null, 26 de Maio, 2019
Tecnologias

Regulador americano põe em causa a neutralidade da Internet

O princípio da Neutralidade da Internet foi posto em causa pela Federal Communications Comission, a entidade reguladora americana, que votou em meados de Dezembro do ano findo uma recomendação no sentido de reverter as normas de regulação de 2015, aprovadas durante o mandato de Barack Obama e agora consideradas uma intervenção “excessiva” do Estado. Segundo o jornalista Carlos Castilho, a forte possibilidade de os EUA acabarem com a Net Neutrality  “terá repercussões no mundo inteiro, inclusive no Brasil, porque afecta o princípio da igualdade de acesso à informação e principalmente ao processo de produção de conhecimento”. Como explica, as operadoras podem vir a determinar “quem tem acesso privilegiado à informação contida na Internet”, intensificando a marginalização dos restantes. A sua reflexão é publicada no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O autor começa por definir a Neutralidade da Internet como sendo baseada no “direito à igualdade de acesso à Rede para qualquer utente, seja ele um indivídio, empresa, governo ou entidade sem fins de lucro”. 

“Até agora, tecnicamente, todos têm as mesmas condições em matéria de velocidade e amplitude de banda para aceder a sites de notícias, redes sociais, bancos de dados, correio eletrónico, vídeos e áudios.” 

“Caso a tendência sinalizada pela decisão da FCC norte-americana se consolide, isto marcará um retrocesso na ampliação do alcance da Internet, que se tornou o veículo de comunicação com o maior índice de crescimento em toda a história da humanidade. A rede alcança hoje ao redor de dois bilhões de seres humanos, ou seja, quase 1/3 da população mundial, isto tudo em pouco mais de três décadas.” 

“Trata-se de um duro golpe na ideia da Internet como um serviço público, livre de interferências  políticas e económicas para que a Rede possa funcionar como um mega ambiente para troca de dados, factos, eventos e opiniões. Esta troca é vital para escolas, universidades, cientistas, institutos de pesquisa e serviços de assistência social, porque permite o aprendizado e geração de novos conhecimentos.” (...) 

Depois de algumas referências à situação do Brasil, neste contexto, o autor conclui: 

“Em suma, estamos diante de um divisor de águas em nosso desenvolvimento tecnológico, económico, social e até político, pois a Internet já é uma ferramenta eleitoral e legislativa indispensável. Os candidatos e lobbies políticos que tiverem acesso privilegiado à Internet largam na frente dos demais, com uma vantagem dificilmente alcançável pelas vias normais. Visto por quase todos os ângulos, o provável fim da neutralidade da Internet significa aumento da, já considerável, desigualdade entre utentes da rede.”

 

O texto de Carlos Castilho, na íntegra. Mais informação num trabalho do jornal digital Observador, que sintetiza em dez perguntas e respostas o essencial daquilo que está em causa neste processo.

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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