Sábado, 20 de Outubro, 2018
Opinião

A Imprensa na mó de baixo ...

por Dinis de Abreu

Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes.

Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia irrisória , pouco acima dos 10 mil exemplares de circulação útil.  É uma morte anunciada em versão de papel, a menos que se reinvente, algo que não parece estar ao seu alcance,  depois dos erros consecutivos que ditaram o seu actual  afundamento. Negá-lo é contribuir para manter uma ficção , como a do seu ex-edificío-sede da Av. da Liberdade , que mantém o logotipo  na fachada, mas está vazio de jornalistas.

O “Público”, concorrente mais directo na área a que se convencionou chamar jornais de referência,  foi o que menos caiu, mas situa-se abaixo dos 20 mil exemplares de circulação paga, o que implica que se mantenha nos “cuidados continuados” e com “respiração assistida”. Com o desaparecimento de Belmiro de Azevedo, que garantiu teimosamente a sua manutenção, apesar dos prejuízos ,  o futuro do jornal é outra incógnita.

A alternativa para ambos os títulos parece ser a aposta  digital, que está em curso, talvez com edições em papel ao fim de semana,  destinadas a um nicho de mercado e a um público mais elaborado. Não faltará muito para o sabermos e 2018 poderá bem ser um ano de viragem.

Os semanários e as newsmagazines não estão melhores, com o “Expresso” a perder terreno, lançando dúvidas  acerca do futuro do “navio-almirante” de Balsemão,  enquanto as revistas “Visão” e “Sábado” acusam um desgaste percentual nas vendas que não é de bom augúrio.

Tudo somado,  são muitas as interrogações que se colocam no dealbar de 2018, agravadas pela renúncia do Grupo Balsemão à maioria do seu portfólio de publicações, que deverão transitar, proximamente, para as mãos de um ex-jornalista convertido em empresário, que já fechou o “Diário Digital” e, antes,  uma newsmagazine, o que não constitui a melhor garantia de preservação para os títulos envolvidos na transacção.

Foi, contudo, no digital que se observaram, em 2017,  as experiências jornalísticas mais bem sucedidas , com relevo para o “Observador”,  e, depois,  para o jornal económico “Eco”.  Em ambos os casos - mas principalmente no primeiro -, sentiu-se haver arejamento criativo, com base num espírito editorial empreendedor e independência informativa, juntamente com uma opinião qualificada.  Merecem acompanhamento de perto.

Entre as incógnitas e a novidade, o jornalismo precisa urgentemente de reencontrar-se e de perceber que as redes sociais o não substituem. Nem dispensam.    

Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Terminou o prazo de recepção dos trabalhos concorrentes ao  Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias.

Nesta segunda edição, o Prémio foi desdobrado em duas modalidades:  uma  aberta a textos originais, que passou a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia; e outra que manteve  o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.


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