Sábado, 20 de Outubro, 2018
Opinião

Qual o ponto de situação do investimento publicitário em Portugal?

por Manuel Falcão

O mercado português de publicidade teve o seu melhor ano em 2007, com um investimento em espaço publicitário, em todos os mídia, na ordem dos 750 milhões de euros. Em 2013, no auge da crise, atingia o seu ponto mais baixo, com cerca de 400 milhões de euros – ou seja, uma quebra de quase 50%.

Desde então a recuperação tem sido lenta e a previsão é que o  ano passado encerre à volta dos 500 milhões de euros. Deste valor está excluída uma parte, que se estima ser considerável, de investimento em plataformas digitais internacionais que é feito para o mercado português mas pago fora de Portugal, nomeadamente na Irlanda, onde Google e Facebook estão baseados na Europa.


O digital, entre o que é comprado e pago em Portugal e o que é pago fora, já deverá andar próximo do volume de investimento em televisão generalista. Este crescimento do digital verificou-se de forma acentuada nos últimos cinco-seis anos e corresponde a uma alteração dos hábitos de consumo de mídia: 73% dos lares têm acesso à internet, há 6,1 milhões de utilizadores portugueses activos no Facebook, 3,3 milhões no Instagram e 2,5 milhões no Linkedin – o twitter é a lanterna vermelha destas redes sociais com cerca de 900 mil.

Os dados de 2017 do Bareme Internet, da Marktest, referem que 3,8 milhões de indivíduos com 15 e mais anos, residentes em Portugal Continental, têm o hábito de ler notícias através do tablet ou telemóvel. Este valor corresponde a 44.3% do universo - este hábito tem tido um crescimento muito acentuado nos últimos quatro anos, tendo quase multiplicado por 4,5 o valor observado em 2012.

Ainda segundo a Marktest 45% das páginas dos sites auditados foram acedidas através de equipamentos móveis. Por tudo isto não é de estranhar o crescimento enorme da publicidade em tudo o que é coberto pelo digital.

Em contraste a televisão está a perder audiência nos canais tradicionais mais depressa do que se esperava, o seu tempo de visionamento diminui assim como o número dos seus espectadores.

Em contrapartida nos canais de cabo regista-se crescimento, crescimento ainda maior  no visionamento em streaming, desde o YouTube ao Netflix, onde se regista um enorme aumento – nalguns dias do fim de semana é já frequente representarem 15% das audiências.

Tudo isto torna cada vez mais complexa a tarefa de encontrar os melhores pontos de contacto para que as marcas consigam tocar os seus consumidores. Esse é o desafio que se coloca às agências de meios, mas é também o desafio que se coloca às plataformas digitais das marcas portuguesas de informação e de comunicação.

(Texto  publicado originalmente  na Executive Digest , de Dezembro)


Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Terminou o prazo de recepção dos trabalhos concorrentes ao  Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias.

Nesta segunda edição, o Prémio foi desdobrado em duas modalidades:  uma  aberta a textos originais, que passou a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia; e outra que manteve  o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.


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