null, 26 de Maio, 2019
Media

Distribuição da Imprensa em França em crise aguda e paradoxal

A maior distribuidora de Imprensa em França, a Presstalis, encontra-se em situação de tal modo crítica que a ministra da Cultura, Françoise Nyssen, convidou os editores para uma reunião sobre a reforma do sector. Entretanto, a nova directora executiva da Presstalis, Michèle Benbunan, apresentou já aos sindicatos um plano de emergência, formalmente designado como “plano de salvaguarda do emprego”, mas podendo trazer de imediato a supressão de um quarto dos postos de trabalho (de 200 a 300, em 1.200).  

Segundo Le Monde, que aqui citamos, em Dezembro de 2017, “para fazer face a necessidades de tesouraria de 37 milhões de euros, a distribuidora, confrontada com a baixa de vendas e vítima de más escolhas estratégicas do passado, anunciou aos seus clientes que iria reter um quarto das prestações de acertos que deveria entregar até final de Janeiro, o que provovou um clamor de protesto entre os pequenos editores. Foi mesmo nomeado um mandatário ad hoc pelo Tribunal de Comércio para acompanhar a empresa neste momento delicado.” (...) 

“Mas, para o Ministério da Cultura, um novo resgate tem de ser acompanhado por uma reforma estrutural do sector. Segundo o governo, a actual Lei Bichet nasceu de um sistema extremamente impositivo e totalmente inadaptado. ‘Não é feita para um mercado como o de hoje: o número de exemplares baixou para metade em dez anos’  - afirma-se no ministério, evocando o arcaísmo de ‘uma lei de economia administrada’.” (...) 

Le Monde descreve a presente situação da Imprensa como “paradoxal”: 

“Aparecem novos títulos, testemunhando a vitalidade do sector: depois do Ebdo, aguarda-se nos quiosques um novo semanário, Vraiment, para 21 de Março. Mas, ao mesmo tempo, o sector da distribuição está em sofrimento. A Presstalis, o seu pilar principal, que distribui 4.000 títulos  - entre eles a Imprensa nacional e três quartos das revistas -  em 25 mil pontos de venda, está à beira do abismo. Está mesmo em risco de falência.” (...) 

“Nada está garantido, porque as negociações entre editores de Imprensa e o Governo decorrem num clima muito tenso. Aliás, as reformas abordadas no passado numca chegaram a grandes mudanças. No imediato, a Presstalis tem de encontrar 140 milhões de euros, e 50 destes vão para a reestruturação. O Estado está pronto a avançar uma parte dessa importância, mas unicamente na forma de empréstimo, para evitar a ira de Bruxelas. E reclama garantias dos editores de Imprensa. Estes mostram-se relutantes. Até que ponto estarão dispostos a envolver-se? É este todo o cerne das discussões.”

Mais informação em Le Monde

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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