Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Media

“The New York Times”, uma dinastia familiar num jornal de sucesso

Um ano depois de ter sido nomeado director-adjunto, Arthur Gregg Sulzberger assume o cargo de director de The New York Times. O jovem, com 37 anos, é o sexto membro de uma dinastia familiar à frente do famoso diário nova-iorquino. Chega num momento em que as receitas da publicidade impressa estão em queda, mas os assinantes chegam aos 3,5 milhões (2,5 milhões só no digital). O seu objectivo é ultrapassar os dez milhões nos próximos anos e continuar a manter, durante muito tempo, a edição em papel.

Durante o mandato do seu pai, Arthur Ochs Sulzberger Jr., agora retirado, The New York Times obteve 60 Prémios Pulitzer, quase o dobro dos que recebeu na era do avô. 

Numa entrevista a The New Yorker, AG Sulzberger garante que, mesmo antes de serem conhecidos os resultados das eleições presidenciais, já o NYT estava a crescer no número dos seus assinantes. Depois disso tem beneficiado do chamado Trump Bump  - um efeito deliberado de procura do jornal mais hostilizado pelo novo Presidente. 

“O desaparecimento dos dólares da publicidade impressa e um ‘bolo’ publicitário digital cada vez mais reduzido têm sido chaves na decisão do Times de apostar, desde há três anos, no modelo ‘primeiro os assinantes’. Sulzberger garante que, no momento de maior apogeu da publicidade, os anúncios representavam 80% da receita do diário, enquanto agora dois terços dela vêm dos seus assinantes.” 

“No entanto, o novo director do diário confia em que a edição impressa dure ainda muito tempo. Um milhão de leitores leais têm demonstrado que a leitura em papel não é incompatível com o uso de dispositivos móveis, a que se pode acrescentar que este produto ‘é rentável todos os dias da semana, mesmo sem um único anúncio’.” (...) 

“Segundo o herdeiro do Times, o valor do controlo familiar reflecte-se na possibilidade de planear estratégias que têm efeito nas décadas ou mesmo gerações seguintes, em lugar de viver debaixo da tirania dos resultados trimestrais. Os seus jornalistas são os que mais beneficiam de uma política que garante uma estabilidade de salários para os próximos anos e a segurança de que contarão com os recursos suficientes para trabalhar numa única reportagem durante meses.” 

 

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Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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