null, 26 de Maio, 2019
Media

Leitores "online" estão a mudar a cultura do jornalismo

O diário The Guardian e o semanário Observer, nas suas edições em papel, correspondem naturalmente à cultura da área geográfica em que nasceram e são distribuídos. A edição digital projecta-se para os Estados Unidos e a Austrália, tornando inevitável o desenvolvimento de uma cultura jornalística distinta, “enriquecida por uma audiência que está ligada pela língua inglesa mas que, de muitos outros modos, é culturalmente diferente”. Paul Chadwick, o provedor do leitor a nível global, considera-se privilegiado por poder assistir ao seu crescimento, dando conta das diversas pressões e sensibilidades envolvidas neste processo.

Para ter uma ideia das proporções, note-se que a tiragem média diária do Guardian, de segunda a sábado, é de 151.625 exemplares. A do Observer, aos domingos, é de 175.401. Mas o seu conteúdo nas plataformas digitais é usado, em todo o mundo, por cerca de 140 milhões de visitantes únicos por mês. 

Como explica Paul Chadwick, “isto tem as suas pressões”: 

“Em alguns países, certas palavras ou imagens são mais ofensivas do que noutros. Que sensibilidades devem prevalecer? Nesta era de sentimento nacionalista poderoso, expressões de orgulho e de rivalidade podem ser apaixonadamente debatidas por meio de um serviço jornalístico digital em que ambos os lados se sentem em casa, num certo sentido de conforto virtual. Que lealdades deverão ceder, ou aparentar fazê-lo?” (...) 

Na impossibilidade de responder pessoalmente a todos os reparos, o provedor e a sua equipa de apoio assumem um critério de proporcionalidade definido em sete pontos:

  1. – A seriedade do assunto.
  2. – A verosimilhança do dano.
  3. – O potencial de engano.
  4. – A proximidade da pessoa à substância do assunto apresentado.
  5. -  Até que ponto a matéria específica indica uma causa sistémica.
  6. – A escala da resposta da audiência ao assunto.
  7. – O grau de risco de dano para a reputação do Guardian/Observer.

A concluir, o provedor afirma que nenhum destes pontos da lista tem precedência exclusiva, e que o velho imperativo continua, de proporcionar uma autêntica auto-regulação e manter o jornalismo livre de regulação específica do governo. 

O artigo citado, em The Guardian

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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