Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
Media

Relatório anual preocupante dos Repórteres sem Fronteiras

Foi divulgado em Madrid o Informe Anual 2017, elaborado pela secção espanhola dos Repórteres sem Fronteiras, que observa a evolução da liberdade de informação em mais de uma centena de países de todo o mundo, assinalando os seus avanços ou retrocessos: alterações legais, assassínio de informadores, detenções e agressões a jornalistas, ataques a meios de comunicação, casos de censura e outras formas de repressão. Este relatório recorda os acontecimentos marcantes em cada uma das grandes regiões mundiais pelas quais se reparte a actividade da organização. 

No que se refere a África, o estudo assinala que há menos reportagem, meios que desaparecem e muitos jornalistas profissionais que se exilam ou mudam de profissão. “A progressiva redução dos assassínios de jornalistas no continente africano não significa mais segurança, mas sim um retrocesso da profissão.”

A situação no continente americano é considerada cada vez mais preocupante, com onze mortes de jornalistas só no México e dois na República Dominicana. “A chegada de Donald Trump à Presidência dos EUA marcou um retrocesso na liberdade de Imprensa no país. Começou atacando os jornalistas e manifestando desprezo pelos media nas primeiras horas do seu mandato, tornando-se um modelo nefasto para os líderes autoritários que figuram na lista dos Predadores da Liberdade de Imprensa dos RSF.”

A Ásia é referida como o continente em que morreram mais informadores durante o ano de 2017 e por haver regiões praticamente sem jornalistas, em países como o Paquistão, a Índia ou a Papua Nova Guiné. Um em cada quatro dos jornalistas presos em todo o mundo encontra-se num cárcere da Ásia Central. 

O capítulo sobre a Europa sublinha, entre outras preocupações, a deriva legislativa que, no Reino Unido como na Alemanha ou na França, procura vigiar as comunicações dos jornalistas, ou as derivas autoritárias na Polónia e na Hungria. 

No Médio Oriente e no Magreb, a violência das guerras na Síria, Iraque, Iémen e Líbia tem consequências terríveis para a liberdade de Imprensa e há outras formas de repressão no Irão e no Egipto.

 

Mais informação na síntese aqui citada e o Informe Anual 2017, aqui acessível

Connosco
O perigo instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital" Ver galeria

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

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No novo ambiente criado pela revolução digital, encontrar um modelo de negócio sustentável para o jornalismo continua a ser uma questão em aberto  - que foi discutida, uma vez mais, numa vídeo-conferência promovida pela International Journalists’ Network. A jornalista brasileira Priscila Brito, fundadora do site Negócio de Jornalista, esteve presente e conta que, em dado momento, uma das participantes mencionou que “uma etapa importante para se obter sucesso nessa tarefa é mudar o chip”:

“Ou seja, é preciso parar de pensar exclusivamente como jornalista e incorporar a lógica dos negócios.”

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