Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
Media

Os Media digitais vivem melhor com públicos restritos e fiéis

Esqueçam as contas grandes do total de pageviews por mês, ou de visitantes únicos por mês. Esses números são “enganadores e sem significado”. Só tinham algum no tempo em que o negócio dos media dependia de audiências maciças e de “produtos apontados às massas”  - por outras palavras, quando os meios noticiosos dependiam da publicidade. “Um pequeno número de utentes leais é muito mais importante na nova economia do jornalismo, que depende agora dos utentes, mais do que de anunciantes, para pagar as suas contas.” É esta a reflexão de James Breiner, primeiro publicada no seu blog News Entrepreneurs e agora reproduzida no International Journalists’ Network.

“O negócio dos media, hoje, trata da capacidade de tocar clientes potenciais com mensagens personalizadas e dirigidas a eles. Trata de identificar o reduzido número de pessoas que são realmente fãs da sua publicação, ou das estrelas na sua equipa. Trata de reforçar o apego emocional que as pessoas têm pela sua marca e missão.” 

O autor cita um artigo recente em The Economist para sublinhar a fraqueza dos grandes números num caso concreto, o da aliás bem sucedida campanha de The Washington Post para atingir o milhão de assinaturas pagas da sua edição digital. 

Este jornal verificou que os leitores mais susceptíveis de serem levados a fazer uma assinatura vinham ao site três vezes por mês. Mas quantos, dos cerca de 90 milhões de visitantes únicos, vinham com essa frequência? Apenas 15%, o que significa que os outros 85% chegam ao site “por uma referência pontual, ou talvez por acidente”. 

Agora dois exemplos dos pequenos números: 

“Os 22.000 ‘parceiros’ que pagam 60 euros por ano pela assinatura de eldiario.es, em Espanha, representam quase 40% da sua receita, mas menos do que um por cento do total dos seus utentes únicos.” 

“Os dois milhões e meio de assinantes da edição digital de The New York Times representam menos de três por cento do total dos seus utentes, mas estão agora a gerar mais receita do que a publicidade no papel, o que é um marco histórico.” 

E James Breiner afirma ainda: 

“Para as mais pequenas publicações digitais, o caminho para a sustentabilidade depende de conseguirem converter uma elevada percentagem da sua audiência numa comunidade de utentes leais, fãs, produtores de conteúdos e contribuintes, mais do que assinantes.” 

“A lógica do jornalismo como serviço público, mais do que como negócio, significa que os editores precisam de recrutar seguidores que acreditam na sua missão, mais do que assinantes que pagam apenas por um serviço. O apoio financeiro precisa de brotar de uma ligação emocional mais do que de uma mera transacção económica.” (...) 

 

O seu artigo, na íntegra, na IJNet. Mais informação sobre James Breiner. As contas de eldiario.es, agora com cinco anos de vida.

Connosco
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“Esperamos respostas tão breve quanto possível, porque ainda há muitas questões”  - afirmou.
Prémios do World Press Photo 2019 já têm candidatos escolhidos... Ver galeria

Um fotojornalista português, Mário Cruz, da Agência Lusa, figura entre os nomeados para o World Press Photo 2019, o mais prestigiado prémio de fotojornalismo do mundo, cuja identidade e trabalhos a concurso foram agora conhecidos. A Fundação organizadora introduziu também uma nova categoria a ser premiada, a História do Ano, destinada a “fotógrafos cuja criatividade e habilidades visuais produziram uma história com excelente edição e sequenciamento, que captura ou representa um evento ou assunto de grande importância jornalística”.

A imagem de Mário Cruz, intitulada “Viver entre o que foi deixado para trás”, mostra uma criança recolhendo material reciclável, deitada num colchão cercado por lixo, enquanto flutua no rio Pasig, em Manila, nas Filipinas.

Os vencedores do concurso serão conhecidos na cerimónia marcada para 11 de Abril, em Amesterdão, na Holanda.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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