null, 26 de Maio, 2019
Media

Fecham mais jornais nos EUA e projectos de reportagem em risco

Demissões, despedimentos e fecho de jornais não são novidade, mas parece que há cada vez mais. “Ou talvez seja uma coisa que vem por ondas e, se for assim, estamos a atravessar uma das grandes”. Todos os dias aparecem mais casos, e há o receio de que a recente decisão do Facebook de reduzir a prioridade do material noticioso na plataforma venha acelerar os estragos. A reflexão é de Mathew Ingram, redactor principal da Columbia Journalism Review para o digital.

O primeiro exemplo que relata é o de que, precisamente um dia depois de a CJR ter publicado um texto sobre as dificuldades de alguns jornalistas estrangeiros em venderem o seu material freelance, o director do International Reporting Project (da Fundação New America) anunciou que este projecto vai fechar. 

“O IRP financiou jornalismo, durante mais de duas décadas, em mais de 115 países. Não foi explicado o motivo desta decisão.”

“Entretanto, estão em curso demissões significativas na Digital First Media, uma cadeia de jornais, muitos deles na Califórmia, entre os quais The Orange County Register. A secção em Los Angeles da Society for Professional Journalists  exprimiu, em comunicado, a sua ‘tristeza, frustração e consternação’ pelos cortes no Southern California News Group, daquela empresa. 

“As pessoas queixam-se frequentemente de uma governação local indiferente e irresponsável, e o desaparecimento do jornalismo local é uma parte importante do motivo por que isto ocorre”  - afirma a SPJ

Os cortes também chegaram ao maior jornal do estado do Oregon, The Oregonian, “com mais de onze membros da equipa a perderem o emprego, na sexta vaga de despedimentos ali ocorrida nos últimos anos”. Numa mensagem à redacção, o próprio editor, Mark Katches, desabafa: “Vocês estão provavelmente a interrogar-se sobre quando é que estes cortes vão acabar... Eu gostava de poder responder a isso.”

E acrescenta:

“Embora tenhamos conseguido progressos no aumento da nossa audiência digital, produzindo ao mesmo tempo um jornalismo importante e que ganha prémios, o retrato da receita continua a pôr problemas à nossa empresa.” (...) 

Entre outros exemplos que acrescenta a este mau cenário, o texto de Mthew Ingram aponta: 

O fecho das delegações no estrangeiro  - ainda não anunciado oficialmente -  da revista Foreign Policy, “historicamente um dos mais fiáveis destinos para freelancers que desejem escrever reportagens internacionais investigadas em profundidade”. 

O Charleston Gazette-Mail, um jornal de propriedade familiar na Virgínia Ocidental, que no ano passado tinha ganho um Prémio Pulitzer de jornalismo de investigação, requereu declaração de falência. A Wheeling Newspapers, que publica semanários em várias cidades da região, é o candidato mais provável à sua aquisição. 

Farhad Manjoo, do New York Times, responsabiliza a indústria da publicidade por tudo o que de mau acontece na Internet, dizendo que ela “recolhe e cataloga constantemente dados sobre o nosso comportamento, cria incentivos para ‘monetizar’ os nossos desejos mais privados e depois, com frequência abre brechas que as pessoas mais sombrias têm o maior interesse em explorar”. (...)

 

O texto citado, na Columbia Journalism Review

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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