Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Actualidade

"L'Express" e "El Sol de México" reforçam no digital

Um semanário impresso que aposta em cheio no digital, começando por acabar com a separação que existe, nas redacções tradicionais, entre os que trabalham para o papel e os da Internet, e apontando para que todos produzam de modo prioritário para esta última, “em detrimento do semanário”. E um grande jornal diário que vai reduzir a edição impressa ao formato tablóide, com mais fotografia e infografia, tendo já a equipa especializada no digital instalada no centro da redacção. O primeiro é o nosso bem conhecido L’Express, na França, e o segundo El Sol de México. Ambos têm em curso mudanças estratégicas para se adaptarem à nova realidade.

“A impressão em papel é uma máquina de perder dinheiro”. É com esta frase que começa o texto de avaliação comparada dos dois exemplos acima citados, em Media-tics

Recorde-se que L’Express é, desde Janeiro de 2015, detido pelo grupo Altice, de Patrick Drahi  - para cuja sede, onde já se encontrava o Libération, se mudou. Este processo implicou duas vagas de despedimento de mais de uma centena de trabalhadores cada, a primeira logo na altura da aquisição, a segunda em Setembro do mesmo ano. 

Guillaume Dubois, actual director-geral do grupo Express e chefe de redacção do semanário, diz que se trata de “uma nova oferta editorial radical”. O conteúdo e a linha editorial em concreto não são ainda conhecidos, mas há alguns nomes novos a bordo, incluindo Laurent Léger, sobrevivente do ataque ao Charlie Hebdo, que vai chefiar uma equipa de jornalismo de investigação com seis profissionais. Jean-Pierre Montaney, vindo da TF1, vai alimentar o site com vídeos. 

Ao diário El Sol de México, agora com pouco mais de 50 anos, e integrado na Organización Editorial Mexicana, é destinado o papel de base para a transformação dos outros títulos do grupo, que inclui seis dezenas de jornais (entre eles 43 diários generalistas) e 23 estações de rádio. 

Segundo Martha Ramos, directora-geral editorial do grupo, El Sol será o centro de operações da rede de jornais, fornecendo pelo menos 25% da informação neles publicada e, se os títulos locais assim o pedirem, até 60% dos respectivos conteúdos.

Os portais da Internet estão a fazer a sua “evolução paralela” e já subiram do milhão de utentes únicos por mês, dos finais de 2016, para os actuais 16 milhões de utentes por ano. 

No seu total, os jornais em papel do grupo vendem cerca de um milhão de exemplares diários, um número que está a crescer devagar. “Mas, no estado em que se encontram hoje os jornais, não descerem já é um êxito”  - admite a editora.

 

O artigo citado, em Media-tics

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Como está o papel?
Manuel Falcão
Durante muitos anos a imprensa – jornais e revistas – captava a segunda maior fatia do investimento publicitário, logo a seguir à televisão, que sensivelmente fica com metade do total do bolo publicitário. Mas desde o princípio desta década a queda do investimento em imprensa foi sempre aumentando e, agora, desceu para a quinta posição, atrás, por esta ordem, da TV, digital, outdoor e rádio. Ao ritmo a que...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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