Segunda-feira, 22 de Outubro, 2018
Media

Os Media digitais vivem melhor com públicos restritos e fiéis

Esqueçam as contas grandes do total de pageviews por mês, ou de visitantes únicos por mês. Esses números são “enganadores e sem significado”. Só tinham algum no tempo em que o negócio dos media dependia de audiências maciças e de “produtos apontados às massas”  - por outras palavras, quando os meios noticiosos dependiam da publicidade. “Um pequeno número de utentes leais é muito mais importante na nova economia do jornalismo, que depende agora dos utentes, mais do que de anunciantes, para pagar as suas contas.” É esta a reflexão de James Breiner, primeiro publicada no seu blog News Entrepreneurs e agora reproduzida no International Journalists’ Network.

“O negócio dos media, hoje, trata da capacidade de tocar clientes potenciais com mensagens personalizadas e dirigidas a eles. Trata de identificar o reduzido número de pessoas que são realmente fãs da sua publicação, ou das estrelas na sua equipa. Trata de reforçar o apego emocional que as pessoas têm pela sua marca e missão.” 

O autor cita um artigo recente em The Economist para sublinhar a fraqueza dos grandes números num caso concreto, o da aliás bem sucedida campanha de The Washington Post para atingir o milhão de assinaturas pagas da sua edição digital. 

Este jornal verificou que os leitores mais susceptíveis de serem levados a fazer uma assinatura vinham ao site três vezes por mês. Mas quantos, dos cerca de 90 milhões de visitantes únicos, vinham com essa frequência? Apenas 15%, o que significa que os outros 85% chegam ao site “por uma referência pontual, ou talvez por acidente”. 

Agora dois exemplos dos pequenos números: 

“Os 22.000 ‘parceiros’ que pagam 60 euros por ano pela assinatura de eldiario.es, em Espanha, representam quase 40% da sua receita, mas menos do que um por cento do total dos seus utentes únicos.” 

“Os dois milhões e meio de assinantes da edição digital de The New York Times representam menos de três por cento do total dos seus utentes, mas estão agora a gerar mais receita do que a publicidade no papel, o que é um marco histórico.” 

E James Breiner afirma ainda: 

“Para as mais pequenas publicações digitais, o caminho para a sustentabilidade depende de conseguirem converter uma elevada percentagem da sua audiência numa comunidade de utentes leais, fãs, produtores de conteúdos e contribuintes, mais do que assinantes.” 

“A lógica do jornalismo como serviço público, mais do que como negócio, significa que os editores precisam de recrutar seguidores que acreditam na sua missão, mais do que assinantes que pagam apenas por um serviço. O apoio financeiro precisa de brotar de uma ligação emocional mais do que de uma mera transacção económica.” (...) 

 

O seu artigo, na íntegra, na IJNet. Mais informação sobre James Breiner. As contas de eldiario.es, agora com cinco anos de vida.

Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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