Segunda-feira, 22 de Outubro, 2018
Media

Medir o impacto de uma reportagem para além dos “clicks”

Os meios de comunicação digitais habituaram-se a calcular a adesão da sua audiência por uma série de dados, como o número dos clicks de entrada, o tempo de leitura, a maior ou menor fidelidade de um determinado visitante. Estes dados já podem ser medidos, mas ainda há muito debate sobre o seu real significado, em termos do verdadeiro interesse do leitor e das consequências dessa leitura. Um novo passo tecnológico está agora em marcha, com ferramentas para medir o impacto do que foi publicado, e um jornal local nos Estados Unidos, The Journal News, já criou, e está a desenvolver, o seu próprio instrumento  - o Impact Tracker.

A ideia nasceu em The Journal Media News Group, nos subúrbios a norte de Nova Iorque, entre a directora executiva Traci Bauer e a directora digital, Anjanette Delgado, em Janeiro de 2015. Como explica a primeira, em entrevista à Columbia Journalism Review, “se nos deixarmos escravizar por aqueles outros intrumentos de medida à custa do não conhecimento do impacto, vamos acordar um dia e ficar muito arrependidos, como indústria”. (...) 

Outro jornalista, Frank Scandale, membro da equipa que fez o Denver Post ganhar o Pulitzer Prize pela cobertura do tiroteio no liceu de Columbine, conta que prémios como o Pulitzer Prize for Public Service “assentam desde sempre na questão do impacto, mas outras histórias investigadas em profundidade, que não foram nomeadas para esse concurso, têm também importância”. (...) 

Quando se fala em consequências de reportagem de investigação, as perguntas habituais são: “Foram votadas novas medidas legais? Alguém foi demitido? Foi lançado um inquérito?” Mas não tem que ser apenas este lado da questão: 

“Entre os seus exemplos favoritos do efeito de impacto, Traci Bauer menciona uma medalha Purple Heart encontrada na beira de uma estrada e que acabou por ser restituída aos membros da família, e um restaurante popular de comida alemã que pôde reabrir depois de um primeiro encerramento.” 

“[As consequências] não têm que ser sempre alguém que é demitido, ou que vai parar à cadeia, embora essas também possam ser muito boas”  - diz Traci Bauer, com uma risada. “Podem ser muito mais brandas.” 

“Outro exemplo, muito recente, veio de uma reportagem feita numa quinta de cultivo de árvores de Natal. A repórter Heather Clark contou que logo no primeiro dia as vendas eram o dobro e chegavam visitantes de uma área mais vasta. Como lhe explicou o dono, ‘a única coisa diferente do ano passado foi que vocês escreveram sobre nós’.” (...) 

Mas Traci Bauer adverte que não se trata de substituir os anteriores instrumentos de medida e apostar tudo na nova ferramenta:

“Se ignorarmos as outras medidas e nos focarmos em exclusivo no impacto, corremos o risco de perder a audiência. Temos de medir tudo e juntar tudo para tomar decisões estratégicas.” (...) 

 

Mais informação na Columbia Journalism Review

Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

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Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

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O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

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