Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2018
Media

Novos semanários franceses apostam em fidelizar os leitores

O panorama mediático francês, que tem dado provas, nos últimos anos, de capacidade de inovação, aguarda proximamente três novos semanários de informação. O primeiro a aparecer será Ebdo, anunciado para 12 de Janeiro. O segundo, intitulado Vraiment, é esperado em Março. Por último, e ainda sem título definido, a editora Bayard vai lançar, em Novembro, um hebdomadário no terreno do conhecido diário católico La Croix.

Anunciado desde o Verão de 2017, Ebdo é apresentado  - segundo Les Clés da la Presse, que aqui citamos -  “como um ovni jornalístico, sem publicidade, um produto radicalmente diferente da oferta existente, construído em torno de uma relação estreita com os seus leitores”.

 

“São estes que se encontram no coração do projecto, que devem irrigar a redacção e estar em inter-acção costante com ela. O jornalista de Ebdo vive entre os seus leitores, discute e trabalha com eles.”

O projecto parte de Laurent Beccaria, das Editions les Arènes, e Patrick de Saint-Exupéry, que foi grande repórter em Le Figaro.

 

Vraiment, o mais recente a ser conhecido, parte de “um colectivo de jornalistas e empresários”  -  Jules Lavie, jornalista que vem de France.info, e Julien Mendez e Julie Morel, que foram consultores no Ministério francês de Economia e Finanças.

Afirma-se numa linha de jornalismo de qualidade, “longe do fluxo permanente da actualidade em contínuo, aberto ao seu tempo e aos seus leitores”, e tendo cono referências principais The Economist e The New York Times.

 

Por último, a revista da editora Bayard Presse, revelada em Novembro pelo seu presidente directivo, Pascal Ruffenach, “não tem ainda nome, mas a marca de La Croix estará forçosamente presente; vai reconhecer-se nele a visão do mundo transportada pelo nosso diário.”

A nova revista poderá ser adquirida aos fins de semana, ou juntamente com La Croix ou por si só.

 

Mais informação em Les Clés de la Presse

Connosco
O fascínio pelas imagens de motins como nova cultura dos Media Ver galeria

Um pequeno video das manifestações em Paris, feito na manhã de 2 de Dezembro e colocado no Twitter, mostra umas dezenas de indivíduos de capuz, a correr na rua, com um fogo em segundo plano. Uma legenda diz que os desordeiros [casseurs, no original] põem a polícia em fuga. Três horas depois de ser publicada, a sequência já teve 45 mil visualizações. À tarde, o contador regista 145 mil e no dia seguinte o dobro, sem contar com a sua reprodução nos media. No YouTube, no Reddit e outros meios semelhantes, estes vídeos chegam facilmente aos milhões.

“Este fascínio pelas imagens de motins  - ou de revolta, segundo o ponto de vista -  é agora chamado riot porn  - designando o prazer (um pouco culpado) de ver ou partilhar um certo tipo de imagens, como o food porn, de pratos de comida, ou o sky porn para imagens do céu e de cenas de pôr-de-sol.”

A reflexão é de Emilie Tôn, em L’Express, num trabalho que aborda o voyeurisme da violência nas ruas, em que todos podemos ser protagonistas, mesmo que involuntários, espectadores ou realizadores de documentário, com um telemóvel na mão.

A “missão impossível” dos repórteres árabes de investigação Ver galeria

A auto-confiança com que actuaram os executores de Jamal Khashoggi tem várias razões, e uma delas tem a ver connosco, jornalistas. Quando chegou, finalmente, a admissão do crime, jornalistas por todo o mundo árabe vieram em defesa de Riade. “Eles não sabiam nada  - mas escreveram o que lhes foi dito que escrevessem. E de cada vez que mudava a versão oficial, eles mudavam a sua para se ajustar, sem embaraço ou hesitação.”

“E não estavam sozinhos. Os sauditas tinham uma segunda linha de defesa: um grupo menor, mas não menos influente, de jornalistas do Ocidente, que tinham passado mais de um ano a contar a história de uma Arábia Saudita reformista, acabada de retocar, de ventos de mudança soprando no deserto, com as suas visões e ambições comoventes louvadas por todo o mundo.”

A reflexão é da jornalista jordana Rana Sabbagh, que está à frente da Rede de Jornalismo de Investigação Árabe (membro da Global Investigative Journalism Network) e foi a primeira mulher árabe a dirigir um jornal político no Médio Oriente, o Jordan Times.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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