Terça-feira, 28 de Janeiro, 2020
Media

A credibilidade será a "moeda de troca" do jornalismo de qualidade

A credibilidade será a nova moeda do jornalismo em 2018, a “moeda de troca” do jornalismo de qualidade. E isso fará de 2018 um bom ano para os meios digitais independentes. Quem faz estas afirmações, definindo-se como um optimista, é James Breiner, apresentado como um “consultor bilingue em inglês e espanhol, especializado nos meios de comunicação digitais, inovação, empreendedorismo e multimédia”. Foi jornalista durante 30 anos, nos EUA, e começou a sua “segunda carreira” lançando, no México, o Centro de Periodismo Digital de Guadalajara.

Solicitado a dar as suas previsões para o futuro próximo do jornalismo, em 2018, afirma, em primeiro lugar, que os media independentes “continuarão a desafiar os poderes existentes para denunciar a corrupção” e responsabilizar as autoridades.

Afirma logo a seguir que “a verdade é tão poderosa que terá um valor económico significativo para os media independentes”. 

“Dada a desconfiança do público nas redes sociais, nos media tradicionais e no lixo infinito à disposição na Internet, os media independentes aproveitarão a sua postura alternativa para captar o apoio de patrocinadores, anunciantes e aliados que queiram associar-se na missão de informar o público para melhorarem as suas comunidades.” (...) 

“O jornalismo continuará a transformar-se de um negócio para passar a ser um serviço público. (...) 

“Os meios de informação independentes vão fortalecer-se, enquanto os tradicionais se debilitam. Não obstante, estes vão manter a ideia de que são um bom negócio, e por isso protegerão os investidores com práticas como as de reduzir as redacções, para manter o nível de rentabilidade, mesmo que seja à custa da qualidade do serviço aos utentes.” (...) 

No caso da América Latina, o jornalismo independente vai procurar o apoio financeiro de “patrocinadores e anunciantes que se identifiquem com a missão de informar e melhorar as comunidades em que operam”, e essas fontes de recursos serão ONGs, “fundações e outras organizações com ou sem interesse de lucro, cujo objectivo seja o de promover comunidades mais justas e igualitárias”. (...) 

“Pela primeira vez, os utentes serão uma fonte importante de recursos financeiros para os meios independentes.” (...) 

“Estes media independentes sofrerão ataques dos poderes estabelecidos, porque representam uma ameaça para eles.” (...)

Para enfrentar esses ataques, irão criar “redes de apoio com ajuda legal e técnica”. (...) 

“Seguindo o modelo de serviço público em vez do modelo de negócio e de concorrência mais convencional, vão colaborar entre si, internacionalmente e regionalmente, para partilharem recursos, pessoal e informação.” (...) 

“Estes meios vão continuar a desenvolver novas formas de contar histórias que terão valor para atrair utentes e patrocinadores” e continuarão a diversificar as suas fontes de receita, “para além da publicidade e assinaturas”.  

 

(Mais informação no texto citado, que vem na sua versão em inglês na Global Investigative Journalism Network, com o link para o texto em espanhol, que inclui uma biografia desenvolvida do autor. Há pequenas diferenças de enfoque entre os dois textos, sobretudo nos exemplos mencionados)

Connosco
Jornalismo universitário americano cultiva independência Ver galeria

A indústria mediática está em decadência. Nos últimos dez anos, perdeu-se um quarto dos empregos no sector e espera-se que, na próxima década, desapareçam mais 10%.

O jornais regionais são, particularmente, prejudicados, com mais de 1.400 cidades norte-americanas a ficar sem a cobertura local.

Cole Stallone, director do jornal universitário “Washington Square News”, escreveu um artigo oportuno sobre a importância da aposta no jornalismo independente, promovido por estudantes.

Para Stallone, embora o jornalismo seja uma profissão em risco, continua a ser importante cobrir histórias e acontecimentos. Enquanto os profissionais se debatem com a importância de relatar eventos de maior dimensão, é crucial que haja cidadãos que se ocupem de ocorrências locais.


Como a tecnologia pode ser "amiga" do jornalismo... Ver galeria

A desinformação é uma das maiores preocupações dos “media” e, com o desenvolvimento tecnológico, têm surgido alguma soluções interessantes. O Blockchain é um programa que bloqueia, automaticamente, informações que considera falsas, e embora não se entenda que pode salvar o jornalismo, ainda pode ser útil à imprensa. O problema é que os leitores não parecem interessados nos factos.

O “The New York Times” lançou um projecto com o objectivo de perceber se o bloqueio facilita, ou não, a compreensão da origem das notícias, por parte dos consumidores. Os colaboradores têm pesquisado utilizadores e construído protótipos da Blockchain, divulgando, agora algumas das suas revelações iniciais.


O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
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