Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
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“Ciber-soldados” oficiais entram na guerra da contra-informação “online”

Aumenta o número de países que já têm em funções os seus exércitos de “ciber-soldados”, que cumprem a missão de vigilantes da oposição online e predadores dos jornalistas ou bloggers que sejam considerados incómodos pelo poder. No Vietname, um oficial general anunciou publicamente, em Dezembro do ano findo, que a força especial encarregada de lutar na “guerra da informação” tem mais de dez mil combatentes. Nas Filipinas, trabalhadores pobres ganham dez dólares por dia para divulgarem informação falsa nas redes sociais, em favor do Presidente Duterte e da sua guerra de extermínio dos “traficantes de droga”.

Segundo notícia muito recente, dos Repórteres sem Fronteiras, o governo do Vietname criou uma brigada para identificar as “opiniões repreensíveis” e assim melhor as “combater todos os segundos, minutos e horas”. O general Nguyen Trong Nghia  - citado pela edição em inglês do jornal vietnamita Tuoi Tre News -  informou que a brigada encarregada de combater “a informação errónea e a propaganda contra o Estado” se denomina Força 47 (por ter sido estabelecida pela Directiva nº 47). 

O oficial explicou ainda que o ano de 2017 foi o do 20º aniversário da chegada da rede global ao Vietname, que se tornou um dos países com o crescimento mais rápido de utentes da Internet. Cerca de 62,7% de uma população de 90 milhões de vietnamitas têm acesso ao mundo online, e este ritmo de crescimento faz simultaneamente “bem e mal ao país”, como disse.

Acrescentou que “as forças hostis tomaram a Internet como o novo meio para o seu esforço de sabotar o Vietname”. 

Os Repórteres sem Fronteiras explicam que, “ao contrário da China, o poder no Vietname não corta o acesso às redes sociais; mas, para o controlar e censurar, teve outra ideia, a de reforçar a propaganda online”. 

Cerca de três dezenas de países já estabeleceram semelhantes exércitos de trolls oficiais, segundo o relatório Freedom of the Net 2017, da ONG Freedom House. “Uma das técnicas utilizadas é a do astroturfing, que consiste em criar a ilusão de um movimento popular espontâneo online, em favor dos respectivos regimes, pela difusão de falsos comentários, a fim de melhor justificar a sua política autoritária.” 

O texto dos RSF cita ainda, entre estes “novos mercenários da Info”, as “fábricas russas” de trolls, as “brigadas vermelhas” da Web na China, os yoddhas de Narendra Modi na Índia, os AK trolls de Erdogan, na Turquia (cerca de seis mil), e os ciber-guardas da revolução em defesa de uma Internet halal no Irão. Na Tailândia, mais de 100 mil estudantes foram treinados para se tornarem “ciber-escuteiros”, afim de vigiarem e identificarem comportamentos online considerados ameaça à segurança nacional, “enquanto apoiantes do regime conduzem uma campanha no Facebook para identificar e denunciar os utentes que divulguem a mínima crítica contra a monarquia”. 

 

Mais informação nos RSF e no jornal Tuoi Tre News

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Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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