Segunda-feira, 30 de Novembro, 2020
Media

“The New York Times” em papel pode durar mais dez anos

A edição impressa de The New York Times vai continuar a sair... pelo menos durante os próximos dez anos. Esta frase podia ir para o cesto dos “prognósticos só no fim do jogo” mas, tendo sido pronunciada pelo presidente executivo do jornal, Mark Thompson, tem outro peso. Há mais do que uma leitura possível, e a pergunta que se segue é assim: isto é bom ou é mau? O prazo proposto é curto ou demasiado optimista? Temos instrumentos de medida para estas coisas?

As declarações de Mark Thompson são cuidadosas e avaliam os caminhos possíveis desta previsão pouco científica. Segundo Media-tics, que aqui citamos, “apesar de os números relativos ao quarto trimestre de 2017 mostrarem que o negócio do jornalismo impresso continua a diminuir, o jornal em papel continua a ser um produto importante para a empresa, se o seu responsável máximo se atreve a realizar este prognóstico a prazo tão distante numa indústria em que estão sempre a acontecer mudanças”. 

“Por outro lado, Thompson assegura que será a economia a decidir se a impressão continua a ter sentido como plataforma, pelo que está consciente de que tem uma data de caducidade.” 

“Vamos decidir isso simplesmente em termos económicos”  - foi o que disse na entrevista à CNBC. “Podemos chegar a um ponto em que a economia [do jornal impresso] já não faz sentido para nós.” 

Até agora, os responsáveis pelo NYT  “têm conseguido que a sobrevivência da empresa não dependa do produto impresso”, acrescenta o texto de Media-tics.  “Só no último trimestre de 2017 conseguiram atrair 157 mil novos assinantes digitais, que trouxeram à empresa mais 51% de receita do que a obtida no mesmo trimestre do ano anterior. Em todo o ano de 2017, o Times recolheu mais de mil milhões de dólares de receita pelo total de assinaturas, dos quais 600 milhões correspondem aos serviços digitais.” 

Thompson reconhece que a empresa recebe mais de cada assinante do jornal impresso do que do digital, mas também acha que “existe potencial mais amplo para fazer crescer a base dos assinantes digitais; de facto, estes já superam numericamente os do jornal em papel, e o seu crescimento é muito rápido”. 


Mais informação em Media-tics e na CNBC, de que reproduzimos também o vídeo da entrevista.
Informação anterior no nosso site.

Connosco
França e Reino Unido juntam-se para limitar o poder das tecnológicas Ver galeria

Alguns países europeus -- como é o caso da França e do Reino Unido -- estão a começar a limitar o poder exercido pelas empresas tecnológicas norte-americanas.

Em França, as autoridades francesas já começaram a cobrar um imposto sobre os serviços digitais às “gigantes” tecnológicas, noticiou o “Financial Times”. As empresas sujeitas “receberam a notificação de imposto referente a 2020”, confirmou uma fonte do governo, em comunicado.

Em declarações ao jornal “Público”, o Facebook afirmou que vai pagar os impostos exigidos por França. Segundo um porta-voz da empresa, a tecnológica norte-americana vai “[continuar] a incentivar um foco global por parte dos governos, para se chegar a uma reforma tributária nacional”.

Por outro lado, no Reino Unido está a ser criado um novo departamento para regular as plataformas “online”, com o objectivo de garantir a competição no sector tecnológico.

De acordo com o jornal “Guardian”, o Competitions and Markets Authority (CMA) ficará, assim, habilitado para aplicar um novo código de conduta às empresas, que deverão seguir um “comportamento aceitável”.

Regulador russo quer substituir redes sociais americanas Ver galeria

O regulador das comunicações russo, Roskomnadzor, propôs a criação de plataformas de vídeo nacionais para substituir o YouTube, devido à alegada “censura” praticada pelo “site” norte-americano.

A proposta foi apresentada depois de o regulador das comunicações russo ter acusado o YouTube de aplicar “um veto total” à criação de canais pela agência noticiosa ANNA News.

“Uma política específica de censura em relação aos meios russos é inaceitável e viola os princípios fundamentais de uma disseminação livre de informação e de acesso desimpedido à mesma”, considerou, em comunicado, o Roskomnadzor, citado pela agência EFE.

Esta não é a primeira vez que o regulador acusa as grandes multinacionais americanas de dificultarem o acesso dos “media” russos às suas plataformas.

Em Outubro, aquela entidade alegou que o Google, o Facebook e o Twitter “restringem o acesso a materiais de cerca de 20 meios de comunicação russos”, incluindo a agência estatal RIA Novosti.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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