Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018
Estudo

Relatório do Reuters Institute prevê o declínio da publicidade impressa e digital

Os publishers dos media estão cada vez mais preocupados com o impacto das grandes empresas tecnológicas sobre o jornalismo, mas quase metade acabam por admitir como sendo ameaças mais graves a resistência interna à mudança e a incapacidade de inovar. Uma percentagem ligeiramente superior declara-se também desconfortável com o fraco nível de diversidade dentro das suas próprias redacções. Para 62% dos entrevistados, a publicidade tende a tornar-se menos importante, com 10% estando já a planear um futuro sem anúncios, ou muito poucos. Neste ponto, Mark Thompson, do The New York Times, prevê que o declínio da publicidade, tanto impressa como digital, vai trazer “crescente perturbação económica neste ano”. São estas algumas das revelações do relatório anual de previsões para o ano que começa, realizado pelo Reuters Institute e acabado de sair.

Cerca de 200 CEOs, editores e dirigentes das edições online de meios de comunicação de 29 diferentes países foram entrevistados para este estudo. É patente que a opinião sobre o Facebook piorou, devido ao seu papel na disseminação de notícias falsas, a falta da prometida receita pelo vídeo e uma queda súbita nas referências a muitos websites noticiosos, desde o Verão de 2017.  

“Muitos donos de media estão preocupados com a suspeita de que o Facebook está a planear desvalorizar ainda mais o conteúdo de notícias em 2018.” Numa escala de 1 a 5, têm de modo geral uma visão mais positiva da Google (3.44) e do Twitter (3.23) do que do Snapchat (2.82) ou do Facebook (2.57). 

Apesar disso, também se censuram a si mesmos pelas dificuldades. As maiores barreiras ao sucesso, como dizem, nem são as plataformas tecnológicas, mas factores internos como a resistência à mudança e a incapacidade de inovação. Estas duas categorias juntas (36%) ultrapassam a preocupação com as plataformas como único principal desafio (21%). 

“O relatório, assinado por Nic Newman, jornalista e especialista na estratégia digital, também aponta importantes mudanças no modo como as empresas de comunicação planeiam obter dinheiro num mundo digital. A maioria dos meios impressos e dos fundados no digital, neste inquérito, já está a procurar receitas em diversas fontes, com cerca de seis opções diferentes consideradas muito ou bastante importantes.” 

“Para 2018, quase metade das empresas comerciais (44%) vê as assinaturas online como uma fonte de receita digital muito importante neste ano  -  mais do que a publicidade digital (38%) os os conteúdos patrocinados (39%). “ (...) 

 

Mais informação no European Journalism Observatory, cuja imagem aqui incluímos, e contém o link para o Relatório do Reuters Institute

Connosco
O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media Ver galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação Ver galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

O Clube

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Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
O Presidente Marcelo é um dos poucos políticos portugueses com legitimidade para colocar a questão dos apoios do estado à produção jornalística porque ele é produtor e produto do sistema mediático.A sua biografia confunde-se com a liberdade de imprensa e a pergunta que Marcelo faz é, para ele, uma questão de consciência presidencial.Dito isto, pergunto:O que diríamos nós se fosse Donald Trump a...
Perante a bem conhecida e infelizmente bem real crise da comunicação social o Presidente da República questionou, há dias, se o Estado não tem a obrigação de intervir. Para Marcelo Rebelo de Sousa há uma "situação de emergência", que já constitui um problema democrático e de regime. A crise está longe de ser apenas portuguesa: é mundial. E tem sobretudo a ver com o facto de cada vez mais...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...