Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
Media

Decálogo com os desafios da comunicação na era digital

A era digital trouxe toda uma série de grandes desafios aos media tradicionais, e não só isso: trouxe também uma quantidade de novos actores intervenientes. Empresas, instituições, grupos, famílias ou indivíduos, todos passam a ser media por si mesmos; tornam-se também “fontes” para os media já existentes e, em muitos casos, emitem opinião crítica sobre a cobertura feita por eles ou apresentam a sua própria cobertura alternativa. Finalmente, é o utente que se torna o eixo do processo de comunicação, é o conteúdo que se torna a identidade do meio, a nova linguagem é multimédia, a periodicidade dá lugar ao “tempo real”, o hipertexto é a nova “gramática” e o conhecimento o novo nome da Informação. É nestes termos que Jose Luis Orihuela, investigador e docente de comunicação, apresenta, em Media.com, os “Dez Novos Paradigmas” que nos confrontam na era digital.

Cada um destes paradigmas é definido por uma substituição, ou pelo movimento de um protagonista principal, na situação anterior, para o que passa a ocupar-lhe o lugar. 

Segue-se uma síntese desses dez paradigmas, que podem ser lidos na íntegra na versão em espanhol, ou em inglês, do trabalho deste autor. 

  1. Da audiência ao utente. A evolução das novas tecnologias foi feita no sentido de uma espécie de “afunilamento” do destinatário da comunicação: do broadcasting para o narrowcasting e, finalmente, até ao pointcasting. O objectivo final é satisfazer os interesses do consumidor individual.
  2. Dos media ao conteúdo. A partir de agora, é a autoridade do conteúdo distribuído que define a natureza do distribuidor. A National Geographic ou a CNN, por exemplo, são marcas que representam uma autoridade reconhecida sobre determinado tipo de conteúdo (a vida natural) ou competência na cobertura dos acontecimentos (jornalismo). A função dos media passa a ser a de venderem os conteúdos, não o suporte.
  3. Do suporte único à multimédia. Agora, e pela primeira vez na história, texto, áudio, vídeo, gráficos, fotos e animação podem coexistir e interagir no mesmo meio de comunicação. Os media digitais tornaram-se multimédia, e esta é uma nova linguagem. As distinções entre os media, definidas pelo uso de uma só linguagem, tendem a esbater-se.
  4. Da periodicidade ao “tempo real”. A frequência regular de publicação era o paradigma dos media convencionais: diários, semanários, mensais, ou com horários fixos de emissão na rádio e TV. Agora, a actualização tem de ser feita constantemente. Mas o que se ganhou em dinamismo e inter-comunicação perdeu-se em capacidade de reflexão.
  5. Da escassez à abundância. O espaço, para os media impressos, e o tempo, para os emissores, deixaram de ser limite ao conteúdo. Agora é o tempo do utente que se tornou escasso. Uma das consequências deste processo de “leitores tornarem-se escritores” é a proliferação de uma informação online sem uma clara atribuição de fontes autorizadas, com grande heterogeneidade da qualidade dos conteúdos. Navegamos no “caos da abundância”.
  6. Da mediação editorial à não-mediação. O paradigma do “porteiro” era usado para explicar a função dos editores e a teoria da agenda na definição dos temas do dia. A natureza descentralizada da Net aboliu a agenda tradicional. A publicação nas redes sociais é feita sem editores, mas sujeita a um processo constante de revisão e comentários pelos seus próprios pares. Há uma grande variedade de novas “fontes”, e muitas delas não são meios de comunicação convencionais.
  7. Da distribuição ao acesso. O paradigma da emissão unilateral de um para muitos foi substituído por ambos: o acesso de muitos a um, e a comunicação de muitos para muitos. Este paradigma do acesso é complementar ao da centralidade do utente e ambos explicam a forte inter-actividade do novo meio ambiente.
  8. Da direcção única à inter-actividade. Como os produtores e os utentes de conteúdos usam o mesmo canal para comunicar, estes podem estabelecer uma relação bilateral com os media e também uma relação multilateral com outros utentes. Por último, podem tornar-se também produtores de conteúdos. Lidar com esta inter-actividade, no contexto dos media com uma longa tradição de distribuição de conteúdo em direcção única, é um dos mais importantes desafios que os media convencionais têm de enfrentar.
  9. Do linear ao hiper-texto. A narrativa analógica tem uma construção linear, em que é o narrador que controla a estrutura e o ritmo. No digital, o narrador pode fragmentar o conteúdo em pequenas unidades com caminhos de acesso entre si (links). Finalmente, o controlo da narrativa passa do narrador para o leitor. O hiper-texto é a nova “gramática” do mundo digital.
  10. Da informação ao conhecimento. A enorme quantidade de dados disponíveis na era digital traz de volta o papel estratégico dos media como gestores sociais do conhecimento, mas partilhado com um número crescente de novos actores. Hoje, a missão estratégica dos media é a informação sobre a informação: compreensão, interpretação, filtragem e pesquisa, combinadas com o desafio de novas narrativas multimédia, fornecidas por uma quantidade de canais. Este cenário não deve ser entendido como apocalíptico, mas como oportunidade de redefinir os perfis, os desafios profissionais e a formação académica dos comunicadores  - bem como de repensar a natureza em mutação dos media e dos mediadores.

