Segunda-feira, 25 de Junho, 2018
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Balanço do ano brasileiro entre radicalismos e boas notícias

Um texto de balanço do ano de 2017, publicado no Observatório da Imprensa do Brasil  - com o qual mantemos um acordo de parceria -  faz uma lista dos “retrocessos” e outra das “boas notícias” assinaladas. O essencial de ambas refere-se à realidade brasileira, mas a actualidade internacional está também presente. A conclusão do autor é que “neste contexto sombrio de radicalismos ideológicos, aumento da intolerância e de inúmeras incertezas, qualquer tipo de retrocesso é perfeitamente possível”. O seu voto para 2018 é que “possamos escolher democraticamente nossos representantes no parlamento e na presidência da República. Em uma época de judicialização da política, é justo que o povo, e não alguns magistrados, decida quem será o próximo líder máximo da nação”.

Na rubrica designada por “retrocessos”, a primeira lista descreve “tentativas de censurar manifestações artísticas, posicionamentos racistas, perda de direitos trabalhistas, ‘cura gay’, flexibilização da fiscalização de práticas análogas à escravidão, desmonte de políticas sociais e ensino religioso confessional nas escolas, entre outros anacronismos”. 

“A sensação que temos é que as várias formas de preconceito e todos os tipos de obscurantismo resolveram sair do armário ao mesmo tempo. Dito de outro modo, a ‘caixa de Pandora’ do extremismo foi aberta.” (...) 

O autor recorda depois as revoltas em presídios brasileiros e o facto de Michel Temer ter conseguido manter-se na Presidência da República: “Para tanto, lançou mão de um expediente bastante comum: a compra de parlamentares.” 

Lamenta a seguir, com vários exemplos, que os espaços escolares tenham funcionado como “mecanismos de reprodução para estereótipos e preconceitos sociais”. Denuncia situações semelhantes nas redes sociais, que foram “espaços privilegiados para exibição da imbecilidade humana”. A propósito do tratamento de alguns famosos na Internet, fala também da “cultura do grotesco amplamente disseminada na rede mundial de computadores”. (...) 

“Por outro lado, o ano passado também teve boas notícias, como as mobilizações femininas contra o assédio sexual, o lançamento do 38º álbum estúdio de Chico Buarque, o levante popular contra a reforma da previdência na Argentina e a publicação do excelente livro “A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato”, do cientista social Jessé Souza, obra que já pode ser considerada como seminal para se entender a sociedade brasileira.” (...) 

Cita, deste autor, que “o passado que nos domina não é a continuidade com o Portugal pré-moderno que nos legaria a corrupção só do Estado, como o culturalismo dominante até hoje entre nós nos diz”: 

“Nosso passado intocado até hoje, precisamente por seu esquecimento, é o do escravismo. Do escravismo nós herdamos o desprezo e o ódio covarde pelas classes populares, que tornaram impossível uma sociedade minimamente igualitária”. (...) 

E a concluir, voltando às notícias más, descreve a operação da Polícia Federal na Universidade Federal de Minas Gerais, “sob a acusação genérica de desvio de recursos públicos destinados à construção e implantação do Memorial da Amnistia Política do Brasil. Oito pessoas, entre elas reitor e vice-reitora, foram conduzidas coercitivamente para prestar depoimento. Todavia, a PF não esclareceu quem seriam os possíveis beneficiados desses montantes desviados.” 

“Em entrevista ao portal Brasil 247, a vice-reitora, Sandra Regina Goulart, disse que, durante o interrogatório, o delegado da PF não apresentou qualquer prova, nem mesmo informou nada sobre a investigação, ‘uma situação assustadora’, declarou. Trata-se, portanto, de uma ofensiva contra a Universidade pública, um dos poucos espaços que ainda restam para o exercício do livre pensamento.” (...) 

 

O texto de Francisco Fernandes Ladeira, na íntegra, no Observatório da Imprensa

Connosco
Historiadora Bettany Hughes distinguida com Prémio Europeu Helena Vaz da Silva 2018 Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, também editora e apresentadora de programas de televisão e rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018, segundo foi anunciado pelo respectivo júri. A escolha “tem por objectivo homenagear a personalidade excepcional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante”, tendo ainda em conta a necessidade “vital de construir uma visão da nossa identidade multifacetada”, numa era de nacionalismos e populismos, como se lê na declaração agora divulgada. A cerimónia de entrega do Prémio realiza-se no dia 15 de Novembro deste ano na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Agência “Xinhua” em vantagem na ‘inteligência artificial’ Ver galeria

No início do ano, a Xinhua, maior agência noticiosa estatal da China, divulgou o desenvolvimento de aplicação da ‘inteligência artificial’ para construir “um novo tipo de redacção, baseada na tecnologia de informação e utilizando colaboração entre o homem e a máquina”. Estava então a equipar-se com a plataforma Media Brain, que aplica a parafernália corrente designada por IA (inteligência artificial), Internet das coisas, big data e cloud computing a todas as fases da produção de notícias, desde a criação dos leads à agregação, edição, distribuição e análise de feedback.

Agora anunciou um update ao Media Brain, que vai usar MGC – machine generated content  para uma produção noticiosa de alta velocidade, que pode criar um vídeo de modo automático em cerca de dez segundos. O presidente da Xinhua, Cai Mingzaho, disse que a agência usará a IA para criar uma “informação individualizada e personalizada” que pode tomar muitas formas, desde portais noticiosos personalizados até títulos e artigos ajustados para leitores individuais  -  “e, provavelmente, para propaganda”. A informação é de um artigo de Kelsey Ables, assistente editorial na Columbia Journalism Review.
O Clube
O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

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Opinião
Ao ler no centenário “Diário de Noticias” a noticia da extinção formal da sua edição em papel, de Segunda–Feira a Sábado , a partir de Julho, fica a saber-se que o seu actual director, o  jornalista Ferreira Fernandes, entrou em “oito cafés(…) a caminho do cinema S. Jorge onde decorreu a apresentação do novo jornal” e só “contou três pessoas a ler o jornal em...
O optimismo de Centeno
Luís Queirós
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Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
Jornalistas assassinados na UE
Francisco Sarsfield Cabral
A 3 de Maio celebra-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A ideia de uma organização, patrocinada pela Unesco, para defender a liberdade de informação partiu de um grupo de jornalistas independentes em 1976.O encontro deste ano, no Ghana, dará especial atenção à independência do sistema judicial e à importância de assegurar que serão legalmente investigados e condenados crimes contra jornalistas. Foi,...
Para Joana Marques Vidal, todo o seu mérito se resume a “ter impresso a uma pesada máquina em movimento um novo funcionamento”, mais “eficaz, mais oleado, mais interdependente entre as várias equipas especializadas, e mais responsabilizado e onde deixa transparecer uma grande proximidade entre a hierarquia e as várias instâncias envolvidas. Joana Marques Vidal nunca recebeu telefonemas de Rui Rio, ao contrário do seu antecessor. Mas...
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