null, 26 de Maio, 2019
Estudo

Crise de confiança afecta os Media e as redes sociais

Uma recente sondagem, a nível global, sobre a questão da confiança nos media, revela que as pessoas que não confiam são o dobro das que o fazem. Mas, como apesar disso também mostra que a confiança nos jornalistas é um pouco superior à que se tem nas “plataformas”, há empresas noticiosas que estão a receber estes dados como boas notícias. James Ball, que foi editor de projectos especiais no diário britânico The Guardian, aconselha os media de referência a não se deixarem distrair por esta “guerra a fingir com os gigantes das redes sociais”, porque a situação continua a não ser boa. Pior do que isso, uma porção significativa da audiência do jornalismo tradicional tende a “desistir” das notícias, por as achar demasiado “deprimentes” ou “tendenciosas”.

O Trust Barometer 2018 da consultora Edelman não trata só dos media, mas estuda os níveis de confiança em quatro tipos de instituições: empresas, governos, meios de comunicação e organizações não-governamentais. Vale a pena consultar o documento original e ler as curvas da evolução recente em cada um destes territórios dos 28 países avaliados (Portugal não está incluído). 

James Ball, autor do livro Post-Truth: How Bullshit Conquered the World  -  “A Pós-Verdade: como as tretas conquistaram o mundo”, chama a atenção para o equívoco de uma leitura demasiado optimista deste estudo: 

“Ao insistirem no mau resultado das redes sociais, as empresas dos media tradicionais estão a combater uma guerra errada: só porque a confiança nos gigantes das redes sociais está em queda  - o que não é surpresa depois de um ano focado em fake news, propaganda russa e ‘bolhas de filtro’ -  isso não torna, automaticamente, as coisas melhores para o jornalismo tradicional.” (...) 

“Dos que responderam ao inquérito, 66% disseram que os media estão mais interessados em atrair grandes audiências do que em fazer reportagem; 65% disseram acreditar que eles sacrificam a exactidão para serem os primeiros a dar a notícia; e 59% disseram que os media dão prioridade ao apoio de uma ideologia, acima da informação do seu público.” (...) 

Ainda segundo este autor, o que é “mais alarmante” é que um terço da população do Reino Unido está simplesmente a desistir de ler notícias, e algumas destas pessoas encontram-se no sector demográfico que é mais apetecível aos anunciantes: 

“No Reino Unido, os mais inclinados a esta ‘rejeição’ eram profissionais educados, acima dos 40 anos, vivendo em Londres e com filhos. Os seus motivos principais para ‘desligarem’ eram que as notícias são ‘demasiado deprimentes’, ‘demasiado tendenciosas’ ou ‘controladas por agendas ocultas’.” (...) 

A concluir, James Ball afirma:

“O risco, neste momento, é que os meios noticiosos se deixem distrair pelo que é, basicamente, uma guerra a fingir com os gigantes das redes sociais, olhando para essa bulha como um jogo de resultado nulo. Na verdade, o que parece é que eles estão agora agarrados uns aos outros, e vão afundar-se ou salvar-se juntos. O jornalismo não vai ser salvo pelo facto de o público estar a gostar menos do Facebook. Vai ser preciso muito mais do que isso.”

 

Mais informação no artigo citado, em The Guardian, e na M&PO 2018 Edelman Trust Barometer em PDF

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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