Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
Media

Libertar o jornalismo em 2018 da “tirania da gritaria” nas redes sociais

“Aquilo que sobressai no histórico das nossas redes sociais faz o mundo parecer um lugar dividido onde as pessoas se limitam a  gritar com todas as forças  - ou para apontar o mal daqueles com quem não estão de acordo, ou para aplaudir as acções daqueles com quem se identificam.” Mas não tem de ser assim, nem essa imagem corresponde aos factos, segundo Lam Thuy Vo, repórter na BuzzFeed News. Na realidade, uma minoria do público utente das redes sociais intervém ao vivo, com reacções primárias e extremas  - mas são estas que se multiplicam exponencialmente. Os utentes que querem pensar sobre o assunto não escrevem imediatamente  - logo, não são contados. A sua proposta é que 2018 seja, para os jornalistas, o ano em que se libertem e nos libertem a todos da “tirania da gritaria”.

Lam Thuy Vo e a equipa com que trabalha gravaram dois vídeos de uma conferência de Imprensa de Donald Trump, um divulgado na página de Facebook da Fox News, o outro na da Fusion. A montagem dos dois sugere que o mundo é um lugar de apoiantes exclusivos de Trump ou de fervorosos críticos de Trump. 

No entanto, uma verificação dos números de visionamento revela que as reacções que aparecem flutuando nos ecrãs, durante estes live streams, representam apenas uma fracção (entre dois a três por cento) dos que estavam ligados. 

“Portanto, 97% escolheram não reagir. Talvez se tenham sentido em conflito a respeito do conteúdo que viram. Talvez não lhe tenham dado valor suficiente para reagirem. Talvez tenham desejado pensar muito sobre as implicações do anúncio do Presidente, antes de expressarem qualquer sentimento a esse respeito. Não sabemos o que podem ter sentido, porque isso é algo que não podemos medir dentro dos parâmetros estabelecidos por seis simples botões e uma caixa de comentário.” 

“O que está a ser medido é a chacota, a raiva, o aplauso e a tristeza dos que falam alto, dos que sentiram a necessidade urgente de tocar para entrar. A rede social está optimizada para captar o envolvimento sobretudo pelos extremos, naquilo que se pode medir pelos nossos clicks, arrebatamentos e reacções emotivas online. E é esse envolvimento que vai alimentar o algoritmo que decide que tipo de informação vamos ver nas nossas páginas de histórico, não a inacção  - pensativa ou indiferente -  daqueles que não sentiram nesse live stream nada suficientemente forte para levantarem a voz.” 

“Mais do que isso, na Internet, a visibilidade gera mais visibilidade. A popularidade de um artigo não vai crescendo com o tempo, explode exponencialmente. E, num ambiente de informação cada vez mais distribuída, os meios noticiosos são obrigados a competir com os que fazem mais barulho.” (...) 

A autora pergunta de que modo podem os jornalistas re-apresentar o público à nuance, fazer com que factos saudavelmente complexos possam competir com os vêm cobertos de uma “aprazível política de identidade”: 

“Como é que se pode conduzir uma revolta contra esses ruidosos tiranos? 2018 precisa de ser o ano em que os jornalistas descobrem como. (...) Seja qual for o modo correcto, os jornalistas vão precisar de recuperar o acesso à atenção do público sem transformarem os seus conteúdos em clickbaits. Seria bem trazer de volta um discurso calmo e sóbrio aos debates de informação pública.”

 

O texto citado, na íntegra, no NiemanLab

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Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

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Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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