Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
Media

Medir o impacto de uma reportagem para além dos “clicks”

Os meios de comunicação digitais habituaram-se a calcular a adesão da sua audiência por uma série de dados, como o número dos clicks de entrada, o tempo de leitura, a maior ou menor fidelidade de um determinado visitante. Estes dados já podem ser medidos, mas ainda há muito debate sobre o seu real significado, em termos do verdadeiro interesse do leitor e das consequências dessa leitura. Um novo passo tecnológico está agora em marcha, com ferramentas para medir o impacto do que foi publicado, e um jornal local nos Estados Unidos, The Journal News, já criou, e está a desenvolver, o seu próprio instrumento  - o Impact Tracker.

A ideia nasceu em The Journal Media News Group, nos subúrbios a norte de Nova Iorque, entre a directora executiva Traci Bauer e a directora digital, Anjanette Delgado, em Janeiro de 2015. Como explica a primeira, em entrevista à Columbia Journalism Review, “se nos deixarmos escravizar por aqueles outros intrumentos de medida à custa do não conhecimento do impacto, vamos acordar um dia e ficar muito arrependidos, como indústria”. (...) 

Outro jornalista, Frank Scandale, membro da equipa que fez o Denver Post ganhar o Pulitzer Prize pela cobertura do tiroteio no liceu de Columbine, conta que prémios como o Pulitzer Prize for Public Service “assentam desde sempre na questão do impacto, mas outras histórias investigadas em profundidade, que não foram nomeadas para esse concurso, têm também importância”. (...) 

Quando se fala em consequências de reportagem de investigação, as perguntas habituais são: “Foram votadas novas medidas legais? Alguém foi demitido? Foi lançado um inquérito?” Mas não tem que ser apenas este lado da questão: 

“Entre os seus exemplos favoritos do efeito de impacto, Traci Bauer menciona uma medalha Purple Heart encontrada na beira de uma estrada e que acabou por ser restituída aos membros da família, e um restaurante popular de comida alemã que pôde reabrir depois de um primeiro encerramento.” 

“[As consequências] não têm que ser sempre alguém que é demitido, ou que vai parar à cadeia, embora essas também possam ser muito boas”  - diz Traci Bauer, com uma risada. “Podem ser muito mais brandas.” 

“Outro exemplo, muito recente, veio de uma reportagem feita numa quinta de cultivo de árvores de Natal. A repórter Heather Clark contou que logo no primeiro dia as vendas eram o dobro e chegavam visitantes de uma área mais vasta. Como lhe explicou o dono, ‘a única coisa diferente do ano passado foi que vocês escreveram sobre nós’.” (...) 

Mas Traci Bauer adverte que não se trata de substituir os anteriores instrumentos de medida e apostar tudo na nova ferramenta:

“Se ignorarmos as outras medidas e nos focarmos em exclusivo no impacto, corremos o risco de perder a audiência. Temos de medir tudo e juntar tudo para tomar decisões estratégicas.” (...) 

 

Mais informação na Columbia Journalism Review

Connosco
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Em Outubro de 2017, a jornalista Daphne Caruana Galizia, que investigava as ligações políticas perigosas da corrupção na ilha de Malta, foi morta num atentado à bomba. Hoje, uma equipa de 45 jornalistas, de 18 órgãos de comunicação de todo o mundo, está a trabalhar no Projecto Daphne, uma série de artigos que possam completar a sua investigação. Este projecto inscreve-se na missão de Forbidden Stories, cujo fundador, o realizador francês Laurent Richard, reafirmou em artigo recente em The Guardian: “Vocês mataram o mesageiro, mas não conseguirão matar a mensagem.”

Jornalismo de investigação é a melhor arma contra a propaganda Ver galeria

O combate à desinformação online tornou-se o tema incontornável de todos os encontros de jornalistas. Mas um dos painéis realizados na mais recente edição do Festival Internacional de Jornalismo, em Perugia, Itália, escutou intervenções que sugerem uma atitude menos confrontacional. A ideia é que resulta melhor investir num jornalismo de investigação no terreno, mesmo que tome mais tempo, do que tentar a batalha sempre perdida de aguentar o ritmo de produção das grandes máquinas de propaganda. Falaram neste sentido vozes experimentadas, de jornalistas como Galina Timchenko, russa, fundadora e directora do website Meduza, e Natalia Anteleva, georgiana, co-fundadora e editora de Coda Story.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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24
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Abr
Google Analytics para Jornalistas
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