Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
Media

Os Media digitais vivem melhor com públicos restritos e fiéis

Esqueçam as contas grandes do total de pageviews por mês, ou de visitantes únicos por mês. Esses números são “enganadores e sem significado”. Só tinham algum no tempo em que o negócio dos media dependia de audiências maciças e de “produtos apontados às massas”  - por outras palavras, quando os meios noticiosos dependiam da publicidade. “Um pequeno número de utentes leais é muito mais importante na nova economia do jornalismo, que depende agora dos utentes, mais do que de anunciantes, para pagar as suas contas.” É esta a reflexão de James Breiner, primeiro publicada no seu blog News Entrepreneurs e agora reproduzida no International Journalists’ Network.

“O negócio dos media, hoje, trata da capacidade de tocar clientes potenciais com mensagens personalizadas e dirigidas a eles. Trata de identificar o reduzido número de pessoas que são realmente fãs da sua publicação, ou das estrelas na sua equipa. Trata de reforçar o apego emocional que as pessoas têm pela sua marca e missão.” 

O autor cita um artigo recente em The Economist para sublinhar a fraqueza dos grandes números num caso concreto, o da aliás bem sucedida campanha de The Washington Post para atingir o milhão de assinaturas pagas da sua edição digital. 

Este jornal verificou que os leitores mais susceptíveis de serem levados a fazer uma assinatura vinham ao site três vezes por mês. Mas quantos, dos cerca de 90 milhões de visitantes únicos, vinham com essa frequência? Apenas 15%, o que significa que os outros 85% chegam ao site “por uma referência pontual, ou talvez por acidente”. 

Agora dois exemplos dos pequenos números: 

“Os 22.000 ‘parceiros’ que pagam 60 euros por ano pela assinatura de eldiario.es, em Espanha, representam quase 40% da sua receita, mas menos do que um por cento do total dos seus utentes únicos.” 

“Os dois milhões e meio de assinantes da edição digital de The New York Times representam menos de três por cento do total dos seus utentes, mas estão agora a gerar mais receita do que a publicidade no papel, o que é um marco histórico.” 

E James Breiner afirma ainda: 

“Para as mais pequenas publicações digitais, o caminho para a sustentabilidade depende de conseguirem converter uma elevada percentagem da sua audiência numa comunidade de utentes leais, fãs, produtores de conteúdos e contribuintes, mais do que assinantes.” 

“A lógica do jornalismo como serviço público, mais do que como negócio, significa que os editores precisam de recrutar seguidores que acreditam na sua missão, mais do que assinantes que pagam apenas por um serviço. O apoio financeiro precisa de brotar de uma ligação emocional mais do que de uma mera transacção económica.” (...) 

 

O seu artigo, na íntegra, na IJNet. Mais informação sobre James Breiner. As contas de eldiario.es, agora com cinco anos de vida.

Connosco
Estratégia mediática da China usa "barcos emprestados" para "autenticar" a propaganda... Ver galeria

Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
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