Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Tecnologias

Regulador americano põe em causa a neutralidade da Internet

O princípio da Neutralidade da Internet foi posto em causa pela Federal Communications Comission, a entidade reguladora americana, que votou em meados de Dezembro do ano findo uma recomendação no sentido de reverter as normas de regulação de 2015, aprovadas durante o mandato de Barack Obama e agora consideradas uma intervenção “excessiva” do Estado. Segundo o jornalista Carlos Castilho, a forte possibilidade de os EUA acabarem com a Net Neutrality  “terá repercussões no mundo inteiro, inclusive no Brasil, porque afecta o princípio da igualdade de acesso à informação e principalmente ao processo de produção de conhecimento”. Como explica, as operadoras podem vir a determinar “quem tem acesso privilegiado à informação contida na Internet”, intensificando a marginalização dos restantes. A sua reflexão é publicada no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O autor começa por definir a Neutralidade da Internet como sendo baseada no “direito à igualdade de acesso à Rede para qualquer utente, seja ele um indivídio, empresa, governo ou entidade sem fins de lucro”. 

“Até agora, tecnicamente, todos têm as mesmas condições em matéria de velocidade e amplitude de banda para aceder a sites de notícias, redes sociais, bancos de dados, correio eletrónico, vídeos e áudios.” 

“Caso a tendência sinalizada pela decisão da FCC norte-americana se consolide, isto marcará um retrocesso na ampliação do alcance da Internet, que se tornou o veículo de comunicação com o maior índice de crescimento em toda a história da humanidade. A rede alcança hoje ao redor de dois bilhões de seres humanos, ou seja, quase 1/3 da população mundial, isto tudo em pouco mais de três décadas.” 

“Trata-se de um duro golpe na ideia da Internet como um serviço público, livre de interferências  políticas e económicas para que a Rede possa funcionar como um mega ambiente para troca de dados, factos, eventos e opiniões. Esta troca é vital para escolas, universidades, cientistas, institutos de pesquisa e serviços de assistência social, porque permite o aprendizado e geração de novos conhecimentos.” (...) 

Depois de algumas referências à situação do Brasil, neste contexto, o autor conclui: 

“Em suma, estamos diante de um divisor de águas em nosso desenvolvimento tecnológico, económico, social e até político, pois a Internet já é uma ferramenta eleitoral e legislativa indispensável. Os candidatos e lobbies políticos que tiverem acesso privilegiado à Internet largam na frente dos demais, com uma vantagem dificilmente alcançável pelas vias normais. Visto por quase todos os ângulos, o provável fim da neutralidade da Internet significa aumento da, já considerável, desigualdade entre utentes da rede.”

 

O texto de Carlos Castilho, na íntegra. Mais informação num trabalho do jornal digital Observador, que sintetiza em dez perguntas e respostas o essencial daquilo que está em causa neste processo.

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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