Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Estudo

Relatório do Reuters Institute prevê o declínio da publicidade impressa e digital

Os publishers dos media estão cada vez mais preocupados com o impacto das grandes empresas tecnológicas sobre o jornalismo, mas quase metade acabam por admitir como sendo ameaças mais graves a resistência interna à mudança e a incapacidade de inovar. Uma percentagem ligeiramente superior declara-se também desconfortável com o fraco nível de diversidade dentro das suas próprias redacções. Para 62% dos entrevistados, a publicidade tende a tornar-se menos importante, com 10% estando já a planear um futuro sem anúncios, ou muito poucos. Neste ponto, Mark Thompson, do The New York Times, prevê que o declínio da publicidade, tanto impressa como digital, vai trazer “crescente perturbação económica neste ano”. São estas algumas das revelações do relatório anual de previsões para o ano que começa, realizado pelo Reuters Institute e acabado de sair.

Cerca de 200 CEOs, editores e dirigentes das edições online de meios de comunicação de 29 diferentes países foram entrevistados para este estudo. É patente que a opinião sobre o Facebook piorou, devido ao seu papel na disseminação de notícias falsas, a falta da prometida receita pelo vídeo e uma queda súbita nas referências a muitos websites noticiosos, desde o Verão de 2017.  

“Muitos donos de media estão preocupados com a suspeita de que o Facebook está a planear desvalorizar ainda mais o conteúdo de notícias em 2018.” Numa escala de 1 a 5, têm de modo geral uma visão mais positiva da Google (3.44) e do Twitter (3.23) do que do Snapchat (2.82) ou do Facebook (2.57). 

Apesar disso, também se censuram a si mesmos pelas dificuldades. As maiores barreiras ao sucesso, como dizem, nem são as plataformas tecnológicas, mas factores internos como a resistência à mudança e a incapacidade de inovação. Estas duas categorias juntas (36%) ultrapassam a preocupação com as plataformas como único principal desafio (21%). 

“O relatório, assinado por Nic Newman, jornalista e especialista na estratégia digital, também aponta importantes mudanças no modo como as empresas de comunicação planeiam obter dinheiro num mundo digital. A maioria dos meios impressos e dos fundados no digital, neste inquérito, já está a procurar receitas em diversas fontes, com cerca de seis opções diferentes consideradas muito ou bastante importantes.” 

“Para 2018, quase metade das empresas comerciais (44%) vê as assinaturas online como uma fonte de receita digital muito importante neste ano  -  mais do que a publicidade digital (38%) os os conteúdos patrocinados (39%). “ (...) 

 

Mais informação no European Journalism Observatory, cuja imagem aqui incluímos, e contém o link para o Relatório do Reuters Institute

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Como está o papel?
Manuel Falcão
Durante muitos anos a imprensa – jornais e revistas – captava a segunda maior fatia do investimento publicitário, logo a seguir à televisão, que sensivelmente fica com metade do total do bolo publicitário. Mas desde o princípio desta década a queda do investimento em imprensa foi sempre aumentando e, agora, desceu para a quinta posição, atrás, por esta ordem, da TV, digital, outdoor e rádio. Ao ritmo a que...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

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