Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

Conselhos de Ano Novo para motivar as redacções em 2018

“As resoluções de Ano Novo têm o propósito de nos dar uma partida optimista na estrada que temos à frente. Para muitos de nós, no entanto, são mais desejos do que compromissos, e falhamos em segui-los. Mudar é difícil. Portanto, aqui vai a minha sugestão. Reuna-se com os seus colaboradores principais e leia isto como uma lista de compras. Escolha as ideias que tragam mais benefício à sua equipa. Prometa agarrá-las  - e serem honestos uns com os outros.” É este o programa proposto por Jill Geisler, uma treinadora (coach) de liderança, para os dirigentes dos meios de comunicação em 2018. É claramente apontado a administradores de recursos humanos, mais do que a directores de Informação. Ou não fosse ela a autora do livro “Work Happy: What Great Bosses Know”.

A autora socorreu-se de outros autores, cujos conselhos cita, e arruma tudo em dez pontos que aqui resumimos:

  1. Prioridades claras  -  Muitos jornalistas que tentam fazer tudo o que lhes é pedido chegam ao ponto de já não saberem escolher o que tem de ser deixado de lado. Jill Geisler passa esta responsabilidade aos seus responsáveis: “Que projectos e tarefas são absolutamente vitais, quais são desejáveis mas não indispensáveis, e quais são descartáveis?”
  2. Plano da cobertura eleitoral  -  Esta questão é muito americana, refere-se às próximas campanhas para o Congresso, ou eleições locais. A autora sublinha que é preciso que as redacções tenham uma estratégia pronta, e já!
  3. – Acelerar a “mudança de poder”  -  Referência ao movimento #MeToo, de denúncia de abusos contra as mulheres, nos locais de trabalho. Há coisas que não mudam facilmente. Verificar a situação na sua empresa.
  4. – Estar atento ao feedback da redacção  -  Este é o recurso mais negligenciado, e todos sentem a sua falta. Falar do que aconteceu de positivo com a sua equipa, celebrar as vitórias e recolher ensinamento das derrotas.
  5. Estar disponível  -  Tomar a sério o poder das palavras e o perigo do seu silêncio. Uma antiga editora do Washington Post adverte: “Lembre-se que aquilo que diz aos membros da sua equipa tem mais significado do que pensa. Há pessoas a quem disse muito pouco durante meses.” (...)
  6. – Descobrir os “tesouros escondidos”  -  Obter o melhor do seu pessoal, onde podem existir talentos mal aproveitados. Motivá-los e favorecer as suas oportunidades de desenvolvimento vai torná-los mais empenhados.
  7. Recrutar, mesmo que não seja para já  -  Estar atento às oportunidades de chamar novos elementos para a sua equipa e integrá-los na “cultura de trabalho” já construída.
  8. – A expressão fake news tornou-se política  -  Um inquérito recente revela que, nos EUA, a expressão fake news é hoje a mais aborrecida para todos, logo a seguir a whatever... “Isto significa que as exclamações constantes do Presidente Trump, de fake news como arma política contra um jornalismo baseado em evidências, podem não estar a correr-lhe tão bem como ele desejaria.” Manter uma conduta jornalística rigorosa, verificar cada afirmação, usar linguagem responsável e continuar o seu trabalho.
  9. Cuidar de si  -  Ninguém pode cuidar de uma equipa se está exausto. É preciso procurar pausas na pressão do quotidiano para pensar de modo diferente, e fazer com que os membros da sua equipa as tenham também.
  10. – Não perder de vista a sua responsabilidade de liderança. “Claro, você pode ser um paladino da verdade, da ética e da Primeira Emenda. Mas o editor de agenda de uma redacção que eu conduzi durante muitos anos, Bruce Nason, quer ter a certeza de que você permanece fiel a outro dever sagrado: ‘Não se esqueça de trazer donuts’.”

 

O texto citado, na íntegra, na Columbia Journalism Review

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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