Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Estudo

Americanos divididos sobre a credibilidade da cobertura noticiosa

Uma maioria de 58% dos cidadãos dos EUA afirma que é mais difícil, hoje, estar bem informado, precisamente devido à grande abundância de fontes noticiosas disponíveis (apenas 38% dizem que é mais fácil). Uma vasta maioria (84%) reconhece que os media têm um papel importante a desempenhar na democracia mas, sobre se estão a fazê-lo correctamente, é outra história: só 33% têm uma opinião favorável a seu respeito; e dividem-se claramente por linhas partidárias (54% de Democratas e 15% de Republicanos). Também uma maioria muito elevada (73%) de cidadãos norte-americanos considera que a divulgação de informação inexacta pela Internet é um grave problema para a cobertura noticiosa actual. São estes alguns dos números do relatório American Views: Trust, Media and Democracy, realizado pela Gallup e a Knight Foundation, agora divulgado.

O relatório decorre de uma sondagem realizada em 2017 junto de mais de 19 mil cidadãos dos EUA, adultos maiores de 18 anos. 

Segundo o texto de apresentação da Knight Foundation, o progresso tecnológico tornou mais fácil aos americanos comunicarem entre si na busca de informação, mas esse progresso apresenta tanto desafios como oportunidades: 

“Não só há mais informação disponível, como também há mais desinformação, e muitos utentes podem não ser capazes de distinguir facilmente a diferença entre as duas.” 

Também está em declínio a confiança nos media; 45% dos inquiridos concordam que há “uma grande dose” de tendenciosismo político na cobertura noticiosa, o que representa “um aumento significativo em relação a 1989, quando apenas 25% diziam o mesmo”. De modo semelhante, menos de metade dos cidadãos consultados declarou ser capaz de identificar uma fonte de notícias objectiva. 

“Hoje, 66% dos americanos dizem que a maior parte dos media não faz correctamente a separação entre facto e opinião; em 1989, diziam isto 42%.” 

Em relação às redes sociais, há uma visão negativa quanto ao papel que Facebook e Twitter têm assumido no meio ambiente da comunicação: 

“Só 42% disseram que as plataformas das redes sociais tiveram um efeito positivo no ambiente dos media nestes últimos dez anos. Os americanos estão especialmente preocupados com o problema das ‘bolhas de filtro’: 57% dos americanos disseram que a selecção de artigos por um algoritmo representa ‘um problema sério’ para a democracia nos Estados Unidos.” 

Estão, no entanto, divididos em partes quase iguais quanto à solução desse problema: “49% acham que devia haver regras, ou regulamentos que governem os métodos usados pelas plataformas para fornecerem o conteúdo noticioso aos utentes, enquanto 47% acham que não”. (...) 

No que se refere à capacidade de distinguir a verdade da mentira, apenas 27% dos inquiridos se consideram, pessoalmente, “muito confiantes” na sua própria percepção de quando uma fonte noticiosa está a fazer uma reportagem factual, em vez de comentário ou opinião. 

“Na base do seu declarado conhecimento pessoal dos acontecimentos actuais, e da sua percepção sobre a facilidade em distinguir a verdade da desinformação no relato noticioiso, a maioria dos americanos cabe numa destas duas categorias  -  ou dos Optimistas Conhecedores (41%), que estão informados e acreditam que é possível encontrar a verdade, ou dos Cépticos Desatentos (35%), que estão menos informados e pessimistas sobre a possibilidade de identificar a verdade. A tendência partidária e a educação influenciam estas atitudes.” (...) 

Mas acrescentam-se a estas mais duas categorias, por ordem decrescente: a dos Cépticos Conhecedores (17%), que acham que sabem distinguir entre facto e opinião, mas o tendenciosismo dos media dificulta muito este esforço, e a dos Optimistas Desatentos (7%), que estão menos informados e também acham que o demasiado tendenciosismo não deixa encontrar a verdade. 

 

Mais informação no NiemanLab e no texto de apresentação do relatório, que contém o link para o mesmo, em PDF

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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