null, 26 de Maio, 2019
Media

Versão digital da “Wired” passa a ser paga sem fechar edição impressa

A conhecida revista americana de tecnologia Wired aproveita o seu 25º aniversário para anunciar que vai ter uma paywall na edição digital. O motivo é o que sabemos: a indústria publicitária tornou-se “volúvel e tumultuosa”, apoio fraco para sustentar economicamente a publicação. O pormenor curioso é que, no apelo à assinatura, é incluído, no benefício proposto a quem aceite pagar os vinte dólares anuais que ela custa, o direito de, precisamente, deixar de ver publicidade  -  além de receber o dispositivo USB de autenticação YubiKey.

Outro pormenor que chama a atenção é o facto de a Wired, especializada nas últimas tecnologias e nas tendências com mais futuro, insistir em manter a revista impressa. Nick Thompson, o chefe de redacção, afirmou recentemente, à Recode Media, que não sabe se a Wired ainda terá uma edição em papel daqui por dez anos, mas garante que vai continuar a ter este ano. 

Na sua opinião, uma das vantagens da versão impressa é que é recebida por 800 mil leitores por mês, pelo serviço postal. E embora pela Internet seja fácil atingir muito mais pessoas, também é verdade que no papel se podem publicar “coisas muito boas, que ninguém viu porque, de facto, não funcionam bem com os algoritmos”. 

Qualquer utente, neste momento, tem acesso grátis a quatro artigos da Wired por mês. Recebe então uma proposta de assinatura, que lhe dará acesso ilimitado a todos os conteúdos online, “bem como às edições impressas e digitais da revista”, durante um período de três meses de experiência. 

A partir daí, a assinatura é de vinte dólares por ano. Para tornar mais desejável o apelo, o lançamento desta paywall vem com a criação de novas secções, como a Ideias, que contará com a colaboração de autores de outras publicações  - por exemplo do Massachussets Institute of Technology -  e a Wired Guides, com artigos de actualização sobre os mais recentes avanços tecnológicos. 

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O editorial lembra que “por um lado, a informação quer ser cara, pelo muito valor que tem”, enquanto, por outro, “quer ser grátis, porque o custo de a obter vai sempre baixando”. Há aqui valores em conflito e, “mesmo que se torne barata ou de distribuição gratuita, acreditamos que uma informação de qualidade  - baseada em grande reportagem, escrita viva e uma visão iluminadora -  continua a ser valiosa”.

 

Mais informação em Media-Tics e o artigo especial sobre os 25 anos da Wired, cuja ilustração também incluímos

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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