Quinta-feira, 4 de Junho, 2020
Media

Relatório confirma agravamento das restrições aos jornalistas na China

O trabalho de um jornalista estrangeiro na China é “uma permanente corrida de obstáculos”. Em Dezembro, o Foreign Correspondents’ Club of China, “uma organização de tipo anglo-saxónico que representa os grandes media ocidentais”, publicou o seu relatório anual referente a 2017. Este documento, intitulado “Acesso Interdito  - vigilância, assédio e intimidação na deterioração das condições de reportagem na China”, descreve uma série de episódios que confirmam o agravamento de limitações que já vinham do passado recente, mas parecem estar a intensificar-se.

Segundo Le Monde, que aqui citamos, há as ameaças veladas de não-renovação do visto de residência anual e pressões no momento de a requerer, “com o responsável pelo nosso dossier lembrando-nos, com um prazer maldoso, depois de ter visto o nosso computador, onde estávamos em tal dia a determinada hora”. 

“Ou as convocatórias, decerto amigáveis, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, por motivo de artigos que desagradam ou que ‘chocam’  - como aconteceu recentemente aos nossos colegas do Monde Afrique sobre as escutas efectuadas pelas [autoridades de] Pequim na sede da União Africana.” 

“E há, por vezes, o telefonema do intérprete da Segurança do Estado   - o serviço chinês de contra-espiongagem -  para ‘beber um chá’ (ou uma cerveja) perto da nossa casa. Os oficiais são amáveis e nunca sabemos exactamente onde querem chegar.” (...) 

Notícia do Foreign Correspondents’ Club de Hong Kong diz que o relatório revela um aumento significativo no número dos correspondentes estrangeiros que acham que o seu trabalho se tornou mais difícil, “com pressão crescente das autoridades para bloquear a reportagem em áreas que consideram sensíveis, como Xinjiang, a fronteira com a Coreia do Norte e zonas industriais”. 

O inquérito que está na base do relatório foi respondido por 117 dos 218 correspondentes membros. São seis as principais conclusões:

  1. – Um número de 40% declara que as condições pioraram em 2017, comparado com os 29% do relatório de 2016.
  2. – As condições são mais difíceis em determinadas áreas, especialmente em Xinjiang, a região chinesa mais ocidental. 73% dos que lá foram contam que as autoridades e agentes de segurança lhes disseram que fazer reportagem era proibido ou restringido, comparado com 42% em 2016.
  3. – Cerca de 15% encontraram dificuldades no processo de renovação, quando tinham sido 6% no ano anterior.
  4. – Os correspondentes declaram níveis maIs elevados de preocupação quanto a vigilância e invasão de privacidade.
  5. – Cerca de metade diz que experimentou “interferência, assédio e violência física”, mais ou menos do mesmo modo que em 2016.
  6. – As fontes de informação na China continuam a sofrer consequências negativas por interagirem com jornalistas estrangeiros. 26% dos correspondentes contam que as suas fontes foram molestadas, detidas ou chamadas a interrogatório, à semelhança do ocorrido em 2016.

 

Mais informação em Le Monde  e no Foreign Correspondents’ Club de Hong Kong. O relatório na íntegra, em PDF

Connosco
O paradoxo no Brasil entre a ética jornalística e a ética empresarial Ver galeria

Os jornalistas brasileiros estão a ser confrontados com novos obstáculos, impostos à profissão pela Covid-19. É o caso teletrabalho,  que veio alterar, profundamente, o “modus operandi” das redacções e da investigação jornalística. 

Há, contudo, outras questões, ainda mais preocupantes, a serem discutidas por estes profissionais, como é o caso da ética jornalística, reiterou Silvia Meirelles Leite num artigo publicado na revista “objETHOS” e reproduzido no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com a autora, enquanto os jornalistas continuam a desempenhar as suas funções e a manter a população informada, as empresas detentoras dos “media” têm de garantir apoios financeiros.

Isto leva a que, não raramente, a televisão pública seja obrigada a suprimir certas peças jornalísticas. Caso contrário, este serviço deixaria de receber financiamento governamental.

A cobertura do coronavírus reforçou a credibilidade jornalística Ver galeria

A pandemia de Covid-19 afectou praticamente todos os sectores da sociedade e influenciou a vida dos cidadãos, um pouco por todo o mundo.

Assim, os jornalistas têm vindo a assumir um papel essencial, mantendo a  população informada sobre os impactos da doença, bem como sobre as suas mutações.

Desta forma, os “media” tradicionais voltaram a merecer a atenção e “lealdade” do público, que deixou de informar-se através das redes sociais que são, tendencialmente, uma plataforma de desinformação,

considerou o jornalista Michel Ribeiro num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Perante a actual crise sanitária, recorda o autor, o jornalismo televisivo conquistou uma audiência significativa e os jornais “online” registaram um tráfego sem precedentes. Da mesma forma, mais consumidores decidiram assinar fontes de informação fidedignas e ouvir rádio para se manterem informados.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


ver mais >
Opinião
À medida que a pandemia parece mais controlada e o regresso ao trabalho se faz, conforme as regras de desconfinamento gradual, instalou-se uma “guerra mediática” de contornos invulgares, favorecida pela trapalhada da distribuição de apoios anunciados pelo governo, supostamente,  através da compra antecipada de espaço para publicidade institucional. Primeiro assistiu-se a uma “guerra “ privada, entre a Cofina e o...
Numa era digital, marcada por uma constante e acelerada mudança, caracterizada por um globalismo padronizador de culturas e de costumes, muitas indústrias e profissões estão a alterar-se totalmente, ou até mesmo a desaparecer. Tudo isto se passa num ritmo freneticamente acelerado, que nos afoga literalmente num caudal de informação, muitas vezes difícil de filtrar e descodificar em tempo útil. A evolução...
As suas vendas desceram, os clientes atrasaram-se a pagar, os fornecedores pressionam para receber, a tesouraria está apertada? O que fazer? – Claro que vai ver onde se pode cortar custos, ao mesmo tempo que se prepara o retomar de actividades. E um dos primeiros cortes para muitas empresas é na comunicação e na publicidade. “O dinheiro não chega para tudo, tem que se escolher”, pensa quem faz o corte. No fundo consideram que no...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
Em toda a parte, ou quase, a pandemia causada pelo coronavírus fechou em casa muitos milhões de pessoas, para evitarem ser contaminadas. Um dos efeitos desse confinamento foi terem aumentado as audiências de televisão. Por outro lado, as pessoas precisam de informação, por isso o estado de emergência em Portugal mantém abertos os quiosques, que vendem jornais.   Melhores tempos para a comunicação social? Nem por isso,...
Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas