Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Media

Leitores "online" estão a mudar a cultura do jornalismo

O diário The Guardian e o semanário Observer, nas suas edições em papel, correspondem naturalmente à cultura da área geográfica em que nasceram e são distribuídos. A edição digital projecta-se para os Estados Unidos e a Austrália, tornando inevitável o desenvolvimento de uma cultura jornalística distinta, “enriquecida por uma audiência que está ligada pela língua inglesa mas que, de muitos outros modos, é culturalmente diferente”. Paul Chadwick, o provedor do leitor a nível global, considera-se privilegiado por poder assistir ao seu crescimento, dando conta das diversas pressões e sensibilidades envolvidas neste processo.

Para ter uma ideia das proporções, note-se que a tiragem média diária do Guardian, de segunda a sábado, é de 151.625 exemplares. A do Observer, aos domingos, é de 175.401. Mas o seu conteúdo nas plataformas digitais é usado, em todo o mundo, por cerca de 140 milhões de visitantes únicos por mês. 

Como explica Paul Chadwick, “isto tem as suas pressões”: 

“Em alguns países, certas palavras ou imagens são mais ofensivas do que noutros. Que sensibilidades devem prevalecer? Nesta era de sentimento nacionalista poderoso, expressões de orgulho e de rivalidade podem ser apaixonadamente debatidas por meio de um serviço jornalístico digital em que ambos os lados se sentem em casa, num certo sentido de conforto virtual. Que lealdades deverão ceder, ou aparentar fazê-lo?” (...) 

Na impossibilidade de responder pessoalmente a todos os reparos, o provedor e a sua equipa de apoio assumem um critério de proporcionalidade definido em sete pontos:

  1. – A seriedade do assunto.
  2. – A verosimilhança do dano.
  3. – O potencial de engano.
  4. – A proximidade da pessoa à substância do assunto apresentado.
  5. -  Até que ponto a matéria específica indica uma causa sistémica.
  6. – A escala da resposta da audiência ao assunto.
  7. – O grau de risco de dano para a reputação do Guardian/Observer.

A concluir, o provedor afirma que nenhum destes pontos da lista tem precedência exclusiva, e que o velho imperativo continua, de proporcionar uma autêntica auto-regulação e manter o jornalismo livre de regulação específica do governo. 

O artigo citado, em The Guardian

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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