Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Media

Versão digital da “Wired” passa a ser paga sem fechar edição impressa

A conhecida revista americana de tecnologia Wired aproveita o seu 25º aniversário para anunciar que vai ter uma paywall na edição digital. O motivo é o que sabemos: a indústria publicitária tornou-se “volúvel e tumultuosa”, apoio fraco para sustentar economicamente a publicação. O pormenor curioso é que, no apelo à assinatura, é incluído, no benefício proposto a quem aceite pagar os vinte dólares anuais que ela custa, o direito de, precisamente, deixar de ver publicidade  -  além de receber o dispositivo USB de autenticação YubiKey.

Outro pormenor que chama a atenção é o facto de a Wired, especializada nas últimas tecnologias e nas tendências com mais futuro, insistir em manter a revista impressa. Nick Thompson, o chefe de redacção, afirmou recentemente, à Recode Media, que não sabe se a Wired ainda terá uma edição em papel daqui por dez anos, mas garante que vai continuar a ter este ano. 

Na sua opinião, uma das vantagens da versão impressa é que é recebida por 800 mil leitores por mês, pelo serviço postal. E embora pela Internet seja fácil atingir muito mais pessoas, também é verdade que no papel se podem publicar “coisas muito boas, que ninguém viu porque, de facto, não funcionam bem com os algoritmos”. 

Qualquer utente, neste momento, tem acesso grátis a quatro artigos da Wired por mês. Recebe então uma proposta de assinatura, que lhe dará acesso ilimitado a todos os conteúdos online, “bem como às edições impressas e digitais da revista”, durante um período de três meses de experiência. 

A partir daí, a assinatura é de vinte dólares por ano. Para tornar mais desejável o apelo, o lançamento desta paywall vem com a criação de novas secções, como a Ideias, que contará com a colaboração de autores de outras publicações  - por exemplo do Massachussets Institute of Technology -  e a Wired Guides, com artigos de actualização sobre os mais recentes avanços tecnológicos. 

O editorial lembra que “por um lado, a informação quer ser cara, pelo muito valor que tem”, enquanto, por outro, “quer ser grátis, porque o custo de a obter vai sempre baixando”. Há aqui valores em conflito e, “mesmo que se torne barata ou de distribuição gratuita, acreditamos que uma informação de qualidade  - baseada em grande reportagem, escrita viva e uma visão iluminadora -  continua a ser valiosa”.

 

Mais informação em Media-Tics e o artigo especial sobre os 25 anos da Wired, cuja ilustração também incluímos

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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