Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Media

Fecham mais jornais nos EUA e projectos de reportagem em risco

Demissões, despedimentos e fecho de jornais não são novidade, mas parece que há cada vez mais. “Ou talvez seja uma coisa que vem por ondas e, se for assim, estamos a atravessar uma das grandes”. Todos os dias aparecem mais casos, e há o receio de que a recente decisão do Facebook de reduzir a prioridade do material noticioso na plataforma venha acelerar os estragos. A reflexão é de Mathew Ingram, redactor principal da Columbia Journalism Review para o digital.

O primeiro exemplo que relata é o de que, precisamente um dia depois de a CJR ter publicado um texto sobre as dificuldades de alguns jornalistas estrangeiros em venderem o seu material freelance, o director do International Reporting Project (da Fundação New America) anunciou que este projecto vai fechar. 

“O IRP financiou jornalismo, durante mais de duas décadas, em mais de 115 países. Não foi explicado o motivo desta decisão.”

“Entretanto, estão em curso demissões significativas na Digital First Media, uma cadeia de jornais, muitos deles na Califórmia, entre os quais The Orange County Register. A secção em Los Angeles da Society for Professional Journalists  exprimiu, em comunicado, a sua ‘tristeza, frustração e consternação’ pelos cortes no Southern California News Group, daquela empresa. 

“As pessoas queixam-se frequentemente de uma governação local indiferente e irresponsável, e o desaparecimento do jornalismo local é uma parte importante do motivo por que isto ocorre”  - afirma a SPJ

Os cortes também chegaram ao maior jornal do estado do Oregon, The Oregonian, “com mais de onze membros da equipa a perderem o emprego, na sexta vaga de despedimentos ali ocorrida nos últimos anos”. Numa mensagem à redacção, o próprio editor, Mark Katches, desabafa: “Vocês estão provavelmente a interrogar-se sobre quando é que estes cortes vão acabar... Eu gostava de poder responder a isso.”

E acrescenta:

“Embora tenhamos conseguido progressos no aumento da nossa audiência digital, produzindo ao mesmo tempo um jornalismo importante e que ganha prémios, o retrato da receita continua a pôr problemas à nossa empresa.” (...) 

Entre outros exemplos que acrescenta a este mau cenário, o texto de Mthew Ingram aponta: 

O fecho das delegações no estrangeiro  - ainda não anunciado oficialmente -  da revista Foreign Policy, “historicamente um dos mais fiáveis destinos para freelancers que desejem escrever reportagens internacionais investigadas em profundidade”. 

O Charleston Gazette-Mail, um jornal de propriedade familiar na Virgínia Ocidental, que no ano passado tinha ganho um Prémio Pulitzer de jornalismo de investigação, requereu declaração de falência. A Wheeling Newspapers, que publica semanários em várias cidades da região, é o candidato mais provável à sua aquisição. 

Farhad Manjoo, do New York Times, responsabiliza a indústria da publicidade por tudo o que de mau acontece na Internet, dizendo que ela “recolhe e cataloga constantemente dados sobre o nosso comportamento, cria incentivos para ‘monetizar’ os nossos desejos mais privados e depois, com frequência abre brechas que as pessoas mais sombrias têm o maior interesse em explorar”. (...)

 

O texto citado, na Columbia Journalism Review

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...