Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Media

Director de jornal venezuelano denuncia asfixia da Imprensa independente

O director do diário venezuelano El Nacional, Miguel Otero, que vive exilado em Madrid, denunciou no Foro de la Nueva Comunicación as dificuldades económicas e restrições de todo o tipo impostas aos jornais independentes. Contou que, à excepção deste título, os outros dois jornais venezuelanos de expansão nacional foram comprados pelo governo “numa operação nada transparente”. A Imprensa independente que resta “tem sofrido a asfixia pela impossibilidade de adquirir papel de impressão”  - como já foi relatado neste site. No caso do El Nacional, treze jornais de outros países da América Latina têm contribuído com empréstimo do seu próprio papel, o que tem permitido a sobrevivência da sua edição impressa. O relato é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Quanto à comunicação áudio-visual, Miguel Otero explica que “40% do território venezuelano só tem acesso a rádio e televisão oficial; os outros 60% têm acesso a estações privadas, mas auto-censuradas” por efeito da Lei de Responsabilidade Social na Rádio e Televisão. 

Também a Net é objecto de medidas por parte do Estado, segundo Otero: “Fizeram uma quantidade de coisas, como a redução da largura de banda, repressão e detenção de utentes espontâneos [tuiteros, no original] e grandes campanhas de desprestígio com fake news

Descreveu ainda o “assédio judicial” aplicado ao seu jornal, que tem por consequência que estejam no exílio não só ele mesmo, desde há três anos, mas também o conselho editorial e a comissão de direcção do El Nacional

O jornal prossegue, no entanto, o seu trabalho, embora com uma “produção restringida”, e Miguel Otero declara-se optimista, afirmando que “vamos sobreviver mais do que este regime” e que o regresso da democracia chegará “mais depressa do que as pessoas pensam”.

 

O relato da sua intervenção, na APM, com o vídeo do Foro dela Nueva Comunicación

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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