Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Estudo

Os Media nos EUA impreparados para a desinformação “online”

Enquanto as organizações de “verificação de factos”, em todo o mundo, estão a abordar a desinformação online de modos inovativos, as redacções, nos Estados Unidos, estão a ficar para trás, continuando a usar as redes sociais como faziam em 2008. Um relatório recente do American Press Institute, baseado num estudo de 59 redacções, verificou que a maior parte continua a usar as redes sociais  - principalmente Facebook e Twitter -  apenas para distribuir links para os seus próprios conteúdos. As grandes questões trazidas por essas redes ao jornalismo são a proliferação da desinformação e das fake news mas, nas redacções, as equipas que se ocupam delas, e “que se encontram na linha da frente em ambas as coisas, estão na maioria a fazer o que faziam há uma década”.

A autora do citado relatório, Jane Elisabeth, disse, em declarações ao Poynter Institute  - que aqui citamos -, que tinha falado com mais de cem jornalistas e visitado várias redacções, ficando surpreendida pelo facto de as redes sociais estarem a ser tratadas apenas como “uma nova peça digital que supostamente já teria entrado na cultura da redacção; mas não entrou.” (...)

“E com campanhas nos Estados Unidos, a preparar-se para eleições em 2018 e 2020, as redacções têm de mudar agora para serem capazer de lidar com o massacre de desinformação online que aí vem”  -  segundo o relatório. 

Para melhorar a estratégia das redacções neste combate às notícias falsas e ao declínio da confiança por parte dos leitores, o relatório recomenda uma abordagem em três pontos:

  1. – Encontrar e combater a desinformação, como jornalistas nas linhas da frente das fake news.
  2. – Envolver as audiências no objectivo de aumentar a confiança numa reportagem profissional.
  3. – Participar como parceiros de corpo inteiro nos esforços de verificação do desempenho da redacção.

 

“Seja qual for a sugestão que se faça agora a uma redacção, a resposta é sempre: ‘não temos pessoas suficientes para fazer isso’ – diz Jane Elisabeth.” 

Mas “é preciso verificar bem o que se está a fazer e decidir entre aquilo que não precisa de ser feito e aquilo que se pode fazer de modo mais eficiente. Torná-lo parte do processo. Eu penso realmente que, mesmo que só se possa ter uma pessoa encarregue das redes sociais a tempo inteiro, já vai ser benéfico.” 

 

O texto citado, de Daniel Funke, no Poynter Institute, cuja imagem, do American Press Institute, aqui incluímos

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
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Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
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