Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Media

O Facebook "puxa o tapete" à Imprensa após "namoro" promissor...

A mais recente mudança aplicada pelo Facebook ao conteúdo do seu News Feed “marca uma reviravolta na estratégia de fidelização do público, tornando ainda mais complexa a batalha da Imprensa para sobreviver na era digital”. E, “se o balanço do ‘namoro jornalístico’ entre Facebook e grandes jornais não foi muito promissor, os resultados da aposta publicitária pela Imprensa também não foram animadores, especialmente para as publicações menores”. As consequências de tudo isto “podem mudar os rumos da guerra surda entre Imprensa e redes sociais virtuais, porque reabrem a polémica sobre se elas podem ser consideradas meios de comunicação, ou se são apenas uma plataforma tecnológica, sem compromissos editorais ou jornalísticos”.

É esta a reflexão inicial de Carlos Castilho, jornalista e investigador académico, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria. O seu texto faz uma espécie de revisão da matéria dada sobre este problema e descreve a surpresa e alarme com que a referida mudança foi recebida pelos media que tinham arriscado muito  - demasiado -  naquela relação.

“A nova orientação editorial altera drasticamente a relação entre a rede e boa parte da Imprensa que, há pouco mais de dois anos, achou que o Facebook poderia ser uma excelente oportunidade para ampliar audiências e obter um facturamento publicitário adicional. Na época, foram muitos os que advertiram jornais, revistas e empresas de rádio ou televisão, de que a aposta na ampliação de audiência poderia ser ilusória e perigosa, pois a rede de Mark Zuckerberg passaria a controlar a relação da Imprensa com o público, sem a garantia de receitas capazes de resolver a crise no modelo de negócios dos media.” (...) 

Numa primeira fase, as audiências da fonte de notícias do Facebook estabilizaram, nos países ricos, “num patamar de 45% do total geral de acessos a este tipo de conteúdo, embora ainda seja quase duas vezes e meia maior do que no YouTube, o segundo colocado no ranking, com 18%”. (...) 

Mas a receita publicitária não acompanhou as expectativas: 

“Apenas os grandes jornais conseguiram alguma receita com anúncios na área de notícias do Facebook. Os pequenos e médios ficaram bem longe das expectativas iniciais, facto que também se repetiu na questão das audiências. Só depois é que os jornais perceberam que audiência e tráfego não significam a mesma coisa. Audiência implica fidelização de leitores, enquanto o tráfego mede apenas o número de pessoas que acedem à página, sem a preocupação de voltar. 
Facebook oferece circulação de notícias mas não audiências fiéis.” (...) 

Segundo Carlos Castilho, duas questões, bem mais sérias e complexas, passam a preocupar os utentes das grandes plataformas: 

“A primeira é sobre o controlo das redes sociais e a outra é sobre os problemas resultantes da globalização das estruturas e estratégias destas mesmas redes. A decisão do Facebook de mudar a sua estratégia de publicação de notícias, bem como outras decisões tomadas anteriormente, mostra que os utentes têm pouco poder de interferência nas opções da empresa. Isto coloca quase dois biliões e meio de pessoas, espalhadas pelo mundo, na dependência das decisões de Mark Zuckerberg, um executivo de apenas 33 anos, e dos seus assessores.” (...) 

“Ao alterar a sua estratégia editorial em função de problemas políticos e comerciais nos Estados Unidos e Europa, o Facebook impôs a nova orientação a todas as demais nações do mundo onde existem utentes da rede. No caso dos países ricos, seguramente surgirão alternativas para o que Zuckerberg já não acha mais rentável, mas na América Latina, África, Ásia e Oriente Médio, as populações ainda dependem muito do Facebook e serão empurradas para um vácuo em matéria de redes sociais.” (...) 

 

O artigo de Carlos Castilho, na íntegra, no Observatório da Imprensa

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Como está o papel?
Manuel Falcão
Durante muitos anos a imprensa – jornais e revistas – captava a segunda maior fatia do investimento publicitário, logo a seguir à televisão, que sensivelmente fica com metade do total do bolo publicitário. Mas desde o princípio desta década a queda do investimento em imprensa foi sempre aumentando e, agora, desceu para a quinta posição, atrás, por esta ordem, da TV, digital, outdoor e rádio. Ao ritmo a que...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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