 

Connosco
Quando os repórteres são os heróis que nos fazem falta Ver galeria

Parece excessivo declarar que os repórteres são os heróis do nosso tempo, como vem no título do texto que aqui citamos. Quem o diz não é um jornalista, mas um historiador. E explica porquê, e de que repórteres está a falar. Trata-se daqueles que assumem riscos e perdem a vida para investigar a verdade do que sucede à nossa volta  - e esse tipo de reportagem de investigação “é um pedacinho microscópico dessa coisa a que chamamos media”.

Os repórteres que “correm riscos pela verdade” fazem-no por todos nós, incluindo pelos soldados que vamos ou não enviar para a frente de batalha. O único modo de avaliarmos as guerras em que nos envolvemos é tendo repórteres “com a coragem e a capacidade de irem lá fazer reportagem”. Esta reflexão é do historiador norte-americano Timothy Snyder, que citamos da Global Investigative Journalism Network.

O jornalismo com mais “clics” pode não ser o mais lido Ver galeria

Pode acontecer que o melhor jornalismo nem seja o que é mais lido. Não gostamos de ouvir esta notícia, mas foi disto e de outras coisas parecidas que se falou no XXI Laboratorio de Periodismo da APM, o debate periódico sobre temas de actualidade que, na sua edição de Abril de 2017, teve por tema “O que lêem e o que não lêem os leitores”. O encontro decorreu na sede da Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria -  e foi moderado por Nemésio Rodríguez, vice-presidente da APM e actual presidente da FAPE – Federación de las Asociaciones de Periodistas de España.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Se sigo a actualidade e as notícias no digital, prefiro olhar para a reflexão e a descoberta no papel. E é aí que entra a nova geração de revistas que se vai publicando e que mostra as capacidades da imprensa, que estão longe de estar esgotadas. Com criatividade, imaginação editorial e gráfica, arrojo, e alguma capacidade para encontrar nichos de público têm surgido numerosas novas...
Para Joana Marques Vidal, todo o seu mérito se resume a “ter impresso a uma pesada máquina em movimento um novo funcionamento”, mais “eficaz, mais oleado, mais interdependente entre as várias equipas especializadas, e mais responsabilizado e onde deixa transparecer uma grande proximidade entre a hierarquia e as várias instâncias envolvidas. Joana Marques Vidal nunca recebeu telefonemas de Rui Rio, ao contrário do seu antecessor. Mas...
O Poder do Dever
Luís Queirós
No passado dia 14 de março, Maria Joana Raposo Marques Vidal foi falar ao Grémio Literário no ciclo que ali decorre sob o tema: "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. Na sua longa  intervenção  falou  do Ministério Público e de Justiça e ajudou os leigos na matéria - como...
A compra do The Los Angeles Times pelo cirurgião bilionário sino-americano Patrick Soon-Shiong – dono da maior fortuna da 2ª maior cidade americana - anunciada oficialmente em 7 de Fevereiro, marca o regresso da propriedade do jornal a um residente local, depois de 18 anos de controlo por grupos de media sediados fora da Califórnia. É o mais recente capítulo dos 137 anos de história do LA Times, propriedade da família Chandler durante...
Enquanto os dados mais recentes da APCT – Associação Portuguesa de controlo de Tiragem , confirmam a agonia de alguns titulos da Imprensa diária generalista e o recuo de semanários e de news magazines, do outro lado do Atlântico acredita-se que a credibilidade será a nova “moeda de troca” do jornalismo em 2018,  conforme se prevê num texto editado pelo Centro de Periodismo Digital de Guadalajara, que pode ser consultado...
Agenda
24
Abr
Social Media Week New York 2018
09:00 @ Sheraton Times Square, Nova Iorque
24
Abr
Social Media Strategies Summit Chicago 2018
22:00 @ Union League Club, Chicago
25
Abr
8º Congresso Nacional de "Periodismo Autónomo y Freelance: ‘La revolución audiovisual’"
09:00 @ Sala de Conferências da Faculdade de Ciências de Informação, Universidade de Madrid
28
Abr
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa