Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
Media

Libertar o jornalismo em 2018 da “tirania da gritaria” nas redes sociais

“Aquilo que sobressai no histórico das nossas redes sociais faz o mundo parecer um lugar dividido onde as pessoas se limitam a  gritar com todas as forças  - ou para apontar o mal daqueles com quem não estão de acordo, ou para aplaudir as acções daqueles com quem se identificam.” Mas não tem de ser assim, nem essa imagem corresponde aos factos, segundo Lam Thuy Vo, repórter na BuzzFeed News. Na realidade, uma minoria do público utente das redes sociais intervém ao vivo, com reacções primárias e extremas  - mas são estas que se multiplicam exponencialmente. Os utentes que querem pensar sobre o assunto não escrevem imediatamente  - logo, não são contados. A sua proposta é que 2018 seja, para os jornalistas, o ano em que se libertem e nos libertem a todos da “tirania da gritaria”.

Lam Thuy Vo e a equipa com que trabalha gravaram dois vídeos de uma conferência de Imprensa de Donald Trump, um divulgado na página de Facebook da Fox News, o outro na da Fusion. A montagem dos dois sugere que o mundo é um lugar de apoiantes exclusivos de Trump ou de fervorosos críticos de Trump. 

No entanto, uma verificação dos números de visionamento revela que as reacções que aparecem flutuando nos ecrãs, durante estes live streams, representam apenas uma fracção (entre dois a três por cento) dos que estavam ligados. 

“Portanto, 97% escolheram não reagir. Talvez se tenham sentido em conflito a respeito do conteúdo que viram. Talvez não lhe tenham dado valor suficiente para reagirem. Talvez tenham desejado pensar muito sobre as implicações do anúncio do Presidente, antes de expressarem qualquer sentimento a esse respeito. Não sabemos o que podem ter sentido, porque isso é algo que não podemos medir dentro dos parâmetros estabelecidos por seis simples botões e uma caixa de comentário.” 

“O que está a ser medido é a chacota, a raiva, o aplauso e a tristeza dos que falam alto, dos que sentiram a necessidade urgente de tocar para entrar. A rede social está optimizada para captar o envolvimento sobretudo pelos extremos, naquilo que se pode medir pelos nossos clicks, arrebatamentos e reacções emotivas online. E é esse envolvimento que vai alimentar o algoritmo que decide que tipo de informação vamos ver nas nossas páginas de histórico, não a inacção  - pensativa ou indiferente -  daqueles que não sentiram nesse live stream nada suficientemente forte para levantarem a voz.” 

“Mais do que isso, na Internet, a visibilidade gera mais visibilidade. A popularidade de um artigo não vai crescendo com o tempo, explode exponencialmente. E, num ambiente de informação cada vez mais distribuída, os meios noticiosos são obrigados a competir com os que fazem mais barulho.” (...) 

A autora pergunta de que modo podem os jornalistas re-apresentar o público à nuance, fazer com que factos saudavelmente complexos possam competir com os vêm cobertos de uma “aprazível política de identidade”: 

“Como é que se pode conduzir uma revolta contra esses ruidosos tiranos? 2018 precisa de ser o ano em que os jornalistas descobrem como. (...) Seja qual for o modo correcto, os jornalistas vão precisar de recuperar o acesso à atenção do público sem transformarem os seus conteúdos em clickbaits. Seria bem trazer de volta um discurso calmo e sóbrio aos debates de informação pública.”

 

O texto citado, na íntegra, no NiemanLab

Connosco
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Em Outubro de 2017, a jornalista Daphne Caruana Galizia, que investigava as ligações políticas perigosas da corrupção na ilha de Malta, foi morta num atentado à bomba. Hoje, uma equipa de 45 jornalistas, de 18 órgãos de comunicação de todo o mundo, está a trabalhar no Projecto Daphne, uma série de artigos que possam completar a sua investigação. Este projecto inscreve-se na missão de Forbidden Stories, cujo fundador, o realizador francês Laurent Richard, reafirmou em artigo recente em The Guardian: “Vocês mataram o mesageiro, mas não conseguirão matar a mensagem.”

Jornalismo de investigação é a melhor arma contra a propaganda Ver galeria

O combate à desinformação online tornou-se o tema incontornável de todos os encontros de jornalistas. Mas um dos painéis realizados na mais recente edição do Festival Internacional de Jornalismo, em Perugia, Itália, escutou intervenções que sugerem uma atitude menos confrontacional. A ideia é que resulta melhor investir num jornalismo de investigação no terreno, mesmo que tome mais tempo, do que tentar a batalha sempre perdida de aguentar o ritmo de produção das grandes máquinas de propaganda. Falaram neste sentido vozes experimentadas, de jornalistas como Galina Timchenko, russa, fundadora e directora do website Meduza, e Natalia Anteleva, georgiana, co-fundadora e editora de Coda Story.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Social Media Week New York 2018
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24
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Abr
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28
Abr
Google Analytics para Jornalistas
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