Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Opinião

Jornalismo melhor ou pior em Portugal?

por Francisco Sarsfield Cabral

Esta interrogação vem a propósito de um recente artigo de João Miguel Tavares no Público, refutando afirmações de Pacheco Pereira no mesmo jornal sobre a qualidade do jornalismo no nosso país.

Pacheco Pereira sempre foi crítico dos jornalistas portugueses e dos seus métodos de trabalho. Há anos, quando era deputado do PSD, procurou isolar o mais possível, no Parlamento, os deputados dos jornalistas que ali trabalham. Felizmente (na minha opinião) não conseguiu concretizar esse isolamento. Mas P. Pereira não é contra o jornalismo em geral – por exemplo, tem valorizado, e bem, o papel dos jornalistas americanos na desmontagem das mentiras e fantasias de Trump.


Já J. M. Tavares veio chamar atenção para o papel da investigação jornalística nacional na descoberta recente de problemas que, de outra maneira, talvez permanecessem ignorados. É o caso, nomeadamente, da TVI (escândalos financeiros nas Raríssimas e alegadas adopções ilegais pela IURD) e da SIC (suspeita de resultados falseados, porque combinados, em jogos de futebol em Portugal).  E poderia também referir-se o papel que teve alguma Imprensa na revelação de aspectos chocantes da “Operação Marquês” (caso Sócrates).

Como jornalista, lamento as muitas deficiências do sector em Portugal. Mas conviria salientar dois pontos. Primeiro, houve um progresso considerável na qualidade jornalística desde o 25 de Abril. E não só porque desapareceu a censura – em Espanha, por exemplo, o regime de Franco limitava também a liberdade de expressão, mas os jornais espanhóis eram em geral muito superiores aos nossos.

Nessa altura, os jornais portugueses quase não tinham secções - exceptuando a secção desportiva e pouco mais. Vinha tudo misturado e os jornalistas tratavam dos mais variados assuntos, sem qualquer especialização (ainda que temporária). Assumiam, mesmo, que um jornalista seria por natureza, um “generalista”. Mais grave, na grande maioria dos casos não havia distinção entre textos jornalísticos e textos publicitários. Ora nada disto tinha a ver com a censura.

Não ponho em causa que a qualidade do nosso jornalismo tenha muitas falhas. Só que há um factor decisivo para essas quebras de qualidade: o aperto financeiro em que vive a quase totalidade dos meios de comunicação social portuguesa. E estrangeira também.


Creio que, hoje, o Washington Post já não disporia dos meios financeiros que permitiriam que dois jornalistas seus passassem meses num hotel, em 1974, a investigar discretamente o escândalo Watergate, com todo um conjunto de apoios materiais e humanos. Note-se que este jornal foi comprado pelo presidente da Amazon, Jeff Bezos. Não sei se este CEO de sucesso teria a coragem de Katherine Graham, a antiga proprietária do WP, de afrontar Nixon – mas, pelo menos, tem mantido a independência editorial do WP, o que não é coisa pequena.  

Muitos media portugueses, sobretudo da Imprensa escrita (onde são maiores os efeitos financeiros negativos da competição com a net e as redes sociais, registando-se a ocorrência simultânea de menores vendas e menos publicidade), trabalham com redacções esqueléticas – sendo que, além das edições em papel, têm de alimentar o respectivo “site”. Não há, assim, tempo disponível para investigações que levem tempo.

Daí que muitas “revelações” dos nossos órgãos de comunicação social se baseiem em documentos enviados por pessoas de empresas e organismos interessadas em colocar em causa determinadas entidades e/ou pessoas. Raramente haverá tempo para aprofundadas confirmações e análises.


Connosco
CPI e "Tribuna de Macau" instituem Prémios de Ensaio e de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

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Jornalismo "ao vivo" em festival de Verão de "Le Monde" Ver galeria

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