null, 26 de Maio, 2019
Media

Decálogo com os desafios da comunicação na era digital

A era digital trouxe toda uma série de grandes desafios aos media tradicionais, e não só isso: trouxe também uma quantidade de novos actores intervenientes. Empresas, instituições, grupos, famílias ou indivíduos, todos passam a ser media por si mesmos; tornam-se também “fontes” para os media já existentes e, em muitos casos, emitem opinião crítica sobre a cobertura feita por eles ou apresentam a sua própria cobertura alternativa. Finalmente, é o utente que se torna o eixo do processo de comunicação, é o conteúdo que se torna a identidade do meio, a nova linguagem é multimédia, a periodicidade dá lugar ao “tempo real”, o hipertexto é a nova “gramática” e o conhecimento o novo nome da Informação. É nestes termos que Jose Luis Orihuela, investigador e docente de comunicação, apresenta, em Media.com, os “Dez Novos Paradigmas” que nos confrontam na era digital.

Cada um destes paradigmas é definido por uma substituição, ou pelo movimento de um protagonista principal, na situação anterior, para o que passa a ocupar-lhe o lugar. 

Segue-se uma síntese desses dez paradigmas, que podem ser lidos na íntegra na versão em espanhol, ou em inglês, do trabalho deste autor. 

  1. Da audiência ao utente. A evolução das novas tecnologias foi feita no sentido de uma espécie de “afunilamento” do destinatário da comunicação: do broadcasting para o narrowcasting e, finalmente, até ao pointcasting. O objectivo final é satisfazer os interesses do consumidor individual.
  2. Dos media ao conteúdo. A partir de agora, é a autoridade do conteúdo distribuído que define a natureza do distribuidor. A National Geographic ou a CNN, por exemplo, são marcas que representam uma autoridade reconhecida sobre determinado tipo de conteúdo (a vida natural) ou competência na cobertura dos acontecimentos (jornalismo). A função dos media passa a ser a de venderem os conteúdos, não o suporte.
  3. Do suporte único à multimédia. Agora, e pela primeira vez na história, texto, áudio, vídeo, gráficos, fotos e animação podem coexistir e interagir no mesmo meio de comunicação. Os media digitais tornaram-se multimédia, e esta é uma nova linguagem. As distinções entre os media, definidas pelo uso de uma só linguagem, tendem a esbater-se.
  4. Da periodicidade ao “tempo real”. A frequência regular de publicação era o paradigma dos media convencionais: diários, semanários, mensais, ou com horários fixos de emissão na rádio e TV. Agora, a actualização tem de ser feita constantemente. Mas o que se ganhou em dinamismo e inter-comunicação perdeu-se em capacidade de reflexão.
  5. Da escassez à abundância. O espaço, para os media impressos, e o tempo, para os emissores, deixaram de ser limite ao conteúdo. Agora é o tempo do utente que se tornou escasso. Uma das consequências deste processo de “leitores tornarem-se escritores” é a proliferação de uma informação online sem uma clara atribuição de fontes autorizadas, com grande heterogeneidade da qualidade dos conteúdos. Navegamos no “caos da abundância”.
  6. Da mediação editorial à não-mediação. O paradigma do “porteiro” era usado para explicar a função dos editores e a teoria da agenda na definição dos temas do dia. A natureza descentralizada da Net aboliu a agenda tradicional. A publicação nas redes sociais é feita sem editores, mas sujeita a um processo constante de revisão e comentários pelos seus próprios pares. Há uma grande variedade de novas “fontes”, e muitas delas não são meios de comunicação convencionais.
  7. Da distribuição ao acesso. O paradigma da emissão unilateral de um para muitos foi substituído por ambos: o acesso de muitos a um, e a comunicação de muitos para muitos. Este paradigma do acesso é complementar ao da centralidade do utente e ambos explicam a forte inter-actividade do novo meio ambiente.
  8. Da direcção única à inter-actividade. Como os produtores e os utentes de conteúdos usam o mesmo canal para comunicar, estes podem estabelecer uma relação bilateral com os media e também uma relação multilateral com outros utentes. Por último, podem tornar-se também produtores de conteúdos. Lidar com esta inter-actividade, no contexto dos media com uma longa tradição de distribuição de conteúdo em direcção única, é um dos mais importantes desafios que os media convencionais têm de enfrentar.
  9. Do linear ao hiper-texto. A narrativa analógica tem uma construção linear, em que é o narrador que controla a estrutura e o ritmo. No digital, o narrador pode fragmentar o conteúdo em pequenas unidades com caminhos de acesso entre si (links). Finalmente, o controlo da narrativa passa do narrador para o leitor. O hiper-texto é a nova “gramática” do mundo digital.
  10. Da informação ao conhecimento. A enorme quantidade de dados disponíveis na era digital traz de volta o papel estratégico dos media como gestores sociais do conhecimento, mas partilhado com um número crescente de novos actores. Hoje, a missão estratégica dos media é a informação sobre a informação: compreensão, interpretação, filtragem e pesquisa, combinadas com o desafio de novas narrativas multimédia, fornecidas por uma quantidade de canais. Este cenário não deve ser entendido como apocalíptico, mas como oportunidade de redefinir os perfis, os desafios profissionais e a formação académica dos comunicadores  - bem como de repensar a natureza em mutação dos media e dos mediadores.

 

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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