Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
Media

Medir o impacto de uma reportagem para além dos “clicks”

Os meios de comunicação digitais habituaram-se a calcular a adesão da sua audiência por uma série de dados, como o número dos clicks de entrada, o tempo de leitura, a maior ou menor fidelidade de um determinado visitante. Estes dados já podem ser medidos, mas ainda há muito debate sobre o seu real significado, em termos do verdadeiro interesse do leitor e das consequências dessa leitura. Um novo passo tecnológico está agora em marcha, com ferramentas para medir o impacto do que foi publicado, e um jornal local nos Estados Unidos, The Journal News, já criou, e está a desenvolver, o seu próprio instrumento  - o Impact Tracker.

A ideia nasceu em The Journal Media News Group, nos subúrbios a norte de Nova Iorque, entre a directora executiva Traci Bauer e a directora digital, Anjanette Delgado, em Janeiro de 2015. Como explica a primeira, em entrevista à Columbia Journalism Review, “se nos deixarmos escravizar por aqueles outros intrumentos de medida à custa do não conhecimento do impacto, vamos acordar um dia e ficar muito arrependidos, como indústria”. (...) 

Outro jornalista, Frank Scandale, membro da equipa que fez o Denver Post ganhar o Pulitzer Prize pela cobertura do tiroteio no liceu de Columbine, conta que prémios como o Pulitzer Prize for Public Service “assentam desde sempre na questão do impacto, mas outras histórias investigadas em profundidade, que não foram nomeadas para esse concurso, têm também importância”. (...) 

Quando se fala em consequências de reportagem de investigação, as perguntas habituais são: “Foram votadas novas medidas legais? Alguém foi demitido? Foi lançado um inquérito?” Mas não tem que ser apenas este lado da questão: 

“Entre os seus exemplos favoritos do efeito de impacto, Traci Bauer menciona uma medalha Purple Heart encontrada na beira de uma estrada e que acabou por ser restituída aos membros da família, e um restaurante popular de comida alemã que pôde reabrir depois de um primeiro encerramento.” 

“[As consequências] não têm que ser sempre alguém que é demitido, ou que vai parar à cadeia, embora essas também possam ser muito boas”  - diz Traci Bauer, com uma risada. “Podem ser muito mais brandas.” 

“Outro exemplo, muito recente, veio de uma reportagem feita numa quinta de cultivo de árvores de Natal. A repórter Heather Clark contou que logo no primeiro dia as vendas eram o dobro e chegavam visitantes de uma área mais vasta. Como lhe explicou o dono, ‘a única coisa diferente do ano passado foi que vocês escreveram sobre nós’.” (...) 

Mas Traci Bauer adverte que não se trata de substituir os anteriores instrumentos de medida e apostar tudo na nova ferramenta:

“Se ignorarmos as outras medidas e nos focarmos em exclusivo no impacto, corremos o risco de perder a audiência. Temos de medir tudo e juntar tudo para tomar decisões estratégicas.” (...) 

 

Mais informação na Columbia Journalism Review

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Um fotojornalista português, Mário Cruz, da Agência Lusa, figura entre os nomeados para o World Press Photo 2019, o mais prestigiado prémio de fotojornalismo do mundo, cuja identidade e trabalhos a concurso foram agora conhecidos. A Fundação organizadora introduziu também uma nova categoria a ser premiada, a História do Ano, destinada a “fotógrafos cuja criatividade e habilidades visuais produziram uma história com excelente edição e sequenciamento, que captura ou representa um evento ou assunto de grande importância jornalística”.

A imagem de Mário Cruz, intitulada “Viver entre o que foi deixado para trás”, mostra uma criança recolhendo material reciclável, deitada num colchão cercado por lixo, enquanto flutua no rio Pasig, em Manila, nas Filipinas.

Os vencedores do concurso serão conhecidos na cerimónia marcada para 11 de Abril, em Amesterdão, na Holanda.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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