Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
Opinião

A Imprensa na mó de baixo ...

por Dinis de Abreu

Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes.

Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia irrisória , pouco acima dos 10 mil exemplares de circulação útil.  É uma morte anunciada em versão de papel, a menos que se reinvente, algo que não parece estar ao seu alcance,  depois dos erros consecutivos que ditaram o seu actual  afundamento. Negá-lo é contribuir para manter uma ficção , como a do seu ex-edificío-sede da Av. da Liberdade , que mantém o logotipo  na fachada, mas está vazio de jornalistas.

O “Público”, concorrente mais directo na área a que se convencionou chamar jornais de referência,  foi o que menos caiu, mas situa-se abaixo dos 20 mil exemplares de circulação paga, o que implica que se mantenha nos “cuidados continuados” e com “respiração assistida”. Com o desaparecimento de Belmiro de Azevedo, que garantiu teimosamente a sua manutenção, apesar dos prejuízos ,  o futuro do jornal é outra incógnita.

A alternativa para ambos os títulos parece ser a aposta  digital, que está em curso, talvez com edições em papel ao fim de semana,  destinadas a um nicho de mercado e a um público mais elaborado. Não faltará muito para o sabermos e 2018 poderá bem ser um ano de viragem.

Os semanários e as newsmagazines não estão melhores, com o “Expresso” a perder terreno, lançando dúvidas  acerca do futuro do “navio-almirante” de Balsemão,  enquanto as revistas “Visão” e “Sábado” acusam um desgaste percentual nas vendas que não é de bom augúrio.

Tudo somado,  são muitas as interrogações que se colocam no dealbar de 2018, agravadas pela renúncia do Grupo Balsemão à maioria do seu portfólio de publicações, que deverão transitar, proximamente, para as mãos de um ex-jornalista convertido em empresário, que já fechou o “Diário Digital” e, antes,  uma newsmagazine, o que não constitui a melhor garantia de preservação para os títulos envolvidos na transacção.

Foi, contudo, no digital que se observaram, em 2017,  as experiências jornalísticas mais bem sucedidas , com relevo para o “Observador”,  e, depois,  para o jornal económico “Eco”.  Em ambos os casos - mas principalmente no primeiro -, sentiu-se haver arejamento criativo, com base num espírito editorial empreendedor e independência informativa, juntamente com uma opinião qualificada.  Merecem acompanhamento de perto.

Entre as incógnitas e a novidade, o jornalismo precisa urgentemente de reencontrar-se e de perceber que as redes sociais o não substituem. Nem dispensam.    

Connosco
As “Histórias Proibidas” dos jornalistas assassinados voltam a ser lidas Ver galeria

Em Outubro de 2017, a jornalista Daphne Caruana Galizia, que investigava as ligações políticas perigosas da corrupção na ilha de Malta, foi morta num atentado à bomba. Hoje, uma equipa de 45 jornalistas, de 18 órgãos de comunicação de todo o mundo, está a trabalhar no Projecto Daphne, uma série de artigos que possam completar a sua investigação. Este projecto inscreve-se na missão de Forbidden Stories, cujo fundador, o realizador francês Laurent Richard, reafirmou em artigo recente em The Guardian: “Vocês mataram o mesageiro, mas não conseguirão matar a mensagem.”

Jornalismo de investigação é a melhor arma contra a propaganda Ver galeria

O combate à desinformação online tornou-se o tema incontornável de todos os encontros de jornalistas. Mas um dos painéis realizados na mais recente edição do Festival Internacional de Jornalismo, em Perugia, Itália, escutou intervenções que sugerem uma atitude menos confrontacional. A ideia é que resulta melhor investir num jornalismo de investigação no terreno, mesmo que tome mais tempo, do que tentar a batalha sempre perdida de aguentar o ritmo de produção das grandes máquinas de propaganda. Falaram neste sentido vozes experimentadas, de jornalistas como Galina Timchenko, russa, fundadora e directora do website Meduza, e Natalia Anteleva, georgiana, co-fundadora e editora de Coda Story.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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