Segunda-feira, 16 de Dezembro, 2019
Media

A credibilidade será a "moeda de troca" do jornalismo de qualidade

A credibilidade será a nova moeda do jornalismo em 2018, a “moeda de troca” do jornalismo de qualidade. E isso fará de 2018 um bom ano para os meios digitais independentes. Quem faz estas afirmações, definindo-se como um optimista, é James Breiner, apresentado como um “consultor bilingue em inglês e espanhol, especializado nos meios de comunicação digitais, inovação, empreendedorismo e multimédia”. Foi jornalista durante 30 anos, nos EUA, e começou a sua “segunda carreira” lançando, no México, o Centro de Periodismo Digital de Guadalajara.

Solicitado a dar as suas previsões para o futuro próximo do jornalismo, em 2018, afirma, em primeiro lugar, que os media independentes “continuarão a desafiar os poderes existentes para denunciar a corrupção” e responsabilizar as autoridades.

Afirma logo a seguir que “a verdade é tão poderosa que terá um valor económico significativo para os media independentes”. 

“Dada a desconfiança do público nas redes sociais, nos media tradicionais e no lixo infinito à disposição na Internet, os media independentes aproveitarão a sua postura alternativa para captar o apoio de patrocinadores, anunciantes e aliados que queiram associar-se na missão de informar o público para melhorarem as suas comunidades.” (...) 

“O jornalismo continuará a transformar-se de um negócio para passar a ser um serviço público. (...) 

“Os meios de informação independentes vão fortalecer-se, enquanto os tradicionais se debilitam. Não obstante, estes vão manter a ideia de que são um bom negócio, e por isso protegerão os investidores com práticas como as de reduzir as redacções, para manter o nível de rentabilidade, mesmo que seja à custa da qualidade do serviço aos utentes.” (...) 

No caso da América Latina, o jornalismo independente vai procurar o apoio financeiro de “patrocinadores e anunciantes que se identifiquem com a missão de informar e melhorar as comunidades em que operam”, e essas fontes de recursos serão ONGs, “fundações e outras organizações com ou sem interesse de lucro, cujo objectivo seja o de promover comunidades mais justas e igualitárias”. (...) 

“Pela primeira vez, os utentes serão uma fonte importante de recursos financeiros para os meios independentes.” (...) 

“Estes media independentes sofrerão ataques dos poderes estabelecidos, porque representam uma ameaça para eles.” (...)

Para enfrentar esses ataques, irão criar “redes de apoio com ajuda legal e técnica”. (...) 

“Seguindo o modelo de serviço público em vez do modelo de negócio e de concorrência mais convencional, vão colaborar entre si, internacionalmente e regionalmente, para partilharem recursos, pessoal e informação.” (...) 

“Estes meios vão continuar a desenvolver novas formas de contar histórias que terão valor para atrair utentes e patrocinadores” e continuarão a diversificar as suas fontes de receita, “para além da publicidade e assinaturas”.  

 

(Mais informação no texto citado, que vem na sua versão em inglês na Global Investigative Journalism Network, com o link para o texto em espanhol, que inclui uma biografia desenvolvida do autor. Há pequenas diferenças de enfoque entre os dois textos, sobretudo nos exemplos mencionados)

Connosco
A cientista Fabiola Gianotti recebeu Prémio Helena Vaz da Silva Ver galeria

O Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian acolheu novamente a cerimónia de entrega do  Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído , este ano, a Fabiola Gianotti,  cientista italiana em Física de partículas e primeira mulher nomeada directora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), por ter contribuido para a divulgação da cultura científica de uma forma atractiva e acessível.

Este Prémio Europeu,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a  Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política (1939 – 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído anualmente a um cidadão europeu, cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Controlo de informação agrava-se e contamina vários países Ver galeria

A China e a Rússia utilizam técnicas de controlo de informação invasivos, desde as comunicações privadas dos cidadãos à censura. 

O uso de sistemas tecnológicos autoritários, por actores estatais, com o objectivo de diminuir os direitos humanos fundamentais dos cidadãos é algo que ultrapassa todos os limites. 

Valentin Weber, do Programa de Bolsas de Estudo de Controlo de Informações do Fundo Aberto de Tecnologia, decidiu realizar uma análise sistemática dos seus drivers e obteve sintomáti cos resultados. 

Através da pesquisa, Valentin descobriu que, até ao momento, mais de cem países compraram, imitaram ou receberam treino em controlo de informação da China e da Rússia.

Verificou, ainda,  casos de países cujos objectivos de controlo e monitorização da informação são semelhantes, como a Venezuela, o Egipto e Myanmar. 

Na lista surgiram, também, países possivelmente menos suspeitos, nos quais a conectividade se está a expandir, como Sudão, Uganda e Zimbábue; várias democracias ocidentais, como Alemanha, França e Holanda; e até mesmo pequenas nações como Trinidad e Tobago. 

“Ao todo, foram detectados 110 países  com tecnologia de vigilância ou censura importada da Rússia ou da China”, refere o artigo da OpenTechnology Fund, publicado no Global Investigative Journalism Network.

O Clube

Este site do Clube, lançado em Novembro de 2016, e com  actividade regular desde então, tem-se afirmado tanto como roteiro do que acontece de novo na paisagem mediática, como ainda no aprofundamento do debate sobre as questões mais relevantes do jornalismo, além do acompanhamento e divulgação das iniciativas do CPI.

O resultado deste esforço tem sido notório, com a fixação de um crescente número de visitantes, oriundos de uma alargada panóplia de países, com relevo para os de língua portuguesa, facto que é muito estimulante e encorajador. 


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