Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
Estudo

Relatório do Reuters Institute prevê o declínio da publicidade impressa e digital

Os publishers dos media estão cada vez mais preocupados com o impacto das grandes empresas tecnológicas sobre o jornalismo, mas quase metade acabam por admitir como sendo ameaças mais graves a resistência interna à mudança e a incapacidade de inovar. Uma percentagem ligeiramente superior declara-se também desconfortável com o fraco nível de diversidade dentro das suas próprias redacções. Para 62% dos entrevistados, a publicidade tende a tornar-se menos importante, com 10% estando já a planear um futuro sem anúncios, ou muito poucos. Neste ponto, Mark Thompson, do The New York Times, prevê que o declínio da publicidade, tanto impressa como digital, vai trazer “crescente perturbação económica neste ano”. São estas algumas das revelações do relatório anual de previsões para o ano que começa, realizado pelo Reuters Institute e acabado de sair.

Cerca de 200 CEOs, editores e dirigentes das edições online de meios de comunicação de 29 diferentes países foram entrevistados para este estudo. É patente que a opinião sobre o Facebook piorou, devido ao seu papel na disseminação de notícias falsas, a falta da prometida receita pelo vídeo e uma queda súbita nas referências a muitos websites noticiosos, desde o Verão de 2017.  

“Muitos donos de media estão preocupados com a suspeita de que o Facebook está a planear desvalorizar ainda mais o conteúdo de notícias em 2018.” Numa escala de 1 a 5, têm de modo geral uma visão mais positiva da Google (3.44) e do Twitter (3.23) do que do Snapchat (2.82) ou do Facebook (2.57). 

Apesar disso, também se censuram a si mesmos pelas dificuldades. As maiores barreiras ao sucesso, como dizem, nem são as plataformas tecnológicas, mas factores internos como a resistência à mudança e a incapacidade de inovação. Estas duas categorias juntas (36%) ultrapassam a preocupação com as plataformas como único principal desafio (21%). 

“O relatório, assinado por Nic Newman, jornalista e especialista na estratégia digital, também aponta importantes mudanças no modo como as empresas de comunicação planeiam obter dinheiro num mundo digital. A maioria dos meios impressos e dos fundados no digital, neste inquérito, já está a procurar receitas em diversas fontes, com cerca de seis opções diferentes consideradas muito ou bastante importantes.” 

“Para 2018, quase metade das empresas comerciais (44%) vê as assinaturas online como uma fonte de receita digital muito importante neste ano  -  mais do que a publicidade digital (38%) os os conteúdos patrocinados (39%). “ (...) 

 

Mais informação no European Journalism Observatory, cuja imagem aqui incluímos, e contém o link para o Relatório do Reuters Institute

Connosco
Quando os repórteres são os heróis que nos fazem falta Ver galeria

Parece excessivo declarar que os repórteres são os heróis do nosso tempo, como vem no título do texto que aqui citamos. Quem o diz não é um jornalista, mas um historiador. E explica porquê, e de que repórteres está a falar. Trata-se daqueles que assumem riscos e perdem a vida para investigar a verdade do que sucede à nossa volta  - e esse tipo de reportagem de investigação “é um pedacinho microscópico dessa coisa a que chamamos media”.

Os repórteres que “correm riscos pela verdade” fazem-no por todos nós, incluindo pelos soldados que vamos ou não enviar para a frente de batalha. O único modo de avaliarmos as guerras em que nos envolvemos é tendo repórteres “com a coragem e a capacidade de irem lá fazer reportagem”. Esta reflexão é do historiador norte-americano Timothy Snyder, que citamos da Global Investigative Journalism Network.

O jornalismo com mais “clics” pode não ser o mais lido Ver galeria

Pode acontecer que o melhor jornalismo nem seja o que é mais lido. Não gostamos de ouvir esta notícia, mas foi disto e de outras coisas parecidas que se falou no XXI Laboratorio de Periodismo da APM, o debate periódico sobre temas de actualidade que, na sua edição de Abril de 2017, teve por tema “O que lêem e o que não lêem os leitores”. O encontro decorreu na sede da Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria -  e foi moderado por Nemésio Rodríguez, vice-presidente da APM e actual presidente da FAPE – Federación de las Asociaciones de Periodistas de España.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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24
Abr
Social Media Week New York 2018
09:00 @ Sheraton Times Square, Nova Iorque
24
Abr
Social Media Strategies Summit Chicago 2018
22:00 @ Union League Club, Chicago
25
Abr
8º Congresso Nacional de "Periodismo Autónomo y Freelance: ‘La revolución audiovisual’"
09:00 @ Sala de Conferências da Faculdade de Ciências de Informação, Universidade de Madrid
28
Abr
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa