Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Opinião

A Imprensa na mó de baixo ...

por Dinis de Abreu

Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes.

Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia irrisória , pouco acima dos 10 mil exemplares de circulação útil.  É uma morte anunciada em versão de papel, a menos que se reinvente, algo que não parece estar ao seu alcance,  depois dos erros consecutivos que ditaram o seu actual  afundamento. Negá-lo é contribuir para manter uma ficção , como a do seu ex-edificío-sede da Av. da Liberdade , que mantém o logotipo  na fachada, mas está vazio de jornalistas.

O “Público”, concorrente mais directo na área a que se convencionou chamar jornais de referência,  foi o que menos caiu, mas situa-se abaixo dos 20 mil exemplares de circulação paga, o que implica que se mantenha nos “cuidados continuados” e com “respiração assistida”. Com o desaparecimento de Belmiro de Azevedo, que garantiu teimosamente a sua manutenção, apesar dos prejuízos ,  o futuro do jornal é outra incógnita.

A alternativa para ambos os títulos parece ser a aposta  digital, que está em curso, talvez com edições em papel ao fim de semana,  destinadas a um nicho de mercado e a um público mais elaborado. Não faltará muito para o sabermos e 2018 poderá bem ser um ano de viragem.

Os semanários e as newsmagazines não estão melhores, com o “Expresso” a perder terreno, lançando dúvidas  acerca do futuro do “navio-almirante” de Balsemão,  enquanto as revistas “Visão” e “Sábado” acusam um desgaste percentual nas vendas que não é de bom augúrio.

Tudo somado,  são muitas as interrogações que se colocam no dealbar de 2018, agravadas pela renúncia do Grupo Balsemão à maioria do seu portfólio de publicações, que deverão transitar, proximamente, para as mãos de um ex-jornalista convertido em empresário, que já fechou o “Diário Digital” e, antes,  uma newsmagazine, o que não constitui a melhor garantia de preservação para os títulos envolvidos na transacção.

Foi, contudo, no digital que se observaram, em 2017,  as experiências jornalísticas mais bem sucedidas , com relevo para o “Observador”,  e, depois,  para o jornal económico “Eco”.  Em ambos os casos - mas principalmente no primeiro -, sentiu-se haver arejamento criativo, com base num espírito editorial empreendedor e independência informativa, juntamente com uma opinião qualificada.  Merecem acompanhamento de perto.

Entre as incógnitas e a novidade, o jornalismo precisa urgentemente de reencontrar-se e de perceber que as redes sociais o não substituem. Nem dispensam.    

Connosco
CPI e "Tribuna de Macau" instituem Prémios de Ensaio e de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias, reparte-se, nesta sua segunda edição, por dois: um aberto a textos originais, que passa a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia, e outro que mantém o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.

Mantém-se o espírito original de distinguir trabalhos “no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”.

Jornalismo "ao vivo" em festival de Verão de "Le Monde" Ver galeria

Um festival de Verão sem estrondo de altifalantes, sem música de “fogo-de-artifício”, todo baseado na palavra, na conversa em grupo ou no diálogo directo com os jornalistas presentes. Durante o fim-de-semana de 13 a 15 de Julho, cerca de 4500 inscritos animaram a terceira edição do Festival Internacional de Jornalismo organizado pelo grupo Le Monde na localidade de Couthures, em França, à beira do rio Garonne. A aldeia não chega aos 400 habitantes, mas mais de 100 voluntários ajudaram a fazer funcionar, durante três dias, um encontro de muitos debates. Como disse Gilles van Kote, jornalista de Le Monde, a intenção era precisamente a de que tudo pudesse ser posto em questão, “sem tabus”.

O Clube
O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

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