Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Media

Decálogo com os desafios da comunicação na era digital

A era digital trouxe toda uma série de grandes desafios aos media tradicionais, e não só isso: trouxe também uma quantidade de novos actores intervenientes. Empresas, instituições, grupos, famílias ou indivíduos, todos passam a ser media por si mesmos; tornam-se também “fontes” para os media já existentes e, em muitos casos, emitem opinião crítica sobre a cobertura feita por eles ou apresentam a sua própria cobertura alternativa. Finalmente, é o utente que se torna o eixo do processo de comunicação, é o conteúdo que se torna a identidade do meio, a nova linguagem é multimédia, a periodicidade dá lugar ao “tempo real”, o hipertexto é a nova “gramática” e o conhecimento o novo nome da Informação. É nestes termos que Jose Luis Orihuela, investigador e docente de comunicação, apresenta, em Media.com, os “Dez Novos Paradigmas” que nos confrontam na era digital.

Cada um destes paradigmas é definido por uma substituição, ou pelo movimento de um protagonista principal, na situação anterior, para o que passa a ocupar-lhe o lugar. 

Segue-se uma síntese desses dez paradigmas, que podem ser lidos na íntegra na versão em espanhol, ou em inglês, do trabalho deste autor. 

  1. Da audiência ao utente. A evolução das novas tecnologias foi feita no sentido de uma espécie de “afunilamento” do destinatário da comunicação: do broadcasting para o narrowcasting e, finalmente, até ao pointcasting. O objectivo final é satisfazer os interesses do consumidor individual.
  2. Dos media ao conteúdo. A partir de agora, é a autoridade do conteúdo distribuído que define a natureza do distribuidor. A National Geographic ou a CNN, por exemplo, são marcas que representam uma autoridade reconhecida sobre determinado tipo de conteúdo (a vida natural) ou competência na cobertura dos acontecimentos (jornalismo). A função dos media passa a ser a de venderem os conteúdos, não o suporte.
  3. Do suporte único à multimédia. Agora, e pela primeira vez na história, texto, áudio, vídeo, gráficos, fotos e animação podem coexistir e interagir no mesmo meio de comunicação. Os media digitais tornaram-se multimédia, e esta é uma nova linguagem. As distinções entre os media, definidas pelo uso de uma só linguagem, tendem a esbater-se.
  4. Da periodicidade ao “tempo real”. A frequência regular de publicação era o paradigma dos media convencionais: diários, semanários, mensais, ou com horários fixos de emissão na rádio e TV. Agora, a actualização tem de ser feita constantemente. Mas o que se ganhou em dinamismo e inter-comunicação perdeu-se em capacidade de reflexão.
  5. Da escassez à abundância. O espaço, para os media impressos, e o tempo, para os emissores, deixaram de ser limite ao conteúdo. Agora é o tempo do utente que se tornou escasso. Uma das consequências deste processo de “leitores tornarem-se escritores” é a proliferação de uma informação online sem uma clara atribuição de fontes autorizadas, com grande heterogeneidade da qualidade dos conteúdos. Navegamos no “caos da abundância”.
  6. Da mediação editorial à não-mediação. O paradigma do “porteiro” era usado para explicar a função dos editores e a teoria da agenda na definição dos temas do dia. A natureza descentralizada da Net aboliu a agenda tradicional. A publicação nas redes sociais é feita sem editores, mas sujeita a um processo constante de revisão e comentários pelos seus próprios pares. Há uma grande variedade de novas “fontes”, e muitas delas não são meios de comunicação convencionais.
  7. Da distribuição ao acesso. O paradigma da emissão unilateral de um para muitos foi substituído por ambos: o acesso de muitos a um, e a comunicação de muitos para muitos. Este paradigma do acesso é complementar ao da centralidade do utente e ambos explicam a forte inter-actividade do novo meio ambiente.
  8. Da direcção única à inter-actividade. Como os produtores e os utentes de conteúdos usam o mesmo canal para comunicar, estes podem estabelecer uma relação bilateral com os media e também uma relação multilateral com outros utentes. Por último, podem tornar-se também produtores de conteúdos. Lidar com esta inter-actividade, no contexto dos media com uma longa tradição de distribuição de conteúdo em direcção única, é um dos mais importantes desafios que os media convencionais têm de enfrentar.
  9. Do linear ao hiper-texto. A narrativa analógica tem uma construção linear, em que é o narrador que controla a estrutura e o ritmo. No digital, o narrador pode fragmentar o conteúdo em pequenas unidades com caminhos de acesso entre si (links). Finalmente, o controlo da narrativa passa do narrador para o leitor. O hiper-texto é a nova “gramática” do mundo digital.
  10. Da informação ao conhecimento. A enorme quantidade de dados disponíveis na era digital traz de volta o papel estratégico dos media como gestores sociais do conhecimento, mas partilhado com um número crescente de novos actores. Hoje, a missão estratégica dos media é a informação sobre a informação: compreensão, interpretação, filtragem e pesquisa, combinadas com o desafio de novas narrativas multimédia, fornecidas por uma quantidade de canais. Este cenário não deve ser entendido como apocalíptico, mas como oportunidade de redefinir os perfis, os desafios profissionais e a formação académica dos comunicadores  - bem como de repensar a natureza em mutação dos media e dos mediadores.

 

Connosco
Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Social Media Week: Austin
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LinkedIn para Jornalistas
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Simpósio de Radiodifusão Digital da ABU
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