Segunda-feira, 22 de Outubro, 2018
Colectânea

Editores preocupados com opções noticiosas do Facebook

O Facebook anunciou uma alteração no seu portal de fluxo de notícias, de modo a fornecer aos utentes mais do conteúdo colocado por familiares e amigos, e menos do que é proveniente dos media. Para todas as empresas noticiosas que só querem sobreviver à queda da “grande falésia do Facebook em 2018”, a novidade é preocupante. Como afirma Emily Bell, jornalista de The Guardian e investigadora na Columbia Journalism University, “a retirada do Facebook de uma relação próxima com os publishers é uma notícia terrível”.

A autora, cujo artigo de Março de 2016 “Facebook is eating the world” se tornou uma referência nesta polémica  - e aqui mencionámos na altura -  dá conta de um crescente mal-estar junto de proprietários de meios de comunicação, que têm vindo a verificar uma quebra crescente no seu tráfego referido no Facebook, “em alguns sites de mais de 40%, fazendo-os pensar se a alteração [acima referida] já tinha sido posta em prática, enquanto outros estão preocupados que uma quebra ainda mais precipitada esteja a caminho”. (...)

 

Não é a primeira vez que a poderosa plataforma social faz este tipo de ajustamentos ao seu news feed. Já tinha acontecido, em Junho de 2016. Como afirma hoje Emily Bell:

 

“Nenhuma outra organização na história do mundo teve o impacto que tem o Facebook sobre o ecossistema noticioso. O meigo site de rede social que a maioria de nós usa para pôr fotografias de cãezinhos e crianças e para nos queixarmos de outras pessoas  tornou-se uma fonte crucial de tráfego para muitas empresas noticiosas digitais e a fonte primária de notícias para a maioria dos seus utentes. Mas, como sabemos agora pelas audições de Outubro no Congresso, o Facebook é também o veículo de organizações de propaganda como a Agência Russa de Investigação na Internet para tentar influenciar eleitores americanos e talvez mesmo conseguir fazê-lo.” (...)

 

“No ano passado, quando o Facebook experimentou algumas mudanças no seu algoritmo de notícias em seis pequenos mercados  - Guatemala, Eslováquia, Sérvia, Sri Lanka, Bolívia e Cambodja -  as empresas noticiosas viram a sua audiência cair mais de metade. O jornalista sérvio Stevan Dojcinovic escreveu um manifesto incisivo no New York Times, censurando Zuckerberg por estar a tratar democracias frágeis como laboratórios para os seus produtos.” (...)

 

“Em países como as Filipinas, Myanmar e o Sudão do Sul, ou democracias emergentes como a Bolívia e a Sérvia, não é ético reivindicar neutralidade da plataforma, ou avançar com a promessa de um ecossistema noticioso a funcionar e depois simplesmente retirar-se por capricho.” (...)

 

 

O artigo de Emily Bell  e mais informação no NiemanLab  e na Columbia Journalism Review

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémio de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".

Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
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