Sábado, 11 de Julho, 2020
Media

“The New York Times”, uma dinastia familiar num jornal de sucesso

Um ano depois de ter sido nomeado director-adjunto, Arthur Gregg Sulzberger assume o cargo de director de The New York Times. O jovem, com 37 anos, é o sexto membro de uma dinastia familiar à frente do famoso diário nova-iorquino. Chega num momento em que as receitas da publicidade impressa estão em queda, mas os assinantes chegam aos 3,5 milhões (2,5 milhões só no digital). O seu objectivo é ultrapassar os dez milhões nos próximos anos e continuar a manter, durante muito tempo, a edição em papel.

Durante o mandato do seu pai, Arthur Ochs Sulzberger Jr., agora retirado, The New York Times obteve 60 Prémios Pulitzer, quase o dobro dos que recebeu na era do avô. 

Numa entrevista a The New Yorker, AG Sulzberger garante que, mesmo antes de serem conhecidos os resultados das eleições presidenciais, já o NYT estava a crescer no número dos seus assinantes. Depois disso tem beneficiado do chamado Trump Bump  - um efeito deliberado de procura do jornal mais hostilizado pelo novo Presidente. 

“O desaparecimento dos dólares da publicidade impressa e um ‘bolo’ publicitário digital cada vez mais reduzido têm sido chaves na decisão do Times de apostar, desde há três anos, no modelo ‘primeiro os assinantes’. Sulzberger garante que, no momento de maior apogeu da publicidade, os anúncios representavam 80% da receita do diário, enquanto agora dois terços dela vêm dos seus assinantes.” 

“No entanto, o novo director do diário confia em que a edição impressa dure ainda muito tempo. Um milhão de leitores leais têm demonstrado que a leitura em papel não é incompatível com o uso de dispositivos móveis, a que se pode acrescentar que este produto ‘é rentável todos os dias da semana, mesmo sem um único anúncio’.” (...) 

“Segundo o herdeiro do Times, o valor do controlo familiar reflecte-se na possibilidade de planear estratégias que têm efeito nas décadas ou mesmo gerações seguintes, em lugar de viver debaixo da tirania dos resultados trimestrais. Os seus jornalistas são os que mais beneficiam de uma política que garante uma estabilidade de salários para os próximos anos e a segurança de que contarão com os recursos suficientes para trabalhar numa única reportagem durante meses.” 

 

Mais informação em Media-tics

Connosco
Quando há códigos éticos associados ao jornalismo Ver galeria

O jornalismo está em constante mudança e, como tal, os códigos éticos associados à profissão deve ser actualizados, em permanência.


Há, contudo, alguns elementos que se vão mantendo, mais ou menos, constantes, como as ideologias associadas aos jornais.

Confrontado com este cenário, Pedro Pablo Bermúdez, um estudante colombiano de jornalismo, decidiu questionar os colaboradores da Fundación Gabo quanto à sua opinião sobre os posicionamentos políticos da imprensa e dos jornalistas.

Feita a consulta, alguns jornalistas da Fundação exprimiram os seus pontos de vista.

Assim, para a jornalista Mónica González, a isenção da imprensa é uma utopia. Assim, os jornais devem tentar ser o mais transparentes possível sobre a sua posição ideológica, para que os leitores consigam distinguir uma notícia de uma falácia construída em detrimento da oposição.

Da mesma forma, as empresas mediáticas deverão revelar quais as suas fontes de financiamento e o nome dos seus investidores.


Agradecer a assinatura como forma de sensibilizar leitores Ver galeria

O modelo de negócio dos “media” está a mudar e cada vez mais títulos estão a optar pela implementação de um plano de subscrição.

Como tal, os editores procuram, naturalmente, conquistar um número crescente de leitores, que pagam, regularmente, pelo consumo dos seus conteúdos.

Ora, um estudo da Citizens and Technology Lab sugere que a forma ideal de alcançar esse objectivo passa, simplesmente, por agradecer aos subscritores pela sua contribuição.

Os responsáveis por este estudo analisaram as interacções no “site” Wikipedia, que depende de uma comunidade internacional, disposta a manter a plataforma actualizada, a custo zero. 


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague