null, 26 de Maio, 2019
Actualidade

"L'Express" e "El Sol de México" reforçam no digital

Um semanário impresso que aposta em cheio no digital, começando por acabar com a separação que existe, nas redacções tradicionais, entre os que trabalham para o papel e os da Internet, e apontando para que todos produzam de modo prioritário para esta última, “em detrimento do semanário”. E um grande jornal diário que vai reduzir a edição impressa ao formato tablóide, com mais fotografia e infografia, tendo já a equipa especializada no digital instalada no centro da redacção. O primeiro é o nosso bem conhecido L’Express, na França, e o segundo El Sol de México. Ambos têm em curso mudanças estratégicas para se adaptarem à nova realidade.

“A impressão em papel é uma máquina de perder dinheiro”. É com esta frase que começa o texto de avaliação comparada dos dois exemplos acima citados, em Media-tics

Recorde-se que L’Express é, desde Janeiro de 2015, detido pelo grupo Altice, de Patrick Drahi  - para cuja sede, onde já se encontrava o Libération, se mudou. Este processo implicou duas vagas de despedimento de mais de uma centena de trabalhadores cada, a primeira logo na altura da aquisição, a segunda em Setembro do mesmo ano. 

Guillaume Dubois, actual director-geral do grupo Express e chefe de redacção do semanário, diz que se trata de “uma nova oferta editorial radical”. O conteúdo e a linha editorial em concreto não são ainda conhecidos, mas há alguns nomes novos a bordo, incluindo Laurent Léger, sobrevivente do ataque ao Charlie Hebdo, que vai chefiar uma equipa de jornalismo de investigação com seis profissionais. Jean-Pierre Montaney, vindo da TF1, vai alimentar o site com vídeos. 

Ao diário El Sol de México, agora com pouco mais de 50 anos, e integrado na Organización Editorial Mexicana, é destinado o papel de base para a transformação dos outros títulos do grupo, que inclui seis dezenas de jornais (entre eles 43 diários generalistas) e 23 estações de rádio. 

Segundo Martha Ramos, directora-geral editorial do grupo, El Sol será o centro de operações da rede de jornais, fornecendo pelo menos 25% da informação neles publicada e, se os títulos locais assim o pedirem, até 60% dos respectivos conteúdos.

Os portais da Internet estão a fazer a sua “evolução paralela” e já subiram do milhão de utentes únicos por mês, dos finais de 2016, para os actuais 16 milhões de utentes por ano. 

No seu total, os jornais em papel do grupo vendem cerca de um milhão de exemplares diários, um número que está a crescer devagar. “Mas, no estado em que se encontram hoje os jornais, não descerem já é um êxito”  - admite a editora.

 

O artigo citado, em Media-tics

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
A celebração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa  constitui o pretexto e o convite para uma reflexão que não nos exclui. Com os jornais em contínua degradação de vendas em banca, obrigando  já a soluções extremas  - como se verificou com o centenário  “Diário de Noticias”, que passou a ser semanário, embora sem inverter o plano inclinado -,  a apatia...
A Google trouxe a Lisboa Mark Howe, um veterano da publicidade no Reino Unido. Actualmente responsável da Google pela relação com as agências de meios na Europa, Mark Howe contou uma história que mostra bem a importância de as marcas comunicarem de forma continuada – mesmo que o objectivo não seja as vendas imediatamente. A situação passou-se no Reino Unido e nos EUA durante a II Grande Guerra. Por iniciativa dos governos foi...
Agenda
27
Mai
DW Global Media Forum
09:00 @ Bona, Alemanha
02
Jun
"The Children’s Media Conference"
11:00 @ Sheffield, Reino Unido
14
Jun
14
Jun
21
Jun
Social Media Day: Halifax
09:00 @ Halifax, Nova Escócia, Canadá