Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

O Facebook "puxa o tapete" à Imprensa após "namoro" promissor...

A mais recente mudança aplicada pelo Facebook ao conteúdo do seu News Feed “marca uma reviravolta na estratégia de fidelização do público, tornando ainda mais complexa a batalha da Imprensa para sobreviver na era digital”. E, “se o balanço do ‘namoro jornalístico’ entre Facebook e grandes jornais não foi muito promissor, os resultados da aposta publicitária pela Imprensa também não foram animadores, especialmente para as publicações menores”. As consequências de tudo isto “podem mudar os rumos da guerra surda entre Imprensa e redes sociais virtuais, porque reabrem a polémica sobre se elas podem ser consideradas meios de comunicação, ou se são apenas uma plataforma tecnológica, sem compromissos editorais ou jornalísticos”.

É esta a reflexão inicial de Carlos Castilho, jornalista e investigador académico, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria. O seu texto faz uma espécie de revisão da matéria dada sobre este problema e descreve a surpresa e alarme com que a referida mudança foi recebida pelos media que tinham arriscado muito  - demasiado -  naquela relação.

“A nova orientação editorial altera drasticamente a relação entre a rede e boa parte da Imprensa que, há pouco mais de dois anos, achou que o Facebook poderia ser uma excelente oportunidade para ampliar audiências e obter um facturamento publicitário adicional. Na época, foram muitos os que advertiram jornais, revistas e empresas de rádio ou televisão, de que a aposta na ampliação de audiência poderia ser ilusória e perigosa, pois a rede de Mark Zuckerberg passaria a controlar a relação da Imprensa com o público, sem a garantia de receitas capazes de resolver a crise no modelo de negócios dos media.” (...) 

Numa primeira fase, as audiências da fonte de notícias do Facebook estabilizaram, nos países ricos, “num patamar de 45% do total geral de acessos a este tipo de conteúdo, embora ainda seja quase duas vezes e meia maior do que no YouTube, o segundo colocado no ranking, com 18%”. (...) 

Mas a receita publicitária não acompanhou as expectativas: 

“Apenas os grandes jornais conseguiram alguma receita com anúncios na área de notícias do Facebook. Os pequenos e médios ficaram bem longe das expectativas iniciais, facto que também se repetiu na questão das audiências. Só depois é que os jornais perceberam que audiência e tráfego não significam a mesma coisa. Audiência implica fidelização de leitores, enquanto o tráfego mede apenas o número de pessoas que acedem à página, sem a preocupação de voltar. 
Facebook oferece circulação de notícias mas não audiências fiéis.” (...) 

Segundo Carlos Castilho, duas questões, bem mais sérias e complexas, passam a preocupar os utentes das grandes plataformas: 

“A primeira é sobre o controlo das redes sociais e a outra é sobre os problemas resultantes da globalização das estruturas e estratégias destas mesmas redes. A decisão do Facebook de mudar a sua estratégia de publicação de notícias, bem como outras decisões tomadas anteriormente, mostra que os utentes têm pouco poder de interferência nas opções da empresa. Isto coloca quase dois biliões e meio de pessoas, espalhadas pelo mundo, na dependência das decisões de Mark Zuckerberg, um executivo de apenas 33 anos, e dos seus assessores.” (...) 

“Ao alterar a sua estratégia editorial em função de problemas políticos e comerciais nos Estados Unidos e Europa, o Facebook impôs a nova orientação a todas as demais nações do mundo onde existem utentes da rede. No caso dos países ricos, seguramente surgirão alternativas para o que Zuckerberg já não acha mais rentável, mas na América Latina, África, Ásia e Oriente Médio, as populações ainda dependem muito do Facebook e serão empurradas para um vácuo em matéria de redes sociais.” (...) 

 

O artigo de Carlos Castilho, na íntegra, no Observatório da Imprensa

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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