Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Estudo

Crise de confiança afecta os Media e as redes sociais

Uma recente sondagem, a nível global, sobre a questão da confiança nos media, revela que as pessoas que não confiam são o dobro das que o fazem. Mas, como apesar disso também mostra que a confiança nos jornalistas é um pouco superior à que se tem nas “plataformas”, há empresas noticiosas que estão a receber estes dados como boas notícias. James Ball, que foi editor de projectos especiais no diário britânico The Guardian, aconselha os media de referência a não se deixarem distrair por esta “guerra a fingir com os gigantes das redes sociais”, porque a situação continua a não ser boa. Pior do que isso, uma porção significativa da audiência do jornalismo tradicional tende a “desistir” das notícias, por as achar demasiado “deprimentes” ou “tendenciosas”.

O Trust Barometer 2018 da consultora Edelman não trata só dos media, mas estuda os níveis de confiança em quatro tipos de instituições: empresas, governos, meios de comunicação e organizações não-governamentais. Vale a pena consultar o documento original e ler as curvas da evolução recente em cada um destes territórios dos 28 países avaliados (Portugal não está incluído). 

James Ball, autor do livro Post-Truth: How Bullshit Conquered the World  -  “A Pós-Verdade: como as tretas conquistaram o mundo”, chama a atenção para o equívoco de uma leitura demasiado optimista deste estudo: 

“Ao insistirem no mau resultado das redes sociais, as empresas dos media tradicionais estão a combater uma guerra errada: só porque a confiança nos gigantes das redes sociais está em queda  - o que não é surpresa depois de um ano focado em fake news, propaganda russa e ‘bolhas de filtro’ -  isso não torna, automaticamente, as coisas melhores para o jornalismo tradicional.” (...) 

“Dos que responderam ao inquérito, 66% disseram que os media estão mais interessados em atrair grandes audiências do que em fazer reportagem; 65% disseram acreditar que eles sacrificam a exactidão para serem os primeiros a dar a notícia; e 59% disseram que os media dão prioridade ao apoio de uma ideologia, acima da informação do seu público.” (...) 

Ainda segundo este autor, o que é “mais alarmante” é que um terço da população do Reino Unido está simplesmente a desistir de ler notícias, e algumas destas pessoas encontram-se no sector demográfico que é mais apetecível aos anunciantes: 

“No Reino Unido, os mais inclinados a esta ‘rejeição’ eram profissionais educados, acima dos 40 anos, vivendo em Londres e com filhos. Os seus motivos principais para ‘desligarem’ eram que as notícias são ‘demasiado deprimentes’, ‘demasiado tendenciosas’ ou ‘controladas por agendas ocultas’.” (...) 

A concluir, James Ball afirma:

“O risco, neste momento, é que os meios noticiosos se deixem distrair pelo que é, basicamente, uma guerra a fingir com os gigantes das redes sociais, olhando para essa bulha como um jogo de resultado nulo. Na verdade, o que parece é que eles estão agora agarrados uns aos outros, e vão afundar-se ou salvar-se juntos. O jornalismo não vai ser salvo pelo facto de o público estar a gostar menos do Facebook. Vai ser preciso muito mais do que isso.”

 

Mais informação no artigo citado, em The Guardian, e na M&PO 2018 Edelman Trust Barometer em PDF

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Como está o papel?
Manuel Falcão
Durante muitos anos a imprensa – jornais e revistas – captava a segunda maior fatia do investimento publicitário, logo a seguir à televisão, que sensivelmente fica com metade do total do bolo publicitário. Mas desde o princípio desta década a queda do investimento em imprensa foi sempre aumentando e, agora, desceu para a quinta posição, atrás, por esta ordem, da TV, digital, outdoor e rádio. Ao ritmo a que...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
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