Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018
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“Ciber-soldados” oficiais entram na guerra da contra-informação “online”

Aumenta o número de países que já têm em funções os seus exércitos de “ciber-soldados”, que cumprem a missão de vigilantes da oposição online e predadores dos jornalistas ou bloggers que sejam considerados incómodos pelo poder. No Vietname, um oficial general anunciou publicamente, em Dezembro do ano findo, que a força especial encarregada de lutar na “guerra da informação” tem mais de dez mil combatentes. Nas Filipinas, trabalhadores pobres ganham dez dólares por dia para divulgarem informação falsa nas redes sociais, em favor do Presidente Duterte e da sua guerra de extermínio dos “traficantes de droga”.

Segundo notícia muito recente, dos Repórteres sem Fronteiras, o governo do Vietname criou uma brigada para identificar as “opiniões repreensíveis” e assim melhor as “combater todos os segundos, minutos e horas”. O general Nguyen Trong Nghia  - citado pela edição em inglês do jornal vietnamita Tuoi Tre News -  informou que a brigada encarregada de combater “a informação errónea e a propaganda contra o Estado” se denomina Força 47 (por ter sido estabelecida pela Directiva nº 47). 

O oficial explicou ainda que o ano de 2017 foi o do 20º aniversário da chegada da rede global ao Vietname, que se tornou um dos países com o crescimento mais rápido de utentes da Internet. Cerca de 62,7% de uma população de 90 milhões de vietnamitas têm acesso ao mundo online, e este ritmo de crescimento faz simultaneamente “bem e mal ao país”, como disse.

Acrescentou que “as forças hostis tomaram a Internet como o novo meio para o seu esforço de sabotar o Vietname”. 

Os Repórteres sem Fronteiras explicam que, “ao contrário da China, o poder no Vietname não corta o acesso às redes sociais; mas, para o controlar e censurar, teve outra ideia, a de reforçar a propaganda online”. 

Cerca de três dezenas de países já estabeleceram semelhantes exércitos de trolls oficiais, segundo o relatório Freedom of the Net 2017, da ONG Freedom House. “Uma das técnicas utilizadas é a do astroturfing, que consiste em criar a ilusão de um movimento popular espontâneo online, em favor dos respectivos regimes, pela difusão de falsos comentários, a fim de melhor justificar a sua política autoritária.” 

O texto dos RSF cita ainda, entre estes “novos mercenários da Info”, as “fábricas russas” de trolls, as “brigadas vermelhas” da Web na China, os yoddhas de Narendra Modi na Índia, os AK trolls de Erdogan, na Turquia (cerca de seis mil), e os ciber-guardas da revolução em defesa de uma Internet halal no Irão. Na Tailândia, mais de 100 mil estudantes foram treinados para se tornarem “ciber-escuteiros”, afim de vigiarem e identificarem comportamentos online considerados ameaça à segurança nacional, “enquanto apoiantes do regime conduzem uma campanha no Facebook para identificar e denunciar os utentes que divulguem a mínima crítica contra a monarquia”. 

 

Mais informação nos RSF e no jornal Tuoi Tre News

Connosco
O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media Ver galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação Ver galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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