null, 26 de Maio, 2019
Media

Director de jornal venezuelano denuncia asfixia da Imprensa independente

O director do diário venezuelano El Nacional, Miguel Otero, que vive exilado em Madrid, denunciou no Foro de la Nueva Comunicación as dificuldades económicas e restrições de todo o tipo impostas aos jornais independentes. Contou que, à excepção deste título, os outros dois jornais venezuelanos de expansão nacional foram comprados pelo governo “numa operação nada transparente”. A Imprensa independente que resta “tem sofrido a asfixia pela impossibilidade de adquirir papel de impressão”  - como já foi relatado neste site. No caso do El Nacional, treze jornais de outros países da América Latina têm contribuído com empréstimo do seu próprio papel, o que tem permitido a sobrevivência da sua edição impressa. O relato é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Quanto à comunicação áudio-visual, Miguel Otero explica que “40% do território venezuelano só tem acesso a rádio e televisão oficial; os outros 60% têm acesso a estações privadas, mas auto-censuradas” por efeito da Lei de Responsabilidade Social na Rádio e Televisão. 

Também a Net é objecto de medidas por parte do Estado, segundo Otero: “Fizeram uma quantidade de coisas, como a redução da largura de banda, repressão e detenção de utentes espontâneos [tuiteros, no original] e grandes campanhas de desprestígio com fake news

Descreveu ainda o “assédio judicial” aplicado ao seu jornal, que tem por consequência que estejam no exílio não só ele mesmo, desde há três anos, mas também o conselho editorial e a comissão de direcção do El Nacional

O jornal prossegue, no entanto, o seu trabalho, embora com uma “produção restringida”, e Miguel Otero declara-se optimista, afirmando que “vamos sobreviver mais do que este regime” e que o regresso da democracia chegará “mais depressa do que as pessoas pensam”.

 

O relato da sua intervenção, na APM, com o vídeo do Foro dela Nueva Comunicación

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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