Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
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“Ciber-soldados” oficiais entram na guerra da contra-informação “online”

Aumenta o número de países que já têm em funções os seus exércitos de “ciber-soldados”, que cumprem a missão de vigilantes da oposição online e predadores dos jornalistas ou bloggers que sejam considerados incómodos pelo poder. No Vietname, um oficial general anunciou publicamente, em Dezembro do ano findo, que a força especial encarregada de lutar na “guerra da informação” tem mais de dez mil combatentes. Nas Filipinas, trabalhadores pobres ganham dez dólares por dia para divulgarem informação falsa nas redes sociais, em favor do Presidente Duterte e da sua guerra de extermínio dos “traficantes de droga”.

Segundo notícia muito recente, dos Repórteres sem Fronteiras, o governo do Vietname criou uma brigada para identificar as “opiniões repreensíveis” e assim melhor as “combater todos os segundos, minutos e horas”. O general Nguyen Trong Nghia  - citado pela edição em inglês do jornal vietnamita Tuoi Tre News -  informou que a brigada encarregada de combater “a informação errónea e a propaganda contra o Estado” se denomina Força 47 (por ter sido estabelecida pela Directiva nº 47). 

O oficial explicou ainda que o ano de 2017 foi o do 20º aniversário da chegada da rede global ao Vietname, que se tornou um dos países com o crescimento mais rápido de utentes da Internet. Cerca de 62,7% de uma população de 90 milhões de vietnamitas têm acesso ao mundo online, e este ritmo de crescimento faz simultaneamente “bem e mal ao país”, como disse.

Acrescentou que “as forças hostis tomaram a Internet como o novo meio para o seu esforço de sabotar o Vietname”. 

Os Repórteres sem Fronteiras explicam que, “ao contrário da China, o poder no Vietname não corta o acesso às redes sociais; mas, para o controlar e censurar, teve outra ideia, a de reforçar a propaganda online”. 

Cerca de três dezenas de países já estabeleceram semelhantes exércitos de trolls oficiais, segundo o relatório Freedom of the Net 2017, da ONG Freedom House. “Uma das técnicas utilizadas é a do astroturfing, que consiste em criar a ilusão de um movimento popular espontâneo online, em favor dos respectivos regimes, pela difusão de falsos comentários, a fim de melhor justificar a sua política autoritária.” 

O texto dos RSF cita ainda, entre estes “novos mercenários da Info”, as “fábricas russas” de trolls, as “brigadas vermelhas” da Web na China, os yoddhas de Narendra Modi na Índia, os AK trolls de Erdogan, na Turquia (cerca de seis mil), e os ciber-guardas da revolução em defesa de uma Internet halal no Irão. Na Tailândia, mais de 100 mil estudantes foram treinados para se tornarem “ciber-escuteiros”, afim de vigiarem e identificarem comportamentos online considerados ameaça à segurança nacional, “enquanto apoiantes do regime conduzem uma campanha no Facebook para identificar e denunciar os utentes que divulguem a mínima crítica contra a monarquia”. 

 

Mais informação nos RSF e no jornal Tuoi Tre News

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Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...