Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Media

Leitores "online" estão a mudar a cultura do jornalismo

O diário The Guardian e o semanário Observer, nas suas edições em papel, correspondem naturalmente à cultura da área geográfica em que nasceram e são distribuídos. A edição digital projecta-se para os Estados Unidos e a Austrália, tornando inevitável o desenvolvimento de uma cultura jornalística distinta, “enriquecida por uma audiência que está ligada pela língua inglesa mas que, de muitos outros modos, é culturalmente diferente”. Paul Chadwick, o provedor do leitor a nível global, considera-se privilegiado por poder assistir ao seu crescimento, dando conta das diversas pressões e sensibilidades envolvidas neste processo.

Para ter uma ideia das proporções, note-se que a tiragem média diária do Guardian, de segunda a sábado, é de 151.625 exemplares. A do Observer, aos domingos, é de 175.401. Mas o seu conteúdo nas plataformas digitais é usado, em todo o mundo, por cerca de 140 milhões de visitantes únicos por mês. 

Como explica Paul Chadwick, “isto tem as suas pressões”: 

“Em alguns países, certas palavras ou imagens são mais ofensivas do que noutros. Que sensibilidades devem prevalecer? Nesta era de sentimento nacionalista poderoso, expressões de orgulho e de rivalidade podem ser apaixonadamente debatidas por meio de um serviço jornalístico digital em que ambos os lados se sentem em casa, num certo sentido de conforto virtual. Que lealdades deverão ceder, ou aparentar fazê-lo?” (...) 

Na impossibilidade de responder pessoalmente a todos os reparos, o provedor e a sua equipa de apoio assumem um critério de proporcionalidade definido em sete pontos:

  1. – A seriedade do assunto.
  2. – A verosimilhança do dano.
  3. – O potencial de engano.
  4. – A proximidade da pessoa à substância do assunto apresentado.
  5. -  Até que ponto a matéria específica indica uma causa sistémica.
  6. – A escala da resposta da audiência ao assunto.
  7. – O grau de risco de dano para a reputação do Guardian/Observer.

A concluir, o provedor afirma que nenhum destes pontos da lista tem precedência exclusiva, e que o velho imperativo continua, de proporcionar uma autêntica auto-regulação e manter o jornalismo livre de regulação específica do governo. 

O artigo citado, em The Guardian

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


ver mais >
Opinião
Como está o papel?
Manuel Falcão
Durante muitos anos a imprensa – jornais e revistas – captava a segunda maior fatia do investimento publicitário, logo a seguir à televisão, que sensivelmente fica com metade do total do bolo publicitário. Mas desde o princípio desta década a queda do investimento em imprensa foi sempre aumentando e, agora, desceu para a quinta posição, atrás, por esta ordem, da TV, digital, outdoor e rádio. Ao ritmo a que...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
Agenda
24
Out
Medientage München
09:00 @ Munique, Alemanha
25
Out
Perspetivas do Fotorjonalismo em Portugal
18:00 @ Casa da imprensa, Lisboa
07
Nov
newsrewired
09:00 @ Londres, UK
10
Nov
LinkedIn para Jornalistas
09:00 @ Cenjor,Lisboa