Quarta-feira, 20 de Fevereiro, 2019
Colectânea

Editores preocupados com opções noticiosas do Facebook

O Facebook anunciou uma alteração no seu portal de fluxo de notícias, de modo a fornecer aos utentes mais do conteúdo colocado por familiares e amigos, e menos do que é proveniente dos media. Para todas as empresas noticiosas que só querem sobreviver à queda da “grande falésia do Facebook em 2018”, a novidade é preocupante. Como afirma Emily Bell, jornalista de The Guardian e investigadora na Columbia Journalism University, “a retirada do Facebook de uma relação próxima com os publishers é uma notícia terrível”.

A autora, cujo artigo de Março de 2016 “Facebook is eating the world” se tornou uma referência nesta polémica  - e aqui mencionámos na altura -  dá conta de um crescente mal-estar junto de proprietários de meios de comunicação, que têm vindo a verificar uma quebra crescente no seu tráfego referido no Facebook, “em alguns sites de mais de 40%, fazendo-os pensar se a alteração [acima referida] já tinha sido posta em prática, enquanto outros estão preocupados que uma quebra ainda mais precipitada esteja a caminho”. (...)

 

Não é a primeira vez que a poderosa plataforma social faz este tipo de ajustamentos ao seu news feed. Já tinha acontecido, em Junho de 2016. Como afirma hoje Emily Bell:

 

“Nenhuma outra organização na história do mundo teve o impacto que tem o Facebook sobre o ecossistema noticioso. O meigo site de rede social que a maioria de nós usa para pôr fotografias de cãezinhos e crianças e para nos queixarmos de outras pessoas  tornou-se uma fonte crucial de tráfego para muitas empresas noticiosas digitais e a fonte primária de notícias para a maioria dos seus utentes. Mas, como sabemos agora pelas audições de Outubro no Congresso, o Facebook é também o veículo de organizações de propaganda como a Agência Russa de Investigação na Internet para tentar influenciar eleitores americanos e talvez mesmo conseguir fazê-lo.” (...)

 

“No ano passado, quando o Facebook experimentou algumas mudanças no seu algoritmo de notícias em seis pequenos mercados  - Guatemala, Eslováquia, Sérvia, Sri Lanka, Bolívia e Cambodja -  as empresas noticiosas viram a sua audiência cair mais de metade. O jornalista sérvio Stevan Dojcinovic escreveu um manifesto incisivo no New York Times, censurando Zuckerberg por estar a tratar democracias frágeis como laboratórios para os seus produtos.” (...)

 

“Em países como as Filipinas, Myanmar e o Sudão do Sul, ou democracias emergentes como a Bolívia e a Sérvia, não é ético reivindicar neutralidade da plataforma, ou avançar com a promessa de um ecossistema noticioso a funcionar e depois simplesmente retirar-se por capricho.” (...)

 

 

O artigo de Emily Bell  e mais informação no NiemanLab  e na Columbia Journalism Review

Connosco
Desinformação poderá influenciar eleições europeias Ver galeria

O risco da desinformação organizada “só vai aumentar em todas as eleições daqui para a frente”, porque as tecnologias que estão a ser desenvolvidas “vão tornar cada vez mais difícil identificar as informações falsas”.

“Os Estados começam o compreender que não é difícil fazer isto e que não é preciso um grande investimento”  - declarou Marine Guillaume, chefe da missão “Cibersegurança e assuntos digitais” do Ministério dos Negócios Estrangeiros de França, durante uma conferência sobre “Ingerências e desinformação no horizonte das eleições europeias”, promovida pela delegação da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris e Notre Europe - Instituto Jacques Delors.

Também presente na conferência, Ricardo Gutierrez, secretário-geral da Federação Europeia de Jornalistas, contou que esteve com alguns dos jovens que produziam informações falsas na Macedónia e que o que faziam “é algo completamente artesanal”.

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Adoro imprensa…
Manuel Falcão
Sou um apaixonado leitor de imprensa, quer de jornais quer de revistas, e gosto de seguir o que se publica. A edição mais recente da revista Time tem por título de capa "The Art Of Optimism" e apresenta 34 pessoas que são relevantes e inspiracionais, na sociedade norte-americana, mostrando o que estão a fazer. A edição é cuidada e permite-nos ter de forma sintética um retrato daquilo que tantas vezes passa despercebido. O...
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