Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Estudo

Crise de confiança afecta os Media e as redes sociais

Uma recente sondagem, a nível global, sobre a questão da confiança nos media, revela que as pessoas que não confiam são o dobro das que o fazem. Mas, como apesar disso também mostra que a confiança nos jornalistas é um pouco superior à que se tem nas “plataformas”, há empresas noticiosas que estão a receber estes dados como boas notícias. James Ball, que foi editor de projectos especiais no diário britânico The Guardian, aconselha os media de referência a não se deixarem distrair por esta “guerra a fingir com os gigantes das redes sociais”, porque a situação continua a não ser boa. Pior do que isso, uma porção significativa da audiência do jornalismo tradicional tende a “desistir” das notícias, por as achar demasiado “deprimentes” ou “tendenciosas”.

O Trust Barometer 2018 da consultora Edelman não trata só dos media, mas estuda os níveis de confiança em quatro tipos de instituições: empresas, governos, meios de comunicação e organizações não-governamentais. Vale a pena consultar o documento original e ler as curvas da evolução recente em cada um destes territórios dos 28 países avaliados (Portugal não está incluído). 

James Ball, autor do livro Post-Truth: How Bullshit Conquered the World  -  “A Pós-Verdade: como as tretas conquistaram o mundo”, chama a atenção para o equívoco de uma leitura demasiado optimista deste estudo: 

“Ao insistirem no mau resultado das redes sociais, as empresas dos media tradicionais estão a combater uma guerra errada: só porque a confiança nos gigantes das redes sociais está em queda  - o que não é surpresa depois de um ano focado em fake news, propaganda russa e ‘bolhas de filtro’ -  isso não torna, automaticamente, as coisas melhores para o jornalismo tradicional.” (...) 

“Dos que responderam ao inquérito, 66% disseram que os media estão mais interessados em atrair grandes audiências do que em fazer reportagem; 65% disseram acreditar que eles sacrificam a exactidão para serem os primeiros a dar a notícia; e 59% disseram que os media dão prioridade ao apoio de uma ideologia, acima da informação do seu público.” (...) 

Ainda segundo este autor, o que é “mais alarmante” é que um terço da população do Reino Unido está simplesmente a desistir de ler notícias, e algumas destas pessoas encontram-se no sector demográfico que é mais apetecível aos anunciantes: 

“No Reino Unido, os mais inclinados a esta ‘rejeição’ eram profissionais educados, acima dos 40 anos, vivendo em Londres e com filhos. Os seus motivos principais para ‘desligarem’ eram que as notícias são ‘demasiado deprimentes’, ‘demasiado tendenciosas’ ou ‘controladas por agendas ocultas’.” (...) 

A concluir, James Ball afirma:

“O risco, neste momento, é que os meios noticiosos se deixem distrair pelo que é, basicamente, uma guerra a fingir com os gigantes das redes sociais, olhando para essa bulha como um jogo de resultado nulo. Na verdade, o que parece é que eles estão agora agarrados uns aos outros, e vão afundar-se ou salvar-se juntos. O jornalismo não vai ser salvo pelo facto de o público estar a gostar menos do Facebook. Vai ser preciso muito mais do que isso.”

 

Mais informação no artigo citado, em The Guardian, e na M&PO 2018 Edelman Trust Barometer em PDF

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...