Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Actualidade

"L'Express" e "El Sol de México" reforçam no digital

Um semanário impresso que aposta em cheio no digital, começando por acabar com a separação que existe, nas redacções tradicionais, entre os que trabalham para o papel e os da Internet, e apontando para que todos produzam de modo prioritário para esta última, “em detrimento do semanário”. E um grande jornal diário que vai reduzir a edição impressa ao formato tablóide, com mais fotografia e infografia, tendo já a equipa especializada no digital instalada no centro da redacção. O primeiro é o nosso bem conhecido L’Express, na França, e o segundo El Sol de México. Ambos têm em curso mudanças estratégicas para se adaptarem à nova realidade.

“A impressão em papel é uma máquina de perder dinheiro”. É com esta frase que começa o texto de avaliação comparada dos dois exemplos acima citados, em Media-tics

Recorde-se que L’Express é, desde Janeiro de 2015, detido pelo grupo Altice, de Patrick Drahi  - para cuja sede, onde já se encontrava o Libération, se mudou. Este processo implicou duas vagas de despedimento de mais de uma centena de trabalhadores cada, a primeira logo na altura da aquisição, a segunda em Setembro do mesmo ano. 

Guillaume Dubois, actual director-geral do grupo Express e chefe de redacção do semanário, diz que se trata de “uma nova oferta editorial radical”. O conteúdo e a linha editorial em concreto não são ainda conhecidos, mas há alguns nomes novos a bordo, incluindo Laurent Léger, sobrevivente do ataque ao Charlie Hebdo, que vai chefiar uma equipa de jornalismo de investigação com seis profissionais. Jean-Pierre Montaney, vindo da TF1, vai alimentar o site com vídeos. 

Ao diário El Sol de México, agora com pouco mais de 50 anos, e integrado na Organización Editorial Mexicana, é destinado o papel de base para a transformação dos outros títulos do grupo, que inclui seis dezenas de jornais (entre eles 43 diários generalistas) e 23 estações de rádio. 

Segundo Martha Ramos, directora-geral editorial do grupo, El Sol será o centro de operações da rede de jornais, fornecendo pelo menos 25% da informação neles publicada e, se os títulos locais assim o pedirem, até 60% dos respectivos conteúdos.

Os portais da Internet estão a fazer a sua “evolução paralela” e já subiram do milhão de utentes únicos por mês, dos finais de 2016, para os actuais 16 milhões de utentes por ano. 

No seu total, os jornais em papel do grupo vendem cerca de um milhão de exemplares diários, um número que está a crescer devagar. “Mas, no estado em que se encontram hoje os jornais, não descerem já é um êxito”  - admite a editora.

 

O artigo citado, em Media-tics

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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