Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Estudo

Os Media nos EUA impreparados para a desinformação “online”

Enquanto as organizações de “verificação de factos”, em todo o mundo, estão a abordar a desinformação online de modos inovativos, as redacções, nos Estados Unidos, estão a ficar para trás, continuando a usar as redes sociais como faziam em 2008. Um relatório recente do American Press Institute, baseado num estudo de 59 redacções, verificou que a maior parte continua a usar as redes sociais  - principalmente Facebook e Twitter -  apenas para distribuir links para os seus próprios conteúdos. As grandes questões trazidas por essas redes ao jornalismo são a proliferação da desinformação e das fake news mas, nas redacções, as equipas que se ocupam delas, e “que se encontram na linha da frente em ambas as coisas, estão na maioria a fazer o que faziam há uma década”.

A autora do citado relatório, Jane Elisabeth, disse, em declarações ao Poynter Institute  - que aqui citamos -, que tinha falado com mais de cem jornalistas e visitado várias redacções, ficando surpreendida pelo facto de as redes sociais estarem a ser tratadas apenas como “uma nova peça digital que supostamente já teria entrado na cultura da redacção; mas não entrou.” (...)

“E com campanhas nos Estados Unidos, a preparar-se para eleições em 2018 e 2020, as redacções têm de mudar agora para serem capazer de lidar com o massacre de desinformação online que aí vem”  -  segundo o relatório. 

Para melhorar a estratégia das redacções neste combate às notícias falsas e ao declínio da confiança por parte dos leitores, o relatório recomenda uma abordagem em três pontos:

  1. – Encontrar e combater a desinformação, como jornalistas nas linhas da frente das fake news.
  2. – Envolver as audiências no objectivo de aumentar a confiança numa reportagem profissional.
  3. – Participar como parceiros de corpo inteiro nos esforços de verificação do desempenho da redacção.

 

“Seja qual for a sugestão que se faça agora a uma redacção, a resposta é sempre: ‘não temos pessoas suficientes para fazer isso’ – diz Jane Elisabeth.” 

Mas “é preciso verificar bem o que se está a fazer e decidir entre aquilo que não precisa de ser feito e aquilo que se pode fazer de modo mais eficiente. Torná-lo parte do processo. Eu penso realmente que, mesmo que só se possa ter uma pessoa encarregue das redes sociais a tempo inteiro, já vai ser benéfico.” 

 

O texto citado, de Daniel Funke, no Poynter Institute, cuja imagem, do American Press Institute, aqui incluímos

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...