Quinta-feira, 13 de Dezembro, 2018
Colectânea

Editores preocupados com opções noticiosas do Facebook

O Facebook anunciou uma alteração no seu portal de fluxo de notícias, de modo a fornecer aos utentes mais do conteúdo colocado por familiares e amigos, e menos do que é proveniente dos media. Para todas as empresas noticiosas que só querem sobreviver à queda da “grande falésia do Facebook em 2018”, a novidade é preocupante. Como afirma Emily Bell, jornalista de The Guardian e investigadora na Columbia Journalism University, “a retirada do Facebook de uma relação próxima com os publishers é uma notícia terrível”.

A autora, cujo artigo de Março de 2016 “Facebook is eating the world” se tornou uma referência nesta polémica  - e aqui mencionámos na altura -  dá conta de um crescente mal-estar junto de proprietários de meios de comunicação, que têm vindo a verificar uma quebra crescente no seu tráfego referido no Facebook, “em alguns sites de mais de 40%, fazendo-os pensar se a alteração [acima referida] já tinha sido posta em prática, enquanto outros estão preocupados que uma quebra ainda mais precipitada esteja a caminho”. (...)

 

Não é a primeira vez que a poderosa plataforma social faz este tipo de ajustamentos ao seu news feed. Já tinha acontecido, em Junho de 2016. Como afirma hoje Emily Bell:

 

“Nenhuma outra organização na história do mundo teve o impacto que tem o Facebook sobre o ecossistema noticioso. O meigo site de rede social que a maioria de nós usa para pôr fotografias de cãezinhos e crianças e para nos queixarmos de outras pessoas  tornou-se uma fonte crucial de tráfego para muitas empresas noticiosas digitais e a fonte primária de notícias para a maioria dos seus utentes. Mas, como sabemos agora pelas audições de Outubro no Congresso, o Facebook é também o veículo de organizações de propaganda como a Agência Russa de Investigação na Internet para tentar influenciar eleitores americanos e talvez mesmo conseguir fazê-lo.” (...)

 

“No ano passado, quando o Facebook experimentou algumas mudanças no seu algoritmo de notícias em seis pequenos mercados  - Guatemala, Eslováquia, Sérvia, Sri Lanka, Bolívia e Cambodja -  as empresas noticiosas viram a sua audiência cair mais de metade. O jornalista sérvio Stevan Dojcinovic escreveu um manifesto incisivo no New York Times, censurando Zuckerberg por estar a tratar democracias frágeis como laboratórios para os seus produtos.” (...)

 

“Em países como as Filipinas, Myanmar e o Sudão do Sul, ou democracias emergentes como a Bolívia e a Sérvia, não é ético reivindicar neutralidade da plataforma, ou avançar com a promessa de um ecossistema noticioso a funcionar e depois simplesmente retirar-se por capricho.” (...)

 

 

O artigo de Emily Bell  e mais informação no NiemanLab  e na Columbia Journalism Review

Connosco
Redes sociais destronam jornais como fonte de informação nos EUA Ver galeria

A fronteira foi passada para o lado das redes sociais. Segundo os dados mais recentes do Pew Research Center, 20% dos leitores dos EUA procuram agora, “regularmente”, informação nas redes sociais, e só 16% nos jornais impressos. Os números estavam equilibrados em 2017 e, no ano anterior, os 20% continuavam do lado dos jornais em papel, com 18% nas redes sociais.

As causas são conhecidas. A Imprensa norte-americana não está de boa saúde, e o fecho sucessivo de diários e semanários locais, nos últimos anos, criou autênticos “desertos mediáticos” em vários territórios. Por seu lado, os grandes jornais reforçaram a sua componente digital, o que também se sente no estudo aqui citado: 33% dos leitores visitam regularmente esses sites, quando eram 28% em 2016.

A televisão continua, com quase metade do universo consultado (49%), a ocupar o primeiro lugar entre os meios de informação nos Estados Unidos. As estações locais são as mais procuradas (37%), à frente das redes por cabo (30%) e dos noticiários das grandes cadeias nacionais (25%).

Porque querem os milionários comprar jornais em vez de canais de TV Ver galeria

Por que motivo é que alguns milionários que fizeram as maiores fortunas do mundo se põem a comprar jornais e revistas à beira da falência e sem modelo de negócio rentável? Por que não compram antes canais de televisão, que têm melhor saúde financeira? A pergunta é do jornalista Miguel Ángel Ossorio Vega, que apresenta meia dúzia de exemplos recentes, com Jeff Bezos à cabeça: em 2013, o fundador e proprietário da Amazon pagou 190 milhões de dólares por The Washington Post, um jornal em papel.

A moda pegou e seguiram-se outros: Marc Benioff, fundador da Salesforce, comprou a revista Time; Craig Newmark, fundador da Craiglist, tem doado grandes somas a várias iniciativas na área do jornalismo, entre elas a ProPublica e o Poynter Institute, bem como à Escola de Jornalismo da Universidade de Nova Iorque; Patrick Soon-Shiong comprou Los Angeles Times.

O autor desta reflexão lembra que os meios tradicionais continuam a ser mais influentes do que os digitais, salvo honrosas excepções, e segue esta pista citando as três componentes da estratificação social, de Max Weber, que expõe as diferenças entre os conceitos de riqueza, prestígio e poder.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
O Presidente Marcelo é um dos poucos políticos portugueses com legitimidade para colocar a questão dos apoios do estado à produção jornalística porque ele é produtor e produto do sistema mediático.A sua biografia confunde-se com a liberdade de imprensa e a pergunta que Marcelo faz é, para ele, uma questão de consciência presidencial.Dito isto, pergunto:O que diríamos nós se fosse Donald Trump a...
Perante a bem conhecida e infelizmente bem real crise da comunicação social o Presidente da República questionou, há dias, se o Estado não tem a obrigação de intervir. Para Marcelo Rebelo de Sousa há uma "situação de emergência", que já constitui um problema democrático e de regime. A crise está longe de ser apenas portuguesa: é mundial. E tem sobretudo a ver com o facto de cada vez mais...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
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