Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Media

Distribuição da Imprensa em França em crise aguda e paradoxal

A maior distribuidora de Imprensa em França, a Presstalis, encontra-se em situação de tal modo crítica que a ministra da Cultura, Françoise Nyssen, convidou os editores para uma reunião sobre a reforma do sector. Entretanto, a nova directora executiva da Presstalis, Michèle Benbunan, apresentou já aos sindicatos um plano de emergência, formalmente designado como “plano de salvaguarda do emprego”, mas podendo trazer de imediato a supressão de um quarto dos postos de trabalho (de 200 a 300, em 1.200).  

Segundo Le Monde, que aqui citamos, em Dezembro de 2017, “para fazer face a necessidades de tesouraria de 37 milhões de euros, a distribuidora, confrontada com a baixa de vendas e vítima de más escolhas estratégicas do passado, anunciou aos seus clientes que iria reter um quarto das prestações de acertos que deveria entregar até final de Janeiro, o que provovou um clamor de protesto entre os pequenos editores. Foi mesmo nomeado um mandatário ad hoc pelo Tribunal de Comércio para acompanhar a empresa neste momento delicado.” (...) 

“Mas, para o Ministério da Cultura, um novo resgate tem de ser acompanhado por uma reforma estrutural do sector. Segundo o governo, a actual Lei Bichet nasceu de um sistema extremamente impositivo e totalmente inadaptado. ‘Não é feita para um mercado como o de hoje: o número de exemplares baixou para metade em dez anos’  - afirma-se no ministério, evocando o arcaísmo de ‘uma lei de economia administrada’.” (...) 

Le Monde descreve a presente situação da Imprensa como “paradoxal”: 

“Aparecem novos títulos, testemunhando a vitalidade do sector: depois do Ebdo, aguarda-se nos quiosques um novo semanário, Vraiment, para 21 de Março. Mas, ao mesmo tempo, o sector da distribuição está em sofrimento. A Presstalis, o seu pilar principal, que distribui 4.000 títulos  - entre eles a Imprensa nacional e três quartos das revistas -  em 25 mil pontos de venda, está à beira do abismo. Está mesmo em risco de falência.” (...) 

“Nada está garantido, porque as negociações entre editores de Imprensa e o Governo decorrem num clima muito tenso. Aliás, as reformas abordadas no passado numca chegaram a grandes mudanças. No imediato, a Presstalis tem de encontrar 140 milhões de euros, e 50 destes vão para a reestruturação. O Estado está pronto a avançar uma parte dessa importância, mas unicamente na forma de empréstimo, para evitar a ira de Bruxelas. E reclama garantias dos editores de Imprensa. Estes mostram-se relutantes. Até que ponto estarão dispostos a envolver-se? É este todo o cerne das discussões.”

Mais informação em Le Monde

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Como está o papel?
Manuel Falcão
Durante muitos anos a imprensa – jornais e revistas – captava a segunda maior fatia do investimento publicitário, logo a seguir à televisão, que sensivelmente fica com metade do total do bolo publicitário. Mas desde o princípio desta década a queda do investimento em imprensa foi sempre aumentando e, agora, desceu para a quinta posição, atrás, por esta ordem, da TV, digital, outdoor e rádio. Ao ritmo a que...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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