Sábado, 20 de Abril, 2019
Media

A revista “Newsweek” no caminho da autodestruição

O semanário Newsweek encontra-se em grave crise interna, tendo despedido o seu director, Bob Roe, e o director-executivo Kenneth Li, além de outros membros da redacção, por terem dado cobertura a uma investigação judicial que prossegue contra o Newsweek Media Group, a empresa que detém a revista. Segundo Media-tics, “as contas da empresa matriz estão sob suspeita e a polícia chegou a fazer buscas na sede da revista, em Nova Iorque, durante as quais confiscou 18 computadores”. Por outro lado, o regresso de outro editor, que fora suspenso por acusações de assédio sexual enquanto trabalhava na Reuters, motivou a demissão voluntária de cinco jornalistas femininas da Newsweek.

As suspeitas de irregularidades financeiras, que colocaram jornalistas da Newsweek a investigar a sua própria empresa, referem-se, segundo The New York Post, a possíveis relações entre o Newsweek Media Group e a Olivet University, uma escola superior designada como “cristã fundamentalista”, fundada pelo “controverso reverendo David Jang”, em San Francisco. Tratar-se-ia, segundo a mesma fonte, de uma operação de lavagem de dinheiro. 

Noutro episódio, relatado pelo BuzzFeed, vários sites do Newsweek Media Group teriam participado em manobras de fraude publicitária, falseando os dados do seu próprio tráfego para obterem vantagens. Esta alegação foi suficiente para que a empresa tivesse perdido vários importantes contratos publicitários. 

Numa reportagem intitulada “Despedimentos, demissões e turbulência na Newsweek”, The Washington Post descreve a cronologia recente dos problemas que afligem a revista  - e que, segundo Media-tics, podem levar “ao fim deste título histórico”.

 

Mais informação em Media-tics,  The New York Post  e The Washington Post

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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