Quarta-feira, 16 de Janeiro, 2019
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Estudo britânico indica que Facebook está a envelhecer

À medida que os novos cada vez mais consideram o Facebook uma “cena de velhos”, são estes que recolhem a fama e o proveito, aderindo àquela grande rede social. Podem é desencontrar-se no caminho, em direcções opostas, porque os mais velhos vão lá “para se manterem a par da vida social dos filhos e dos netos”, justamente na altura em que estes estão a sair para outros lados, nomeadamente o Snapchat. Estes dados são do mais recente relatório da eMarketer sobre as tendências dos utentes de redes sociais no Reino Unido, mas há indicação de que movimento semelhante parece estar em curso também nos Estados Unidos.

O estudo inclui a previsão de que, ao longo do ano de 2018, 2,2 milhões de adolescentes entre os 12 e os 17 anos, e 4,5 milhões de jovens entre os 18 e os 24 estarão a usar regularmente o Facebook no Reino Unido  -  o que representa menos 700 mil do que em 2017. E o aumento dos mais velhos significa que os que estão acima dos 55 anos se vão tornar o segundo maior grupo demográfico de utentes do Facebook neste mesmo ano. 

O relatório conta que, enquanto o Facebook tem conseguido manter junto de si os utentes jovens que se mudam para serviços como o Instagram (que adquiriu em 2012 por um bilião de dólares), os desertores estão agora a ir cada vez mais para o Snapchat. 

“O Facebook tem um problema com os adolescentes”  - diz Bill Fisher, o analista sénior na eMarketer do Reino Unido. “A mais recente projecção indica que é mais do que apenas uma teoria. Até agora tem conseguido confiar em que os que mudam de plataforma sejam absorvidos pelo Instagram. No entanto, quem lidera a conquista das audiências mais jovens é o Snapchat. Temos sinais precoces de que os utentes mais novos das redes sociais estão a ser captados pelo Snapchat.” 

O relatório revela que o Facebook está a envelhecer. “O maior crescimento será entre os utentes mais velhos, prevendo-se 500 mil adultos acima dos 55 anos a entrarem para o Facebook neste ano. Haverá então 6,4 milhões de utentes regulares do Facebook entre os 55 e os 65 anos ou mais, [tornando-os] o maior grupo demográfico a seguir ao dos 16 aos 34 anos.”

 

Mais informação em The Guardian  e IndianExpress

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Como os tablóides britânicos condicionaram debate sobre o Brexit Ver galeria

A Imprensa tablóide britânica tem uma longa tradição eurocéptica e eurofóbica, incluindo a promoção de várias “cruzadas” sobre “Euro-mitos” e o uso de títulos muitas vezes grosseiros. Jornais como The Daily Mail, o Sun ou The Daily Express, “foram muito activos a retratar o Reino Unido como vítima da conspiração ‘cosmopolítica’ de Bruxelas que, segundo alguns títulos, iria obrigar o Parlamento a banir as tradicionais cafeteiras ou lâmpadas eléctricas, ou obrigar as senhoras britânicas a devolverem antigos brinquedos sexuais, para se ajustarem às regras da UE”.

O modo como usaram e abusaram do termo “povo” desempenhou um papel crucial no modo como conseguiram “condicionar o debate sobre o referendo do Brexit em torno de dinâmicas tipicamente populistas”. A reflexão é de Franco Zappettini, docente de Comunicação e Media na Universidade de Liverpool, recentemente publicada no Observatório Europeu de Jornalismo.

Será o jornalismo o primeiro ou o segundo "rascunho da História"? Ver galeria

Segundo a citação tornada famosa, o jornalismo é apenas “o primeiro rascunho tosco da História”. Hoje, ultrapassado em velocidade e abundância de material por toda a desinformação que nos chega pela Internet, já nem isso consegue: o “primeiro rascunho”, agora, vem nas redes sociais, cheias de boatos e teorias de conspiração. E os nossos meios de fact-checking não conseguem ganhar a corrida.

“Fazer fact-checking a Donald Trump, por exemplo, é como ligar um detector de mentiras a um artista de stand-up comedy.”
E combater a desinformação pela Internet “é como disparar uma metralhadora contra um bando desordenado de pássaros.”

As imagens citadas são de James Harkin, director do Centre for Investigative Journalism, e a sua sugestão resume-se numa pergunta:

"Por que não tentarmos restaurar a nossa autoridade fazendo menos, mas com mais profundidade e contexto? O resultado seria um tipo mais lento de jornalismo, que assenta na acumulação de detalhes e aponta para as verdades escondidas por baixo. Esta nova abordagem ao jornalismo já está no ar e podemos chamar-lhe segundo rascunho."
O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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