Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
Opinião

O que aconteceu em 2017? E o que podemos esperar de 2018?

por Manuel Falcão

Como será o ano de 2018 para os mídia e a actividade publicitária? Vamos então brincar às bolas de cristal.

Em primeiro lugar as estações de televisão generalistas estão a perder espectadores e estas quedas são mais rápidas do que se pensava. A culpa, já se sabe, é da internet – que é a razão para todas as crises de mídia do mundo.

Explicando melhor, a culpa é do aumento do visionamento de programas em streaming, na Netflix ou em outras plataformas: o tempo gasto pelos espectadores portugueses nestes sistemas teve um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Com a próxima entrada da Amazon neste mercado – aumentando a oferta de conteúdos exclusivos, com um catálogo de filmes ainda maior e, sobretudo, com direitos de transmissões desportivas a estarem também disponíveis, dentro de pouco tempo a mudança será ainda mais sensível.

O número de  smart TV’s em utilização está em expansão e este ano deverá levar novo incremento com as campanhas que os fabricantes realizarão por ocasião do Mundial de futebol. Com uma smart TV basta ter internet para se poder ter um enorme conjunto de conteúdos nesses televisores, mesmo em Portugal, sem ter nenhum pacote de canais de qualquer operador.

Tudo isto explica que a audiência e as receitas publicitárias dos canais generalistas estejam a baixar. No cabo as audiências não sobem ao mesmo ritmo da queda dos generalistas, mas as receitas publicitárias vão aumentando. Com o país cablado a 92% dos lares, com 3,8 milhões de casas a subscreverem pay tv, estamos perante uma quase saturação do mercado. Portanto o mais natural será que os serviços de streaming e over the top tv comecem a crescer, roubando clientes aos distribuidores de payTV como já acontece de forma evidente nalguns países.

Tudo isto reforça a convicção de que o digital não é um meio e sim um canal de distribuição onde vários conteúdos se cruzam – notícias, filmes, séries, mas também informação nos seus vários formatos. O próprio conceito de informação escrita está a ser alterado porque cada vez mais peças de jornais digitais têm conteúdos de video fortes.

Esta tendência vai crescer – os dispositivos móveis, smartphones e tablets, têm cada vez maior capacidade e processadores mais rápidos, o que facilita o visionamento de videos e de conteúdos mais pesados.

Com os dispositivos móveis no centro do consumo de informação e de conteúdos recreativos, o  papel destes aparelhos na comunicação publicitária ganha relevo - através de soluções baseadas em inteligência artificial, que monitorizam os hábitos dos consumidores, assim como no crescente mercado que aproveita as possibilidades de geolocalização – impactando as pessoas de determinada zona ou região, cada vez com um grau de precisão maior.

Inteligência artificial e geolocalização  são duas das tendências que vão dominar a comunicação publicitária digital este ano.


(texto publicado originalmente no suplemento “Dinheiro Vivo” do DN)


Connosco
A crise de identidade nos jornais de prestígio e a “anarquia digital” Ver galeria

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“O marco da anarquia digital é 1996, ninguém previu o novo ciclo e ele se inicia para implantar o caos e desorganizar a segurança conservadora, principalmente dos grandes grupos de comunicação.”

A reflexão é do jornalista Luís Sérgio Santos, docente de Desenho Editorial na Universidade Federal do Ceará, e o seu texto multiplica termos como “ameaça”, “abismo”, “conflito”, “incerteza”. Mas trata-se apenas de uma abordagem à “crise de identidade dos jornais de prestígio”  - título que escolheu para este artigo, publicado no Observatório da Imprensa do Brasil.

O perigo de instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital" Ver galeria

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

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O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

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