Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2019
Media

Jornal canadiano fundado em 1884 passa a digital gratuito

O jornal canadiano La Presse, da província francófona do Québec, passou a estar disponível exclusivamente em versão digital para tablet. A primeira surpresa é que a aplicação que lhe dá acesso é gratuita. A segunda é que parece, de momento, rentável, com leitores que se demoram 40 minutos na consulta, e cerca de uma hora nos fins de semana. Além do mais, a sua audiência tornou-se mais jovem, com 63% de leitores entre os 25 e os 54 anos de idade.

O último número impresso deste jornal, fundado ainda no séc. XIX, foi o de 30 de Dezembro do ano findo. A nova edição digital para tablet, intitulada La Presse+, não extinguiu o site Internet nem a aplicação para dispositivos móveis, que continuam disponíveis, mas “não oferecem uma experiência de leitura tão rica”. 

Segundo Le Figaro, que aqui citamos, é verdade que La Presse assume um risco ao apostar tudo no formato tablet, no momento preciso em que as vendas destes aparelhos abrandam e o smartphone se impõe como principal utensílio de leitura da Imprensa no mundo. 

“Mas a direcção do jornal calcula que o êxito dos computadores portáteis híbridos, com os seus ecrãs destacáveis, ocupará o espaço do tablet. Replicar La Presse+ nos smartphones não é considerado viável pelo jornal. Este meio digital precisa de um ecrã maior para uma leitura agradável. E o modelo económico gratuito financiado pela publicidade não é aplicável aos dispositivos móveis, onde as tarifas publicitárias são dez vezes menos elevadas do que no tablet.” 

A decisão de deixar a edição impressa foi tomada em 2010, mas a sua aplicação foi progressiva. La Presse+ teve a sua primeira aparição em 2013. Perante os números encorajadores, o jornal decidiu, no final de 2015, cessar a edição impressa durante a semana, mantendo só a do fim de semana com os seus numerosos suplementos. 

“Desde as primeiras semanas, metade dos 200 mil compradores do jornal passaram para a versão tablet. No final de 2017, La Presse+ reivindicava 270 mil leitores quotidianos (com pontas acima dos 300 mil visitantes únicos) e cerca de 500 mil por semana. Números bastante superiores aos da difusão paga do jornal. As edições são quotidianas e não são actualizadas em tempo real. Compõem-se de 60 a 120 ecrãs enriquecidos com infografias, vídeos e animações.” (...) 

Por todos estes motivos renunciou a propor uma versão paga. O jornal impresso custava menos de um dólar e, segundo os estudos feitos pela empresa, “só 30 mil leitores estariam dispostos a pagar por um jornal digital”. 

“Fortes taxas de leitura e raridade dos espaços publicitários permitiram a La Presse conservar receitas semelhantes às do papel, com uma tarifa publicitária de cerca de 50 euros por cada mil visitas. Mas o jornal não entra em pormenores sobre as suas contas e não indica se é rentável. A sua redacção, no entanto, continua a ser a maior no Québec, com cerca de 250 trabalhadores.” (...) 

 

Mais informação em Le Figaro

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Os "clicks" são um sismógrafo de pouca confiança... Ver galeria

Num ambiente mediático saturado de notícias, os leitores valorizam mais as que lhes são pessoalmente pertinentes  - e isto não pode ser definido, numa redacção, medindo os clicks.

“As pessoas abrem frequentemente artigos que são divertidos, ou triviais, ou estranhos, sem sentido cívico evidente. Mas mantêm uma noção clara da diferença entre o que é trivial e o que é importante. De modo geral, querem estar informadas sobre o que se passa à sua volta, a nível local, nacional e internacional.”

A reflexão é de Kim Christian Schroder, um investigador dinamarquês que passou metade do ano de 2018 em Oxford, fazendo para o Reuters Institute um estudo sobre a relevância das notícias para os leitores  - e o que isso aconselha às redacções.

“Na medida em que queiram dar prioridade às notícias com valor cívico, os jornalistas fazem melhor em confiar no seu instinto do que nesse sismógrafo de pouca confiança que são as listas dos textos ‘mais lidos’.”

Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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