Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018
Estudo

Franceses recuperam a confiança nos Media tradicionais

Os meios tradicionais de informação têm vindo, nos últimos três anos, a recuperar a confiança do público francês. O mais alto nível de credibilidade é atribuído à rádio, que subiu quatro pontos, para os 56%, seguida pela Imprensa, com 52%, e pela televisão, com 48%, tendo ambas subido sete pontos em relação à medida do período anterior. Por contraste, a Internet baixou um ponto, para os 25%. Estes números são do Barómetro anual da confiança nos media, realizado pela Kantar Sofres para o diário francês La Croix, na base de um inquérito realizado entre 4 e 8 de Janeiro de 2018 junto de uma amostra, representativa da população francesa, de mil adultos, maiores de 18 anos.

Segundo este estudo, embora os sites ou aplicações ligadas a jornais continem a ser as fontes online preferidas pelos franceses, já as redes sociais parecem experimentar uma ligeira baixa e não são agora escolhidas senão por 18% dos leitores, quando se trata de buscar informação na Internet.

 

No entanto, embora a credibilidade dos media esteja em recuperação, a falta de interesse pela actualidade está a bater no seu ponto mais baixo: apenas 62% dos franceses admitem seguir com interesse as notícias, enquanto há três anos eram 76%.

 

Esta quebra de interesse aplica-se principalmente à faixa etária dos 18 aos 24 anos: só 49% dizem seguir as notícias publicadas nos meios de comunicação. São também eles que se distanciam dessa recuperação de confiança nos media tradicionais: 56% afirmam não confiar nos jornais e 49% não consideram a rádio um meio fiável.

 

Mais informação em La Croix e o estudo na Kantar Sofres, cuja imagem também incluímos

Connosco
O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media Ver galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação Ver galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
O Presidente Marcelo é um dos poucos políticos portugueses com legitimidade para colocar a questão dos apoios do estado à produção jornalística porque ele é produtor e produto do sistema mediático.A sua biografia confunde-se com a liberdade de imprensa e a pergunta que Marcelo faz é, para ele, uma questão de consciência presidencial.Dito isto, pergunto:O que diríamos nós se fosse Donald Trump a...
Perante a bem conhecida e infelizmente bem real crise da comunicação social o Presidente da República questionou, há dias, se o Estado não tem a obrigação de intervir. Para Marcelo Rebelo de Sousa há uma "situação de emergência", que já constitui um problema democrático e de regime. A crise está longe de ser apenas portuguesa: é mundial. E tem sobretudo a ver com o facto de cada vez mais...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
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