Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Opinião

O que aconteceu em 2017? E o que podemos esperar de 2018?

por Manuel Falcão

Como será o ano de 2018 para os mídia e a actividade publicitária? Vamos então brincar às bolas de cristal.

Em primeiro lugar as estações de televisão generalistas estão a perder espectadores e estas quedas são mais rápidas do que se pensava. A culpa, já se sabe, é da internet – que é a razão para todas as crises de mídia do mundo.

Explicando melhor, a culpa é do aumento do visionamento de programas em streaming, na Netflix ou em outras plataformas: o tempo gasto pelos espectadores portugueses nestes sistemas teve um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Com a próxima entrada da Amazon neste mercado – aumentando a oferta de conteúdos exclusivos, com um catálogo de filmes ainda maior e, sobretudo, com direitos de transmissões desportivas a estarem também disponíveis, dentro de pouco tempo a mudança será ainda mais sensível.

O número de  smart TV’s em utilização está em expansão e este ano deverá levar novo incremento com as campanhas que os fabricantes realizarão por ocasião do Mundial de futebol. Com uma smart TV basta ter internet para se poder ter um enorme conjunto de conteúdos nesses televisores, mesmo em Portugal, sem ter nenhum pacote de canais de qualquer operador.

Tudo isto explica que a audiência e as receitas publicitárias dos canais generalistas estejam a baixar. No cabo as audiências não sobem ao mesmo ritmo da queda dos generalistas, mas as receitas publicitárias vão aumentando. Com o país cablado a 92% dos lares, com 3,8 milhões de casas a subscreverem pay tv, estamos perante uma quase saturação do mercado. Portanto o mais natural será que os serviços de streaming e over the top tv comecem a crescer, roubando clientes aos distribuidores de payTV como já acontece de forma evidente nalguns países.

Tudo isto reforça a convicção de que o digital não é um meio e sim um canal de distribuição onde vários conteúdos se cruzam – notícias, filmes, séries, mas também informação nos seus vários formatos. O próprio conceito de informação escrita está a ser alterado porque cada vez mais peças de jornais digitais têm conteúdos de video fortes.

Esta tendência vai crescer – os dispositivos móveis, smartphones e tablets, têm cada vez maior capacidade e processadores mais rápidos, o que facilita o visionamento de videos e de conteúdos mais pesados.

Com os dispositivos móveis no centro do consumo de informação e de conteúdos recreativos, o  papel destes aparelhos na comunicação publicitária ganha relevo - através de soluções baseadas em inteligência artificial, que monitorizam os hábitos dos consumidores, assim como no crescente mercado que aproveita as possibilidades de geolocalização – impactando as pessoas de determinada zona ou região, cada vez com um grau de precisão maior.

Inteligência artificial e geolocalização  são duas das tendências que vão dominar a comunicação publicitária digital este ano.


(texto publicado originalmente no suplemento “Dinheiro Vivo” do DN)


Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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