Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Media

Distribuição da Imprensa em França em crise aguda e paradoxal

A maior distribuidora de Imprensa em França, a Presstalis, encontra-se em situação de tal modo crítica que a ministra da Cultura, Françoise Nyssen, convidou os editores para uma reunião sobre a reforma do sector. Entretanto, a nova directora executiva da Presstalis, Michèle Benbunan, apresentou já aos sindicatos um plano de emergência, formalmente designado como “plano de salvaguarda do emprego”, mas podendo trazer de imediato a supressão de um quarto dos postos de trabalho (de 200 a 300, em 1.200).  

Segundo Le Monde, que aqui citamos, em Dezembro de 2017, “para fazer face a necessidades de tesouraria de 37 milhões de euros, a distribuidora, confrontada com a baixa de vendas e vítima de más escolhas estratégicas do passado, anunciou aos seus clientes que iria reter um quarto das prestações de acertos que deveria entregar até final de Janeiro, o que provovou um clamor de protesto entre os pequenos editores. Foi mesmo nomeado um mandatário ad hoc pelo Tribunal de Comércio para acompanhar a empresa neste momento delicado.” (...) 

“Mas, para o Ministério da Cultura, um novo resgate tem de ser acompanhado por uma reforma estrutural do sector. Segundo o governo, a actual Lei Bichet nasceu de um sistema extremamente impositivo e totalmente inadaptado. ‘Não é feita para um mercado como o de hoje: o número de exemplares baixou para metade em dez anos’  - afirma-se no ministério, evocando o arcaísmo de ‘uma lei de economia administrada’.” (...) 

Le Monde descreve a presente situação da Imprensa como “paradoxal”: 

“Aparecem novos títulos, testemunhando a vitalidade do sector: depois do Ebdo, aguarda-se nos quiosques um novo semanário, Vraiment, para 21 de Março. Mas, ao mesmo tempo, o sector da distribuição está em sofrimento. A Presstalis, o seu pilar principal, que distribui 4.000 títulos  - entre eles a Imprensa nacional e três quartos das revistas -  em 25 mil pontos de venda, está à beira do abismo. Está mesmo em risco de falência.” (...) 

“Nada está garantido, porque as negociações entre editores de Imprensa e o Governo decorrem num clima muito tenso. Aliás, as reformas abordadas no passado numca chegaram a grandes mudanças. No imediato, a Presstalis tem de encontrar 140 milhões de euros, e 50 destes vão para a reestruturação. O Estado está pronto a avançar uma parte dessa importância, mas unicamente na forma de empréstimo, para evitar a ira de Bruxelas. E reclama garantias dos editores de Imprensa. Estes mostram-se relutantes. Até que ponto estarão dispostos a envolver-se? É este todo o cerne das discussões.”

Mais informação em Le Monde

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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