Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
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Os Media e o "blockchain": revolução ou oportunismo

Em épocas de crise, não entendemos bem o que se passa e temos receio do que vem a seguir. E desconfiamos de promessas de um futuro melhor ao virar da esquina, bom demais para ser verdade.

Neste princípio da revolução digital, “a extraordinária proliferação de meios não trouxe uma melhoria da qualidade informativa, antes pelo contrário”. Há 31 mil jornalistas desempregados na Espanha, proliferam as “notícias falsas” ou manipuladas, mas “começa a iluminar-se uma grande esperança disruptora, que se chama cadeia de blocos”. É esta a reflexão inicial de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, num artigo que apresenta o blockchain como podendo vir a ser “a verdadeira revolução do jornalismo”.

Os primeiros parágrafos do texto que citamos têm mais perguntas do que respostas. O principal documento de referência é o IX Relatório da Perspectivas Wellcomm 2018, sobre La comunicación en la era blockchain, que se apresenta como uma recolha de depoimentos de 20 peritos sobre esta nova tecnologia, “que tem um potencial difícil de calcular, porque ainda estamos numa fase muito inicial desta nova fronteira”. 

A sua fundadora Silvia Albert reconhece que “esta revolução que vem aí está ainda imatura e todos temos de fazer um esforço para entendê-la e segui-la”. E Rosa Matias, directora de projectos da WellComm, acrescenta que “nós, jornalistas, vamos usar blockchains do mesmo modo como há décadas usamos o correio electrónico: sem entender os meandros técnicos do seu funcionamento”. (...)

O texto de Miguel Ormaetxea dá um passo no sentido do esclarecimento quando acrescenta que a tecnologia blockchain “vai abrir a porta a novos modelos de negócio sem precedentes para os meios de comunicação, mas também para a comunicação corporativa e a publicidade”: 

“Já há plataformas blockchain que põem em contacto directo leitores com jornalistas, nas quais se produzem pequenas transacções pelo procedimento de contratos automáticos por conteúdos jornalísticos, que inclusivamente são pagos em criptomoedas. Nestas plataformas, o público poderá solicitar que se investiguem determinados temas  e os jornalistas disponíveis fornecerão os seus trabalhos, que serão remunerados de forma imediata e automática em pequenas transacções por parte dos que utilizem este material.” (...) 

Miguel Ormaetxea cita depois o website espanhol Blockchain Media, de onde retira frases como:

“O Blockchain promete deixar fora do ecossistema os agregadores de conteúdos e as associações que gerem os direitos de autor.” 

“O Blockchain descentraliza a indústria do cinema, música e televisão, outorgando aos criativos a capacidade de se relacionarem com as suas audiências e eliminarem os intermediários.” (...) 

Já existem plataformas blockchain para jornalistas, volta a dizer o autor, citando o exemplo de MetaX e de Civil, nos EUA, esta com mais de 200 jornalistas. E acrescenta: 

“As audiências dos meios de comunicação digitais são com demasiada frequência um cúmulo de falsidades auto-alimentadas. Esta tecnologia oferecerá a possibilidade de conhecer a realidade de forma incontestável.” (...) 

Miguel Ormaetxea conclui:

“Ainda é cedo para saber se estas promessas vão tornar-se realidade, mas nós, profissionais que nos dedicamos à informação e à comunicação, bem como os empresários dos meios de comunicação, faríamos bem em seguir muito de perto esta fronteira.”

 

O artigo citado, a notícia de apresentação do Relatório referido e mais informação recente sobre Blockchain, em The Guardian

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