Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
Media

Conselhos de Ano Novo para motivar as redacções em 2018

“As resoluções de Ano Novo têm o propósito de nos dar uma partida optimista na estrada que temos à frente. Para muitos de nós, no entanto, são mais desejos do que compromissos, e falhamos em segui-los. Mudar é difícil. Portanto, aqui vai a minha sugestão. Reuna-se com os seus colaboradores principais e leia isto como uma lista de compras. Escolha as ideias que tragam mais benefício à sua equipa. Prometa agarrá-las  - e serem honestos uns com os outros.” É este o programa proposto por Jill Geisler, uma treinadora (coach) de liderança, para os dirigentes dos meios de comunicação em 2018. É claramente apontado a administradores de recursos humanos, mais do que a directores de Informação. Ou não fosse ela a autora do livro “Work Happy: What Great Bosses Know”.

A autora socorreu-se de outros autores, cujos conselhos cita, e arruma tudo em dez pontos que aqui resumimos:

  1. Prioridades claras  -  Muitos jornalistas que tentam fazer tudo o que lhes é pedido chegam ao ponto de já não saberem escolher o que tem de ser deixado de lado. Jill Geisler passa esta responsabilidade aos seus responsáveis: “Que projectos e tarefas são absolutamente vitais, quais são desejáveis mas não indispensáveis, e quais são descartáveis?”
  2. Plano da cobertura eleitoral  -  Esta questão é muito americana, refere-se às próximas campanhas para o Congresso, ou eleições locais. A autora sublinha que é preciso que as redacções tenham uma estratégia pronta, e já!
  3. – Acelerar a “mudança de poder”  -  Referência ao movimento #MeToo, de denúncia de abusos contra as mulheres, nos locais de trabalho. Há coisas que não mudam facilmente. Verificar a situação na sua empresa.
  4. – Estar atento ao feedback da redacção  -  Este é o recurso mais negligenciado, e todos sentem a sua falta. Falar do que aconteceu de positivo com a sua equipa, celebrar as vitórias e recolher ensinamento das derrotas.
  5. Estar disponível  -  Tomar a sério o poder das palavras e o perigo do seu silêncio. Uma antiga editora do Washington Post adverte: “Lembre-se que aquilo que diz aos membros da sua equipa tem mais significado do que pensa. Há pessoas a quem disse muito pouco durante meses.” (...)
  6. – Descobrir os “tesouros escondidos”  -  Obter o melhor do seu pessoal, onde podem existir talentos mal aproveitados. Motivá-los e favorecer as suas oportunidades de desenvolvimento vai torná-los mais empenhados.
  7. Recrutar, mesmo que não seja para já  -  Estar atento às oportunidades de chamar novos elementos para a sua equipa e integrá-los na “cultura de trabalho” já construída.
  8. – A expressão fake news tornou-se política  -  Um inquérito recente revela que, nos EUA, a expressão fake news é hoje a mais aborrecida para todos, logo a seguir a whatever... “Isto significa que as exclamações constantes do Presidente Trump, de fake news como arma política contra um jornalismo baseado em evidências, podem não estar a correr-lhe tão bem como ele desejaria.” Manter uma conduta jornalística rigorosa, verificar cada afirmação, usar linguagem responsável e continuar o seu trabalho.
  9. Cuidar de si  -  Ninguém pode cuidar de uma equipa se está exausto. É preciso procurar pausas na pressão do quotidiano para pensar de modo diferente, e fazer com que os membros da sua equipa as tenham também.
  10. – Não perder de vista a sua responsabilidade de liderança. “Claro, você pode ser um paladino da verdade, da ética e da Primeira Emenda. Mas o editor de agenda de uma redacção que eu conduzi durante muitos anos, Bruce Nason, quer ter a certeza de que você permanece fiel a outro dever sagrado: ‘Não se esqueça de trazer donuts’.”

 

O texto citado, na íntegra, na Columbia Journalism Review

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