Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Estudo

O que vai mudar no jornalismo em função das redes sociais

2018 vai ser “um ano crítico para a relação entre os publishers e as plataformas, à medida que empresas como a Google e o Facebook enfrentam uma maré crescente de críticas a respeito do seu impacto sobre a sociedade  - e sobre o jornalismo”. Por outro lado, o modelo de negócio dos meios de comunicação “está a mudar da publicidade para a assinatura e outras formas de pagamento pelos leitores”. Em 2018 vai haver muito mais atenção aos dados, porque as empresas dos media vão mudar os seus utentes da condição de “anónimos” para a de “conhecidos”, com o objectivo de “desenvolver relações de maior lealdade e preparar-se para uma era de serviços mais personalizados”. São estas as principais tendências e previsões descritas no relatório do Reuters Institute, agora publicado. 

Na introdução do texto  - que pode ser consultado livremente, em PDF -  são elencadas oito previsões específicas:

  1. – As investigações sobre desinformação e o papel desempenhado pelas plataformas vão intensificar-se, mas conduzir a pouca acção concreta em muitos países, para além de novas regras na publicidade de campanha eleitoral [election-based advertising, no original].
  2. – Facebook ou Google vão ser, este ano, regularmente acusados de censura, sempre que removam conteúdos como medida de protecção, por lhes parecer que ficam expostos a multas.
  3. – As iniciativas de fact-checking, literacia para as notícias e transparência, não conseguirão deter a vaga de desinformação e quebra de confiança.
  4. – Os publishers vão levar os utentes a identificar-se para acesso aos websites e aplicações  - bem como investir pesadamente nos dados -  para ajudar a fornecer conteúdos mais personalizados.
  5. – Entre os media tradicionais, vamos assistir ao crescimento do fosso entre as grandes marcas, bem sucedidas na transição digital, e o resto (que se debatem).
  6. – Mais publishers vão mudar para as assinaturas (ou outras formas de receita vinda dos leitores) à medida que a publicidade digital perde importância.
  7. – Um certo número de publishers vai abandonar o vídeo (… e voltar ao texto).
  8. – Nas redes sociais, vamos assistir a mais mudanças para as plataformas de mensagens e interfaces de conversação.

Concretamente na tecnologia, são apresentadas cinco:

  1. – Os assistentes de voz emergem como o próximo grande elemento de transformação, com a Amazon reforçando a sua presença nas habitações.
  2. – Os telemóveis com funções de Realidade Aumentada vão começar a abrir as possibilidades de narrativa imersiva e em 3D.
  3. – Este ano vamos “teclar” menos nos nossos telemóveis, à medida que cresce a importância da busca visual.
  4. – Os novos utensílios “inteligentes” vão chegar aos “fones” auditivos com capacidade de tradução instantânea e óculos que falam (e ouvem).
  5. – A China e a Índia vão tornar-se grandes focos de crescimento digital, com inovações na área do pagamento, identidade online e inteligência artificial.

Chegado às conclusões, o Relatório anuncia “um futuro incerto”:  

“Não parece que a revolução tecnológica esteja a abrandar. Parece antes que estamos a começar uma nova fase de ruptura. A era da inteligência artificial vai trazer novas oportunidades para a criatividade e para a eficiência  - mas também para maior desinformação e manipulação.”  

“Nos anos que aí vêm, já não estaremos só a perguntar o que é verdade, mas se a informação ainda está a ser gerada por seres humanos. Os bots e outros agentes ‘inteligentes’ vão desempenhar um papel crescente nas nossas vidas. Haverá notícias escritas por máquinas, programas de televisão serão compostos e escolhidos com base nos nossos gostos pessoais, os carros vão conduzir-se a si próprios. Vamos apreciar a comodidade e a escolha, mas vamos também preocupar-nos sobre se podemos manter o controlo. Vamos preocupar-nos cada vez mais a respeito de quem programa os algoritmos.” (…) 

“Com a tecnologia e o seu impacto agora tornados globais, quem vai poder falar pelos cidadãos e fazer os necessários equilíbrios entre conveniência e privacidade, entre o discurso livre e o discurso de ódio?” (…) 

“No próximo ano vamos ver o aumento destas pressões e desconexões, à medida que as poderosas (principalmente americanas) empresas tecnológicas comerciais desempenham um papel cada vez maior nas nossas vidas e os governos procuram exercer alguma forma de controlo. Se as plataformas vão conseguir escapar à regulação, vai depender, em certa medida, dos acontecimentos e de saber se o público vai continuar a sentir-se feliz com os serviços que elas fornecem.” (…) 

 

O Relatório, na íntegra, no Reuters Institute

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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