Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

“The New York Times” em papel pode durar mais dez anos

A edição impressa de The New York Times vai continuar a sair... pelo menos durante os próximos dez anos. Esta frase podia ir para o cesto dos “prognósticos só no fim do jogo” mas, tendo sido pronunciada pelo presidente executivo do jornal, Mark Thompson, tem outro peso. Há mais do que uma leitura possível, e a pergunta que se segue é assim: isto é bom ou é mau? O prazo proposto é curto ou demasiado optimista? Temos instrumentos de medida para estas coisas?

As declarações de Mark Thompson são cuidadosas e avaliam os caminhos possíveis desta previsão pouco científica. Segundo Media-tics, que aqui citamos, “apesar de os números relativos ao quarto trimestre de 2017 mostrarem que o negócio do jornalismo impresso continua a diminuir, o jornal em papel continua a ser um produto importante para a empresa, se o seu responsável máximo se atreve a realizar este prognóstico a prazo tão distante numa indústria em que estão sempre a acontecer mudanças”. 

“Por outro lado, Thompson assegura que será a economia a decidir se a impressão continua a ter sentido como plataforma, pelo que está consciente de que tem uma data de caducidade.” 

“Vamos decidir isso simplesmente em termos económicos”  - foi o que disse na entrevista à CNBC. “Podemos chegar a um ponto em que a economia [do jornal impresso] já não faz sentido para nós.” 

Até agora, os responsáveis pelo NYT  “têm conseguido que a sobrevivência da empresa não dependa do produto impresso”, acrescenta o texto de Media-tics.  “Só no último trimestre de 2017 conseguiram atrair 157 mil novos assinantes digitais, que trouxeram à empresa mais 51% de receita do que a obtida no mesmo trimestre do ano anterior. Em todo o ano de 2017, o Times recolheu mais de mil milhões de dólares de receita pelo total de assinaturas, dos quais 600 milhões correspondem aos serviços digitais.” 

Thompson reconhece que a empresa recebe mais de cada assinante do jornal impresso do que do digital, mas também acha que “existe potencial mais amplo para fazer crescer a base dos assinantes digitais; de facto, estes já superam numericamente os do jornal em papel, e o seu crescimento é muito rápido”. 


Mais informação em Media-tics e na CNBC, de que reproduzimos também o vídeo da entrevista.
Informação anterior no nosso site.

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


ver mais >
Opinião
Sobre a liberdade de expressão em Portugal
Francisco Sarsfield Cabral
O caso da participação num programa matinal da TVI de um racista, já condenado e tendo cumprido pena de prisão, Mário Machado, suscitou polémica. Ainda bem, porque as questões em causa são importantes. Mas, como é costume, o debate rapidamente derivou para um confronto entre a esquerda indignada por se ter dado tempo de antena a um criminoso fascista e a direita defendendo a liberdade de expressão e a dualidade de...
O panorama dos media
Manuel Falcão
Se olharmos para o top dos programas mais vistos na televisão generalista em 2018 vemos um claro domínio das transmissões desportivas, seguidas a grande distância pelos reality shows e, ainda mais para trás, pelas telenovelas. No entanto as transmissões televisivas produzem apenas picos de audiência e contribuem relativamente pouco para as médias e para planos continuados. O dilema das televisões generalistas está na...
Informar ou depender…
Dinis de Abreu
O título deste texto corresponde a um livro publicado nos anos 70 por Francisco Balsemão, numa altura em que já se ‘contavam espingardas’ para pôr termo ao Estado Novo, como veio a acontecer com o derrube de Marcello Caetano, em 25 de Abril de 74.  A obra foi polémica à época e justamente considerada um ‘grito de alma’, assinada por quem começara a sua vida profissional num jornal controlado pela família...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...