Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Fórum

Balanço do ano brasileiro entre radicalismos e boas notícias

Um texto de balanço do ano de 2017, publicado no Observatório da Imprensa do Brasil  - com o qual mantemos um acordo de parceria -  faz uma lista dos “retrocessos” e outra das “boas notícias” assinaladas. O essencial de ambas refere-se à realidade brasileira, mas a actualidade internacional está também presente. A conclusão do autor é que “neste contexto sombrio de radicalismos ideológicos, aumento da intolerância e de inúmeras incertezas, qualquer tipo de retrocesso é perfeitamente possível”. O seu voto para 2018 é que “possamos escolher democraticamente nossos representantes no parlamento e na presidência da República. Em uma época de judicialização da política, é justo que o povo, e não alguns magistrados, decida quem será o próximo líder máximo da nação”.

Na rubrica designada por “retrocessos”, a primeira lista descreve “tentativas de censurar manifestações artísticas, posicionamentos racistas, perda de direitos trabalhistas, ‘cura gay’, flexibilização da fiscalização de práticas análogas à escravidão, desmonte de políticas sociais e ensino religioso confessional nas escolas, entre outros anacronismos”. 

“A sensação que temos é que as várias formas de preconceito e todos os tipos de obscurantismo resolveram sair do armário ao mesmo tempo. Dito de outro modo, a ‘caixa de Pandora’ do extremismo foi aberta.” (...) 

O autor recorda depois as revoltas em presídios brasileiros e o facto de Michel Temer ter conseguido manter-se na Presidência da República: “Para tanto, lançou mão de um expediente bastante comum: a compra de parlamentares.” 

Lamenta a seguir, com vários exemplos, que os espaços escolares tenham funcionado como “mecanismos de reprodução para estereótipos e preconceitos sociais”. Denuncia situações semelhantes nas redes sociais, que foram “espaços privilegiados para exibição da imbecilidade humana”. A propósito do tratamento de alguns famosos na Internet, fala também da “cultura do grotesco amplamente disseminada na rede mundial de computadores”. (...) 

“Por outro lado, o ano passado também teve boas notícias, como as mobilizações femininas contra o assédio sexual, o lançamento do 38º álbum estúdio de Chico Buarque, o levante popular contra a reforma da previdência na Argentina e a publicação do excelente livro “A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato”, do cientista social Jessé Souza, obra que já pode ser considerada como seminal para se entender a sociedade brasileira.” (...) 

Cita, deste autor, que “o passado que nos domina não é a continuidade com o Portugal pré-moderno que nos legaria a corrupção só do Estado, como o culturalismo dominante até hoje entre nós nos diz”: 

“Nosso passado intocado até hoje, precisamente por seu esquecimento, é o do escravismo. Do escravismo nós herdamos o desprezo e o ódio covarde pelas classes populares, que tornaram impossível uma sociedade minimamente igualitária”. (...) 

E a concluir, voltando às notícias más, descreve a operação da Polícia Federal na Universidade Federal de Minas Gerais, “sob a acusação genérica de desvio de recursos públicos destinados à construção e implantação do Memorial da Amnistia Política do Brasil. Oito pessoas, entre elas reitor e vice-reitora, foram conduzidas coercitivamente para prestar depoimento. Todavia, a PF não esclareceu quem seriam os possíveis beneficiados desses montantes desviados.” 

“Em entrevista ao portal Brasil 247, a vice-reitora, Sandra Regina Goulart, disse que, durante o interrogatório, o delegado da PF não apresentou qualquer prova, nem mesmo informou nada sobre a investigação, ‘uma situação assustadora’, declarou. Trata-se, portanto, de uma ofensiva contra a Universidade pública, um dos poucos espaços que ainda restam para o exercício do livre pensamento.” (...) 

 

O texto de Francisco Fernandes Ladeira, na íntegra, no Observatório da Imprensa

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Como está o papel?
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Durante muitos anos a imprensa – jornais e revistas – captava a segunda maior fatia do investimento publicitário, logo a seguir à televisão, que sensivelmente fica com metade do total do bolo publicitário. Mas desde o princípio desta década a queda do investimento em imprensa foi sempre aumentando e, agora, desceu para a quinta posição, atrás, por esta ordem, da TV, digital, outdoor e rádio. Ao ritmo a que...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
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