Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
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Balanço do ano brasileiro entre radicalismos e boas notícias

Um texto de balanço do ano de 2017, publicado no Observatório da Imprensa do Brasil  - com o qual mantemos um acordo de parceria -  faz uma lista dos “retrocessos” e outra das “boas notícias” assinaladas. O essencial de ambas refere-se à realidade brasileira, mas a actualidade internacional está também presente. A conclusão do autor é que “neste contexto sombrio de radicalismos ideológicos, aumento da intolerância e de inúmeras incertezas, qualquer tipo de retrocesso é perfeitamente possível”. O seu voto para 2018 é que “possamos escolher democraticamente nossos representantes no parlamento e na presidência da República. Em uma época de judicialização da política, é justo que o povo, e não alguns magistrados, decida quem será o próximo líder máximo da nação”.

Na rubrica designada por “retrocessos”, a primeira lista descreve “tentativas de censurar manifestações artísticas, posicionamentos racistas, perda de direitos trabalhistas, ‘cura gay’, flexibilização da fiscalização de práticas análogas à escravidão, desmonte de políticas sociais e ensino religioso confessional nas escolas, entre outros anacronismos”. 

“A sensação que temos é que as várias formas de preconceito e todos os tipos de obscurantismo resolveram sair do armário ao mesmo tempo. Dito de outro modo, a ‘caixa de Pandora’ do extremismo foi aberta.” (...) 

O autor recorda depois as revoltas em presídios brasileiros e o facto de Michel Temer ter conseguido manter-se na Presidência da República: “Para tanto, lançou mão de um expediente bastante comum: a compra de parlamentares.” 

Lamenta a seguir, com vários exemplos, que os espaços escolares tenham funcionado como “mecanismos de reprodução para estereótipos e preconceitos sociais”. Denuncia situações semelhantes nas redes sociais, que foram “espaços privilegiados para exibição da imbecilidade humana”. A propósito do tratamento de alguns famosos na Internet, fala também da “cultura do grotesco amplamente disseminada na rede mundial de computadores”. (...) 

“Por outro lado, o ano passado também teve boas notícias, como as mobilizações femininas contra o assédio sexual, o lançamento do 38º álbum estúdio de Chico Buarque, o levante popular contra a reforma da previdência na Argentina e a publicação do excelente livro “A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato”, do cientista social Jessé Souza, obra que já pode ser considerada como seminal para se entender a sociedade brasileira.” (...) 

Cita, deste autor, que “o passado que nos domina não é a continuidade com o Portugal pré-moderno que nos legaria a corrupção só do Estado, como o culturalismo dominante até hoje entre nós nos diz”: 

“Nosso passado intocado até hoje, precisamente por seu esquecimento, é o do escravismo. Do escravismo nós herdamos o desprezo e o ódio covarde pelas classes populares, que tornaram impossível uma sociedade minimamente igualitária”. (...) 

E a concluir, voltando às notícias más, descreve a operação da Polícia Federal na Universidade Federal de Minas Gerais, “sob a acusação genérica de desvio de recursos públicos destinados à construção e implantação do Memorial da Amnistia Política do Brasil. Oito pessoas, entre elas reitor e vice-reitora, foram conduzidas coercitivamente para prestar depoimento. Todavia, a PF não esclareceu quem seriam os possíveis beneficiados desses montantes desviados.” 

“Em entrevista ao portal Brasil 247, a vice-reitora, Sandra Regina Goulart, disse que, durante o interrogatório, o delegado da PF não apresentou qualquer prova, nem mesmo informou nada sobre a investigação, ‘uma situação assustadora’, declarou. Trata-se, portanto, de uma ofensiva contra a Universidade pública, um dos poucos espaços que ainda restam para o exercício do livre pensamento.” (...) 

 

O texto de Francisco Fernandes Ladeira, na íntegra, no Observatório da Imprensa

Connosco
Quando os repórteres são os heróis que nos fazem falta Ver galeria

Parece excessivo declarar que os repórteres são os heróis do nosso tempo, como vem no título do texto que aqui citamos. Quem o diz não é um jornalista, mas um historiador. E explica porquê, e de que repórteres está a falar. Trata-se daqueles que assumem riscos e perdem a vida para investigar a verdade do que sucede à nossa volta  - e esse tipo de reportagem de investigação “é um pedacinho microscópico dessa coisa a que chamamos media”.

Os repórteres que “correm riscos pela verdade” fazem-no por todos nós, incluindo pelos soldados que vamos ou não enviar para a frente de batalha. O único modo de avaliarmos as guerras em que nos envolvemos é tendo repórteres “com a coragem e a capacidade de irem lá fazer reportagem”. Esta reflexão é do historiador norte-americano Timothy Snyder, que citamos da Global Investigative Journalism Network.

O jornalismo com mais “clics” pode não ser o mais lido Ver galeria

Pode acontecer que o melhor jornalismo nem seja o que é mais lido. Não gostamos de ouvir esta notícia, mas foi disto e de outras coisas parecidas que se falou no XXI Laboratorio de Periodismo da APM, o debate periódico sobre temas de actualidade que, na sua edição de Abril de 2017, teve por tema “O que lêem e o que não lêem os leitores”. O encontro decorreu na sede da Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria -  e foi moderado por Nemésio Rodríguez, vice-presidente da APM e actual presidente da FAPE – Federación de las Asociaciones de Periodistas de España.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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O Poder do Dever
Luís Queirós
No passado dia 14 de março, Maria Joana Raposo Marques Vidal foi falar ao Grémio Literário no ciclo que ali decorre sob o tema: "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. Na sua longa  intervenção  falou  do Ministério Público e de Justiça e ajudou os leigos na matéria - como...
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Social Media Week New York 2018
09:00 @ Sheraton Times Square, Nova Iorque
24
Abr
Social Media Strategies Summit Chicago 2018
22:00 @ Union League Club, Chicago
25
Abr
8º Congresso Nacional de "Periodismo Autónomo y Freelance: ‘La revolución audiovisual’"
09:00 @ Sala de Conferências da Faculdade de Ciências de Informação, Universidade de Madrid
28
Abr
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa