relatório na íntegra, em PDF

Connosco
Conferência a 22 de Maio com ministro Mário Centeno Ver galeria

Mário Centeno, Ministro das Finanças e Presidente do Eurogrupo, é o nosso orador convidado para o jantar-debate do próximo dia 22 de Maio, promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série  - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

Mário José Gomes de Freitas Centeno nasceu em Olhão, em Dezembro de 1966, e fez o seu percurso académico em Lisboa, para onde veio morar, com os pais e irmãos, quando tinha 15 anos. Obteve no ISEG  - Instituto Superior de Economia e Gestão a sua licenciatura em Economia, em 1990, seguida de um mestrado em Matemática Aplicada na mesma escola superior.


Livro de memórias de Pedro Rolo Duarte sem ser autobiografia Ver galeria

Pedro Rolo Duarte, que nos deixou em Novembro de 2017, deixou também um conjunto de textos agora reunidos e publicados em livro. O título, “Não Respire”, vai direito a um tema incontornável, que o autor assume e é continuado logo abaixo, na mesma capa: “Tudo começou cedo demais (e quando dei por isso era tarde)”.
O Observador, que publica excertos de momentos marcantes da sua vida, explica que “a autobiografia póstuma do jornalista, que a editora Manuscrito acabou de publicar, fala naturalmente da doença, mas não só”. O primeiro desses excertos é “o vício do tabaco”. Mas as 296 páginas “estão repletas de histórias de uma vida cheia. Nelas, Rolo Duarte recordou os melhores tempos de uma carreira com mais de 30 anos (a fundação d’O Independente, do DNA), os amigos, as paixões e os vícios. Sempre com grande saudade mas sem uma ponta de pessimismo.”

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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