Quinta-feira, 21 de Junho, 2018
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Jornalismo na era digital: “cão de guarda” ou “cão de colo”?

A Internet cresceu depressa, de 400 milhões de utentes em 2000 para os cerca de 3,5 milhares de milhões que tem hoje. Para os media, passarem a estar online trouxe desafios extraordinários. O jornalismo, como “cão de guarda” para vigiar os abusos do poder, é cada vez mais criticado, ameaçado e atacado tanto por interesses de empresas como por poderes globais, sendo ainda objecto de descrédito público em consequência da proliferação das chamadas “notícias falsas”. O Global Internet Report 2017, agora divulgado pela organização não-lucrativa Internet Society, põe, em última instância, a questão de saber se o futuro do jornalismo na Internet é o de ser um “cão de guarda” ou um “cão de colo”. 

“Este é um grande momento para a Internet. À medida que nos envolvíamos, com a nossa comunidade, no desenvolvimento deste relatório, tornava-se claro que as pessoas estão ansiosas quanto ao futuro da Internet”  -  afirma-se no sumário do trabalho.  

“Alguns vêem um futuro assustador que nos aguarda num mundo conduzido pela tecnologia. Há pontos de vista em conflito sobre se a Internet é uma influência positiva ou negativa e, enquanto ela se torna cada vez mais central nas nossas vidas modernas, vemos que alguns começam a rejeitar a visão de um mundo globalizado que ela promoveu. Pelo outro lado, comunidades acabadas de entrar online vêem a Internet como ‘vida’  - como a sua ligação à oportunidade e à liberdade -  e querem ter a possibilidade de influenciar o seu futuro.” (…)  

Este estudo parte do projecto, lançado na Internet Society em 2016, de “compreender as forças de mudança que vão dar forma à Internet nos próximos cinco a sete anos”. Foram realizados três inquéritos globais e dois regionais, que recolheram mais de três mil respostas vindas de 160 países. Foram ainda entrevistados mais de 130 peritos e utentes da Internet, e organizada mais de uma dezena de mesas-redondas.  

A partir de todos os dados recolhidos, foram identificadas seis forças principais, “impulsionadoras de mudança”, que vão ter um impacto profundo no futuro da Internet nos próximos anos: A Internet e o mundo físico, a Inteligência artificial, as Ciber-ameaças, a Economia da Internet, as Redes, Normas e Inter-funcionalidade, e por fim o Papel do Governo.  

O Relatório conclui com dez recomendações para o futuro da Internet:

  1. – Os valores humanos devem conduzir o desenvolvimento e uso da técnica. É necessário um debate público para que a sociedade se ponha de acordo sobre padrões éticos e normas de uso das tecnologias emergentes. (…)
  2. – Os direitos humanos devem ser aplicados online do mesmo modo que offline. Os governos devem deixar de recorrer ao bloqueio da Internet e outros meios de lhe negarem acesso como ferramenta política: devemos manter a Internet ligada. (…)
  3. – Os interesses dos utentes devem estar em primeiro lugar no que respeita aos seus dados. Todos os utentes devem poder controlar o modo como os seus dados são consultados, recolhidos, usados, partilhados e armazenados. (…)
  4. – É preciso agir agora para acabar com a separação digital. Seguindo os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, providenciar acesso universal e acessível à Internet nos países menos desenvolvidos até 2020. (…)
  5. – Fazer com que a economia da Internet funcione para toda a gente. Governos, instituições e indústrias devem dar prioridade ao objectivo de conseguir que as pessoas fiquem a par da inovação e do seu impacto nos empregos. (…)
  6. – Assumir uma abordagem de cooperação no que respeita à segurança. Deve ser tornada mais fácil para os utentes a segurança online. (…)
  7. – Aumentar a responsabilização dos que lidam com os dados. São essas entidades que devem ser responsabilizadas pelo seu abuso e pela segurança, não os utentes. (…)
  8. – Construir redes fortes, seguras e resilientes. Uma inter-funcionalidade baseada em normas abertas, alcance global e integridade. (…)
  9. – Atender à necessidade de normas sociais online. Tornar a Internet um espaço seguro em que todos estejam livres de violência e assédio online. (…)
  10. – Dar às pessoas o poder de moldarem o seu próprio futuro. Todos os accionistas devem apoiar a sociedade civil no seu papel de proteger e promover os direitos humanos online. (…)

 

O texto de apresentação deste estudo, na Ethical Journalism Network, com o link para o Global Internet Report 2017, em PDF

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