Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
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“Ciber-soldados” oficiais entram na guerra da contra-informação “online”

Aumenta o número de países que já têm em funções os seus exércitos de “ciber-soldados”, que cumprem a missão de vigilantes da oposição online e predadores dos jornalistas ou bloggers que sejam considerados incómodos pelo poder. No Vietname, um oficial general anunciou publicamente, em Dezembro do ano findo, que a força especial encarregada de lutar na “guerra da informação” tem mais de dez mil combatentes. Nas Filipinas, trabalhadores pobres ganham dez dólares por dia para divulgarem informação falsa nas redes sociais, em favor do Presidente Duterte e da sua guerra de extermínio dos “traficantes de droga”.

Segundo notícia muito recente, dos Repórteres sem Fronteiras, o governo do Vietname criou uma brigada para identificar as “opiniões repreensíveis” e assim melhor as “combater todos os segundos, minutos e horas”. O general Nguyen Trong Nghia  - citado pela edição em inglês do jornal vietnamita Tuoi Tre News -  informou que a brigada encarregada de combater “a informação errónea e a propaganda contra o Estado” se denomina Força 47 (por ter sido estabelecida pela Directiva nº 47). 

O oficial explicou ainda que o ano de 2017 foi o do 20º aniversário da chegada da rede global ao Vietname, que se tornou um dos países com o crescimento mais rápido de utentes da Internet. Cerca de 62,7% de uma população de 90 milhões de vietnamitas têm acesso ao mundo online, e este ritmo de crescimento faz simultaneamente “bem e mal ao país”, como disse.

Acrescentou que “as forças hostis tomaram a Internet como o novo meio para o seu esforço de sabotar o Vietname”. 

Os Repórteres sem Fronteiras explicam que, “ao contrário da China, o poder no Vietname não corta o acesso às redes sociais; mas, para o controlar e censurar, teve outra ideia, a de reforçar a propaganda online”. 

Cerca de três dezenas de países já estabeleceram semelhantes exércitos de trolls oficiais, segundo o relatório Freedom of the Net 2017, da ONG Freedom House. “Uma das técnicas utilizadas é a do astroturfing, que consiste em criar a ilusão de um movimento popular espontâneo online, em favor dos respectivos regimes, pela difusão de falsos comentários, a fim de melhor justificar a sua política autoritária.” 

O texto dos RSF cita ainda, entre estes “novos mercenários da Info”, as “fábricas russas” de trolls, as “brigadas vermelhas” da Web na China, os yoddhas de Narendra Modi na Índia, os AK trolls de Erdogan, na Turquia (cerca de seis mil), e os ciber-guardas da revolução em defesa de uma Internet halal no Irão. Na Tailândia, mais de 100 mil estudantes foram treinados para se tornarem “ciber-escuteiros”, afim de vigiarem e identificarem comportamentos online considerados ameaça à segurança nacional, “enquanto apoiantes do regime conduzem uma campanha no Facebook para identificar e denunciar os utentes que divulguem a mínima crítica contra a monarquia”. 

 

Mais informação nos RSF e no jornal Tuoi Tre News

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Como está o papel?
Manuel Falcão
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Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

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