Sábado, 25 de Maio, 2019
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Jornalismo na era digital: “cão de guarda” ou “cão de colo”?

A Internet cresceu depressa, de 400 milhões de utentes em 2000 para os cerca de 3,5 milhares de milhões que tem hoje. Para os media, passarem a estar online trouxe desafios extraordinários. O jornalismo, como “cão de guarda” para vigiar os abusos do poder, é cada vez mais criticado, ameaçado e atacado tanto por interesses de empresas como por poderes globais, sendo ainda objecto de descrédito público em consequência da proliferação das chamadas “notícias falsas”. O Global Internet Report 2017, agora divulgado pela organização não-lucrativa Internet Society, põe, em última instância, a questão de saber se o futuro do jornalismo na Internet é o de ser um “cão de guarda” ou um “cão de colo”. 

“Este é um grande momento para a Internet. À medida que nos envolvíamos, com a nossa comunidade, no desenvolvimento deste relatório, tornava-se claro que as pessoas estão ansiosas quanto ao futuro da Internet”  -  afirma-se no sumário do trabalho.  

“Alguns vêem um futuro assustador que nos aguarda num mundo conduzido pela tecnologia. Há pontos de vista em conflito sobre se a Internet é uma influência positiva ou negativa e, enquanto ela se torna cada vez mais central nas nossas vidas modernas, vemos que alguns começam a rejeitar a visão de um mundo globalizado que ela promoveu. Pelo outro lado, comunidades acabadas de entrar online vêem a Internet como ‘vida’  - como a sua ligação à oportunidade e à liberdade -  e querem ter a possibilidade de influenciar o seu futuro.” (…)  

Este estudo parte do projecto, lançado na Internet Society em 2016, de “compreender as forças de mudança que vão dar forma à Internet nos próximos cinco a sete anos”. Foram realizados três inquéritos globais e dois regionais, que recolheram mais de três mil respostas vindas de 160 países. Foram ainda entrevistados mais de 130 peritos e utentes da Internet, e organizada mais de uma dezena de mesas-redondas.  

A partir de todos os dados recolhidos, foram identificadas seis forças principais, “impulsionadoras de mudança”, que vão ter um impacto profundo no futuro da Internet nos próximos anos: A Internet e o mundo físico, a Inteligência artificial, as Ciber-ameaças, a Economia da Internet, as Redes, Normas e Inter-funcionalidade, e por fim o Papel do Governo.  

O Relatório conclui com dez recomendações para o futuro da Internet:

  1. – Os valores humanos devem conduzir o desenvolvimento e uso da técnica. É necessário um debate público para que a sociedade se ponha de acordo sobre padrões éticos e normas de uso das tecnologias emergentes. (…)
  2. – Os direitos humanos devem ser aplicados online do mesmo modo que offline. Os governos devem deixar de recorrer ao bloqueio da Internet e outros meios de lhe negarem acesso como ferramenta política: devemos manter a Internet ligada. (…)
  3. – Os interesses dos utentes devem estar em primeiro lugar no que respeita aos seus dados. Todos os utentes devem poder controlar o modo como os seus dados são consultados, recolhidos, usados, partilhados e armazenados. (…)
  4. – É preciso agir agora para acabar com a separação digital. Seguindo os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, providenciar acesso universal e acessível à Internet nos países menos desenvolvidos até 2020. (…)
  5. – Fazer com que a economia da Internet funcione para toda a gente. Governos, instituições e indústrias devem dar prioridade ao objectivo de conseguir que as pessoas fiquem a par da inovação e do seu impacto nos empregos. (…)
  6. – Assumir uma abordagem de cooperação no que respeita à segurança. Deve ser tornada mais fácil para os utentes a segurança online. (…)
  7. – Aumentar a responsabilização dos que lidam com os dados. São essas entidades que devem ser responsabilizadas pelo seu abuso e pela segurança, não os utentes. (…)
  8. – Construir redes fortes, seguras e resilientes. Uma inter-funcionalidade baseada em normas abertas, alcance global e integridade. (…)
  9. – Atender à necessidade de normas sociais online. Tornar a Internet um espaço seguro em que todos estejam livres de violência e assédio online. (…)
  10. – Dar às pessoas o poder de moldarem o seu próprio futuro. Todos os accionistas devem apoiar a sociedade civil no seu papel de proteger e promover os direitos humanos online. (…)

 

O texto de apresentação deste estudo, na Ethical Journalism Network, com o link para o Global Internet Report 2017, em PDF

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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