Sábado, 17 de Novembro, 2018
Cartoon

Jornalismo em banda desenhada com história de rio doente

Tudo começou quando uma jornalista boliviana, Carla Hannover, foi encarregada de fazer uma reportagem de investigação sobre a poluição no rio Choqueyapu, o maior e mais importante na cidade de La Paz. O trabalho levou três meses e deu origem a dois números especiais de 16 páginas cada, no jornal Página Siete. Tendo isso feito, pôs-se a questão de reutilizar a abundância de material recolhido num pequeno site. Nem ela nem os outros dois membros da equipa tinham muita experiência em multimédia, e acabaram a falar com o ilustrador Joaquín Cuevas, que optou por uma banda desenhada. No resultado final, é o próprio rio que conta a sua história, de como nasceu nas montanhas e o que lhe vai acontecendo até chegar, poluído e mal-cheiroso, às cidades e aos campos que o bebem.

O que podia ser (apenas) um trabalho de investigação bem feito, vocacionado para um jornal impresso e feito por repórteres da escrita, com abundância de fotografias e infográficos, resultou num produto de imediato impacto visual, sobre “um rio doente que nos alimenta”. 

Os problemas do rio começam com a extracção de areia e pedras, para construção, e são muito agravados ao chegar à zona onde laboram as fábricas de papel, de couros, onde se matam animais e, finalmente, à indústria do asfalto para pavimentar as grandes estradas. 

Problemas que são bem conhecidos em todos os países onde a urbanização e industrialização descuraram o meio ambiente  - como podemos verificar também em Portugal. 

A equipa responsável por este projecto reconhece que o desafio foi especialmente exigente para o ilustrador Joaquín Cuevas e para o responsável pela visualização online, Jhasua Razo: 

“Não foi fácil, e levámos mais tempo do que contávamos, mas cremos que a espera e o esforço valeram a pena.” 


També no Peru a banda desenhada já foi utlizada para denunciar "A guerra pela água", como aqui relatámos.

 

A história no IJNet,  em espanhol e em inglês, e a banda desenhada sobre o rio Choqueyapu.

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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