Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
Media

Distribuição da Imprensa em França em crise aguda e paradoxal

A maior distribuidora de Imprensa em França, a Presstalis, encontra-se em situação de tal modo crítica que a ministra da Cultura, Françoise Nyssen, convidou os editores para uma reunião sobre a reforma do sector. Entretanto, a nova directora executiva da Presstalis, Michèle Benbunan, apresentou já aos sindicatos um plano de emergência, formalmente designado como “plano de salvaguarda do emprego”, mas podendo trazer de imediato a supressão de um quarto dos postos de trabalho (de 200 a 300, em 1.200).  

Segundo Le Monde, que aqui citamos, em Dezembro de 2017, “para fazer face a necessidades de tesouraria de 37 milhões de euros, a distribuidora, confrontada com a baixa de vendas e vítima de más escolhas estratégicas do passado, anunciou aos seus clientes que iria reter um quarto das prestações de acertos que deveria entregar até final de Janeiro, o que provovou um clamor de protesto entre os pequenos editores. Foi mesmo nomeado um mandatário ad hoc pelo Tribunal de Comércio para acompanhar a empresa neste momento delicado.” (...) 

“Mas, para o Ministério da Cultura, um novo resgate tem de ser acompanhado por uma reforma estrutural do sector. Segundo o governo, a actual Lei Bichet nasceu de um sistema extremamente impositivo e totalmente inadaptado. ‘Não é feita para um mercado como o de hoje: o número de exemplares baixou para metade em dez anos’  - afirma-se no ministério, evocando o arcaísmo de ‘uma lei de economia administrada’.” (...) 

Le Monde descreve a presente situação da Imprensa como “paradoxal”: 

“Aparecem novos títulos, testemunhando a vitalidade do sector: depois do Ebdo, aguarda-se nos quiosques um novo semanário, Vraiment, para 21 de Março. Mas, ao mesmo tempo, o sector da distribuição está em sofrimento. A Presstalis, o seu pilar principal, que distribui 4.000 títulos  - entre eles a Imprensa nacional e três quartos das revistas -  em 25 mil pontos de venda, está à beira do abismo. Está mesmo em risco de falência.” (...) 

“Nada está garantido, porque as negociações entre editores de Imprensa e o Governo decorrem num clima muito tenso. Aliás, as reformas abordadas no passado numca chegaram a grandes mudanças. No imediato, a Presstalis tem de encontrar 140 milhões de euros, e 50 destes vão para a reestruturação. O Estado está pronto a avançar uma parte dessa importância, mas unicamente na forma de empréstimo, para evitar a ira de Bruxelas. E reclama garantias dos editores de Imprensa. Estes mostram-se relutantes. Até que ponto estarão dispostos a envolver-se? É este todo o cerne das discussões.”

Mais informação em Le Monde

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