Segunda-feira, 22 de Outubro, 2018
Fórum

Jornalismo na era digital: “cão de guarda” ou “cão de colo”?

A Internet cresceu depressa, de 400 milhões de utentes em 2000 para os cerca de 3,5 milhares de milhões que tem hoje. Para os media, passarem a estar online trouxe desafios extraordinários. O jornalismo, como “cão de guarda” para vigiar os abusos do poder, é cada vez mais criticado, ameaçado e atacado tanto por interesses de empresas como por poderes globais, sendo ainda objecto de descrédito público em consequência da proliferação das chamadas “notícias falsas”. O Global Internet Report 2017, agora divulgado pela organização não-lucrativa Internet Society, põe, em última instância, a questão de saber se o futuro do jornalismo na Internet é o de ser um “cão de guarda” ou um “cão de colo”. 

“Este é um grande momento para a Internet. À medida que nos envolvíamos, com a nossa comunidade, no desenvolvimento deste relatório, tornava-se claro que as pessoas estão ansiosas quanto ao futuro da Internet”  -  afirma-se no sumário do trabalho.  

“Alguns vêem um futuro assustador que nos aguarda num mundo conduzido pela tecnologia. Há pontos de vista em conflito sobre se a Internet é uma influência positiva ou negativa e, enquanto ela se torna cada vez mais central nas nossas vidas modernas, vemos que alguns começam a rejeitar a visão de um mundo globalizado que ela promoveu. Pelo outro lado, comunidades acabadas de entrar online vêem a Internet como ‘vida’  - como a sua ligação à oportunidade e à liberdade -  e querem ter a possibilidade de influenciar o seu futuro.” (…)  

Este estudo parte do projecto, lançado na Internet Society em 2016, de “compreender as forças de mudança que vão dar forma à Internet nos próximos cinco a sete anos”. Foram realizados três inquéritos globais e dois regionais, que recolheram mais de três mil respostas vindas de 160 países. Foram ainda entrevistados mais de 130 peritos e utentes da Internet, e organizada mais de uma dezena de mesas-redondas.  

A partir de todos os dados recolhidos, foram identificadas seis forças principais, “impulsionadoras de mudança”, que vão ter um impacto profundo no futuro da Internet nos próximos anos: A Internet e o mundo físico, a Inteligência artificial, as Ciber-ameaças, a Economia da Internet, as Redes, Normas e Inter-funcionalidade, e por fim o Papel do Governo.  

O Relatório conclui com dez recomendações para o futuro da Internet:

  1. – Os valores humanos devem conduzir o desenvolvimento e uso da técnica. É necessário um debate público para que a sociedade se ponha de acordo sobre padrões éticos e normas de uso das tecnologias emergentes. (…)
  2. – Os direitos humanos devem ser aplicados online do mesmo modo que offline. Os governos devem deixar de recorrer ao bloqueio da Internet e outros meios de lhe negarem acesso como ferramenta política: devemos manter a Internet ligada. (…)
  3. – Os interesses dos utentes devem estar em primeiro lugar no que respeita aos seus dados. Todos os utentes devem poder controlar o modo como os seus dados são consultados, recolhidos, usados, partilhados e armazenados. (…)
  4. – É preciso agir agora para acabar com a separação digital. Seguindo os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, providenciar acesso universal e acessível à Internet nos países menos desenvolvidos até 2020. (…)
  5. – Fazer com que a economia da Internet funcione para toda a gente. Governos, instituições e indústrias devem dar prioridade ao objectivo de conseguir que as pessoas fiquem a par da inovação e do seu impacto nos empregos. (…)
  6. – Assumir uma abordagem de cooperação no que respeita à segurança. Deve ser tornada mais fácil para os utentes a segurança online. (…)
  7. – Aumentar a responsabilização dos que lidam com os dados. São essas entidades que devem ser responsabilizadas pelo seu abuso e pela segurança, não os utentes. (…)
  8. – Construir redes fortes, seguras e resilientes. Uma inter-funcionalidade baseada em normas abertas, alcance global e integridade. (…)
  9. – Atender à necessidade de normas sociais online. Tornar a Internet um espaço seguro em que todos estejam livres de violência e assédio online. (…)
  10. – Dar às pessoas o poder de moldarem o seu próprio futuro. Todos os accionistas devem apoiar a sociedade civil no seu papel de proteger e promover os direitos humanos online. (…)

 

O texto de apresentação deste estudo, na Ethical Journalism Network, com o link para o Global Internet Report 2017, em PDF

Connosco
Universidades que promovem o ensino e a prática de jornalismo de investigação Ver galeria

A sociedade necessita de um jornalismo de investigação que fica caro, e esta necessidade “chega num momento de grande tensão financeira para uma indústria maciçamente perturbada pelas novas tecnologias e alterações económicas”.

“Acreditamos que este tipo de jornalismo, em defesa do povo americano, é mais importante do que nunca na presente cacofonia de informação confusa, contraditória e enganadora, já para não falar de cepticismo  - ou por vezes rejeição absoluta -  dos factos.”

Esta reflexão é assinada por Christopher Callahan e Leonard Downie Jr., docentes na Universidade Estatal do Arizona, sobre a criação de dois centros de ensino de jornalismo de investigação, um na Universidade referida, outro na de Maryland. Tendo em conta a “proliferação de centros de reportagem de investigação independentes, sem objectivo de lucro, em grande parte financiados por [mecenato] filantrópico”, as universidades “estão prontas a assumir funções de liderança neste novo ecossistema de jornalismo de investigação”  - afirmam no seu texto.

Jornalista e historiador de Macau vencem Prémio de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".
A Acta do Júri destaca, no primeiro caso, que Catarina Brito Soares  consegue desenhar com o seu texto “uma panorâmica das leituras mais frequentes em Macau, com um levantamento de livros e autores que circulam livremente no território, incluindo alguns que, por diferentes razões, têm limites de acesso fora da RAEM”.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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