Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
Media

Director de jornal venezuelano denuncia asfixia da Imprensa independente

O director do diário venezuelano El Nacional, Miguel Otero, que vive exilado em Madrid, denunciou no Foro de la Nueva Comunicación as dificuldades económicas e restrições de todo o tipo impostas aos jornais independentes. Contou que, à excepção deste título, os outros dois jornais venezuelanos de expansão nacional foram comprados pelo governo “numa operação nada transparente”. A Imprensa independente que resta “tem sofrido a asfixia pela impossibilidade de adquirir papel de impressão”  - como já foi relatado neste site. No caso do El Nacional, treze jornais de outros países da América Latina têm contribuído com empréstimo do seu próprio papel, o que tem permitido a sobrevivência da sua edição impressa. O relato é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Quanto à comunicação áudio-visual, Miguel Otero explica que “40% do território venezuelano só tem acesso a rádio e televisão oficial; os outros 60% têm acesso a estações privadas, mas auto-censuradas” por efeito da Lei de Responsabilidade Social na Rádio e Televisão. 

Também a Net é objecto de medidas por parte do Estado, segundo Otero: “Fizeram uma quantidade de coisas, como a redução da largura de banda, repressão e detenção de utentes espontâneos [tuiteros, no original] e grandes campanhas de desprestígio com fake news

Descreveu ainda o “assédio judicial” aplicado ao seu jornal, que tem por consequência que estejam no exílio não só ele mesmo, desde há três anos, mas também o conselho editorial e a comissão de direcção do El Nacional

O jornal prossegue, no entanto, o seu trabalho, embora com uma “produção restringida”, e Miguel Otero declara-se optimista, afirmando que “vamos sobreviver mais do que este regime” e que o regresso da democracia chegará “mais depressa do que as pessoas pensam”.

 

O relato da sua intervenção, na APM, com o vídeo do Foro dela Nueva Comunicación

Connosco
O perigo instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital" Ver galeria

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

Quando o jornalista tem de mudar de "chip" para fundar um meio digital Ver galeria

No novo ambiente criado pela revolução digital, encontrar um modelo de negócio sustentável para o jornalismo continua a ser uma questão em aberto  - que foi discutida, uma vez mais, numa vídeo-conferência promovida pela International Journalists’ Network. A jornalista brasileira Priscila Brito, fundadora do site Negócio de Jornalista, esteve presente e conta que, em dado momento, uma das participantes mencionou que “uma etapa importante para se obter sucesso nessa tarefa é mudar o chip”:

“Ou seja, é preciso parar de pensar exclusivamente como jornalista e incorporar a lógica dos negócios.”

"É um processo que pode gerar resistência enorme a quem vem programado com o chip de jornalista  -  afinal, aprendemos que editorial e comercial devem (ou deveriam) estar tão separados como devem (ou deveriam estar) Igreja e Estado."
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