Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
Media

Libertar o jornalismo em 2018 da “tirania da gritaria” nas redes sociais

“Aquilo que sobressai no histórico das nossas redes sociais faz o mundo parecer um lugar dividido onde as pessoas se limitam a  gritar com todas as forças  - ou para apontar o mal daqueles com quem não estão de acordo, ou para aplaudir as acções daqueles com quem se identificam.” Mas não tem de ser assim, nem essa imagem corresponde aos factos, segundo Lam Thuy Vo, repórter na BuzzFeed News. Na realidade, uma minoria do público utente das redes sociais intervém ao vivo, com reacções primárias e extremas  - mas são estas que se multiplicam exponencialmente. Os utentes que querem pensar sobre o assunto não escrevem imediatamente  - logo, não são contados. A sua proposta é que 2018 seja, para os jornalistas, o ano em que se libertem e nos libertem a todos da “tirania da gritaria”.

Lam Thuy Vo e a equipa com que trabalha gravaram dois vídeos de uma conferência de Imprensa de Donald Trump, um divulgado na página de Facebook da Fox News, o outro na da Fusion. A montagem dos dois sugere que o mundo é um lugar de apoiantes exclusivos de Trump ou de fervorosos críticos de Trump. 

No entanto, uma verificação dos números de visionamento revela que as reacções que aparecem flutuando nos ecrãs, durante estes live streams, representam apenas uma fracção (entre dois a três por cento) dos que estavam ligados. 

“Portanto, 97% escolheram não reagir. Talvez se tenham sentido em conflito a respeito do conteúdo que viram. Talvez não lhe tenham dado valor suficiente para reagirem. Talvez tenham desejado pensar muito sobre as implicações do anúncio do Presidente, antes de expressarem qualquer sentimento a esse respeito. Não sabemos o que podem ter sentido, porque isso é algo que não podemos medir dentro dos parâmetros estabelecidos por seis simples botões e uma caixa de comentário.” 

“O que está a ser medido é a chacota, a raiva, o aplauso e a tristeza dos que falam alto, dos que sentiram a necessidade urgente de tocar para entrar. A rede social está optimizada para captar o envolvimento sobretudo pelos extremos, naquilo que se pode medir pelos nossos clicks, arrebatamentos e reacções emotivas online. E é esse envolvimento que vai alimentar o algoritmo que decide que tipo de informação vamos ver nas nossas páginas de histórico, não a inacção  - pensativa ou indiferente -  daqueles que não sentiram nesse live stream nada suficientemente forte para levantarem a voz.” 

“Mais do que isso, na Internet, a visibilidade gera mais visibilidade. A popularidade de um artigo não vai crescendo com o tempo, explode exponencialmente. E, num ambiente de informação cada vez mais distribuída, os meios noticiosos são obrigados a competir com os que fazem mais barulho.” (...) 

A autora pergunta de que modo podem os jornalistas re-apresentar o público à nuance, fazer com que factos saudavelmente complexos possam competir com os vêm cobertos de uma “aprazível política de identidade”: 

“Como é que se pode conduzir uma revolta contra esses ruidosos tiranos? 2018 precisa de ser o ano em que os jornalistas descobrem como. (...) Seja qual for o modo correcto, os jornalistas vão precisar de recuperar o acesso à atenção do público sem transformarem os seus conteúdos em clickbaits. Seria bem trazer de volta um discurso calmo e sóbrio aos debates de informação pública.”

 

O texto citado, na íntegra, no NiemanLab

Connosco
Expressiva manifestação em Bratislava evocando jornalista morto Ver galeria
“Esperamos respostas tão breve quanto possível, porque ainda há muitas questões”  - afirmou.
Prémios do World Press Photo 2019 já têm candidatos escolhidos... Ver galeria

Um fotojornalista português, Mário Cruz, da Agência Lusa, figura entre os nomeados para o World Press Photo 2019, o mais prestigiado prémio de fotojornalismo do mundo, cuja identidade e trabalhos a concurso foram agora conhecidos. A Fundação organizadora introduziu também uma nova categoria a ser premiada, a História do Ano, destinada a “fotógrafos cuja criatividade e habilidades visuais produziram uma história com excelente edição e sequenciamento, que captura ou representa um evento ou assunto de grande importância jornalística”.

A imagem de Mário Cruz, intitulada “Viver entre o que foi deixado para trás”, mostra uma criança recolhendo material reciclável, deitada num colchão cercado por lixo, enquanto flutua no rio Pasig, em Manila, nas Filipinas.

Os vencedores do concurso serão conhecidos na cerimónia marcada para 11 de Abril, em Amesterdão, na Holanda.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
Adoro imprensa…
Manuel Falcão
Sou um apaixonado leitor de imprensa, quer de jornais quer de revistas, e gosto de seguir o que se publica. A edição mais recente da revista Time tem por título de capa "The Art Of Optimism" e apresenta 34 pessoas que são relevantes e inspiracionais, na sociedade norte-americana, mostrando o que estão a fazer. A edição é cuidada e permite-nos ter de forma sintética um retrato daquilo que tantas vezes passa despercebido. O...
Os actuais detentores da Global Media, proprietária do Diário de Noticias e do Jornal de Noticias, além da TSF e de outros títulos, parecem estar a especializar-se como uma espécie  de “comissão  liquidatária” da empresa. Depois de alienarem  o edifício-sede histórico do Diário de Noticias , construído de raiz para albergar aquele jornal centenário,  segundo um projecto de Pardal...
Zé Manel, o talento e a sensualidade
António Gomes de Almeida
Geralmente considerado um dos mais talentosos ilustradores portugueses, a sua arte manifestou-se sob várias facetas, desde as Capas e as Ilustrações de Livros à Banda Desenhada, aos Cartazes, ao Cartoon, à Caricatura e, até, ao Vitral. E será, provavelmente, essa dispersão por tantos meios de expressão da sua Arte que fez com que demorasse algum tempo, antes de ser tão conhecido do grande público, e de ter a...
Jornalismo a meia-haste
Graça Franco
Atropelados pela ditadura do entretenimento, podemos enquanto “informadores” desde já colocar a bandeira a meia-haste. O jornalismo não está a morrer. Está a cometer suicídio em direto. Temi que algum jornalista se oferecesse para partilhar a cadeia com Armando Vara, só para ver como este se sentia “já lá dentro”. A porta ia-se fechando, em câmara lenta, e o enxame de microfones não largava a presa. O...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
Agenda
26
Fev
Digital Summit Seattle
09:00 @ Seattle, EUA
02
Mar
LinkedIn para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa
04
Mar
Simpósio de Radiodifusão Digital da ABU
09:00 @ Kuala Lumpur, Malásia