Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Media

A credibilidade será a "moeda de troca" do jornalismo de qualidade

A credibilidade será a nova moeda do jornalismo em 2018, a “moeda de troca” do jornalismo de qualidade. E isso fará de 2018 um bom ano para os meios digitais independentes. Quem faz estas afirmações, definindo-se como um optimista, é James Breiner, apresentado como um “consultor bilingue em inglês e espanhol, especializado nos meios de comunicação digitais, inovação, empreendedorismo e multimédia”. Foi jornalista durante 30 anos, nos EUA, e começou a sua “segunda carreira” lançando, no México, o Centro de Periodismo Digital de Guadalajara.

Solicitado a dar as suas previsões para o futuro próximo do jornalismo, em 2018, afirma, em primeiro lugar, que os media independentes “continuarão a desafiar os poderes existentes para denunciar a corrupção” e responsabilizar as autoridades.

Afirma logo a seguir que “a verdade é tão poderosa que terá um valor económico significativo para os media independentes”. 

“Dada a desconfiança do público nas redes sociais, nos media tradicionais e no lixo infinito à disposição na Internet, os media independentes aproveitarão a sua postura alternativa para captar o apoio de patrocinadores, anunciantes e aliados que queiram associar-se na missão de informar o público para melhorarem as suas comunidades.” (...) 

“O jornalismo continuará a transformar-se de um negócio para passar a ser um serviço público. (...) 

“Os meios de informação independentes vão fortalecer-se, enquanto os tradicionais se debilitam. Não obstante, estes vão manter a ideia de que são um bom negócio, e por isso protegerão os investidores com práticas como as de reduzir as redacções, para manter o nível de rentabilidade, mesmo que seja à custa da qualidade do serviço aos utentes.” (...) 

No caso da América Latina, o jornalismo independente vai procurar o apoio financeiro de “patrocinadores e anunciantes que se identifiquem com a missão de informar e melhorar as comunidades em que operam”, e essas fontes de recursos serão ONGs, “fundações e outras organizações com ou sem interesse de lucro, cujo objectivo seja o de promover comunidades mais justas e igualitárias”. (...) 

“Pela primeira vez, os utentes serão uma fonte importante de recursos financeiros para os meios independentes.” (...) 

“Estes media independentes sofrerão ataques dos poderes estabelecidos, porque representam uma ameaça para eles.” (...)

Para enfrentar esses ataques, irão criar “redes de apoio com ajuda legal e técnica”. (...) 

“Seguindo o modelo de serviço público em vez do modelo de negócio e de concorrência mais convencional, vão colaborar entre si, internacionalmente e regionalmente, para partilharem recursos, pessoal e informação.” (...) 

“Estes meios vão continuar a desenvolver novas formas de contar histórias que terão valor para atrair utentes e patrocinadores” e continuarão a diversificar as suas fontes de receita, “para além da publicidade e assinaturas”.  

 

(Mais informação no texto citado, que vem na sua versão em inglês na Global Investigative Journalism Network, com o link para o texto em espanhol, que inclui uma biografia desenvolvida do autor. Há pequenas diferenças de enfoque entre os dois textos, sobretudo nos exemplos mencionados)

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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