null, 26 de Maio, 2019
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Jornalistas espanhóis desconfiam de comissão para combater as “notícias falsas”

A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España declarou em comunicado tornado público no respectivo site a sua oposição à proposta do governo espanhol de criar uma comissão para combater a difusão de “notícias falsas”, afirmando que “só serviria para restringir e coartar a liberdade de informação”. Em lugar disso, exige “uma maior transparência dos organismos públicos e das subvenções que se repartem entre determinados meios de informação”.

O comunicado da FAPE afirma ainda que “o único controlo que deve ter um jornalista é o seu código deontológico”, citando o que representa a própria Federação, no ponto em que estabelece que “o primeiro compromisso ético do jornalista é o respeito pela verdade (...) e o compromisso com a busca da verdade levará sempre o jornalista a informar apenas sobre factos dos quais conheça a origem, sem falsificar documentos nem omitir informações essenciais, bem como a não publicar material informativo falso, enganoso ou deformado”. (...) 

O mesmo texto recorda que a “FAPE tem vindo a reclamar a inclusão, no sistema educativo espanhol, de uma disciplina de Jornalismo e Comunicação, que elabore e forneça aos alunos as ferramentas necessárias para desenvolver uma maior capacidade crítica perante as ‘notícias falsas’, que lhes permita distinguir os meios de comunicação das redes sociais, a informação da opinião e dar valor à importância da veracidade”. 

A concluir, a FAPE recorda aos organismos públicos que “são os jornalistas que têm a capacidade profissional de hierarquizar as notícias, confirmar a sua veracidade, verificar o contraditório e difundi-las sob uma cobertura ética e deontológica, como garantes que somos do direito fundamental dos cidadãos a receber informação livre e autêntica”:

“Sem jornalistas não há jornalismo. Sem jornalismo não há democracia.” 

 

O comunidado da FAPE

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Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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