Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
Cartoon

Jornalismo em banda desenhada com história de rio doente

Tudo começou quando uma jornalista boliviana, Carla Hannover, foi encarregada de fazer uma reportagem de investigação sobre a poluição no rio Choqueyapu, o maior e mais importante na cidade de La Paz. O trabalho levou três meses e deu origem a dois números especiais de 16 páginas cada, no jornal Página Siete. Tendo isso feito, pôs-se a questão de reutilizar a abundância de material recolhido num pequeno site. Nem ela nem os outros dois membros da equipa tinham muita experiência em multimédia, e acabaram a falar com o ilustrador Joaquín Cuevas, que optou por uma banda desenhada. No resultado final, é o próprio rio que conta a sua história, de como nasceu nas montanhas e o que lhe vai acontecendo até chegar, poluído e mal-cheiroso, às cidades e aos campos que o bebem.

O que podia ser (apenas) um trabalho de investigação bem feito, vocacionado para um jornal impresso e feito por repórteres da escrita, com abundância de fotografias e infográficos, resultou num produto de imediato impacto visual, sobre “um rio doente que nos alimenta”. 

Os problemas do rio começam com a extracção de areia e pedras, para construção, e são muito agravados ao chegar à zona onde laboram as fábricas de papel, de couros, onde se matam animais e, finalmente, à indústria do asfalto para pavimentar as grandes estradas. 

Problemas que são bem conhecidos em todos os países onde a urbanização e industrialização descuraram o meio ambiente  - como podemos verificar também em Portugal. 

A equipa responsável por este projecto reconhece que o desafio foi especialmente exigente para o ilustrador Joaquín Cuevas e para o responsável pela visualização online, Jhasua Razo: 

“Não foi fácil, e levámos mais tempo do que contávamos, mas cremos que a espera e o esforço valeram a pena.” 


També no Peru a banda desenhada já foi utlizada para denunciar "A guerra pela água", como aqui relatámos.

 

A história no IJNet,  em espanhol e em inglês, e a banda desenhada sobre o rio Choqueyapu.

Connosco
A crise de identidade nos jornais de prestígio e a “anarquia digital” Ver galeria

As datas são recentes, mas a história que contam parece comprida, tem capítulos uns atrás dos outros. O efeito da revolução digital sobre o jornal impresso está sempre a ser revisto e avaliado, como nos filmes de ficção científica em que o herói vai ao passado para tentar “corrigir” a História.
“O marco da anarquia digital é 1996, ninguém previu o novo ciclo e ele se inicia para implantar o caos e desorganizar a segurança conservadora, principalmente dos grandes grupos de comunicação.”

A reflexão é do jornalista Luís Sérgio Santos, docente de Desenho Editorial na Universidade Federal do Ceará, e o seu texto multiplica termos como “ameaça”, “abismo”, “conflito”, “incerteza”. Mas trata-se apenas de uma abordagem à “crise de identidade dos jornais de prestígio”  - título que escolheu para este artigo, publicado no Observatório da Imprensa do Brasil.

O perigo de instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital" Ver galeria

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

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