Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Media

Versão digital da “Wired” passa a ser paga sem fechar edição impressa

A conhecida revista americana de tecnologia Wired aproveita o seu 25º aniversário para anunciar que vai ter uma paywall na edição digital. O motivo é o que sabemos: a indústria publicitária tornou-se “volúvel e tumultuosa”, apoio fraco para sustentar economicamente a publicação. O pormenor curioso é que, no apelo à assinatura, é incluído, no benefício proposto a quem aceite pagar os vinte dólares anuais que ela custa, o direito de, precisamente, deixar de ver publicidade  -  além de receber o dispositivo USB de autenticação YubiKey.

Outro pormenor que chama a atenção é o facto de a Wired, especializada nas últimas tecnologias e nas tendências com mais futuro, insistir em manter a revista impressa. Nick Thompson, o chefe de redacção, afirmou recentemente, à Recode Media, que não sabe se a Wired ainda terá uma edição em papel daqui por dez anos, mas garante que vai continuar a ter este ano. 

Na sua opinião, uma das vantagens da versão impressa é que é recebida por 800 mil leitores por mês, pelo serviço postal. E embora pela Internet seja fácil atingir muito mais pessoas, também é verdade que no papel se podem publicar “coisas muito boas, que ninguém viu porque, de facto, não funcionam bem com os algoritmos”. 

Qualquer utente, neste momento, tem acesso grátis a quatro artigos da Wired por mês. Recebe então uma proposta de assinatura, que lhe dará acesso ilimitado a todos os conteúdos online, “bem como às edições impressas e digitais da revista”, durante um período de três meses de experiência. 

A partir daí, a assinatura é de vinte dólares por ano. Para tornar mais desejável o apelo, o lançamento desta paywall vem com a criação de novas secções, como a Ideias, que contará com a colaboração de autores de outras publicações  - por exemplo do Massachussets Institute of Technology -  e a Wired Guides, com artigos de actualização sobre os mais recentes avanços tecnológicos. 

O editorial lembra que “por um lado, a informação quer ser cara, pelo muito valor que tem”, enquanto, por outro, “quer ser grátis, porque o custo de a obter vai sempre baixando”. Há aqui valores em conflito e, “mesmo que se torne barata ou de distribuição gratuita, acreditamos que uma informação de qualidade  - baseada em grande reportagem, escrita viva e uma visão iluminadora -  continua a ser valiosa”.

 

Mais informação em Media-Tics e o artigo especial sobre os 25 anos da Wired, cuja ilustração também incluímos

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Como está o papel?
Manuel Falcão
Durante muitos anos a imprensa – jornais e revistas – captava a segunda maior fatia do investimento publicitário, logo a seguir à televisão, que sensivelmente fica com metade do total do bolo publicitário. Mas desde o princípio desta década a queda do investimento em imprensa foi sempre aumentando e, agora, desceu para a quinta posição, atrás, por esta ordem, da TV, digital, outdoor e rádio. Ao ritmo a que...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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