null, 26 de Maio, 2019
Estudo

Americanos divididos sobre a credibilidade da cobertura noticiosa

Uma maioria de 58% dos cidadãos dos EUA afirma que é mais difícil, hoje, estar bem informado, precisamente devido à grande abundância de fontes noticiosas disponíveis (apenas 38% dizem que é mais fácil). Uma vasta maioria (84%) reconhece que os media têm um papel importante a desempenhar na democracia mas, sobre se estão a fazê-lo correctamente, é outra história: só 33% têm uma opinião favorável a seu respeito; e dividem-se claramente por linhas partidárias (54% de Democratas e 15% de Republicanos). Também uma maioria muito elevada (73%) de cidadãos norte-americanos considera que a divulgação de informação inexacta pela Internet é um grave problema para a cobertura noticiosa actual. São estes alguns dos números do relatório American Views: Trust, Media and Democracy, realizado pela Gallup e a Knight Foundation, agora divulgado.

O relatório decorre de uma sondagem realizada em 2017 junto de mais de 19 mil cidadãos dos EUA, adultos maiores de 18 anos. 

Segundo o texto de apresentação da Knight Foundation, o progresso tecnológico tornou mais fácil aos americanos comunicarem entre si na busca de informação, mas esse progresso apresenta tanto desafios como oportunidades: 

“Não só há mais informação disponível, como também há mais desinformação, e muitos utentes podem não ser capazes de distinguir facilmente a diferença entre as duas.” 

Também está em declínio a confiança nos media; 45% dos inquiridos concordam que há “uma grande dose” de tendenciosismo político na cobertura noticiosa, o que representa “um aumento significativo em relação a 1989, quando apenas 25% diziam o mesmo”. De modo semelhante, menos de metade dos cidadãos consultados declarou ser capaz de identificar uma fonte de notícias objectiva. 

“Hoje, 66% dos americanos dizem que a maior parte dos media não faz correctamente a separação entre facto e opinião; em 1989, diziam isto 42%.” 

Em relação às redes sociais, há uma visão negativa quanto ao papel que Facebook e Twitter têm assumido no meio ambiente da comunicação: 

“Só 42% disseram que as plataformas das redes sociais tiveram um efeito positivo no ambiente dos media nestes últimos dez anos. Os americanos estão especialmente preocupados com o problema das ‘bolhas de filtro’: 57% dos americanos disseram que a selecção de artigos por um algoritmo representa ‘um problema sério’ para a democracia nos Estados Unidos.” 

Estão, no entanto, divididos em partes quase iguais quanto à solução desse problema: “49% acham que devia haver regras, ou regulamentos que governem os métodos usados pelas plataformas para fornecerem o conteúdo noticioso aos utentes, enquanto 47% acham que não”. (...) 

No que se refere à capacidade de distinguir a verdade da mentira, apenas 27% dos inquiridos se consideram, pessoalmente, “muito confiantes” na sua própria percepção de quando uma fonte noticiosa está a fazer uma reportagem factual, em vez de comentário ou opinião. 

“Na base do seu declarado conhecimento pessoal dos acontecimentos actuais, e da sua percepção sobre a facilidade em distinguir a verdade da desinformação no relato noticioiso, a maioria dos americanos cabe numa destas duas categorias  -  ou dos Optimistas Conhecedores (41%), que estão informados e acreditam que é possível encontrar a verdade, ou dos Cépticos Desatentos (35%), que estão menos informados e pessimistas sobre a possibilidade de identificar a verdade. A tendência partidária e a educação influenciam estas atitudes.” (...) 

Mas acrescentam-se a estas mais duas categorias, por ordem decrescente: a dos Cépticos Conhecedores (17%), que acham que sabem distinguir entre facto e opinião, mas o tendenciosismo dos media dificulta muito este esforço, e a dos Optimistas Desatentos (7%), que estão menos informados e também acham que o demasiado tendenciosismo não deixa encontrar a verdade. 

 

Mais informação no NiemanLab e no texto de apresentação do relatório, que contém o link para o mesmo, em PDF

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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