Terça-feira, 23 de Outubro, 2018
Tecnologias

"Les Echos" na "Google Home" ou o jornal falado personalizado

“Les Echos” tornou-se um dos primeiros jornais franceses a lançar uma aplicação de voz, tendo escolhido a que é respondida pelo dispositivo Google Home. Esta primeira versão disponível fornece um resumo dos títulos de primeira página de temas económicos, que são a prioridade do editor, informações de última hora e outras surpresas que o utente vai descobrindo durante a “conversa”. Mas os assistentes pessoais com reconhecimento de voz e suporte de inteligência artificial estão a assumir cada vez mais tarefas domésticas e a tornar-se indispensáveis uma vez adoptados. Estão a tornar-se “membros da família”. Os aparelhos que nos escutam já estão entre nós; porque os convidámos a entrar.

Segundo informação da própria Alphabet  - a empresa que detém a Google -  desde 19 de Outubro de 2017 tem estado a ser vendido um dispositivo Google Home por segundo, o que chega aos 6,8 milhões de unidades só no último trimestre do ano findo. 

Depois de uma “enchente” nos Estados Unidos, a vaga destes assistentes  - domésticos, pessoais ou inteligentes -  está agora a chegar às casas dos franceses. 

Conforme explica um texto em lesnumeriques.com, qual de nós não desejou ter um assistente virtual “que responde a todas as ordens, acendendo as luzes quando chegamos a casa, pondo a correr a nossa série favorita no televisor à hora de jantar e procurando resposta às perguntas que lhe fazemos, das mais úteis às mais fúteis?” Pois já existem, e estão a ser objecto de uma competição cerrada entre três empresas. 

Para usar uma imagem acessível, as colunas Amazon Echo, Google Home ou Apple HomePod são como os “corpos” que hospedam a inteligência artificial das “almas” correspondentes, que são Alexa, Google Assistant e Siri

“Quando se fala de inteligência artificial, trata-se de um programa que tem a tarefa pesada de compreender o seu utente e responder-lhe. Para este fim, ele utiliza uma tecnologia de interpretação da língua natural. O programa explora o contexto do pedido e analisa os hábitos dos utentes para lhes fornecer respostas e propostas adequadas.” (...) 

Benjamin Gautier, consultor de estratégia e gestão da Wavestone, recorda: 

“No início do smartphone, pensava-se que os assistentes de voz fariam sentido em situações de mobilidade. Mas rapidamente, por meio de estudos que fizémos, apercebemo-nos de que se usava menos um assistente vocal em público do que em privado, mesmo em situação de mobilidade. Se 36% dos casos de utilização do comando vocal se passam no carro, 43% são em casa, quando o utente está ocupado por uma [outra] tarefa. O espaço ocupado pela Amazon e a Google é esse: oferecer um assistente num local privado, onde a pessoa se sente em confiança.” (...) 

Da simples resposta a perguntas sobre o tempo que faz, ou à gestão de serviços como o Spotify, os primeiros assistentes passaram a poder gerir equipamentos conectados, que se tornaram controláveis pela voz. E as perspectivas vão desde acender e apagar as luzes à regulação do tesmostato ou à abertura e fecho dos estores. 

Benjamin Gautier acrescenta: “Do mesmo modo como os smartphones revolucionaram o mundo dos telemóveis, os assistentes domésticos vão abalar o da casa conectada.” (...) 

Este fenómeno avassala os lares americanos, com a Amazon liderando sem contestação, com 88% das unidades vendidas no mundo, muito à frente da Google. E como estes aparelhos se enriquecem [de funções] e se tornam cada vez mais eficazes, rápidos e fiáveis com o tempo, vão ser cada vez mais solicitados.” 

Annette Zimmerman, analista da Gartner, vai mais longe: 

“De agora até 2020, as pessoas vão chegar a ter mais interacção com um bot destes do que com os seus cônjuges. Os interfaces de comando vocal vão multiplicar-se nos próximos anos, porque nós vamos adoptar a pouco e pouco sistemas como o Echo ou o Google Home, mas também outros aparelhos com os quais vamos falar. Vai tornar-se cada vez mais fácil e prático.” 

E artigo de lesnumeriques.com, que aqui citamos: conclui: 

“É uma constatação que assusta um pouco... Apreciamos os assistentes, de acordo, mas talvez não tanto assim.” 

Sob o título revelador de “How smart speakers stole the show from smartphones”, também o diário britânico The Guardian acaba de publicar um relato actualizado sobre a história tão recente, e já tão acelerada, do aparecimento destes aparelhos de comando vocal. O texto descreve a competição entre as várias empresas já possuidoras do seu próprio dispositivo e as que querem entrar no mercado com produtos concorrentes. 

No fundo, o objectivo de todas é “trazerem os utentes para o seu ecossistema e garantirem que é com o seu assistente de voz que eles vão interagir”: 

“A voz é vista como o próximo grande paradigma da computação, o próximo passo depois do smartphone, que por sua vez destronou o computador de secretária.” (...) 

 

Mais informação em Media-tics,  lesnumeriques.com  e em The Guardian

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.
O semanário Plataforma Macau é publicado em Macau, em português e chinês. 

Na categoria Ensaio, o Júri deliberou, também por unanimidade, atribuir o Prémio ao trabalho de António Aresta, considerando tratar-se de “uma narrativa consequente sobre a visita histórica do grande poeta a Macau, com passagem por Cantão e Hong Kong”.

Universidades apoiam e investem no jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Como está o papel?
Manuel Falcão
Durante muitos anos a imprensa – jornais e revistas – captava a segunda maior fatia do investimento publicitário, logo a seguir à televisão, que sensivelmente fica com metade do total do bolo publicitário. Mas desde o princípio desta década a queda do investimento em imprensa foi sempre aumentando e, agora, desceu para a quinta posição, atrás, por esta ordem, da TV, digital, outdoor e rádio. Ao ritmo a que...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
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Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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