Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Media

No jornalismo pode perder-se dinheiro com os velhos ou com os novos...

Havia 70 jornalistas na redacção quando Ben Conarck, um repórter de casos de polícia, começou a trabalhar, há um ano e meio, no Florida Times-Union. Depois de terem sido despedidos mais dez, na última semana, o número deles anda agora pelas quatro dezenas. É uma história semelhante a tantas outras, em que os jornais tentam sobreviver cortando bocados de si mesmos. Mas “podem as redacções fazer autênticas mudanças sob a ameaça constante dos despedimentos?” No fundo, cada uma está a procurar “uma nova narrativa sobre o seu próprio caso”, partindo da situação de uma indústria moribunda para se encontrar num processo de reinvenção.

A reportagem que citamos é de Kristen Hare, do Poynter Institute, e reune uma quantidade de casos exemplares deste esforço de “reinvenção” em curso no jornalismo local, talvez o mais “massacrado” nos últimos anos nos Estados Unidos.

 

“As pessoas nas nossas redacções precisam de acreditar nessa narrativa, e isso é duro, agora, porque aquilo a que estão a assistir é ao processo de morrer. Estão a ver os despedimentos e os cortes, e as coisas que já não podemos fazer mas estávamos habituados a poder”  -  conta Robyn Tomlin, editora do Dallas Morning News.

 

No fundo, a própria designação do que está a acontecer é um esforço e um problema. Como explica Kristen Hare:

 

“O ‘ajustamento de dimensão’ [right-sizing, no original] é um termo empresarial incruento para um processo que é agonizante, confuso e desmoralizante. Mas temos estado a ouvi-lo vezes sem conta numa década de aflição financeira de uma indústria que tenta transformar-se.”  (...)

 

“Durante anos, os cortes pareciam conduzidos por motivos puramente financeiros, destinados a reduzir custos nas redacções onde o que era novo não estava a crescer suficientemente depressa para substituir o antigo. Esses cortes lançaram muitas pessoas para fora das redacções (o Facebook Group sobre o Plano B para jornalistas despedidos chegou aos 12 mil membros). Alguns editores saíram, ou foram despedidos, para não terem de continuar a cortar. Os despedimentos não pararam mas, recentemente, parecem um pouco mais estratégicos, embora não sejam menos dolorosos.” (...)

 

Howard Gensler, que foi presidente da Newspaper Guild of Greater Philadelphia (e é um dos que aceitaram rescisão de contrato), diz:

 

“Se as empresas se limitam a despedir, penso que se torna muito difícil, em termos do moral e da motivação da força de trabalho que fica, continuar a fazer mudanças, quando se torna claro que a última ronda de mudanças não alcançou o objectivo, ou então não seria necessária nova ronda de mudanças.” (...)

 

A chegada de novos elementos, mais jovens, pode ajudar a mudar a cultura local, mas saber se vai ter benefício financeiro é outra coisa, diz Gensler:

“Pode acontecer. Mas, até agora, não é muito evidente. Pode perder-se dinheiro com os velhos. E pode perder-se dinheiro com os novos.” (...)

 

Robyn Tomlin conta que, quando começou no jornalismo, a palavra ‘inovação’ significava “coisas brilhantes e reluzentes”. Agora significa “de que modo construímos um caminho para a sustentabilidade.” (...)

 

E não há “receitas” seguras. Pelo lado positivo, a reportagem de Kristen Hare identifica um esforço na direcção de obter mais assinantes, uma insistência na noção de “fazer bom jornalismo” e de pensar que não estamos a trabalhar para os nossos patrões mas sim “para os colegas ao nosso lado e para os leitores daquilo que fazemos”. (...)

 

A reportagem na íntegra, no Poynter.org

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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