Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Media

Relatório confirma agravamento das restrições aos jornalistas na China

O trabalho de um jornalista estrangeiro na China é “uma permanente corrida de obstáculos”. Em Dezembro, o Foreign Correspondents’ Club of China, “uma organização de tipo anglo-saxónico que representa os grandes media ocidentais”, publicou o seu relatório anual referente a 2017. Este documento, intitulado “Acesso Interdito  - vigilância, assédio e intimidação na deterioração das condições de reportagem na China”, descreve uma série de episódios que confirmam o agravamento de limitações que já vinham do passado recente, mas parecem estar a intensificar-se.

Segundo Le Monde, que aqui citamos, há as ameaças veladas de não-renovação do visto de residência anual e pressões no momento de a requerer, “com o responsável pelo nosso dossier lembrando-nos, com um prazer maldoso, depois de ter visto o nosso computador, onde estávamos em tal dia a determinada hora”. 

“Ou as convocatórias, decerto amigáveis, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, por motivo de artigos que desagradam ou que ‘chocam’  - como aconteceu recentemente aos nossos colegas do Monde Afrique sobre as escutas efectuadas pelas [autoridades de] Pequim na sede da União Africana.” 

“E há, por vezes, o telefonema do intérprete da Segurança do Estado   - o serviço chinês de contra-espiongagem -  para ‘beber um chá’ (ou uma cerveja) perto da nossa casa. Os oficiais são amáveis e nunca sabemos exactamente onde querem chegar.” (...) 

Notícia do Foreign Correspondents’ Club de Hong Kong diz que o relatório revela um aumento significativo no número dos correspondentes estrangeiros que acham que o seu trabalho se tornou mais difícil, “com pressão crescente das autoridades para bloquear a reportagem em áreas que consideram sensíveis, como Xinjiang, a fronteira com a Coreia do Norte e zonas industriais”. 

O inquérito que está na base do relatório foi respondido por 117 dos 218 correspondentes membros. São seis as principais conclusões:

  1. – Um número de 40% declara que as condições pioraram em 2017, comparado com os 29% do relatório de 2016.
  2. – As condições são mais difíceis em determinadas áreas, especialmente em Xinjiang, a região chinesa mais ocidental. 73% dos que lá foram contam que as autoridades e agentes de segurança lhes disseram que fazer reportagem era proibido ou restringido, comparado com 42% em 2016.
  3. – Cerca de 15% encontraram dificuldades no processo de renovação, quando tinham sido 6% no ano anterior.
  4. – Os correspondentes declaram níveis maIs elevados de preocupação quanto a vigilância e invasão de privacidade.
  5. – Cerca de metade diz que experimentou “interferência, assédio e violência física”, mais ou menos do mesmo modo que em 2016.
  6. – As fontes de informação na China continuam a sofrer consequências negativas por interagirem com jornalistas estrangeiros. 26% dos correspondentes contam que as suas fontes foram molestadas, detidas ou chamadas a interrogatório, à semelhança do ocorrido em 2016.

 

Mais informação em Le Monde  e no Foreign Correspondents’ Club de Hong Kong. O relatório na íntegra, em PDF

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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