Sábado, 17 de Novembro, 2018
Opinião

O que aconteceu em 2017? E o que podemos esperar de 2018?

por Manuel Falcão

Como será o ano de 2018 para os mídia e a actividade publicitária? Vamos então brincar às bolas de cristal.

Em primeiro lugar as estações de televisão generalistas estão a perder espectadores e estas quedas são mais rápidas do que se pensava. A culpa, já se sabe, é da internet – que é a razão para todas as crises de mídia do mundo.

Explicando melhor, a culpa é do aumento do visionamento de programas em streaming, na Netflix ou em outras plataformas: o tempo gasto pelos espectadores portugueses nestes sistemas teve um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Com a próxima entrada da Amazon neste mercado – aumentando a oferta de conteúdos exclusivos, com um catálogo de filmes ainda maior e, sobretudo, com direitos de transmissões desportivas a estarem também disponíveis, dentro de pouco tempo a mudança será ainda mais sensível.

O número de  smart TV’s em utilização está em expansão e este ano deverá levar novo incremento com as campanhas que os fabricantes realizarão por ocasião do Mundial de futebol. Com uma smart TV basta ter internet para se poder ter um enorme conjunto de conteúdos nesses televisores, mesmo em Portugal, sem ter nenhum pacote de canais de qualquer operador.

Tudo isto explica que a audiência e as receitas publicitárias dos canais generalistas estejam a baixar. No cabo as audiências não sobem ao mesmo ritmo da queda dos generalistas, mas as receitas publicitárias vão aumentando. Com o país cablado a 92% dos lares, com 3,8 milhões de casas a subscreverem pay tv, estamos perante uma quase saturação do mercado. Portanto o mais natural será que os serviços de streaming e over the top tv comecem a crescer, roubando clientes aos distribuidores de payTV como já acontece de forma evidente nalguns países.

Tudo isto reforça a convicção de que o digital não é um meio e sim um canal de distribuição onde vários conteúdos se cruzam – notícias, filmes, séries, mas também informação nos seus vários formatos. O próprio conceito de informação escrita está a ser alterado porque cada vez mais peças de jornais digitais têm conteúdos de video fortes.

Esta tendência vai crescer – os dispositivos móveis, smartphones e tablets, têm cada vez maior capacidade e processadores mais rápidos, o que facilita o visionamento de videos e de conteúdos mais pesados.

Com os dispositivos móveis no centro do consumo de informação e de conteúdos recreativos, o  papel destes aparelhos na comunicação publicitária ganha relevo - através de soluções baseadas em inteligência artificial, que monitorizam os hábitos dos consumidores, assim como no crescente mercado que aproveita as possibilidades de geolocalização – impactando as pessoas de determinada zona ou região, cada vez com um grau de precisão maior.

Inteligência artificial e geolocalização  são duas das tendências que vão dominar a comunicação publicitária digital este ano.


(texto publicado originalmente no suplemento “Dinheiro Vivo” do DN)


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Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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