Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Media

Os gigantes da Internet promovem um modelo comercial tóxico

Os gigantes tecnológicos (sobretudo Google, Facebook e Amazon) exercem uma hegemonia esmagadora sobre a comunicação na nova era digital. Um relatório do Edelman Trust Barometer revela, na base de uma investigação sobre 28 países, que 65% da população recebe as notícias das plataformas da Internet e outros meios “agregadores”. Em 2017, passaram pela Google 89% de todas as buscas na Internet, nos EUA. No mesmo país, Facebook e Google controlam dois terços das receitas da publicidade digital. A Amazon vendeu 75% de todos os livros electrónicos. “São visíveis as dificuldades em regular estas actividades quase monopolistas. Os mecanismos tradicionais do capitalismo não parecem servir nesta nova era tecnológica. Temos um problema.” A reflexão é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics.

O autor recorda que mesmo os Estados Unidos interditaram, em 1911, o monopólio da Standard Oil, que tinha chegado aos 85% de todas as vendas de gasolina no país. E em 1913 a AT&T foi obrigada a fragmentar-se em várias empresas de menor dimensão. Mas “agora temos situações ainda mais preocupantes do que as que deram lugar ao desmantelamento daqueles conglomerados semi-monopolísticos”. 

“Tudo isto coincide num momento em que é cada vez mais evidente a degradação da qualidade informativa e o aumento esmagador das notícias falsas e manipulações da Informação. Não é de estranhar que comece a enraizar-se na opinião pública que estas grandes empresas são demasiado grandes, anti-competitivas, orgulhosas e destrutivas para a democracia.” (...)

Miguel Ormaetxea lembra que a Comissão Europeia acusou a Google de usar a enorme hegemonia do Android, o seu sistema operativo móvel, para dar vantagem às suas próprias aplicações. O Senado dos EUA está a aumentar o seu escrutínio dos gigantes tecnológicos e há activistas, políticos e até executivos de empresas tecnológicas que pedem uma investigação sobre os efeitos viciantes dos smartphones e das redes sociais. 

“Google e Facebook desenvolveram um modelo comercial tóxico, dando primazia à quantidade sobre a qualidade informativa. (...) Em última instância, uma parte significativa da população vive numa ‘bolha’ de falsidades. A consequência é um público crescentemente desinformado, propenso a decisões muito perigosas.” 

A concluir, diz ainda o mesmo autor:

“O problema é que não é nada fácil regular estes titãs da tecnologia. Consegue-se regular a Amazon, que oferece preços mais baixos e entregas sem concorrência? Se a castigarmos pelo êxito, estamos a enviar uma mensagem contra a inovação a empresários e investidores. Pode dividir-se a Amazon em várias empresas? Pode regular-se a actividade dos que fazem buscas na Google como se fosse um serviço público?” 

“Talvez o problema de fundo seja que o capitalismo clássico ainda não tem boas respostas para uma era de mudanças e progresso exponencial. Amazon não é a Standard Oil nem a Google é a AT&T.”

____________

Por seu lado, e em resposta às recentes alterações introduzidas pelo Facebook no seu portal de fluxo de notícias, propondo-se reduzir o volume de conteúdos noticiosos e dar destaque a meios “de confiança”, Rupert Murdoch afirma que “se o Facebook quer reconhecer editores de confiança, então deveria pagar a esses publishers uma taxa de distribuição semelhante à do modelo adoptado pelas operadoras de cabo”. 

“Os publishers estão obviamente a melhorar o valor e integridade do Facebook através das suas notícias e conteúdo, mas não estão a ser adequadamente recompensados por esses serviços”, considera o chairman da News Corp, sublinhando que “os pagamentos de distribuição teriam um impacto reduzido nos lucros do Facebook mas um enorme impacto para futuro dos publishers e jornalistas”. (...) 

 

Mais informação em Media-tics e na M&P

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


ver mais >
Opinião
Como está o papel?
Manuel Falcão
Durante muitos anos a imprensa – jornais e revistas – captava a segunda maior fatia do investimento publicitário, logo a seguir à televisão, que sensivelmente fica com metade do total do bolo publicitário. Mas desde o princípio desta década a queda do investimento em imprensa foi sempre aumentando e, agora, desceu para a quinta posição, atrás, por esta ordem, da TV, digital, outdoor e rádio. Ao ritmo a que...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
Agenda
24
Out
Medientage München
09:00 @ Munique, Alemanha
25
Out
Perspetivas do Fotorjonalismo em Portugal
18:00 @ Casa da imprensa, Lisboa
07
Nov
newsrewired
09:00 @ Londres, UK
10
Nov
LinkedIn para Jornalistas
09:00 @ Cenjor,Lisboa