Segunda-feira, 25 de Junho, 2018
Media

Os gigantes da Internet promovem um modelo comercial tóxico

Os gigantes tecnológicos (sobretudo Google, Facebook e Amazon) exercem uma hegemonia esmagadora sobre a comunicação na nova era digital. Um relatório do Edelman Trust Barometer revela, na base de uma investigação sobre 28 países, que 65% da população recebe as notícias das plataformas da Internet e outros meios “agregadores”. Em 2017, passaram pela Google 89% de todas as buscas na Internet, nos EUA. No mesmo país, Facebook e Google controlam dois terços das receitas da publicidade digital. A Amazon vendeu 75% de todos os livros electrónicos. “São visíveis as dificuldades em regular estas actividades quase monopolistas. Os mecanismos tradicionais do capitalismo não parecem servir nesta nova era tecnológica. Temos um problema.” A reflexão é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics.

O autor recorda que mesmo os Estados Unidos interditaram, em 1911, o monopólio da Standard Oil, que tinha chegado aos 85% de todas as vendas de gasolina no país. E em 1913 a AT&T foi obrigada a fragmentar-se em várias empresas de menor dimensão. Mas “agora temos situações ainda mais preocupantes do que as que deram lugar ao desmantelamento daqueles conglomerados semi-monopolísticos”. 

“Tudo isto coincide num momento em que é cada vez mais evidente a degradação da qualidade informativa e o aumento esmagador das notícias falsas e manipulações da Informação. Não é de estranhar que comece a enraizar-se na opinião pública que estas grandes empresas são demasiado grandes, anti-competitivas, orgulhosas e destrutivas para a democracia.” (...)

Miguel Ormaetxea lembra que a Comissão Europeia acusou a Google de usar a enorme hegemonia do Android, o seu sistema operativo móvel, para dar vantagem às suas próprias aplicações. O Senado dos EUA está a aumentar o seu escrutínio dos gigantes tecnológicos e há activistas, políticos e até executivos de empresas tecnológicas que pedem uma investigação sobre os efeitos viciantes dos smartphones e das redes sociais. 

“Google e Facebook desenvolveram um modelo comercial tóxico, dando primazia à quantidade sobre a qualidade informativa. (...) Em última instância, uma parte significativa da população vive numa ‘bolha’ de falsidades. A consequência é um público crescentemente desinformado, propenso a decisões muito perigosas.” 

A concluir, diz ainda o mesmo autor:

“O problema é que não é nada fácil regular estes titãs da tecnologia. Consegue-se regular a Amazon, que oferece preços mais baixos e entregas sem concorrência? Se a castigarmos pelo êxito, estamos a enviar uma mensagem contra a inovação a empresários e investidores. Pode dividir-se a Amazon em várias empresas? Pode regular-se a actividade dos que fazem buscas na Google como se fosse um serviço público?” 

“Talvez o problema de fundo seja que o capitalismo clássico ainda não tem boas respostas para uma era de mudanças e progresso exponencial. Amazon não é a Standard Oil nem a Google é a AT&T.”

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Por seu lado, e em resposta às recentes alterações introduzidas pelo Facebook no seu portal de fluxo de notícias, propondo-se reduzir o volume de conteúdos noticiosos e dar destaque a meios “de confiança”, Rupert Murdoch afirma que “se o Facebook quer reconhecer editores de confiança, então deveria pagar a esses publishers uma taxa de distribuição semelhante à do modelo adoptado pelas operadoras de cabo”. 

“Os publishers estão obviamente a melhorar o valor e integridade do Facebook através das suas notícias e conteúdo, mas não estão a ser adequadamente recompensados por esses serviços”, considera o chairman da News Corp, sublinhando que “os pagamentos de distribuição teriam um impacto reduzido nos lucros do Facebook mas um enorme impacto para futuro dos publishers e jornalistas”. (...) 

 

Mais informação em Media-tics e na M&P

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