Sábado, 20 de Abril, 2019
Media

A credibilidade será a "moeda de troca" do jornalismo de qualidade

A credibilidade será a nova moeda do jornalismo em 2018, a “moeda de troca” do jornalismo de qualidade. E isso fará de 2018 um bom ano para os meios digitais independentes. Quem faz estas afirmações, definindo-se como um optimista, é James Breiner, apresentado como um “consultor bilingue em inglês e espanhol, especializado nos meios de comunicação digitais, inovação, empreendedorismo e multimédia”. Foi jornalista durante 30 anos, nos EUA, e começou a sua “segunda carreira” lançando, no México, o Centro de Periodismo Digital de Guadalajara.

Solicitado a dar as suas previsões para o futuro próximo do jornalismo, em 2018, afirma, em primeiro lugar, que os media independentes “continuarão a desafiar os poderes existentes para denunciar a corrupção” e responsabilizar as autoridades.

Afirma logo a seguir que “a verdade é tão poderosa que terá um valor económico significativo para os media independentes”. 

“Dada a desconfiança do público nas redes sociais, nos media tradicionais e no lixo infinito à disposição na Internet, os media independentes aproveitarão a sua postura alternativa para captar o apoio de patrocinadores, anunciantes e aliados que queiram associar-se na missão de informar o público para melhorarem as suas comunidades.” (...) 

“O jornalismo continuará a transformar-se de um negócio para passar a ser um serviço público. (...) 

“Os meios de informação independentes vão fortalecer-se, enquanto os tradicionais se debilitam. Não obstante, estes vão manter a ideia de que são um bom negócio, e por isso protegerão os investidores com práticas como as de reduzir as redacções, para manter o nível de rentabilidade, mesmo que seja à custa da qualidade do serviço aos utentes.” (...) 

No caso da América Latina, o jornalismo independente vai procurar o apoio financeiro de “patrocinadores e anunciantes que se identifiquem com a missão de informar e melhorar as comunidades em que operam”, e essas fontes de recursos serão ONGs, “fundações e outras organizações com ou sem interesse de lucro, cujo objectivo seja o de promover comunidades mais justas e igualitárias”. (...) 

“Pela primeira vez, os utentes serão uma fonte importante de recursos financeiros para os meios independentes.” (...) 

“Estes media independentes sofrerão ataques dos poderes estabelecidos, porque representam uma ameaça para eles.” (...)

Para enfrentar esses ataques, irão criar “redes de apoio com ajuda legal e técnica”. (...) 

“Seguindo o modelo de serviço público em vez do modelo de negócio e de concorrência mais convencional, vão colaborar entre si, internacionalmente e regionalmente, para partilharem recursos, pessoal e informação.” (...) 

“Estes meios vão continuar a desenvolver novas formas de contar histórias que terão valor para atrair utentes e patrocinadores” e continuarão a diversificar as suas fontes de receita, “para além da publicidade e assinaturas”.  

 

(Mais informação no texto citado, que vem na sua versão em inglês na Global Investigative Journalism Network, com o link para o texto em espanhol, que inclui uma biografia desenvolvida do autor. Há pequenas diferenças de enfoque entre os dois textos, sobretudo nos exemplos mencionados)

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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