Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Estudo

Americanos divididos sobre a credibilidade da cobertura noticiosa

Uma maioria de 58% dos cidadãos dos EUA afirma que é mais difícil, hoje, estar bem informado, precisamente devido à grande abundância de fontes noticiosas disponíveis (apenas 38% dizem que é mais fácil). Uma vasta maioria (84%) reconhece que os media têm um papel importante a desempenhar na democracia mas, sobre se estão a fazê-lo correctamente, é outra história: só 33% têm uma opinião favorável a seu respeito; e dividem-se claramente por linhas partidárias (54% de Democratas e 15% de Republicanos). Também uma maioria muito elevada (73%) de cidadãos norte-americanos considera que a divulgação de informação inexacta pela Internet é um grave problema para a cobertura noticiosa actual. São estes alguns dos números do relatório American Views: Trust, Media and Democracy, realizado pela Gallup e a Knight Foundation, agora divulgado.

O relatório decorre de uma sondagem realizada em 2017 junto de mais de 19 mil cidadãos dos EUA, adultos maiores de 18 anos. 

Segundo o texto de apresentação da Knight Foundation, o progresso tecnológico tornou mais fácil aos americanos comunicarem entre si na busca de informação, mas esse progresso apresenta tanto desafios como oportunidades: 

“Não só há mais informação disponível, como também há mais desinformação, e muitos utentes podem não ser capazes de distinguir facilmente a diferença entre as duas.” 

Também está em declínio a confiança nos media; 45% dos inquiridos concordam que há “uma grande dose” de tendenciosismo político na cobertura noticiosa, o que representa “um aumento significativo em relação a 1989, quando apenas 25% diziam o mesmo”. De modo semelhante, menos de metade dos cidadãos consultados declarou ser capaz de identificar uma fonte de notícias objectiva. 

“Hoje, 66% dos americanos dizem que a maior parte dos media não faz correctamente a separação entre facto e opinião; em 1989, diziam isto 42%.” 

Em relação às redes sociais, há uma visão negativa quanto ao papel que Facebook e Twitter têm assumido no meio ambiente da comunicação: 

“Só 42% disseram que as plataformas das redes sociais tiveram um efeito positivo no ambiente dos media nestes últimos dez anos. Os americanos estão especialmente preocupados com o problema das ‘bolhas de filtro’: 57% dos americanos disseram que a selecção de artigos por um algoritmo representa ‘um problema sério’ para a democracia nos Estados Unidos.” 

Estão, no entanto, divididos em partes quase iguais quanto à solução desse problema: “49% acham que devia haver regras, ou regulamentos que governem os métodos usados pelas plataformas para fornecerem o conteúdo noticioso aos utentes, enquanto 47% acham que não”. (...) 

No que se refere à capacidade de distinguir a verdade da mentira, apenas 27% dos inquiridos se consideram, pessoalmente, “muito confiantes” na sua própria percepção de quando uma fonte noticiosa está a fazer uma reportagem factual, em vez de comentário ou opinião. 

“Na base do seu declarado conhecimento pessoal dos acontecimentos actuais, e da sua percepção sobre a facilidade em distinguir a verdade da desinformação no relato noticioiso, a maioria dos americanos cabe numa destas duas categorias  -  ou dos Optimistas Conhecedores (41%), que estão informados e acreditam que é possível encontrar a verdade, ou dos Cépticos Desatentos (35%), que estão menos informados e pessimistas sobre a possibilidade de identificar a verdade. A tendência partidária e a educação influenciam estas atitudes.” (...) 

Mas acrescentam-se a estas mais duas categorias, por ordem decrescente: a dos Cépticos Conhecedores (17%), que acham que sabem distinguir entre facto e opinião, mas o tendenciosismo dos media dificulta muito este esforço, e a dos Optimistas Desatentos (7%), que estão menos informados e também acham que o demasiado tendenciosismo não deixa encontrar a verdade. 

 

Mais informação no NiemanLab e no texto de apresentação do relatório, que contém o link para o mesmo, em PDF

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...