Segunda-feira, 22 de Janeiro, 2018
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Jornalismo na era digital: “cão de guarda” ou “cão de colo”?

A Internet cresceu depressa, de 400 milhões de utentes em 2000 para os cerca de 3,5 milhares de milhões que tem hoje. Para os media, passarem a estar online trouxe desafios extraordinários. O jornalismo, como “cão de guarda” para vigiar os abusos do poder, é cada vez mais criticado, ameaçado e atacado tanto por interesses de empresas como por poderes globais, sendo ainda objecto de descrédito público em consequência da proliferação das chamadas “notícias falsas”. O Global Internet Report 2017, agora divulgado pela organização não-lucrativa Internet Society, põe, em última instância, a questão de saber se o futuro do jornalismo na Internet é o de ser um “cão de guarda” ou um “cão de colo”. 

“Este é um grande momento para a Internet. À medida que nos envolvíamos, com a nossa comunidade, no desenvolvimento deste relatório, tornava-se claro que as pessoas estão ansiosas quanto ao futuro da Internet”  -  afirma-se no sumário do trabalho.  

“Alguns vêem um futuro assustador que nos aguarda num mundo conduzido pela tecnologia. Há pontos de vista em conflito sobre se a Internet é uma influência positiva ou negativa e, enquanto ela se torna cada vez mais central nas nossas vidas modernas, vemos que alguns começam a rejeitar a visão de um mundo globalizado que ela promoveu. Pelo outro lado, comunidades acabadas de entrar online vêem a Internet como ‘vida’  - como a sua ligação à oportunidade e à liberdade -  e querem ter a possibilidade de influenciar o seu futuro.” (…)  

Este estudo parte do projecto, lançado na Internet Society em 2016, de “compreender as forças de mudança que vão dar forma à Internet nos próximos cinco a sete anos”. Foram realizados três inquéritos globais e dois regionais, que recolheram mais de três mil respostas vindas de 160 países. Foram ainda entrevistados mais de 130 peritos e utentes da Internet, e organizada mais de uma dezena de mesas-redondas.  

A partir de todos os dados recolhidos, foram identificadas seis forças principais, “impulsionadoras de mudança”, que vão ter um impacto profundo no futuro da Internet nos próximos anos: A Internet e o mundo físico, a Inteligência artificial, as Ciber-ameaças, a Economia da Internet, as Redes, Normas e Inter-funcionalidade, e por fim o Papel do Governo.  

O Relatório conclui com dez recomendações para o futuro da Internet:

  1. – Os valores humanos devem conduzir o desenvolvimento e uso da técnica. É necessário um debate público para que a sociedade se ponha de acordo sobre padrões éticos e normas de uso das tecnologias emergentes. (…)
  2. – Os direitos humanos devem ser aplicados online do mesmo modo que offline. Os governos devem deixar de recorrer ao bloqueio da Internet e outros meios de lhe negarem acesso como ferramenta política: devemos manter a Internet ligada. (…)
  3. – Os interesses dos utentes devem estar em primeiro lugar no que respeita aos seus dados. Todos os utentes devem poder controlar o modo como os seus dados são consultados, recolhidos, usados, partilhados e armazenados. (…)
  4. – É preciso agir agora para acabar com a separação digital. Seguindo os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, providenciar acesso universal e acessível à Internet nos países menos desenvolvidos até 2020. (…)
  5. – Fazer com que a economia da Internet funcione para toda a gente. Governos, instituições e indústrias devem dar prioridade ao objectivo de conseguir que as pessoas fiquem a par da inovação e do seu impacto nos empregos. (…)
  6. – Assumir uma abordagem de cooperação no que respeita à segurança. Deve ser tornada mais fácil para os utentes a segurança online. (…)
  7. – Aumentar a responsabilização dos que lidam com os dados. São essas entidades que devem ser responsabilizadas pelo seu abuso e pela segurança, não os utentes. (…)
  8. – Construir redes fortes, seguras e resilientes. Uma inter-funcionalidade baseada em normas abertas, alcance global e integridade. (…)
  9. – Atender à necessidade de normas sociais online. Tornar a Internet um espaço seguro em que todos estejam livres de violência e assédio online. (…)
  10. – Dar às pessoas o poder de moldarem o seu próprio futuro. Todos os accionistas devem apoiar a sociedade civil no seu papel de proteger e promover os direitos humanos online. (…)

 

O texto de apresentação deste estudo, na Ethical Journalism Network, com o link para o Global Internet Report 2017, em PDF

Connosco
Quatro congressos de jornalistas e gestores de Media em Portugal Ver galeria

Vão decorrer este ano, em Lisboa e Cascais, quase em simultâneo, quatro importantes encontros internacionais de jornalistas, directores e proprietários de media, ou ainda de especialistas nas novas tecnologias digitais aplicadas à comunicação. O título que os agrupa todos é Media Summit, e os dois mais concorridos trazem ao nosso País, cada um deles, perto de um milhar de participantes. Entre o final de Maio e o princípio de Junho, os grandes nomes de referência dos jornais e agências de Imprensa, os Repórteres sem Fronteiras como o Consórcio Internacional de Jornalistas, as plataformas das redes sociais como os representantes da Federação Internacional de Jornalistas, vão poder, pela proximidade física entre todos os eventos, avaliar problemas diversos ou comuns e, eventualmente, marcar encontros entre si.

António Lobo Xavier em Janeiro no novo ciclo de jantares-debate do CPI Ver galeria

O novo ciclo de jantares-debate,  promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o  Grémio Literário, subordinado ao tema genérico O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções” prossegue  no próximo dia 24 de Janeiro, sendo orador convidado António Lobo Xavier, advogado, político e conselheiro de Estado designado por Marcelo Rebelo de Sousa.  

António Bernardo Aranha da Gama Lobo Xavier, de seu nome completo, nasceu em Coimbra em 1959, e é um prestigiado advogado, ligado desde a juventude ao CDS-PP, com uma intervenção política regular e respeitada, designadamente, no programa televisivo “Quadratura do Círculo”, no qual participa desde 2004.


O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Como será o ano de 2018 para os mídia e a actividade publicitária? Vamos então brincar às bolas de cristal. Em primeiro lugar as estações de televisão generalistas estão a perder espectadores e estas quedas são mais rápidas do que se pensava. A culpa, já se sabe, é da internet – que é a razão para todas as crises de mídia do mundo. Explicando melhor, a culpa é do...
Jornalismo melhor ou pior em Portugal?
Francisco Sarsfield Cabral
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Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...
Se 2016 foi o ano em que se tornou evidente o impacto do Facebook e da Google nos meios de comunicação social tradicionais em termos de perda de receita publicitária, então 2017 foi quando se tornou impossível ignorar outros impactos. O ano que agora começa pode acelerar essas tendências ou testemunhar uma intensificação dos esforços recentes para as contrariar. No Reino Unido, o Parlamento deu ao Facebook e ao Twitter...
Gostaria de felicitar a Assembleia da República pela organização desta Conferência sobre a agência portuguesa de notícias – LUSA. Três razões justificam, só por si, a iniciativa. Passo a enunciá-las. Primeira razão: a LUSA é hoje, e de longe, o principal fornecedor de conteúdos para os órgãos de comunicação social portugueses. Cerca de 70% do material informativo que...
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