Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Media

Director de jornal venezuelano denuncia asfixia da Imprensa independente

O director do diário venezuelano El Nacional, Miguel Otero, que vive exilado em Madrid, denunciou no Foro de la Nueva Comunicación as dificuldades económicas e restrições de todo o tipo impostas aos jornais independentes. Contou que, à excepção deste título, os outros dois jornais venezuelanos de expansão nacional foram comprados pelo governo “numa operação nada transparente”. A Imprensa independente que resta “tem sofrido a asfixia pela impossibilidade de adquirir papel de impressão”  - como já foi relatado neste site. No caso do El Nacional, treze jornais de outros países da América Latina têm contribuído com empréstimo do seu próprio papel, o que tem permitido a sobrevivência da sua edição impressa. O relato é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Quanto à comunicação áudio-visual, Miguel Otero explica que “40% do território venezuelano só tem acesso a rádio e televisão oficial; os outros 60% têm acesso a estações privadas, mas auto-censuradas” por efeito da Lei de Responsabilidade Social na Rádio e Televisão. 

Também a Net é objecto de medidas por parte do Estado, segundo Otero: “Fizeram uma quantidade de coisas, como a redução da largura de banda, repressão e detenção de utentes espontâneos [tuiteros, no original] e grandes campanhas de desprestígio com fake news

Descreveu ainda o “assédio judicial” aplicado ao seu jornal, que tem por consequência que estejam no exílio não só ele mesmo, desde há três anos, mas também o conselho editorial e a comissão de direcção do El Nacional

O jornal prossegue, no entanto, o seu trabalho, embora com uma “produção restringida”, e Miguel Otero declara-se optimista, afirmando que “vamos sobreviver mais do que este regime” e que o regresso da democracia chegará “mais depressa do que as pessoas pensam”.

 

O relato da sua intervenção, na APM, com o vídeo do Foro dela Nueva Comunicación

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...