null, 26 de Maio, 2019
Media

Jornal canadiano fundado em 1884 passa a digital gratuito

O jornal canadiano La Presse, da província francófona do Québec, passou a estar disponível exclusivamente em versão digital para tablet. A primeira surpresa é que a aplicação que lhe dá acesso é gratuita. A segunda é que parece, de momento, rentável, com leitores que se demoram 40 minutos na consulta, e cerca de uma hora nos fins de semana. Além do mais, a sua audiência tornou-se mais jovem, com 63% de leitores entre os 25 e os 54 anos de idade.

O último número impresso deste jornal, fundado ainda no séc. XIX, foi o de 30 de Dezembro do ano findo. A nova edição digital para tablet, intitulada La Presse+, não extinguiu o site Internet nem a aplicação para dispositivos móveis, que continuam disponíveis, mas “não oferecem uma experiência de leitura tão rica”. 

Segundo Le Figaro, que aqui citamos, é verdade que La Presse assume um risco ao apostar tudo no formato tablet, no momento preciso em que as vendas destes aparelhos abrandam e o smartphone se impõe como principal utensílio de leitura da Imprensa no mundo. 

“Mas a direcção do jornal calcula que o êxito dos computadores portáteis híbridos, com os seus ecrãs destacáveis, ocupará o espaço do tablet. Replicar La Presse+ nos smartphones não é considerado viável pelo jornal. Este meio digital precisa de um ecrã maior para uma leitura agradável. E o modelo económico gratuito financiado pela publicidade não é aplicável aos dispositivos móveis, onde as tarifas publicitárias são dez vezes menos elevadas do que no tablet.” 

A decisão de deixar a edição impressa foi tomada em 2010, mas a sua aplicação foi progressiva. La Presse+ teve a sua primeira aparição em 2013. Perante os números encorajadores, o jornal decidiu, no final de 2015, cessar a edição impressa durante a semana, mantendo só a do fim de semana com os seus numerosos suplementos. 

“Desde as primeiras semanas, metade dos 200 mil compradores do jornal passaram para a versão tablet. No final de 2017, La Presse+ reivindicava 270 mil leitores quotidianos (com pontas acima dos 300 mil visitantes únicos) e cerca de 500 mil por semana. Números bastante superiores aos da difusão paga do jornal. As edições são quotidianas e não são actualizadas em tempo real. Compõem-se de 60 a 120 ecrãs enriquecidos com infografias, vídeos e animações.” (...) 

Por todos estes motivos renunciou a propor uma versão paga. O jornal impresso custava menos de um dólar e, segundo os estudos feitos pela empresa, “só 30 mil leitores estariam dispostos a pagar por um jornal digital”. 

“Fortes taxas de leitura e raridade dos espaços publicitários permitiram a La Presse conservar receitas semelhantes às do papel, com uma tarifa publicitária de cerca de 50 euros por cada mil visitas. Mas o jornal não entra em pormenores sobre as suas contas e não indica se é rentável. A sua redacção, no entanto, continua a ser a maior no Québec, com cerca de 250 trabalhadores.” (...) 

 

Mais informação em Le Figaro

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Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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