null, 5 de Julho, 2020
Media

A credibilidade será a "moeda de troca" do jornalismo de qualidade

A credibilidade será a nova moeda do jornalismo em 2018, a “moeda de troca” do jornalismo de qualidade. E isso fará de 2018 um bom ano para os meios digitais independentes. Quem faz estas afirmações, definindo-se como um optimista, é James Breiner, apresentado como um “consultor bilingue em inglês e espanhol, especializado nos meios de comunicação digitais, inovação, empreendedorismo e multimédia”. Foi jornalista durante 30 anos, nos EUA, e começou a sua “segunda carreira” lançando, no México, o Centro de Periodismo Digital de Guadalajara.

Solicitado a dar as suas previsões para o futuro próximo do jornalismo, em 2018, afirma, em primeiro lugar, que os media independentes “continuarão a desafiar os poderes existentes para denunciar a corrupção” e responsabilizar as autoridades.

Afirma logo a seguir que “a verdade é tão poderosa que terá um valor económico significativo para os media independentes”. 

“Dada a desconfiança do público nas redes sociais, nos media tradicionais e no lixo infinito à disposição na Internet, os media independentes aproveitarão a sua postura alternativa para captar o apoio de patrocinadores, anunciantes e aliados que queiram associar-se na missão de informar o público para melhorarem as suas comunidades.” (...) 

“O jornalismo continuará a transformar-se de um negócio para passar a ser um serviço público. (...) 

“Os meios de informação independentes vão fortalecer-se, enquanto os tradicionais se debilitam. Não obstante, estes vão manter a ideia de que são um bom negócio, e por isso protegerão os investidores com práticas como as de reduzir as redacções, para manter o nível de rentabilidade, mesmo que seja à custa da qualidade do serviço aos utentes.” (...) 

No caso da América Latina, o jornalismo independente vai procurar o apoio financeiro de “patrocinadores e anunciantes que se identifiquem com a missão de informar e melhorar as comunidades em que operam”, e essas fontes de recursos serão ONGs, “fundações e outras organizações com ou sem interesse de lucro, cujo objectivo seja o de promover comunidades mais justas e igualitárias”. (...) 

“Pela primeira vez, os utentes serão uma fonte importante de recursos financeiros para os meios independentes.” (...) 

“Estes media independentes sofrerão ataques dos poderes estabelecidos, porque representam uma ameaça para eles.” (...)

Para enfrentar esses ataques, irão criar “redes de apoio com ajuda legal e técnica”. (...) 

“Seguindo o modelo de serviço público em vez do modelo de negócio e de concorrência mais convencional, vão colaborar entre si, internacionalmente e regionalmente, para partilharem recursos, pessoal e informação.” (...) 

“Estes meios vão continuar a desenvolver novas formas de contar histórias que terão valor para atrair utentes e patrocinadores” e continuarão a diversificar as suas fontes de receita, “para além da publicidade e assinaturas”.  

 

(Mais informação no texto citado, que vem na sua versão em inglês na Global Investigative Journalism Network, com o link para o texto em espanhol, que inclui uma biografia desenvolvida do autor. Há pequenas diferenças de enfoque entre os dois textos, sobretudo nos exemplos mencionados)

Connosco
Lei de transparência aprovada no Brasil encontra resistências Ver galeria

Os “fact-checkers” brasileiros uniram-se contra a aprovação da “Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet”.

Segundo aqueles profissionais, esta lei aumenta o poder do Senado perante os “media”, porque lhes permite distinguir, oficialmente, o que é informação do que é “fake news”

O texto estabelece, ainda, que as autoridades podem rastrear mensagens replicadas nas redes sociais.

Em entrevista ao instituto Poynter, Natália Leal, coordenadora da empresa de “fact-checking” Agência Lupa, constatou, ainda, que o documento permite ao Governo definir o que é a verificação de factos, e levantar condicionantes às suas actividades. Até porque, alguma figuras políticas, que apoiaram a aprovação da lei, consideram que o “fact-checking” não é mais do que um posicionamento ideológico.


A distribuidora Presstalis reaparece como France Messagerie Ver galeria

A Presstalis -- principal distribuidora de imprensa em França -- foi salva, depois de o Tribunal de Comércio de Paris ratificar a oferta de aquisição, apresentada pela Cooperativa de jornais diários franceses. 

A empresa, que foi rebaptizada de "France Messagerie", passará a empregar cerca de 300 pessoas, o que representa uma redução da força laboral para um terço.

"A prioridade da France Messagerie é, agora, construir relações de confiança, transparentes e duradouras com todos os actores do sector", sublinhou, num comunicado à imprensa Louis Dreyfus, Presidente da Cooperativa dos jornais diários, France Messagerie e do Conselho de Administração do Grupo Le Monde.

O “rebranding” da distribuidora é, contudo, apenas um primeiro passo, já que a empresa deverá fundir as operações com a Messageries Lyonnaises de Presse (MLP), no prazo de três anos.


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


ver mais >
Opinião
Uma certeza que nasceu nos últimos meses é a facilidade com que as pessoas mudam de hábitos. Em consequência o comportamento face ao consumo de conteúdos está a modificar-se cada vez de forma mais rápida e os mais novos são claramente os que com maior facilidade adoptam novidades. Durante o confinamento e a explosão de uso da internet houve uma aplicação que ganhou destaque em todo o mundo – o Tik Tok. Trata-se...
A internet e a liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
As notícias falsas, os insultos, os apelos ao ódio, etc. abundam na internet. Mas criar uma qualquer censura é muito perigoso e iliberal. A intolerância com os intolerantes costuma acabar mal, diz-nos a história. O presidente Trump, que tinha lamentado a morte pela polícia de Minneapolis de um negro que estava a ser aprisionado, reagiu às violentas manifestações naquela cidade, chamando “bandidos” aos manifestantes e...
À medida que a pandemia parece mais controlada e o regresso ao trabalho se faz, conforme as regras de desconfinamento gradual, instalou-se uma “guerra mediática” de contornos invulgares, favorecida pela trapalhada da distribuição de apoios anunciados pelo governo, supostamente,  através da compra antecipada de espaço para publicidade institucional. Primeiro assistiu-se a uma “guerra “ privada, entre a Cofina e o...
Numa era digital, marcada por uma constante e acelerada mudança, caracterizada por um globalismo padronizador de culturas e de costumes, muitas indústrias e profissões estão a alterar-se totalmente, ou até mesmo a desaparecer. Tudo isto se passa num ritmo freneticamente acelerado, que nos afoga literalmente num caudal de informação, muitas vezes difícil de filtrar e descodificar em tempo útil. A evolução...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague