Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
Opinião

Qual o ponto de situação do investimento publicitário em Portugal?

por Manuel Falcão

O mercado português de publicidade teve o seu melhor ano em 2007, com um investimento em espaço publicitário, em todos os mídia, na ordem dos 750 milhões de euros. Em 2013, no auge da crise, atingia o seu ponto mais baixo, com cerca de 400 milhões de euros – ou seja, uma quebra de quase 50%.

Desde então a recuperação tem sido lenta e a previsão é que o  ano passado encerre à volta dos 500 milhões de euros. Deste valor está excluída uma parte, que se estima ser considerável, de investimento em plataformas digitais internacionais que é feito para o mercado português mas pago fora de Portugal, nomeadamente na Irlanda, onde Google e Facebook estão baseados na Europa.


O digital, entre o que é comprado e pago em Portugal e o que é pago fora, já deverá andar próximo do volume de investimento em televisão generalista. Este crescimento do digital verificou-se de forma acentuada nos últimos cinco-seis anos e corresponde a uma alteração dos hábitos de consumo de mídia: 73% dos lares têm acesso à internet, há 6,1 milhões de utilizadores portugueses activos no Facebook, 3,3 milhões no Instagram e 2,5 milhões no Linkedin – o twitter é a lanterna vermelha destas redes sociais com cerca de 900 mil.

Os dados de 2017 do Bareme Internet, da Marktest, referem que 3,8 milhões de indivíduos com 15 e mais anos, residentes em Portugal Continental, têm o hábito de ler notícias através do tablet ou telemóvel. Este valor corresponde a 44.3% do universo - este hábito tem tido um crescimento muito acentuado nos últimos quatro anos, tendo quase multiplicado por 4,5 o valor observado em 2012.

Ainda segundo a Marktest 45% das páginas dos sites auditados foram acedidas através de equipamentos móveis. Por tudo isto não é de estranhar o crescimento enorme da publicidade em tudo o que é coberto pelo digital.

Em contraste a televisão está a perder audiência nos canais tradicionais mais depressa do que se esperava, o seu tempo de visionamento diminui assim como o número dos seus espectadores.

Em contrapartida nos canais de cabo regista-se crescimento, crescimento ainda maior  no visionamento em streaming, desde o YouTube ao Netflix, onde se regista um enorme aumento – nalguns dias do fim de semana é já frequente representarem 15% das audiências.

Tudo isto torna cada vez mais complexa a tarefa de encontrar os melhores pontos de contacto para que as marcas consigam tocar os seus consumidores. Esse é o desafio que se coloca às agências de meios, mas é também o desafio que se coloca às plataformas digitais das marcas portuguesas de informação e de comunicação.

(Texto  publicado originalmente  na Executive Digest , de Dezembro)


Connosco
As “Histórias Proibidas” dos jornalistas assassinados voltam a ser lidas Ver galeria

Em Outubro de 2017, a jornalista Daphne Caruana Galizia, que investigava as ligações políticas perigosas da corrupção na ilha de Malta, foi morta num atentado à bomba. Hoje, uma equipa de 45 jornalistas, de 18 órgãos de comunicação de todo o mundo, está a trabalhar no Projecto Daphne, uma série de artigos que possam completar a sua investigação. Este projecto inscreve-se na missão de Forbidden Stories, cujo fundador, o realizador francês Laurent Richard, reafirmou em artigo recente em The Guardian: “Vocês mataram o mesageiro, mas não conseguirão matar a mensagem.”

Jornalismo de investigação é a melhor arma contra a propaganda Ver galeria

O combate à desinformação online tornou-se o tema incontornável de todos os encontros de jornalistas. Mas um dos painéis realizados na mais recente edição do Festival Internacional de Jornalismo, em Perugia, Itália, escutou intervenções que sugerem uma atitude menos confrontacional. A ideia é que resulta melhor investir num jornalismo de investigação no terreno, mesmo que tome mais tempo, do que tentar a batalha sempre perdida de aguentar o ritmo de produção das grandes máquinas de propaganda. Falaram neste sentido vozes experimentadas, de jornalistas como Galina Timchenko, russa, fundadora e directora do website Meduza, e Natalia Anteleva, georgiana, co-fundadora e editora de Coda Story.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

ver mais >
Opinião
Agenda
24
Abr
Social Media Week New York 2018
09:00 @ Sheraton Times Square, Nova Iorque
24
Abr
Social Media Strategies Summit Chicago 2018
22:00 @ Union League Club, Chicago
25
Abr
8º Congresso Nacional de "Periodismo Autónomo y Freelance: ‘La revolución audiovisual’"
09:00 @ Sala de Conferências da Faculdade de Ciências de Informação, Universidade de Madrid
28
Abr
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa