Segunda-feira, 22 de Outubro, 2018
Media

Conselhos de Ano Novo para motivar as redacções em 2018

“As resoluções de Ano Novo têm o propósito de nos dar uma partida optimista na estrada que temos à frente. Para muitos de nós, no entanto, são mais desejos do que compromissos, e falhamos em segui-los. Mudar é difícil. Portanto, aqui vai a minha sugestão. Reuna-se com os seus colaboradores principais e leia isto como uma lista de compras. Escolha as ideias que tragam mais benefício à sua equipa. Prometa agarrá-las  - e serem honestos uns com os outros.” É este o programa proposto por Jill Geisler, uma treinadora (coach) de liderança, para os dirigentes dos meios de comunicação em 2018. É claramente apontado a administradores de recursos humanos, mais do que a directores de Informação. Ou não fosse ela a autora do livro “Work Happy: What Great Bosses Know”.

A autora socorreu-se de outros autores, cujos conselhos cita, e arruma tudo em dez pontos que aqui resumimos:

  1. Prioridades claras  -  Muitos jornalistas que tentam fazer tudo o que lhes é pedido chegam ao ponto de já não saberem escolher o que tem de ser deixado de lado. Jill Geisler passa esta responsabilidade aos seus responsáveis: “Que projectos e tarefas são absolutamente vitais, quais são desejáveis mas não indispensáveis, e quais são descartáveis?”
  2. Plano da cobertura eleitoral  -  Esta questão é muito americana, refere-se às próximas campanhas para o Congresso, ou eleições locais. A autora sublinha que é preciso que as redacções tenham uma estratégia pronta, e já!
  3. – Acelerar a “mudança de poder”  -  Referência ao movimento #MeToo, de denúncia de abusos contra as mulheres, nos locais de trabalho. Há coisas que não mudam facilmente. Verificar a situação na sua empresa.
  4. – Estar atento ao feedback da redacção  -  Este é o recurso mais negligenciado, e todos sentem a sua falta. Falar do que aconteceu de positivo com a sua equipa, celebrar as vitórias e recolher ensinamento das derrotas.
  5. Estar disponível  -  Tomar a sério o poder das palavras e o perigo do seu silêncio. Uma antiga editora do Washington Post adverte: “Lembre-se que aquilo que diz aos membros da sua equipa tem mais significado do que pensa. Há pessoas a quem disse muito pouco durante meses.” (...)
  6. – Descobrir os “tesouros escondidos”  -  Obter o melhor do seu pessoal, onde podem existir talentos mal aproveitados. Motivá-los e favorecer as suas oportunidades de desenvolvimento vai torná-los mais empenhados.
  7. Recrutar, mesmo que não seja para já  -  Estar atento às oportunidades de chamar novos elementos para a sua equipa e integrá-los na “cultura de trabalho” já construída.
  8. – A expressão fake news tornou-se política  -  Um inquérito recente revela que, nos EUA, a expressão fake news é hoje a mais aborrecida para todos, logo a seguir a whatever... “Isto significa que as exclamações constantes do Presidente Trump, de fake news como arma política contra um jornalismo baseado em evidências, podem não estar a correr-lhe tão bem como ele desejaria.” Manter uma conduta jornalística rigorosa, verificar cada afirmação, usar linguagem responsável e continuar o seu trabalho.
  9. Cuidar de si  -  Ninguém pode cuidar de uma equipa se está exausto. É preciso procurar pausas na pressão do quotidiano para pensar de modo diferente, e fazer com que os membros da sua equipa as tenham também.
  10. – Não perder de vista a sua responsabilidade de liderança. “Claro, você pode ser um paladino da verdade, da ética e da Primeira Emenda. Mas o editor de agenda de uma redacção que eu conduzi durante muitos anos, Bruce Nason, quer ter a certeza de que você permanece fiel a outro dever sagrado: ‘Não se esqueça de trazer donuts’.”

 

O texto citado, na íntegra, na Columbia Journalism Review

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémio de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".

Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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