null, 20 de Maio, 2018
Media

Provedor do Leitor em vias de extinção faz falta aos Media

A palavra é sueca, mas o primeiro Ombudsman da Imprensa foi instituído há pouco mais de 50 anos nos Estados Unidos, quando a editora de dois jornais de Louisville, no Kentucky, criou o cargo de um representante dos leitores, como forma de prestação de contas independente ao seu próprio público. A Folha de S. Paulo, no Brasil, fez o mesmo em 1989, “motivada pelos sucessos das experiências do Washington Post e do El País”. The New York Times só passou a ter esta figura em 2003, mas acabou com ela em 2017, sob o argumento de que os seguidores nas redes sociais e leitores online constituem uma fiscalização “mais vigilante e poderosa do que uma pessoa sozinha jamais poderia ser”.

Mas a presente titular do cargo na Folha S. Paulo, Paula Cesarino Costa (Ombudswoman?) critica o argumento do NYT e do Washington Post (que fizera o mesmo em 2013), defendendo que, precisamente na era da “pós-verdade” e da crise dos media tradicionais, a figura do Ombudsman é útil à credibilidade dos meios e “não faz parte do problema da sua sobrevivência, mas sim da solução”. 

O primeiro problema é este, o de justificar a sua própria existência. Paula Cesarino Costa afirma que escreve para reafirmar a sua convicção de que a função do Ombudsman é necessária, “na medida em que lhe cabe criticar o jornal sob a perspectiva do leitor”. Mas o último a exercer o cargo no Washington Post, Patrick Pexton, conta que os editores perguntavam: “por que ter um Ombudsman pago para criticar o jornal, quando temos milhões de leitores fazendo isso de graça por meio das redes sociais?”

 

Hoje sabemos de sobra que não é a mesma coisa. Como explica adiante, “num jornal como a Folha, o Ombudsman da Ombudsman são os leitores aplicados, detalhistas e inquietos que a alimentam. Se um representante dos leitores não mantiver alto nível de exigência em questões sobre ética, transparência, equidade e precisão, de facto não estará à altura da função”.

 

“Como alertou um de meus antecessores, é a mais solitária das funções e, por vezes, frustrante. Exige dedicação e tempo e, de facto, é em geral vista com antipatia pelos profissionais do jornalismo.” (...)

 

Noutro ponto da sua reflexão, afirma:

 

“Os desafios imediatos da função que exerço podem ser resumidos em três pontos predominantes:

1) o mundo mudou na velocidade da informação, na administração do tempo e na forma de consumo de notícias; e os jornais ainda estão tacteando os caminhos jornalísticos, financeiros e administrativos para se adequarem a essas mudanças;

2) em geral, os jornais estão superficiais, sendo construídos por pautas pouco criativas e pouco surpreendentes, agarradas a narrativas ultrapassadas no estilo e no formato;

3) em tempos de radicalização, o exercício do jornalismo com equilíbrio, resguardando a diferença entre opinião, análise e informação, tornou-se valor raro e de difícil qualificação.” (...)

 

Trazendo esta reflexão para o caso português, podemos confirmar que também entre nós estão a desaparecer os Provedores do Leitor, como nos casos citados de dois dos maiores jornais de referência nos Estados Unidos  - o país onde começaram.

 

Paula Cesarino Costa recorda o título do artigo inaugural do primeiro Ombudsman no Brasil, Caio Túlio Costa: “Quando alguém é pago para defender o leitor”.

 

O seu texto, na íntegra, na edição brasileira da Columbia Journalism Review, citado no Observatório da Imprensa  -  com o qual mantemos um acordo de parceria

 

Connosco
Conferência a 22 de Maio com ministro Mário Centeno Ver galeria

Mário Centeno, Ministro das Finanças e Presidente do Eurogrupo, é o nosso orador convidado para o jantar-debate do próximo dia 22 de Maio, promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série  - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

Mário José Gomes de Freitas Centeno nasceu em Olhão, em Dezembro de 1966, e fez o seu percurso académico em Lisboa, para onde veio morar, com os pais e irmãos, quando tinha 15 anos. Obteve no ISEG  - Instituto Superior de Economia e Gestão a sua licenciatura em Economia, em 1990, seguida de um mestrado em Matemática Aplicada na mesma escola superior.


Livro de memórias de Pedro Rolo Duarte sem ser autobiografia Ver galeria

Pedro Rolo Duarte, que nos deixou em Novembro de 2017, deixou também um conjunto de textos agora reunidos e publicados em livro. O título, “Não Respire”, vai direito a um tema incontornável, que o autor assume e é continuado logo abaixo, na mesma capa: “Tudo começou cedo demais (e quando dei por isso era tarde)”.
O Observador, que publica excertos de momentos marcantes da sua vida, explica que “a autobiografia póstuma do jornalista, que a editora Manuscrito acabou de publicar, fala naturalmente da doença, mas não só”. O primeiro desses excertos é “o vício do tabaco”. Mas as 296 páginas “estão repletas de histórias de uma vida cheia. Nelas, Rolo Duarte recordou os melhores tempos de uma carreira com mais de 30 anos (a fundação d’O Independente, do DNA), os amigos, as paixões e os vícios. Sempre com grande saudade mas sem uma ponta de pessimismo.”

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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The GEN Summit 2018
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Fotojornalismo e Direitos de Autor
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