null, 26 de Maio, 2019
Media

Congressos de jornalistas e gestores de Media em Portugal

Vão decorrer este ano, em Lisboa e Cascais, quase em simultâneo, quatro importantes encontros internacionais de jornalistas, directores e proprietários de media, ou ainda de especialistas nas novas tecnologias digitais aplicadas à comunicação. O título que os agrupa todos é Media Summit, e os dois mais concorridos trazem ao nosso País, cada um deles, perto de um milhar de participantes. Entre o final de Maio e o princípio de Junho, os grandes nomes de referência dos jornais e agências de Imprensa, os Repórteres sem Fronteiras como o Consórcio Internacional de Jornalistas, as plataformas das redes sociais como os representantes da Federação Internacional de Jornalistas, vão poder, pela proximidade física entre todos os eventos, avaliar problemas diversos ou comuns e, eventualmente, marcar encontros entre si.

Entre 6 e 8 de Junho "vão encontrar-se em Cascais proprietários de jornais de todo o mundo, na reunião anual da Wan-IFRA - World Association of Newspapers. O evento vai realizar-se no Centro de Congressos do Estoril e, segundo João Palmeiro, da Associação Portuguesa de Imprensa (API), que é a entidade anfitriã do congresso, esperam-se entre 850 a mil participantes". Trata-se de um número superior aos dos últimos anos, durante os quais este grande encontro dos proprietários dos jornais tem andado por outros continentes. Em 2017 decorreu em Durban, em 2016 em Cartagena (Colômbia) e em 2015 em Washington.

 

Como informa ainda João Palmeiro, a Associação Mundial de Jornais está a comemorar os seus 70 anos (coincidentes com os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos). Tendo esta sido declarada na Europa (em Paris, em 1948), os proprietários dos jornais optaram pela realização da sua reunião anual neste continente.

 

“Já a escolha de Portugal deve-se ao facto de o País oferecer boas condições de segurança e capacidade hoteleira. (...) Integrada neste congresso, decorrerá também uma cimeira designada Woman and News, dedicada às questões da igualdade de género. Uma iniciativa que já teve lugar, no ano passado, em Durban.”


Por ordem cronológica, o primeiro dos quatro eventos será a "reunião magna da GEN - Global Editors Network, que reúne os directores e chefes de redacção e tem por tema a parte tecnológica e inovação no jornnalismo. A decorrer no Terreiro do Paço, de 30 de Maio a 1 de Junho, terá uma feira de inovação e uma conferência por onde vão passar vários nomes de referência do jornalismo mundial".

 

Segundo o Público, que aqui citamos, “a GEN conta com um misto de profissionais dos meios de referência de todo o mundo, além de vários académicos e profissionais de tecnologia que se dedicam a explorar o futuro imediato dos media, quer a nível da gestão quer da inovação. Este evento vai incluir workshops, masterclasses, um estúdio de realidade virtual, demonstrações de software de startups ligadas ao jornalismo e uma cerimónia de prémios para o Jornalismo de Dados”. 

Esta reunião da GEN vai decorrer em Lisboa em 2018 e também 2019 (depois de dois anos em Viena e outros dois em Barcelona), e deve trazer a Portugal cerca de 850 participantes. 

A 3 e 5 de Junho será a vez da Google Newsgeist - que no ano passado se realizou em Copenhaga  – e se destina essencialmente a jornalistas e suas chefias, que debatem temas relacionados com a votação. Estão previstas 200 pessoas. 

Na mesma altura reunir-se-á também em Lisboa o congresso anual da Federação Europeia de Jornalistas. São esperados cerca de cem participantes (de sindicatos e associações de jornalistas) no encontro de 6 de Junho. 


Mais informação no Público

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Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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