Quarta-feira, 13 de Novembro, 2019
Media

Relatório confirma agravamento das restrições aos jornalistas na China

O trabalho de um jornalista estrangeiro na China é “uma permanente corrida de obstáculos”. Em Dezembro, o Foreign Correspondents’ Club of China, “uma organização de tipo anglo-saxónico que representa os grandes media ocidentais”, publicou o seu relatório anual referente a 2017. Este documento, intitulado “Acesso Interdito  - vigilância, assédio e intimidação na deterioração das condições de reportagem na China”, descreve uma série de episódios que confirmam o agravamento de limitações que já vinham do passado recente, mas parecem estar a intensificar-se.

Segundo Le Monde, que aqui citamos, há as ameaças veladas de não-renovação do visto de residência anual e pressões no momento de a requerer, “com o responsável pelo nosso dossier lembrando-nos, com um prazer maldoso, depois de ter visto o nosso computador, onde estávamos em tal dia a determinada hora”. 

“Ou as convocatórias, decerto amigáveis, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, por motivo de artigos que desagradam ou que ‘chocam’  - como aconteceu recentemente aos nossos colegas do Monde Afrique sobre as escutas efectuadas pelas [autoridades de] Pequim na sede da União Africana.” 

“E há, por vezes, o telefonema do intérprete da Segurança do Estado   - o serviço chinês de contra-espiongagem -  para ‘beber um chá’ (ou uma cerveja) perto da nossa casa. Os oficiais são amáveis e nunca sabemos exactamente onde querem chegar.” (...) 

Notícia do Foreign Correspondents’ Club de Hong Kong diz que o relatório revela um aumento significativo no número dos correspondentes estrangeiros que acham que o seu trabalho se tornou mais difícil, “com pressão crescente das autoridades para bloquear a reportagem em áreas que consideram sensíveis, como Xinjiang, a fronteira com a Coreia do Norte e zonas industriais”. 

O inquérito que está na base do relatório foi respondido por 117 dos 218 correspondentes membros. São seis as principais conclusões:

  1. – Um número de 40% declara que as condições pioraram em 2017, comparado com os 29% do relatório de 2016.
  2. – As condições são mais difíceis em determinadas áreas, especialmente em Xinjiang, a região chinesa mais ocidental. 73% dos que lá foram contam que as autoridades e agentes de segurança lhes disseram que fazer reportagem era proibido ou restringido, comparado com 42% em 2016.
  3. – Cerca de 15% encontraram dificuldades no processo de renovação, quando tinham sido 6% no ano anterior.
  4. – Os correspondentes declaram níveis maIs elevados de preocupação quanto a vigilância e invasão de privacidade.
  5. – Cerca de metade diz que experimentou “interferência, assédio e violência física”, mais ou menos do mesmo modo que em 2016.
  6. – As fontes de informação na China continuam a sofrer consequências negativas por interagirem com jornalistas estrangeiros. 26% dos correspondentes contam que as suas fontes foram molestadas, detidas ou chamadas a interrogatório, à semelhança do ocorrido em 2016.

 

Mais informação em Le Monde  e no Foreign Correspondents’ Club de Hong Kong. O relatório na íntegra, em PDF

Connosco
Onde se fala de jornalismo mais factual e menos negativo Ver galeria

Os meios de comunicação social exibem um enviesamento em relação a tudo aquilo que é negativo, seja nas notícias, seja no comentário. 

O jornalismo parece ter uma tendência para o negativo. Aparentemente, só o que é repentino e mau é digno de notícia, verificando-se que as coisas positivas são vistas como uma maçada.

O jornalismo acaba por ampliar a negatividade sempre que opta por não considerar os acontecimentos positivos.

A opinião é de Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard e autor, numa crónica na revista POLITICO Magazine, do livro “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress”. 

O autor apela a um jornalismo mais factual e considera que a governação democrática não pode funcionar se ninguém acreditar nisso, e o pessimismo jornalístico semeou o fatalismo e o radicalismo nas nossas instituições.

Jovens privilegiam “infotainment” em vez de notícias Ver galeria

Um estudo encomendado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) à agência Flamingo – especializada na concepção de estratégias culturais –, revela que a forma como as audiências mais jovens nos Estados Unidos e no Reino Unido abordam as notícias é diferente das gerações anteriores. 

Os jovens procuram, principalmente, o progresso, o que influencia a forma como pesquisam e recebem notícias.

As audiências mais jovens, por norma, não procuram notícias e não se informam de forma proactiva, são indiretamente expostas à informação através de redes sociais, conteúdos digitais, programas de televisão e conversas online

Ao mesmo tempo, focam-se noutros tipos de conteúdos, como a combinação de informação e entretenimento (infotainment), histórias de lifestyle ou conteúdos de bloggers.

Em suma, as gerações mais jovens estão cada vez mais desconectadas das formas tradicionais de consumo de notícias, por considerarem que são menos relevantes para si.

APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria, publicou no seu site um artigo no qual realiza a análise do estudo.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O caso do novo secretário de Estado com a tutela da comunicação social é assaz curioso. Nuno Artur Silva foi dono, até há dias, das Produções Fictícias, empresa que incluía a RTP no seu portfólio de clientes, facto que não o inibiu de aceitar  ser administrador daquele operador público, com a responsabilidade dos conteúdos. Cumprido o primeiro mandato, sem abdicar da...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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